A nossa civilização é um pouco mais fragil do que parece. As nossas cidades e as nossas vidas estão organizadas como se o petroleo fosse um recurso inesgotavel. Algumas das medidas que têm sido tomadas para contrariar essa dependência têm efeitos colaterais que podiam ter sido antecipados. Veja-se por exemplo o caso da produção de biodiesel a partir de arroz, soja, trigo e milho, que nos trazem de volta o espectro da falta de alimentos. Pois é, há por aí muito rico que se tiver de escolher entre a sua gasolina e a comida do outro, prefere a sua gasolina. Alguém tem dúvidas sobre isso? A Constituição pode garantir tudo aquilo que nós quizermos, mas ninguém come a Constituição.
Pode-se discutir à vontade se o aquecimento global é a sério ou a brincar, mas só um louco pode usar esse debate para se tentar esquecer de que não podemos continuar a poluir o planeta impunemente.
Se queremos ter um mínimo de controle sobre o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos não podemos deixar que as instituições democraticas continuem a degradar-se, se é que ainda funcionam. Se a democracia formal não está em risco, o que é que existe para além da ilusão da escolha? A aprovação do tratado cá na terrinha sem consulta pública e, pior que isso, sem discussão, não é perigosa por pôr em risco a soberania nacional, que há muito deixou de existir. É perigosa porque as instituições europeias não estão a ser controladas pelos europeus. A democracia é cada vez mais uma ilusão.
A crise do PSD pode dar vontade de rir, mas não tem graça nenhuma. Num sistema em que pouco mais se pode fazer do que escolher entre dois partidos e usar os outros como depositários do voto de protesto, se um entra em coma ficamos nas mãos dos dirigentes do outro.
É por isso que o 25 de Abril não é mais um feriado para comemorar uma vez por ano.
































