quinta-feira, abril 3

O Monstro

O jovem Adso foi encarregado pelo seu abade de acabar com a teimosia dos camponeses. Recusam-se a ceifar o trigo por causa dos monstros verdes que nasceram na planície. Bem tentou o piedoso Adso lembrar-lhes as escrituras, ensinar-lhes que o diabo sempre veste de vermelho, convencê-los de que nada havia que temer. Dois dias depois o abade envia o despenseiro, homem prático mais habilitado para falar com gente simples. O despenseiro caminha para um dos monstros armado com a sua enorme faca de cozinha. Corta-lhe o pescoço de um só golpe. Dirige-se em seguida à aldeia com o monstro esquartejado debaixo do braço, enquanto lhe come as entranhas vermelhas e lhe cospe os dentes. Compreendem agora que não há nada a temer? Os aldeões fogem aterrorizados daquele novo monstro manchado de sangue, até que uma pedrada na cabeça o derruba. Minutos depois pouco resta do homem que comeu o monstro e como tal só podia ser também um monstro, esquartejado em tantos pedaços quanto as fatias em que tinha dividido a melancia.
Perante a confusão do Abade, Adso atreve-se a sugerir-lhe que chame o seu antigo mestre, um frade franciscano bem conhecido pela sua codícia. Frei Guilherme pede a hospitalidade do chefe da aldeia. Também ele partilha do temor pelos monstros. Roga a todos os camponeses que o acompanhem numa prece ao Senhor para que os alivie daquele tormento. Todos os dias repetia a oração e cada dia a faziam um pouco mais próximo dos monstros. Criou assim as condições para que os pobres aldeões aprendessem por eles próprios aquilo que ninguém lhes podia ensinar. Ensinou-os depois a semear melancias, cuja frescura lhes passou a mitigar a sede durante a ceifa.

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