terça-feira, dezembro 21

O Colapso da Segurança Social

Via João Pinto e Castro. Demasiado importante para eu ter escrúpulos em republicar isto.

Feminismo, Homossexualidade, Pornografia e Prostituição

O número de livros que referem a palavra "feminismo" começa a aumentar significativamente na década de 60, atingem um máximo perto do ano 2000 e depois decresce seguindo o gráfico da distribuição normal. Como interpretar este facto? Chegou-se a um consenso relativamente ao feminismo por essa altura? Mais interessante: a frequência dos livros que referem as palavras "pornografia", "homossexualidade" e "prostituição" segue curvas semelhantes. Aconteceu alguma mudança na nossa forma de pensar por volta de 1995?

segunda-feira, dezembro 20

GoogleLabs

A Google continua a surpreender-nos. O GoogleLabs permite-nos vasculhar a base de dados do GoogleBooks e ver a frequência com que uma determinada palavra aparece nos livros publicados ao longo dos anos. Por exemplo, vejam como a frequência das palavras AIDS, pedophile e feminist tem variado ao longo dos tempos. Os gráficos falam por si.
Comparemos a frequência das palavras Google, Microsoft e IBM, Freud Marx e Darwin e Heidegger e Wittgenstein.
Deus morreu? Parece que Nietzche sabia do que estava a falar. Ultimamente, até nem se está a dar assim tão mal... Na verdade, Deus e o Ateismo seguem de mãos dadas.
Descobri o Google Labs no blog do João Pinto e Castro, que anda muito divertido a explorar este novo brinquedo.

sábado, dezembro 18

Porquê?

Porque é que não temos um partido em que valha a pena votar?
Não há homens inteligentes e relativamente altruístas na política?
Há o Francisco Louçã, por exemplo. Pelos vistos, isso não chega.
Há muita gente inteligente a escrever blogues.
Muita gente percebe que vivemos numa cleptocracia, que os bancos agora até podem correr os riscos que quiserem. Se as coisas correrem mal, cá estaremos nós para pagar.
Também há muita gente que percebe que se os franceses se reformarem aos 62 e os alemães aos 67 alguém vai pagar a conta.
Que o país esteve a saque mas que também vivemos quase todos alegremente acima das nossas
possibilidades.
O mercado é em parte um mito com que nos querem aldrabar, em parte uma realidade que não podemos ignorar.
Uma solução viável para o país só poderá sair de alguém que esteja disposto a viver estas contradições. Como vivemos numa democracia, terá de ter uma base de apoio disposta a fazer o mesmo. Poucas pessoas estão dispostas a suportar esta tensão.
As guerras que não somos capazes de travar dentro dos nossos corações acabamos por travá-las por aí.
Depois, alguém acaba por apanhar os cacos.

Escrever é só empurrar a caneta.

Para quê fazê-lo, na ausência do risco tauromático de enfrentar ideias em pontas?

José Ortega y Gasset

sábado, outubro 16

Capitalismo, a outra utopia

Há indícios de que a procissão dos bancos (principalmente nos EUA) ainda vai no adro, pois foi avistado mais um cisne negro lá para as bandas das MBS:

The Second Leg Down of America’s Death Spiral
The Wheels Are Coming Off in MBS Land: All 50 State AGs Join Probe;
Banks Abandoning MERS Foreclosures.
AD

O meu desejo não é de todo o colapso dos EUA ou da Europa, que, maus que possam ser, são ainda do melhor que temos nesta esterqueira. Não vejo com bons olhos a mudança do primeiro plano para a China ou afins, e muito menos um colapso generalizado. Roma , sendo Roma, é melhor que a barbárie. Sou daqueles papalvos que acreditam na civilização ocidental e não quero ver as bibliotecas em ruínas (agora, a "city", ou Wall Street, can both cry me a river).
Seria até a favor dos bail-outs se achasse que funcionavam, injustos como são. Mas acho que não funcionam, e que aumentar a magnitude do colapso quando ele ocorrer. Parece-me que há um ciclo crescente: Quando o Long term capital management rebentou, disseram que tinha que ser salvo porque podia fazer ruir o sistema financeiro. O bail-out foi de 5 bilioes, ou algo assim, organizado por outras instituições financeiras. Sabendo o que sabemos hoje, dá para levar a sério que isso teria causado o tal colapso global? Ou que simplesmente serviu para salvar uns amigos que tinham que ser salvos?
Desde então temos progredido de bolha em bolha, de bail-out em bail-out, e os números e as instituições em risco, e o tamanho dos bail-outs só cresce. Desta vez mede-se nos triliões de dolares e é a economia mundial que está em risco. O que eu me pergunto é: não teriam as coisas sido diferentes se tivessemos deixado cair o LTC, ou se o Greenspan não tivesse "salvo" a economia após cada bolha? O LTC - um único fundo! - era "too big to fail", diziam. Depois a AIG era "too big to fail" (pergunto-me, se ser "too big" é argumento, porque é que não salvaram o fundo do Madoff), agora, claro, a economia toda é too big to fail, e para salvá-la empenhámos o Estado. Mas o Estado, que é too big to fail, já só pode ser salvo por fundos globais. Será o FMI too big to fail? Estamos nas ultimas décadas na situação de um tipo que tem gangrena num dedo e que não o corta porque não aceita a perda; mas agora a gangrena já vai no pescoço, e chegamos ao ponto em que cortar já nem é uma opção.
Não existia nada "too big to fail". Isso não é compatível com o capitalismo. O que havia era instituições à frente das quais estavam pessoas com amigos nos lugares certos. O que havia era interesses que não podiam ser lesados, e para os salvar alastrou-se o dano exponencialmente, porque o estado inteiro tem que cair antes que os seus donos possam descer dos seus poleiros. Num sistema capitalista os incompetentes teriam falido antes de serem too big to fail, e os mais capazes teriam tomado o seu lugar. Em vez disso temos o Estado a pagar para perpetuar como lideres de mercado os falhados do mesmo.

Se acham que estou a dramatizar com "as bibliotecas em ruínas", vejam o que se passa no Reino Unido. Redução de 80% nos fundos para o ensino superior. Todo o género de cursos a fechar, e investigadores em migração. Estamos a falar do Reino Unido, a perda de património intelectual é catastrófica. Que miserável estado de coisas quando a maralha da city for too big to fail e o Queens College for um luxo descartável. Confesso que sempre que passei pela City e vi a maralhada pedante sempre apressada nos seus fatinhos (ou, mais terra a terra, certos putos pedantes do ISCTE que se acham sumidades mas não conseguem sequer fazer as suas somas na cadeira de contabilidade) sentia-me no meio de um daqueles filmes de zombies que estão a voltar à moda. Agora já sei porquê. Aquela gula toda tinha que acabar em mastigação de cérebros.
A.

Socrates versus Socrates

Prozacland

Mais do que nunca, o título do blog faz sentido. E o primeiro post tornou-se actual.

muitos portugueses já têm ou terão dificuldades em manter o seu nível de vida e sobretudo a sua auto estima. Este blog pretende discutir estratégias pessoais e políticas para lidar com este problema
(Tenho que ir reler os posts para ver se realmente postei algo sobre isto).

Que fazer?

Votar, votar aonde? Tudo o que precisamos de saber sobre política está num episódio dos Simpsons. Os Kang raptaram Homer para saber quem manda no mundo. Ele explica: o presidente dos Estados Unidos, que é eleito dentro de um mês. Os dois extraterrestes tomam o lugar dos candidatos. Homer consegue fugir e desmascara-os. Eles riem-se. São os únicos candidatos, o povo nada mais pode fazer do que escolher um deles. Os nossos Kang são o PS e o PSD. Podemos votar em mais três partidos, mas não faz grande diferença. Um dos dois ganha.

P.S. É engraçado como quase todos os meus amigos que não costumam votar, agora mudaram de ideias. Um até já me manda abaixo-assinados por mail.

domingo, outubro 3

Triste República - Viva a República

Dificilmente o centenário da proclamação da Res pública, do governo pelo povo, poderia ser celebrado em piores circunstâncias. Nem o Povo nem os governantes mandam. A situação não é tão depressiva como nos tempos do Ultimato. Alguns dirão que para lá caminha.
Dito isto, confesso-me um ardente republicano. Ainda me lembro da última vez que fui a um mui conceituado instituto de investigação espanhol. Andavam a pintar paredes para receber A Infanta. Era da capacidade dos membros do instituto em adular a senhora, que de ciência não sabe a ponta dum corno, que dependia uma boa parte dos financiamentos da casa.
Viva a República!

sábado, outubro 2

Pensar mais, pensar melhor

A Globalização e a Moeda Única mergulharam Portugal numa crise estrutural. Só um esforço colectivo nos permitirá sair da situação em que nos encontramos. A classe média tem um papel decisivo a desempenhar na reinvenção do país. Descobriu o voto flutuante. Tornou-se mais sofisticada, permitindo que algumas empresas portuguesas lançassem com êxito produtos inovadores a nível mundial. Continua pouco esclarecida. Basta olhar para os anúncios dos produtos financeiros lançados pelos nossos bancos para o confirmar: PPR's que dão abatimentos no IRS no primeiro ano e rendimentos miseráveis nos anos seguintes, depósitos a prazo que dão um juro alto no último mês mas um juro médio ridículo. Como podemos transformar a nossa classe média?

A Inglaterra foi durante séculos o modelo que procurámos emular sempre que enfrentámos problemas. Nas últimas décadas esse papel passou a ser desempenhado pelos países nórdicos. Nunca nos preocupámos demasiado em tentar compreender quais os mecanismos que transformaram estas sociedades naquilo que são hoje. Há uma constante nos sistemas educativos destes países que ignoramos sistematicamente: o ênfase na aprendizagem do Pensamento Crítico nos ensinos secundário e universitário.

Um adolescente finlandês sabe reconhecer as falácias de raciocínio mais óbvias, aquelas que usamos todos os dias. Sabe identificar as hipóteses assumidas implicitamente pelo seu interlocutor e avaliar a sua credibilidade. Conhece os truques mais óbvios que se usam quando se quer concluir aquilo que mais nos convém de um conjunto de dados estatísticos. Reconhece facilmente uma tentativa de manipular as suas emoções de forma a mudar as suas opiniões. Quando chega ao mercado de trabalho este jovem sabe organizar as suas ideias e expô-las de forma articulada. Processa as críticas que lhe são feitas de forma racional, não as tomando como ataques pessoais. É difícil exagerar as vantagens comparativas de uma sociedade com uma percentagem significativa de membros que domina este tipo de competências. Basta lembrar que uma sociedade tem, sempre, os políticos que merece.

Não deveria o ensino da Matemática e da Física desenvolver pelo menos algumas destas capacidades? Com certeza que sim. Acontece que ao estudar ciências exactas estamos a lidar com objectos desligados das nossas emoções, o que facilita consideravelmente uma abordagem racional dos problemas. Numa língua natural a maior parte das afirmações que fazemos subentendem muitas outras afirmações não explicitadas. Há muito mais espaço para o nosso inconsciente tomar as rédeas dos acontecimentos. Pensar no dia-a-dia de forma racional exige uma disciplina que dificilmente pode ser adquirida fora dos bancos da escola. Existe uma relação de simbiose entre o ensino das Ciências Exactas e o ensino do Pensamento Crítico. As Ciências Exactas criam os hábitos de raciocínio que facilitam de forma decisiva a aprendizagem do Pensamento Crítico. Um jovem que aprende a pensar melhor no dia-a-dia vai melhorar significativamente os seus resultados a Matemática.

A Classe Média é um estrato social que se define mais pelas capacidades intelectuais do que pelo rendimento disponível. Introduzir o ensino do Pensamento Crítico no Ensino Secundário português seria uma contribuição importante para criar a médio prazo uma classe média capaz de gerar as elites, criar as dinâmicas e fazer as escolhas que nos permitirão ultrapassar os nossos problemas estruturais.

Perigoso, perigoso, é implementar ideias. O estudo do Pensamento Crítico está a ser introduzido no ensino universitário. Já existe uma cadeira de Pensamento Crítico na licenciatura em Informática da Universidade Nova e uma cadeira de opção de Pensamento Crítico nas licenciaturas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

domingo, setembro 19

Sonhar

Na primeira aula de uma cadeira de um Mestrado profissionalizante que eu às vezes lecciono costumo pedir aos alunos que falem dos seus percursos anteriores. É uma informação importante. Cada um sente-se obrigado no fim a referir que de alguma forma aquele era o sonho da sua vida. Mesmo que se esteja mesmo a ver pelo contexto que em muitos casos não é bem assim. Doi-me um bocado ouvir aquilo. Prometo sempre a mim próprio que da próxima ver que der o curso não falar neste assunto. Depois esqueço-me. Não quer isto dizer que eles não tenham outros sonhos.

Com o passar dos anos, haverá algum tesouro mais precioso do que ainda ter um sonho? Isso de ter um sonho depois dos trinta, dos quarenta, dos cinquenta, é uma coisas rara ou nem por isso? Não estou a falar em ganhar o euromilhões, comprar um Porsche, ou dormir com a Angelina ou o Brad.

sábado, setembro 18

60 e quantos?

Os franceses foram para a rua protestar porque querem continuar a reformar-se aos 60. 62 não lhes parece aceitável. Curiosamente muitos dos meus colegas franceses agonizam perante a ideia da reforma compulsiva aos 65. Com ela se vai a vã glória de mandar, talvez a sua identidade e outras coisas mais importantes.Mesmo para chegar lá é preciso ser prof de class exceptionelle e sei lá mais o quê.
O José Luís Sarmento concorda com os protestos franceses os aumentos de produtividade são suficientes para pagar esse ócio.
O problema é complexo. Limito-me a alinhavar umas ideias:

1. É verdade que a produtividade aumentou, mas nós também passámos a consumir muito mais. E a maior parte de nós não quer consumir menos.
2. A riqueza de um país não é um dado adquirido para sempre. Se os alemães trabalharem mais cinco anos do que os franceses, vão crescer mais. Os franceses não vão ficar onde estão: vão regredir, porque vão ser menos competitivos. E depois há os chineses.
3. A ideia de por a trabalhar todos a trabalhar até aos 67 é em grande parte utópica. Mesmo que a pessoa reúna condições físicas mínimas, não é garantido que ainda faça o trabalho tão bem quanto alguém mais jovem. Não se pode obrigar um professor do Ensino Secundário a aturar as criancinhas até aos 67. Brevemente, o mesmo se aplicará ao Ensino Superior. Pelas mesmas razões.
4. Estamos perante uma luta de gerações. São os nossos filhos que vão pagar as nossas reformas, algo que os nossos netos não vão fazer por eles. Os nossos filhos já estão a ser suficientemente penalizados pela crise actual.

O que é que vai acontecer?
O conceito de idade da reforma vai cair. Como já acontece hoje em dia, cada um de nós vai reformar-se quando quer, recebendo em função das contribuições que fez.
Não vamos poder ficar num emprego pelo tempo que quisermos. Vai ser preciso fazer testes caso lá queiramos continuar, como para a renovação da carta de condução.
Lá por uma pessoa largar a sua actividade principal, não quer dizer que pare de trabalhar. Pode continuar a desempenhar outras funções, eventualmente a tempo parcial.

Sempre pensei ficar a trabalhar até aos setenta. Sempre foi esse o limite na universidade. Agora já não tenho a certeza, não sei se vou ter pachorra para aturar as nossas chatices que inventam todos os dias. Por outro lado, se quiser mudar para outro actividade (bruxo ou algo assim) talvez convenha fazê-lo um pouco mais cedo.

domingo, setembro 5

Como é que alguém consegue viver sabendo que é pedófilo?

Para um homem que vive só, até pode ser fácil. Quando se tem duas filhas, é inevitável que até se faça por esconder o facto de si próprio. Torna-se mais difícil fazê-lo quando todo o país conhece o seu segredo. É por isso que os advogados de Carlos Cruz dedicam quase tanto tempo a tentar ganhar o caso na secretaria como a tentar descredibilizar a justiça.
Os media adoram este reality show. A única maneira de manter a história viva é ir dando tempo de antena às "vítimas". Cruz afirma que tem um convite para um talk show. Não duvido que seja verdade. Clara de Sousa nunca seria capaz de atacar um colega de profissão. Quando o entrevistou, pouco mais fez do que parecer ser agressiva.
Era importante ouvir Carlos Cruz dizer uma vez mais que o facto de o seu assistente pessoal ser um pedófilo condenado e fugido á polícia foi uma simples coincidência. Pois claro que sim...
Convinha perguntar quando é que vão aparecer no blog do CC as denúncias de políticos de outros partidos que também são pedófilos. Ele ameaçou esta semana publicá-las imediatamente após a sentença, não foi? Já agora: se ele não é do meio, como é que tem essas informações?
Carlos Cruz afirma que já não paga há três anos aos advogados. O seu advogado principal anunciou no dia em que aceitou o trabalho que não ia receber um tostão, pois a acusação era demasiado ignóbil. Faz parte das regras do jogo aproveitar todas as hipóteses para obter mais uma vitimização e poupar nos impostos. Já agora, convém ser consistente.
Finalmente, Carlos Cruz vale mesmo a pena gastares todo o teu dinheiro a empatar, empatar, empatar? O O.J. Simpsom foi ilibado, não foi? Valeu a pena? É injusto seres o único português importante que não se escapou à nossa justiça de brincadeira? És suficientemente esperto para teres percebido que não havia escapatória. Tinhas outras opções. Agora já estava tudo acabado.
Quando nos encontramos numa enrascada destas, confiamos naqueles senhores tão simpáticos que nos prometem milagres. Mas esses senhores também têm interesses e uns bolsos muito grandes que nunca se sentem cheios. Serão realmente os teus maiores amigos?

quarta-feira, julho 28

PORTO COVO - RUI VELOSO - ILHA DO PESSEGUEIRO.wmv



Já não há pessegueiro nenhum, mas continua a valer a pena passar por lá...

domingo, julho 18

Como tornar tolerável uma gripe de Julho?



Leva-se tempo a descobrir o João Gilberto. Quando se entranha, é pior do que uma droga.

domingo, julho 11

SMS

Finalmente aprendi a usá-los. Cada meio, a sua mensagem. Menos invasivo que o telefone, mais intimo que o e-mail. O meio ideal para transmitir Haikus.

terça-feira, junho 29

Um homem de sorte

Akio Morita, o fundador da Sony era uma homem poderoso. Como todos os homens com algum poder, ninguém lhe fazia frente. Tudo o que ele dissesse, estava correcto. Quase tudo. Quando ele tinha setenta anos o seu professor de flauta tradicional japonesa, um jovem de noventa anos, ainda o tratava uma vez por outra como um miudo descuidado que precisava que lhe puxassem as orelhas. Morita achava que essas aulas de flauta eram o segredo da longevidade do seu sucesso.
Ainda tenho uns tipos a chatearem-me uma vez por outra. Mas pouco. E uma professora de yoga. Ou de natação. Mas não é a mesma coisa. Na falta de um professor de flauta tradicional japonesa, espero continuar a ter por muitos anos algum amigo que faça o seu trabalho.

Não é impossível...

quinta-feira, junho 24

A treta H1N1

Afinal há teorias da conspiração que até são mais do que isso, como se pode ver neste post do Diogo. Ou então o Conselho da Europa está a ser manipulado pelos conspiromaníacos. Devo andar muito distraído. Tenho lido o Diário de Notícias e o Público e nem por uma vez tropecei nestas notícias.

Por favor, percam com o Brasil!

Repetem-se neste campeonato do mundo alguns dos encontros míticos de 66: Coreia do Norte, Brasil. Há porém algumas diferenças. Desta vez no jogo com o Brasil não temos nada a ganhar. Não sabemos se é preferível acabar em primeiro ou segundo lugar. Se descansarmos os nossos melhores jogadores temos uma vantagem decisiva para a próxima eliminatória. A equipa do grupo H que nos vai calhar vai ter de dar o máximo para se qualificar amanhã. O tempo de recuperação vai ser mínimo. Nem a Espanha teria hipóteses contra nós. Este é um daqueles casos em que ser racional paga mesmo dividendos, senhor Carlos Queiroz.

Uma lição de música...

domingo, junho 20

Não vou ao funeral de Saramago

Não conheço a família. Não ia lá fazer nada. Mas há uns tipos que gostam dos rituais sociais e até concorreram a cargos onde são pagos pelos nossos impostos para participar neles. Façam o seu trabalho! Não é pelo Saramago. Se o Cavaco pretende ser o presidente de todos os portugueses, era agora que tinha de o demonstrar. Não é, não senhor.
Como eu aqui escrevi na altura, a gafe de Cavaco não lhe atrapalhou a corrida para o segundo mandato, que agora parece garantido. Basta-lhe manter Sócrates no poder até à sua eleição. Por outro lado deixei de ver qualquer utilidade em votar Cavaco na esperança de ele fiscalizar Sócrates. Porque Cavaco não tem fiscalizado grande coisa. Porque Sócrates vai cair e vamos ter um presidente e um governo da mesma cor. O segundo mandato de Cavaco vai provavelmente esgotar-se no dia em que dissolver a Assembleia da República, algures durante o próximo ano. Votar em quem? Nem me consigo iludir com nenhum candidato. Na altura logo se vê, mas nem sei se vale a pena ir votar ou escolher alguém.
Já há algum tempo que se começa a pôr em causa a capacidade intelectual de Cavaco. Há por aí tantas doenças neurológicas degenerativas... É uma hipótese. Talvez o escloresamento da sua personalidade seja suficiente para explicar as suas atitudes menos conseguidas. De qualquer maneira, o seu segundo mandato afigura-se penoso. Como ele disse erradamente de Soares, vai precisar de toda a nossa ajuda para o completar. E não a vai ter.

sexta-feira, junho 18

Saramago

Diga-se o que se quiser da Pilar, a verdade é que ela (com a ajuda do Nobel) conseguiu contradizer toda a sua obra. O homem zangado com o mundo viveu e provavelmente morreu feliz.
PS: Alguém leu o último livro do Saramago? Muito se falou dele, mas ninguém se deu ao trabalho. Eu pedi-o emprestado outro dia, vamos a ver se agora arranjo tempo.

quinta-feira, junho 17

No les gusta los entrenadores

No Real Madrid o treinador foi sempre o elo mais fraco. Que o diga o Queiroz quando aceitou o cargo sem ter condições para impor as suas escolhas. Luís Aragonês levou a Espanha ao título europeu. Mas teve a lata de fazer o que era preciso: pôs o Raul a andar. Foi desterrado para o Galatasaray. Foram buscar o del Bosque, o gajo porreiro que não faz ondas. A equipa espanhola estava montada, era só manter. No Suiça-Espanha defrontavam-se dois treinadores que ganharam duas vezes a Champions League. A Espanha devia ganhar. Só que o antipático do Hitzfeld ganhou uma Taça com um Borussia Dortmund em quem ninguém tinha ouvido falar e outra com um Bayern mediano. O del Bosque chegou lá ao colo de duas super-equipas do Real Madrid. Não é a mesma coisa. O Hitzfeld mostrou como é.
Para nós foi o melhor resultado possível. A incerteza da vitória no grupo da Espanha dá-nos a hipótese de, caso a sorte nos sorria e consigamos acabar à frente da Costa do Marfim, apanharmos um adversário ultrapassavel nos oitavos de final. Seria a ironia suprema.

sábado, junho 12

Saldanha Sanches

Como é que eu não fiz um post quando este Homem morreu? Nunca se pôs em bicos de pés a reinvidicar o seu passado antifascistas, dizia as verdades mais inconvenientes como se da maior trivialidade se tratasse. Felizmente o Diogo tratou do assunto.

quinta-feira, junho 10

LIE TO ME

é a última série da Fox inspirada em "House". Cal Lightman, o "homem da luz" é o especialista do lado negro: ganha a vida a detectar as mentiras dos outros e descobrir as razões que os levam a mentir. Passa às quartas-feiras no Fox Channel e passa ou vai passar fora de horas na TVI. O paralelo com House é total: o protagonista, Tim Roth, é inglês como Hugh Laurie. A sua ajudante é tão doce como a doutora Cameron, etc.
Tudo gira à volta das consequências de apontar a luz para as sombras das nossas vidas. A multiplicação deste tipo de séries significa que algo mudou na psicologia e sociologia das sociedades em que vivemos. Vinte anos atrás estas este fenómeno seria impossível.

Este video é uma aplicação das conhecimentos divulgados na série à análise do comportamento do Berlusconi. Aqui vai a versão de nuestros hermanos. Falta agora a versão Socrates...
Neste vídeo Tim Roth procura distanciar-se do personagem. Não consegue evitar desviar os olhos quando afirma que não percebe nada nessa coisa de detectar mentiras. This is only to use when we watch politicians. Right! Ninguém quer viver com o peso de ser o Dr. Cal Lightman...
Aqui fica o mais famoso video de Tim Roth, quando ele era mais novinho.

domingo, junho 6

Soren Kierkegaard

Sem a ciência a nossa sociedade não podia pura e simplesmente continuar a existir. Mas a ciência não tem nada para nos dizer sobre a nossa vida. Devia ser a religião a ter algo a dizer sobre essas questões, mas as suas propostas perdem a sua força a cada dia que passa. Pelo menos se excluirmos os pensamentos de meia dúzia de pensadores mais ou menos periféricos. Dez anos depois da morte de Kierkeggard a sua obra parecia completamente esquecida. Foi redescoberta no princípio do século XX e teve uma influência decisiva em Heidegger. Sartre tentou construir uma versão ateia do pensamento de Kierkegaard. Deitou fora o bébé com a água do banho. Recentemente Kierkegaard voltou a receber o interesse que merece. A Relógio de Água está a publicar uma tradução portuguesa dos seus trabalhos e o Guardian dedicou-lhe um série de artigos bastante interessante. Várias obras estão disponíveis online. Tanbém há traduções da Guimarães.

sexta-feira, junho 4

"Deus morreu" (2)

Costuma-se identificar mito com ilusão. Prefiro usar mito no sentido de algo que dá sentido à vida. Aquilo que Nietzche acha que morreu, ou passou a estar de má saúde, foi o mito cristão. Algures durante o século dezanove alguma coisa mudou. Nem tem a ver com deixar de acreditar. Basta acreditar de outra maneira. Ou passar apenas a acreditar em acreditar.

quinta-feira, junho 3

Alguém tem dúvidas de que a história é escrita pelos vencedores?

O OMWO chamou-me a atenção para o último livro de Pat Buchanan, que põe em causa as nossas certezas acerca da duas grandes guerras da primeira metade do século XX. O Churchill não fica lá muito bem visto. Vale a pena ler o artigo da Wikipedia sobre o livro.
Abandonei as longas metragens. Isto agora é mais telenovelas.

terça-feira, junho 1

"Deus morreu"

O vosso Deus está morto e só os ignorantes o choram. Nietzsche, Assim falava Zaratustra

Que fazer perante um aforismo? Vale por si? Se não somos capazes de o interpretar, não percebemos nada?

segunda-feira, maio 31

Especial, porquê? (3)

O que é que te fascina tanto no Mourinho? É por ser de Setúbal como tu?
Nos resultados dos diversos campeonatos é um vencedor. Mas será mesmo? Não percebo nada de futebol, mas já tenho lido críticas. Mas no futebol contam é os resultados. E na vida?

domingo, maio 30

Há algum projecto de vida "tipo"?

Pergunta a MC nos comentários, acrescentando: Não me parece.

sábado, maio 29

What about the struggle to be the best, in your field?

The strugle to be good is overrated...

É claro que há toda uma série de medidas que podem minorar o problema do desemprego. É claro que melhorar a Justiça e a Educação aumenta a competitividade e potencia o crescimento económico a médio prazo. Isso não altera o essencial: uma política económica virada para promover o crescimento e combater a besta negra que retira às pessoas o seu amor próprio não funciona.

Happiness is overrated... (2)

É claro que há toda uma série de medidas que podem minorar o problema do desemprego. É claro que melhorar a Justiça e a Educação aumenta a competitividade e potencia o crescimento económico a médio prazo. Isso não altera o essencial: uma política económica virada para promover o crescimento e combater a besta negra que retira às pessoas o seu amor próprio não funciona.

segunda-feira, maio 24

Especial, porquê? (2)

Os Albuquerques que dominaram a Índia não eram mais homens do que aqueles que capitularam perante o Ultimato Britânico. Uma tecnologia superior decidiu ambas as situações. São os métodos de treino do Mourinho que marcam a diferença. Quem explica a um jogador o que fazer na situação X não pode competir com quem sabe ajudar o corpo desse jogador a descobrir como resolver a situação X.

domingo, maio 23

Happiness is overrated...

A crise económica e social em que estamos mergulhados ataca as fragilidades da nossa atitude perante a vida. Afinal, de que andamos à procura? Da felicidade? A maioria responderá que sim, claro. A maioria dos cristãos... a maioria dos comunistas...
Até o Bertrand Russel não resistiu a escrever um livro sobre A Conquista da Felicidade. A maioria está sempre errada.

sábado, maio 22

Especial, porquê?

Levar umas palmadinhas nas costas em Espanha, na Alemanha ou na Argentina por ser compatriota do Figo ou do Ronaldo é giro. Mas quando se fala no Mourinho, é outra coisa. Aí as palmadinhas são substituídas pelo respeito. O tipo não sabe só dar uns pontapés na bola. O tipo sabe pensar e sabe ser um líder. Esse respeito não tem preço.

segunda-feira, maio 10

A tirania de um príncipe numa oligarquia não é tão perigosa para o bem público como a apatia dos cidadãos numa democracia - Montesquieu

Pior ainda nas cleptocracias mal disfarçadas em que actualmente vivemos...
Mais que não seja, há que publicar uns posts no blog, se é que alguém ainda se lembra da sua existência.
A propósito do excelente post de Palmira F. Silva, no Jugular.

sábado, fevereiro 6

O Sexo dos Anjos


A Doutora Manuela ainda é líder do PSD? Não faço ideia! Bem, suponho que sim... Se não fosse, seria difícil passar por um blog sem tropeçar no seu nome. O que é que ela está lá a fazer? Ouvi no outro dia numa radio críticas ao facto de o ministro das finanças não se demitir. Pois, parece que a Assembleia da República anda um pouco mais irresponsavel do que o costume. A verdade é que o PS estava a pedi-las.
Há meses que evito os telejornais. Tenho dificuldade em perceber como é que alguém tem estomago para isso. Quando houver eleições antecipadas, avisem.