quinta-feira, dezembro 20

Mulheres: um conto científico

Eu ia àquele night club muitas vezes. A Tamara apresentava-me sempre a uma das dançarinas. Ela sentava-se na minha mesa, eu pedia umas bebidas e falavamos. Ela ia fazer o show e depois voltava. Os homens das mesas em volta invejavam-me. Depois ela dizia qualquer coisa do tipo: gostava que viesses ao meu quarto esta noite mas ... talvez amanhã.
Uma noite a Tamara apresentou-me a Gloria. Quando ela se levantava da mesa por qualquer razão acabava sempre por trocar umas palavras ou uns olhares com o mestre de cerimónias. Tratava-se de uma cumplicidade calma, não de um engate. Resolvi arriscar. Da vez seguinte que a Gloria se levantou passei pelo mestre de cerimónias e atirei: a sua mulher é muito simpática. Acertei. Ele achou que ela me tinha dito. Ficamos na conversa. Quando ela voltou, achou que ele me tinha dito. Depois do cabaret fechar fui até casa deles e assim nasceu uma bela amizade. Acabei por lhes perguntar porque é que a Tamara era tão simpática e me apresentava todas aquelas moças. A Gloria explicou-me: pouco antes da Tamara me apresentar a ti, disse-me: agora vou-te apresentar ao maior mãos largas cá do bar. Parece que tu da primeira vez que cá vieste pagaste uma rodada de champagne a toda a gente. Então era isso!
Confessei que andava meio frustrado. Como era possível que um tipo esperto como eu nunca tinha conseguido levar uma moça para a cama, quando tantos outros, que tratavam as moças abaixo de cão, o faziam sem qualquer dificuldade?

O John ficou de me dar uns conselhos. O problema fundamental é o seguinte: tu queres ser um cavalheiro simpático. Enquanto te comportares dessa forma, ela sabe como lidar contigo, conduz-te onde ela quiser. Como tal

1. Não te podes comportar como um cavalheiro em nenhuma circunstância.
2. Deves desrespeitar as moças.
3. Não lhes vais pagar NADA. Nem sequer um maço de cigarros até lhe perguntares se ela dorme contigo, ela responder que sim, e tu ficares absolutamente convencido que ela fala verdade.

uuhhhhh, isso pergunta-se?

16 comentários:

on disse...

"Hum... esta matilde que se apaixona por tipos geniais pela sua inteligência matemática (deduzo eu), e que depois mata as comichões com o Tozé... rapariga complicada, ein."

Pergunta o Hugo aqui:

http://daprosa.blogspot.com/2006/01/caridade-6-um-conto-cientfico.html

Chegou a altura de dar a resposta.

on disse...

A pergunta do Hugo refere-se ao meu conto

"Caridade, um conto científico",

que começa aqui:

http://daprosa.blogspot.com/2006/01/caridade-um-conto-cientfico.html

Jaime disse...

Só tenho uma dúvida. Se o herói do conto só queria ter sexo, porque é que se dava ao trabalho de cortejar as dançarinas e largar quantidades avultadas de dinheiro, quando era mais rápido, barato e garantido contratar uma prostituta?

on disse...

Este conto passa-se nos Estados Unidos, num estado onde a prostituição é proíbida.

Jaime disse...

Compreendo. O nosso herói é um homem respeitador da lei.

on disse...

Nos EUA vai-se parar à prisão se se tira uma nota do bolso no sítio errado.

Convém ler primeiro o outro conto.

Jaime disse...

Estou a ver. Obrigado.

mendigo disse...

Jaime, sexo com preliminares, é bem mais interessante.

Jaime disse...

E a julgar pelo conto, bem mais caro.

Anónimo disse...

Sexo de graça sai quase sempre bastante caro e nem por isso a malta reclama.

OMWO

Sofia disse...

Vocês dizem coisas hilariantes! :)))

Meu Deus, por que raio não nasci homem? Quero tanto ser como eles! :))

Jaime disse...

Sofia, o homens são excelentes comediantes, só que não estão a tentar fazer comédia: estão a falar a sério! Parece que é um efeito secundário da testoterona. Isto, claro, é uma generalização abusiva, mas estou a tentar ter piada. Será que me saia melhor se falasse a sério? :-)

Quanto àquelas teorias que cada homem tem sobre o que atrai as senhoras, dando liberdade à minha costela de psicanalista de trazer por casa, diria que é uma forma de afirmação de virilidade. Se um homem não afirmasse compreender o que as senhoras querem, estaria implicitamente a confessar algum fracasso com as senhoras (fracasso esse que todos os homens têm em alguma medida, mas não querem admitir), o que abria uma brecha de vulnerabilidade na sua virilidade, colocando o ego em posição de fragilidade - o que, claro, não pode ser!

CA disse...

Jaime

Muito do que aprendemos, aprendemos com os fracassos.

Sofia disse...

Por isso é que as mulheres são mais sábias e vencedoras natas. Têm uma coisa chamada intuição.
Não precisam de fracassar para aprender.

CA disse...

"Não precisam de fracassar para aprender."

E o que é que aprendem sem fracassar?

Jaime disse...

E os que fracassam sem aprender? :-)