segunda-feira, dezembro 26

Evo Morales

Em 2001 o governo boliviano, sob pressão do Banco Mundial, privatizou a companhia das águas e declarou toda a água da Bolívia propriedade privada. Para usar a água de um poço ou para recolher água da chuva era necessário obter licenças da International Water Limited, uma multinacional controlada pela Bechtel Corporation. A implementação de tais leis levaria a que nalguns distritos onde o poder de compra médio ronda os 90 euros a população tivesse de gastar 20% desse valor em água. Evo Morales foi um dos lideres do movimento que se opôs com sucesso à implementação desta lei.
A Bolívia é um grande produtor de coca. Alguma dessa coca é usada para produzir cocaína. Acontece que a coca é produzida pelos nativos desde tempos imemoriais. É muito complicado trabalhar a grandes altitudes sem mascar coca. O governo americano quer lutar contra a droga proibindo a sua plantação. Morales lidera o movimento que se opõe a essa proibição, a qual perturbaria seriamente o modo de vida dos indigenas bolivianos. Ele pediu várias vezes que fossem realizados estudos para determinar qual a percentagem de droga que é usada para produzir droga. Sempre se manifestou a favor da proibição da produção de cocaína.

Evo Morales acabou de ser eleito presidente da Bolivia. O primeiro indigena das Américas a chegar a tal posição em quatro séculos de história. Não vai ter direito aos cem dias de graça. Já se iniciou uma campanha com vista a desacreditar Morales. Não era de esperar outra coisa.
Agradeço ao Lino ter chamado a atenção para este problema.

15 comentários:

lino disse...

Chamei a atenção para um "fait divers" um pouco burlesco, interessando-me mais a discussão política interna em Espanha. Quanto a Evo Morales, não é personagem que me entusiasme. Creio que vale a pena ler este artigo de Álvaro Vargas Llosa, publicado em 1 de Dezembro:
http://www.independent.org/newsroom/article.asp?id=1626

on disse...

ino,
se a nossa escolha em termos políticos é reduzida, na Bolívia é muito pior. Não queria Morales a governar portugal. Nem sequer queria o Louçã. Mas na Bolívia é preciso escolher entre Morales e alguém bem pior que um dos nossos colegas do Blasfemias. Entre eles e o Louçã, acho que ainda vou pelo Louçã.
Considero que o filho de Vargas Llosa perde toda a credibilidade ao ignorar a história das águas, que está na origem da vaga de fundo que levou Morales ao poder. Ser filho de um bome escritor, ou ser um bom escritor, é apenas isso, não dá especial credibilidade política a alguém.

Quer se goste quer não, Morales foi eleito presidente da Bolívia. O Ocidente está muito interessado em espalhar os valores da democracia nalgumas partes do mundo? Podia começar por não os espezinhar no seu quintal das traseiras.

O que aconteceu em Espanha não foi um fait divers burlesco. Ver o Diário ateista de 25 de Dezembro.

Anónimo disse...

o pessoal "democrata" adora mandar postas de pescada sobre a américa latina, porque avalia essa realidade à luz das nossas referências. "Traduzem" automaticamente as notícias que lêem para o nosso contexto.
Queixamo-nos tanto da miséria de país em que vivemos que não resta a alguns distância para tentar sequer perceber a rapacidade da elite corrupta subserviente e cumplice da ditadura imposta pelas grandes multinacionais americanas, que na América Latina se apropriou da palavra "democracia" e à qual dá má fama.
A américa latina é um banco de ensaios tão ilustrativo da verdadeira natureza das utopias ultraliberais que fariamos melhor em prestar-lhe mais atenção.
O Morales, o Chavez, etc... traspostos para cá não serão recomendáveis mas apesar de tudo, "lá", são uma tentativa de resposta a uma realidade que consegue sempre surpreender-nos na sua brutalidade.
E contra mim falo... quando li as primeiras noticias sobre a questão da privatização da água na Bolivia, comecei por supor que se tratava de uma coisa assim como privatizar a EPAL, coisa para alguma agitação mas certamente incapaz de justificar uma tal agitação.
Quanto ao resto os democratas podem estar descansados. De uma forma ou outra não vai demorar muito antes de fazerem a folha ao Morales.
mombassa.kid@gmail.com

on disse...

O Hugo Chavez é uma figura grotesca que eu não gostaria de conhecer pessoalmente.
No entanto não me parece que os Venezuelano tenhas alternativas mais agradáveis para escolher.
A campanha que orquestraram contra ele tem sido violentíssima, mas ele tem-se aguentado.
Obviamente, não tem tempo para fazer mais nada, para alem de sobreviver.

A Bolívia tem grandes reservas de gaz natural essenciais para a industria da região de São Paulo.
Mais uma razão para os americanos não se esquecerem dele.
Por outro lado, é uma arma para Morales.

on disse...

"Sem o exemplo de Chavez, e talvez a ajuda, Morales nunca teria lá chegado."

Não percebo. Qual é o problema? Não gosto do Chavez. A que titulo é
que o Chavez é um maus exemplo. Por ter ganho uma eleição de forma razoavelmente legal e se ter aguentado no poder apesar dos golpes baixos do Bush?

"Nenhum deles é inocente, é impossível chegar ao poder, lá, sem a complacência dos Carteles de droga"

?

"Chavez tem o petróleo que os americanos tanto precisam, Morales tem o gas que os Brasileiros tanto precisam."

Donde se conclui que...?

on disse...

Caro Carlos Indico,

"Sem o exemplo de Chavez, e talvez a ajuda, Morales nunca teria lá chegado."

Não percebo. Qual é o problema? Até nem gosto do Chavez. Mas a que titulo é que o Chavez é um mau exemplo. Por ter ganho uma eleição de forma razoavelmente legal e se ter aguentado no poder apesar dos golpes baixos do Bush?

"Nenhum deles é inocente, é impossível chegar ao poder, lá, sem a complacência dos Carteles de droga"

Vamos fechar à chave metade dos países do mundo e deitar a chave fora? Não morro de amores pelo Morales. Mas não percebo onde quer chegar.

"Chavez tem o petróleo que os americanos tanto precisam, Morales tem o gas que os Brasileiros tanto precisam."

Donde se conclui que...?

Não sei se os americanos precisam do petróleo do Chavez assim tanto. Bush quer controlar o mundo o mais possível. Quanto mais produtores de petróleo ele controlar mais nós temos de pensar duas vezes antes de discordar dele.

Carlos Indico disse...

1- Claro que não problema.Referia-me ao precedente recente que é Chavez, para a A.L.
2- Num país em que 95 % da riqueza está no bolso dos donos dos partidos tradicionais, sem um grandíssimo empurrão Morales não chegava lá numca, nem começava....;
3- A VEN. precisava desesperadamente de uma alternativa á politica tradicional que arruinou o país.Perder 50 % do poder de compra (eu estava lá) de uma 6ª para uma 2ª feira enlouquece qualquer um.E aí falhou. Escolheu um golpista, populista, corrupto. Basta olhar para o vice-presidente, Rangel, o mais antigo e maior vigarista do anterior regime.Não esquecer que Chavez "despediu" os juizes Todos, até do Supremo. Não há Democracia, por mais eleições, em que os juizes e procuradores são nomeados pelo executivo.
4-Na A.L. já há anos que a "esquerda" guerrilheira, armada, se associou aos traficantes de coca por uma questão natural de sobrevivência de ambos perante o Estado e os EUA;
4.1- Escobar, o maior de todos, era militante do Part. Socialista e Anti-americano exaltado.
5- Vivi pessoalmente o inicio do fim da "democracia venezulana".Sei do que falo.
6-É dificil explicar num comment;
7-Os EUA precisam DESPERADAMENTE do petróleo venezolano, e Chavez sabe bem isso. Não esquecer que ao contrário de outros países o petróleo da Ven.: extração,transformação e venda não está concessionado ou privatizado. Todo o processo é do Estado a 100%.
8-Tudo isto começou há uns 20 anos com um general Presidente Crioulo ( o 1º na AL) no Peru.
9) Devagarinho, por atalhos, mas a história vai andando.
10) Os EUA iniciaram o seu declínio, por isso em tão grande perigo estamos. Foram para longe gamar petróleo e m.primas, e agora os vizinhos das traseiras tb estão a refilar!
10-Costuma ser assim.

Carlos Indico disse...

Á, esqueci-me : o Toledo do Peru tb é Indio e não vi tanto espanto na altura.Será pq era economista do BM?, e a campanha foi paga pelo.....(o gajo que rebentou com o SME)?

on disse...

O Toledo é mestiço, suponho eu. Os mestiços sempre tiveram direito a umas migalhas do poder na América Latina. Os nativos não. Apesar de representarem a maioria da popoluação na bolívia e no Perú.

Obrigado pelo seus esclarecimentos.

Carlos Indico disse...

Mas já agora, é pelo rácio genético que se fazem as diferenças?
Constantino não era judeu.
E o Marquês de Pombal era mulato, segundo as más - línguas.
Grato também, esta discussão está excelente para os dois lados, e para quem lê. Aguardo outros intervenientes porque esta questão é vital para o mundo de hoje, acrescentando o Império do Meio.

on disse...

Para mim, não é. Nas zonas da América do Sul onde existiam impérios pre-colombianos, sem dúvida. A batalha de Cajamarca continua viva na memória dos peruanos (ver o meu post sobre o assunto). No Brasil, o dinheiro é o mais importante.
Tenho um colega mexicano que já desempenhou postos importantes a nível internacional, casado com uma canadiana, que não consegue entrar num night club na cidade do México: tem cara de índio.

Uma pequena anedota. No Japão os ocidentais não conseguem entrar num certo tipo de night clubs. Parece que intimidamos os nativos e estragamos o negócio. Um dia estávamos a comentar isso ao jantar, com um certo orgulho. Combinámos no dia seguinte ir à porta do night club fazer um escândalo. Ninguém foi excepto um professor filipino que tinha ido jantar connosco. Nós éramos estudantes e não estavamos nada interessados em arranjar problemas. Quando encontrámos o prof ele estava meio chateado: tinham-no deixado entrar. Ele queria ter sido descriminado:)))

PS: o seu primeiro comentário despareceu. Não sei o que terá acontecido...

Carlos Indico disse...

1-Atenção que o Subcomandante Marcos ainda vai aparecer em Chiapas, e então é que vai ser lindo!
2-Na Guatemala os índios, os maias -quichés,das montanhas não reconhecem a autoridade do Estado. Ainda reclamam pelo Rei, julgo que Pedro V, o Espanhol. Aliás há uns anos atrás um grupo acampou na Embaixada de Espanha ( no tempo de General Lucas) e queriam á viva força falar com o João Carlos.Pela propriedade da terra que lhes havia sido conferida pelo tal Rei, não havia sido cumprida e queriam queixar-se ao descendente. A Embaixada foi bombardeada, foram indios, intermediadores gualtemaltecos, consul espanhol, todos morreram.
Já agora um detalhe interessante. Quando cheguei ao Norte deste país e contratei índios para trabalhar, chamavam-me "Ladino" e eu a pensar que era "malandro". Há pouco tempo lendo um texto do Nuno na RUA deu-me um palpite e contei-lhe. De facto estavam a chamar-me "português". Os 1ºs brancos a chegarem áquela zona tinham sido judeus portugueses aí há uns 200 anos, e á data eram apelidados não de judeus mas Ladinos.
3- No tempo do "apartheid" na A.S.,
os chineses e afins eram colored e os japoneses brancos.

Anónimo disse...

O problema das "elites civilizadas" de origem e mistura castelhana é que durantes séculos se habituaram a tratar os índios como coisas.
Agora, os indios começam a ter consciência da sua força, e isso não é bom para quem representa os valores do "primeiro mundo", americanos, europeus, descendentes e respectivos mestiços de todas as variantes. Cheira a vingança. Na europa temos exemplos parecidos, vagamente diluidos na nossa civilidade . Veja-se o desforçomesquinho que flamengos tiram dos valões na Bélgica, por exemplo.
Dificilmente porém, poderemos encontrar exemplo mais claros que na América Latina, do choque de interesses entre os europeus/americanos descendentes de colonizadores e neo colonialistas, e as sociedades arcaicas que ocupámos e explorámos ao longo de séculos. È que aqui nem há a desculpa do “fundamentalismo islâmico”. Quanto muito as sociedades tradicionais têem de se haver com as carraças do proselitismo evangélico cristão. Morto o marxismo militante, a teologia da libertação e outras utopias, não existem hoje mais "idealismos" que permitam aos contestatários das nossas sociedades identificarem-se com as revoltas que ocorrem nos confins dos impérios coloniais. Não é mais possível o equivoco ideológico que levou muitos jovens dos anos setenta a identificarem-se com o esclerosado ideário maoista.
A luta dos explorados assume assim toda a sua crueza de luta pela sobrevivência tout court desprovida de critérios de valoração moralista, como a distinção entre os bons ( os explorados) contra os maus ( os exploradores) que em tempos alicerçaram a caução moral que certas franjas dos exploradores ( os de boa consciência) traficaram para em ultima análise prolongar de forma mais subtil a canga sobre os explorados.
Já Richard Gott regista este instante ao relatar no seu livro “Rural Guerrillas in Latin America”, um episódio da brutal guerra civil que eclodiu na Colômbia dos anos 50 na sequência do assassinato de Gaitán. Um fazendeiro branco foi raptado por um grupo de indios que o sangraram até à morte. Prestes a morrer o homem perguntou : “porque?” e foi-lhe retorquido: “porque usted es rico y es blanco”.
Oligarcas, governantes corruptos, intermediários de multinacionais americanos contra a marabunta dos suburbios e dos montes revoltada. O resultado não é uma coisa bonita de se ver. Eles não se revoltam para nos dar prazer estético e satisfação moral. Revoltam-se porque querem eles o poder de forma irrestrita, fartos do chicote e da exclusão. Alegar que são traficantes é irrelevante... todos traficam de uma forma ou de outra, e do outro lado da barricada os engravatados "civilizados" do calibre do senhor Alvaro "independente" Vargas LLosa não são de todo exemplos de civismo para ninguém.
mombassa.kid@gmail.com

on disse...

... E por mim, está tudo dito!

Anónimo disse...

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