quarta-feira, junho 29

O metro e os arquitontos

Eu concordo com o que o OMWO escreveu aqui. Como se não bastasse a má qualidade da cobertura que as linhas do metro de Lisboa proporcionam, os desgraçados dos utentes ainda têm que suportar um inferno audiovisual de mau gosto. Tudo começou com música a metro, simplesmente: e estavam tão empenhados em que não perdêssemos pitada que o volume subia automaticamente quando um comboio entrava na estação. Agora temos um metrocanal de tv. (Eu não sei qual é a sensibilidade dos meus concidadãos a estes factos. Uma tortura ainda mais abominável, de resto, é infligida durante um mês por ano aos habitantes de certas freguesias de Lisboa onde se festejam os santos populares. É provável que os infelizes já nem notem. Não obstante, a legislação sobre ruído deve ser mais que abundante, mas é claro que isso não interessa para nada.)

O metro de Lisboa sempre se caracterizou por se ocupar dos aspectos de que não se espera que se ocupe e por negligenciar os que verdadeiramente lhe competem. Dá-nos arte em certas estações, agride-nos com o metrocanal e não planeia a rede de modo a resolver alguns problemas de transporte cruciais da cidade: as novas linhas foram traçadas mais ao sabor das possibilidades de especulação imobiliária do que ao longo das zonas com alta densidade populacional que seria importante descongestionar do transporte privado.

A arte que nos dá também tem que se lhe diga. Eu não acho mal que se cubram as paredes com azulejos de autor ou que nos lembrem que alguém disse Ah, se eu não morresse nunca etc, mas quando a arrogância dos arquitectos me obriga a percorrer um caminho que é três vezes mais longo do que poderia ser, para ir dos canais de entrada até às carruagens e vice-versa (sucede em todas as mais recentes estações), aí apetece-me praguejar. O fenómeno é comum em obras públicas recentes, em que estes arquitontos, não sujeitos ao controlo dos utilizadores directos, dão largas ao desprezo que têm por estes. No nosso metro, resolveram alongar o percurso a que somos obrigados, para não deixarmos de apreciar a sua arte em toda a extensão que julgam que ela merece.

4 comentários:

wind disse...

Por isso é que não ando de metro:)

MaDi disse...

Apesar de terem dito que não se voltava a falar do metro, sendo que não vem da mesma pessoa (em princípio...) estão perdoados...
Concordo contigo, Lino. Embora ache que até tem importância estar estações de metro que sejam mais bonitas do que uma cela de prisão e que aproveitem para dar uma maior visão de arte aos seus utilizadores, estações megalomaniacamente arquitectadas são extremamente irritantes.
A pior: Olaias!!! Para que é que é necessária uma plataforma tão grande???

C. Indico disse...

NO MARQUÊS FEZ-SE UMA LAGE IMENSA PARA NÃO HAVER ATROPELOS. POIS O ARQUITECTO ENCHEU A ESTAÇÃO COM GROSSOS PILARES FALSOS, REPITO:FALSOS,"para dar perspectiva"!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Anónimo disse...

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