sábado, junho 18

O medo


Milhões de portugueses não compreendem a sociedade em que vivemos. Sentem-se sós, com medo, e reagem das mais diversas formas. Muitos dos que compartilham os medos dos participantes de hoje na manifestação do Martim Moniz tiveram a oportunidade de ouvir alguns disparates da boca deles. Os suficientes para não se identificarem com eles. Se a manifestação fosse proibida, até podia ser que se juntassem a eles da próxima vez.

Ana Drago seria provavelmente capaz de perdoar um negro que lhe roubasse a carteira na praia de Carcavelos. Tem mais dificuldade em estender a sua compaixão a um branco que também rapa a cabeça, que também é movido pelo medo. Será porque tem medo de que o modelo de sociedade em que quer acreditar não seja realizável? A verdade é que não contrapôs quaisquer argumentos ao discurso populista de Nuno Melo na Assembleia da Republica. Adjectivos não são argumentos. Se não se discutem ideias na Assembleia da Republica, onde é que as vamos discutir?

Porque é que os media deram a entender que a manifestação de extrema direita de hoje ia descambar na violência? Jogaram com o nosso medo? A nossa democracia é tão frágil que não se pode permitir que meia dúzia de skinheads digam umas asneiras? A democracia é também o direito à asneira.

Será que as cabeças bem pensantes da nossa sociedade pura e simplesmente não querem ser incomodados com factos que não encaixam nas ideologias em que acreditam?
Estamos atrasados uns vinte anos em relação à França nos problemas da emigração. Se as pessoas que se acham donos da nossa democracia continuarem a ignorar os medos dos nossos descamisados, podem estar descansados que aparecerá um Jean-Marie Le Pen para os ouvir.

Vamos nós dar o exemplo, tentando assumir e controlar os nossos medos?

Deixe a sua opinião. Insulte-me. Não tenha medo...

Foto daqui.

40 comentários:

wind disse...

Parece que hoje não te entendi. Não percebi se és a favor da manifestação que houve ou contra. Se fores a favor, só posso dizer que tenho pena de ti por seres baixo, se és contra admiro-te. O Le Pen é um aborto! grrrrrrrrrrrrrr

sofia disse...

Que belo exemplo de tolerância, Wind... Estou fascinada... E depois criticam a intolerância dos outros! É algo que me transcende, de facto. :(

wind disse...

Sofia não entendo os nazis, só isso e se isso é ser intolerante, sou!

on disse...

Wind,

Não concordo contigo, mas estou disposto a morrer para que possas dizer livremente o que pensas.

Quem disse isto foi o Voltaire. Mas eu subscrevo, pelo menos em princípio. Os nazis perseguiam as pessoas pelas suas ideias. Eu penso que ninguem deve ser perseguido pelas suas ideias. Quem é que decide quem é que pode ser perseguido pelas suas ideias?

As pessoas fazem idiotices levadas pelo medo. Se as excluimos, se não lhes damos hipoteses de expressar a sua opinião, só encontraremos a segurança num estado policial. Onde por suas vez as nossas liberdades serão limitadas...

wind disse...

ON, acho que estás a ser demasiado taxativo, nem oito, nem oitenta. O arrastão que houve teve causas, já pensaste como vive essa gente? É a 2ª ou 3ª geração de emigrantes que está cá e não tem identidade nacional. Não é com manifestações racistas e xenófobas que isso acaba.

sofia disse...

Nesse caso, Wind, presumo que o facto de existirem pessoas que manifestam uma patente recusa, ou, no mínimo, sérias dificuldades de adaptação a uma cultura, que usam a delinquência para terem ténis XPTO e telemóveis topo de gama, não seja, de forma alguma, um assunto que mereça reflexão... Neste caso em concreto, lamento, mas não posso deixar de dizer que não consigo concordar com um país que, em nome da tolerância e do politicamente correcto, põe em causa a segurança dos meus filhos. Mas mesmo não concordando, não chamo "baixo" a quem concorda. Pormenores...

wind disse...

Sofia também não concordo com os arrastões, com os assaltos, com os assaltos a comboios.
Não estou a defendê-los, só a clarificar a situação. Mas também não me venham com nazizs e skin heads. Espero que os teus filhos sempre estejam protegidos e chamo baixo sim a quem defende os animais dos nazis, ou esqueceste o holocauto?

paper life disse...

pois, parece que a memória é curta...

sofia disse...

Não estive lá, Wind. Já ouviste a outra versão? Eu já. E mesmo não aceitando, em situação alguma, o sacrifício de crianças e inocentes, não posso deixar de pensar que, nos dias que correm, bem em frente aos nossos olhos, se deixam morrer crianças de fome e torturadas de muitas outras formas. Sem querer tirar importância ao que aconteceu há 60 anos atrás, e mais uma vez, correndo o risco de ser politicamente incorrecta, preocupa-me muitíssimo mais, que estejam crianças a morrer neste momento.

wind disse...

Sofia dou por terminada aqui a "discussão" visto estares a misturares assuntos. Sei que há guerras neste momento, fome, agressões, violações dos direitos humanos. Sou contra tudo isso. Mas reafirmo sou contra os nazis. Boa noite que se faz tarde:)

on disse...

Wind,
é fundamental que estas coisas sejam discutidas um pouco mais em abstracto. Há uma série de pessoas que pensam de uma determinada maneira diferente da minha. Até são uns imbecis. Desde que peçam autorização para fazer uma manifestação e se comportem de forma mais ou menos ordeira acho que devem ter o direito de se manifestar. Só eles vão ficar mal vistos pelas idiotices que dizem. Retirar-lhes o direito a manifestar-se torna-os vitimas. Dá-lhes razões para se queixarem, leva-os para fora do sistema. O que é que perdemos pelo facto de eles se terem manifestado?

on disse...

Sofia,
a Wind é uma querida. Eu pedi no post para ser insultado e ela quase me fez a vontade. Não vou falar dos meus outros vício privados...
Obrigado Wind e até amanhã!

sofia disse...

Claro que sim, On. Por breves momentos, também pensei nessa questão: "será que a Wind está apenas a fazer-lhe a vontade?" :) Wind: Mais uma vez, penso que é apenas um questão de respeito pelo direito à opinião. Eu respeito a tua. Compreendo-a, até. Mas continuo a achar que não se chama "baixo" a quem não pensa como nós. Tem uma excelente noite. :)

on disse...

Oh Sofia, eu tenho um metro e oitenta...

wind disse...

Bom dia:))))

Menina_marota disse...

Bem... eu cheguei um pouco tarde à discussão. E, depois de ler o texto, li todas as respostas.

E, quero deixar a minha opinião. Não tenho medo.

Mas, para compreenderem a minha opinião, tenho que dizer aquilo que sou:

Sou:

Social democrata, mas respeito e consigo admirar pessoas, que não tendo a mesma ideologia política, consigam lutar de uma forma clara e objectiva, pelo interesse do Povo e da Pátria.

Abomino a corrupção política, seja em que quadrante for.

Abomino os jogos políticos, venham de onde vierem.

Não consigo respeitar a Comunicação Sosial, que dá relevo e empolgamento a situações, querendo retirar disso o proveito de subida de audiências.

Não tolero a MENTIRA. Especialmente dos políticos, em que o Povo confiou, sejam de que quadrante forem!

Não tolero violência, mas não fujo a uma boa "luta", mesmo estando em minoria.

Não acredito que na violência, como forma de luta.

Acredito sim, no despoletar de sensibilidades, do apelo à consciência de cada um, como forma de luta que garanta os Direitos Humanos (Lembram-se da luta por Timor?)

Acredito na igualdade de todo o ser humano, desde que eles respeitem também, a igualdade dos direitos dos outros.

Acredito que a palavra conciliadora, pode fazer muito mais que a violência.

Acredito que dar aos outros, o direito de se manifestarem, é democrático, desde que isso não fira a sensibilidade de cada um.

Não considero um alemão nazi, há alemães e conheci alguns, que choram aquilo que os nazis fizeram, o nazismo é uma forma aberrante de se mostrarem superiores, quando afinal, não passam de pessoas sem valores, sem ética e sem moral.

Para finalizar, entendo que, todos unidos, podemos melhorar Portugal.

Todos unidos, podemos mudar o futuro, criando condições para que os nossos filhos, tenham orgulho e honra em serem Portugueses.

Um abraço e um bom domingo a todos :-)

Menina_marota disse...

Ressalvo: Social

E, peço desculpa pelo erro... pressas...;)

Anónimo disse...

O humor é o melhor antidoto para a parvoice desmedida. Aqui vai:

"só posso dizer que tenho pena de ti por seres baixo"

Eu tenho um metro e sessenta e seis, sua nazi insensivel!
E não preciso da sua pena! :)

"e chamo baixo sim a quem defende os animais dos nazis"

Agora vamos discriminar também os animais dos nazis? O que é que o cãozito do Adolfo tinha a ver com as manias do dono? Vou chamar a protectora dos animais se não moderar o seu discurso!

Ah, e lá está outra vez com os insultos acerca da altura!
Fique sabendo que o Tom Cruise também é baixo e comeu a Nicole Kidman!
(mais abaixo voltamos a falar de gastronomia - não perca)

"Sofia não entendo os nazis (...)"

Querida Maria, o meu namorado masturbou-se na mesma sala onde eu tinha estado ontem. estarei grávida? La vem a ignorancia como motivo de orgulho.

"O arrastão que houve teve causas, já pensaste como vive essa gente?"

a falta de entendimento resolve-se com o pensamento. Pelo visto entende umas coisas e não outras, conforme lhe convém. Esta a usar talas?

"Espero que os teus filhos sempre estejam protegidos"

De quem? Dos bandos de nazis que andam pela rua a comer criancinhas? Que giro, antigamente eram os "comunas" que as comiam, engraçado como isso muda consoante a ideologia da moda. Os grupos de tarados extremistas trocam de dieta quando assentam os rabos gordos no poleiro.

Ja agora, se o seu filho chegar a casa com os dentes partidos é bastante mais provavel que tenha levado tareia de um jovem imigrante Africano incompreendido que precisava mesmo mesmo de uns tenis Nike novos do que de um jovem skinhead incompreendido que precisava mesmo mesmo de uma copia nova do Mein Kampf. A nao ser que viva naquelas zonas da cidade onde o problema não se põe, como presumo que é o caso, e onde as senhoras de bem se podem dar ao luxo de ignorar os problemas da plebe. Falo por longa experiencia propria. Sugiro que va viver para certas zonas do Cacém ou mesmo de Benfica, nem tem que ir para a zona J.

", só isso e se isso é ser intolerante, sou!"

Bingo! É exactamente isso que a senhora é! Muitissimo. É uma seguidora cega da moral do seu tempo, seja ela qual fôr. Como isso esta na moda é capaz de perdoar seja la o que fôr a um negro e crucificar um skinhead por abrir a boca. Isso faz de si boa? Não, isso faz de si uma seguidora banal das modas. É exactamente o tipo de pessoa que seguiria o Adolfo nos anos 40 e o Salazar quando estava na moda, e o Torquemada quando andava a tirar as unhas aos infieis. Enfim, daria uma verdadeira Nazi, não fosse pelo erro de timing historico e geografico. Não diz nada que não tenha sido aprovado previamente pelos poderes instituidos.

O que é preciso para resolver estes problemas é muito simples: regras iguais para todos. Se ha um assalto a pena deve ser igual para todos, sejam brancos, negros, comunistas ou skins. Isso é que é ser "daltonico".
Se assim fôsse não chegariamos ao ponto do Le Pen ter tido tantos votos, porque nao haveria causa para tal. Na pratica nao é o que se passa. Ja passei tempo que chegue em sitios onde os bandos de negros (ah, desculpe, tal coisa não existe? Entao porque é que escapei por uma unha negra a ser linchado por um grupo de trinta "jovens que so por coincidencia eram todos da mesma côr") fazem o que querem e a policia nao os detem, nao por medo deles mas por medo das consequencias mediaticas e dos puxoes de orelhas vindos de cima. E se os detem, da-lhes umas palavrinhas (e uns tabefes, suponho) e solta-os de novo, e, sim, também isto sei por experiencia propria.

Finalmente, se vivemos numa democracia cada homem conta com um voto, seja ele a favor do Le Pen ou do Lula. Se dizem a um skinhead que ele não pode votar no partido que defende as suas opiniões, que remédio lhe resta? Calar-se e desaparecer? Os movimentos de extrema esquerda, por menos do que isso pegam nos cocktail molotov, e esses até podem votar em quem querem, ou numa aproximação do que querem, simplesmente não levam votos que chegue porque as massas aparentemente não reconhecem os seus "salvadores"...e que dizer dos nossos comunistas consistentes que ainda hoje se vangloriam dos tempos passados na clandestinidade? Se ser apoiante foragido de um movimento politico "extremista" ilegal era uma honra para eles porque nao o será para os extremistas radicais ilegais da direita?
Desde quando é que a lei definiu a moral, especialmente quando a lei silencia membros da sociedade? A unica coisa que muda é quem está no comando. Isto é, mudam as moscas...

Ah, e bom dia para si também ;)))))))

A.

PS: Se quiser pode ler tudo mal e chamar-me racista, apesar de que eu quase de certeza tenho mais amigos negros, mulatos e asiaticos do que vossa Senhoria sequer encontra na sua torre de marfim.

sakamoto disse...

a imagem mudou ou é impressão minha?

Anónimo disse...

Hai, Sakamoto-Sama.
Mudou mesmo. O ON deve andar a brincar com o post.

A.

wind disse...

Anónimo , nem te respondo, ignoro-te!

MaDi disse...

Um pouco atrasada...mas dou a minha opinião.
O problema da manifestação é que de facto não é uma manifestação pelo medo da violência. Toda a gente sabe que é apenas uma desculpa para transmitir ideais racistas e xenófobo. Propaganda enganosa, como fez Hitler. E se não estivermos atentos (como os alemães não estiveram), a proposta de extrema-direita poderá fazer algum sentido para nós, mostrar alguma esperança e depois repete-se um erro na História.

Anónimo disse...

ON, ja viste o que eu te dizia? Como é que me conseguite fazer voltar ao antro das politiquices da treta? Ja viste que continuam a discutir a mesma treta de que falavamos ao cafe ha anos atras? Ja viste que nada muda, jamais? Matam mais um policia, fazem outra manifestação, assaltam outra velhinha, dizem sempre os mesmos disparates, pela mesma ordem. E eu ja nao me lembrava como isto me pode irritar e fazer-me ficar doente. E admiras-te que eu nao publique nada no teu Blog! Mais haikus, imploro, mais experiencia propria, mais recordações dos teus tempos niponicos. Ha dias em que nao passas de um agitador de massas :)

E ja agora um filtro qualquer que me permita ignorar os comentarios incisivos da Wind, e eu que pensava que era mau quando ela repetia "Concordo!" e "bom post!" e "Interessante!" trinta vezes ao dia....Deuses, como eu sofro, Krishna protege-me...

Sinto-me arrancado ao meu isolamento, como aquele velhinho eremita do "Life of Brian", que é pisado pelo dito e grita de dôr, terminando assim de forma ingloria um perfeito voto de silencio que durara décadas...e, pior do que tudo, nem sequer grita de uma grande dôr, de uma angustia imensa, mas apenas de uma dorzita banal, corriqueira, indigna da consequência...

Foi isso que me fizeste, Wind, sua nazi insensivel, e tu, ON, seu agitador de massas!

A.

PS: Wind, em resposta ao ultimo comentario, ignore-me à vontade. Ignorar é a sua especialidade. That was my point, exactly.

on disse...

Reconheço às pessoas com ideias que me repugnam o direito de ter a suas ideias e de se exporem ao ridiculo.

Espero das pessoas que pensam como eu algo mais do que palmadinhas nas costas. Este mundo está perigoso. Não podemos dar-nos ao luxo de não pensar e apenas repetir os mantras que nos dão uma certa ilusão de segurança.

Oh CA, faz alguma coisa! Tu tens mais vocação para conciliar pessoas...

19 Junho, 2005

on disse...

Então e ninguem mais traduz o poema?

Anónimo disse...

Lembrei-me agora de uma coisa. Uma amiga minha que é comunista, perguntou-me recentemente:"Se amanhã o PCP ganhasse as legislativas achas que nos deixavam governar?"

Eu fiquei um bocado estupefacto. Depois de suspender a minha descrença até conseguir imaginar as nossas classes consumistas a darem uma vitória ao PCP, lá respondi:" O que queres dizer? Se ganhasse, que escolha teriam?"

Agora parece-me que percebo melhor a pergunta. É que muitas das forças que apregoam para si os valores da liberdade e da democracia afinal nao a percebem muito bem. Em certos casos não permitem que os opositores vão a votos, e noutros casos fazem ainda pior. Lembro-me de quando ficou tudo escandalizado pelos bons resultados do Le Pen. É preciso decider se ha liberdade de voto ou não. Se permitem que o Le Pen vá a votos então também têm que permitir, em principio, que ele possa ganhar, se os eleitores assim o desejarem. O espanto gerado mostrou que era tudo uma farsa, que so lhe permitiam brincar aos politicos, porque julgavam que ninguem lhe ligava. A hipocrisia quase lhes saía pela culatra.

Não percebo, aliás, qual é o problema em permitir o voto em toda e qualquer facção politica. Se ela for uma aberração, por definição não será grande problema, pois só terá meia duzia de votos. Se tiver muitos votos, então por definição, é porque é a vontade do povo que assim seja, e portanto não vejo como o impedir sem pôr em causa a democracia. Sim, de vez em quando calha-nos um Adolf Hitler. Sim, de vez em quando calha-nos o caos, e a guerra. Pensavam que a Historia tinha acabado? Ou que a democracia era uma panaceia, que garantia so por si a estabilidade? A Historia esta de boa saude, e muita sorte teve esta minha geração, esta aberração histórica que nunca teve que verter sangue. O meu pai teve que o fazer, e algo admirado ficarei se os meus ou os vossos filhos não o fizerem.

Deviam decidir de uma vez por todas se querem democracia ou não. A resposta é obviamente que não a querem. É por isso que não a temos, temos em vez disso uma Republica Democratica, isto é, somos Romanos e não Gregos, temos umas massas que votam apenas em qual das facções da nobreza mandam nelas, em vez de um grupo de individuos que decidem por si acerca dos assuntos da Polis. Não poderia ser de outra forma, com a gente que somos, e é por isso que os tribunos insistem que não sejamos melhores. A liberdade real paga-se sempre com constante conflito politico - conflito real, em que todos os valores estao sempre em causa, e nao com esta farsa de debiloides tenros e mornos - ou com sangue ou com a potencialidade de o ter que verter. É um facto muitas vezes escamoteado que quase todos os filósofos gregos eram gente com as mãos sujas de sangue. Quantos de vós foram informados que até mesmo Socrates foi um hoplita? Conseguem imaginar Socrates com a armadura de um hoplita e de lança nas mãos nas fileiras de uma falange grega? Sabiam que ele se distiguiu por bravura numa batalha da guerra do Peloponeso? Quantos dos nosso politicos se distinguiriam por bravura - politica ou outra - e quantos de nós? Tementes a tudo, ciosos das vossas vidas aborrecidas e seguras, tementes das ideias dos outros, das vidas dos nossos filhos, da segurança das nossas casas, do nosso emprego, da nossa conta bancaria, da saude e da dieta e da estabilidade psíquica do nosso cachorrinho ridiculo?

Tiberius chorou pelos romanos quando foi tornado imperador. Repugnava-o que os homens romanos se inclinassem perante fosse quem fosse. Os gregos certamente sentiriam o mesmo face à Republica Romana. Cada um desses passos levou a uma maior eficiencia, e a um menor grau de liberdade. Heraclito disse "Devemos lutar pelas nossas leis como lutamos pelas muralhas da Polis". O reciproco é verdadeiro. Uma geração de gente que foi sempre protegida do conflito físico, até mesmo da contemplação honesta do mesmo (mesmo quando ele acontece no bairro ao lado) é frouxa até mesmo na politica.

Não ON, não acho que vivamos em tempos perigosos. O que é tragico é precisamente que não vivemos. Mas isso resolve-se. A história é pendular, e cheira-me que estamos quase a chegar ao topo da trajectória uma vez mais.

A mim tudo isto motiva, cada vez mais, um mero encolher de ombros.

A.

M disse...

Eu não insulto. Gostei do artigo e acrescento, na minha modesta opinião, que um dos grandes males do mundo é o medo que toma conta das pessoas. O medo incapacita e distorce o pensamento e provoca ódios e agressões. A começar pelo medo de se ser eventualmente atacado, seja em que aspecto for, tanto físico como mental. É uma espécie de pré-defesa para o que der e vier.

CA disse...

Parece-me que em alguns destes comentários se deixou de discutir ideias para se discutir pessoas e isso não ajuda ao debate. Quando queremos discutir ideias parece-me que devemos rever os nossos posts para retirar as críticas às pessoas.

Anónimo disse...

Caro CA, é verdade e eu faço já um mea culpa em relação ao meu primeiro post, e parte do segundo, que era desnecessário. Mas por vezes quendo alguém saca das garras eu não consigo evitar de puxar da espada. É uma aversão alérgica aos membros do pelotão de choque ideológico...
Vou voltar ao templo e penitenciar-me.:)

A.

Anónimo disse...

Finalmente: o problema do arrastão é um problema de educação. Não de educação dos assaltantes, mas das vítimas.

Segundo parece, e mesmo eliminando da equação os velhotes, as mulheres e as crianças, o número de banhistas lá no sítio era muito superior ao número de assaltantes. Mesmo tendo em conta o factor surpresa, deveria ter sido possível espancar aqueles incomodos visitantes dali para fora. Mas em vez disso ficaram todos sentadinhos a borrarem-se de medo e a ignorar os gritos do vizinho, na esperança de escapar de fininho ou ter melhor sorte. Lembro-me daquele rapaz que morreu ao pé do IST ha alguns anos porque o amigo se recusou a abrir-lhe a porta para não se envolver em sarilhos. O nosso querido supra-sapiente Marcelo disse na altura que devíamos compreender. Claro que devíamos compreender, somos todos uns frouxos, é alias para isso que somos educados.

A nossa educação é mesmo adequada aos membros de um imperio Romano decadente. Pão e circo, e hegemonia mundial pelas mãos do poderio militar e económico, mas dentro de Roma só hà boçais viciados no luxo. Assim que cheguem meia duzia de bárbaros está tudo de joelhos e acabou-se a festa.

Querem uma sociedade de jeito? Em vez de chatearem os putos com educação sexual de trazer por casa, religião e moral dada por candidatos a padres, e outras parvoices do género, façam da escola algo de formativo. Aos gregos ensinava-se a lutar no mesmo fôlego em que se ensinava geometria. Agora não se ensina nem uma coisa nem outra.

Os membros de uma sociedade devem aprender a agir como tal. Parece-me que todos nós devíamos ser capazes de, com um aviso de segundos, cerrar fileiras e proteger, conjuntamente, os nossos entes queridos de qualquer ameaça externa. Isto é como saber prontos-socorros, é algo que deveriamos saber sem que fosse previsivel ou desejavel que alguma vez tivessemos que pôr em pratica. Sinceramente parece-me que aprender defesa pessoal, singular e em grupo,seria um tipo de educação física muito mais interessante, formativa e util do que passar o tempo a jogar futebol, esse vicio tao Lusamente imbecil. Esse tipo de desporto tem pouco de formativo e deveria ser deixado para o recreio, juntamente com os jogos de cartas, os cigarros, os charros e os outros prazeres extracurriculares em que o estado nao deve meter o bedelho (a cada um o seu veneno) mas que também não deve fomentar com dinheiros publicos. É certo que o futebol tem algumas -fraquinhas- tacticas de grupo, sendo a mais conhecida a de dar porrada no arbitro e a outra a do hooliganismo, mas essas não eram as que eu tinha em mente. Parece-me tudo tão menos civilizado do que, sei lá, aprender a formar falanges ou testudos...

Estarei a brincar? Ou estão todos? Não estará a brincar uma sociedade que chega ao ponto em que dois putos assaltam um cidadão num comboio apinhado e NINGUÉM mexe uma palha? Porque é que não se levantaram todos em grupo para se defenderem mutuamente? Acham que este tipo de coisa aconteceria numa sociedade onde todos fossem treinados, desde jovens, para se apoiarem mutuamente? Não estarão todos doentes? Estes senhores cobardes são os mesmos que nos estádios e em frente ao televisor ameaçam partir a cara ao arbitro. São os mesmos que passam a vida a buzinar. Têm a violencia toda, mas nenhuma coragem. Não seria preferivel o exacto oposto?

Eis a minha reforma educativa: Euclides e defesa pessoal. Endoutrinação de espirito de grupo. A formação de uma verdadeira noção da Cidadania, isto é, da defesa conjunta das muralhas da cidade. Quero uma sociedade em que até as velhinhas sejam duras de roer. Se não for assim, então divirtam-se com os arrastões. Merecem bem o que levam.

A.

CA disse...

Sobre o "arrastão" parece-me muito útil ler este post e os respectivos comentários.

on disse...

Acho que o A. tem toda a razão. O problema de Caracavelos é essencialmente um problema de educação das vítimas e organização da sociedade civil. Não há força policial que possa resolver o problema dos arrastões. Convem também lembrar que estes arrastões existem há bastante tempo. Até agora eram praticamente ignorados pela comunicação social.

on disse...

Caro CA,
o testemunho do Jorge não me merece qualquer credibilidade. Carrega-se em Jorge e vais-se parar a uma pagina vazia. Criada na vespera? O que ele diz não bate certo com nenhuma das noticias que ouvi até agora. Há muita gente que acha que uma mentira pode servir um ideal.

on disse...

Há também muita gente disposta a acreditar na primeira história deste tipo que lhe seja servida.

CA disse...

Caro ON

Confesso que tenho um acerta predisposição para acreditar n ahistória do Jorge como muita gente parece ter tido disposição para acreditar nas histórias mais alarmistas a propósito do "arrastão". Na verdade o que me incomoda é que ninguém parece ter investigado com cuidado o que realmente se passou, o que me deixa na dúvida sobre a sequência dos acontecimentos. O facto de só haver uma queixa pode significar desinteresse dos lesados em apresentar queixa mas também pode indicar que o que se passou não foi o que alguns leios de comunicação social quiseram "pintar".

Entretanto, mais uma "acha para a fogueira", um início de artigo descoberto através do Renas e Veados.

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