segunda-feira, maio 9

Nove valores para Marcelo

- Também foi seu aluno?
- Sim, era um bom aluno. Dei-lhe dezasseis. Não podia dar mais. Havia dois melhores do que ele. Só tiveram dezassete...

Foi mais ou menos assim. Esta semana calhou a vez a António Costa. Na outra semana falou do antigo assistente, antes do doutorando...

Comparar é odioso. Comparar alunos vinte anos depois já só revela alguma coisa sobre quem faz a comparação. Caro Marcelo Rebelo de Sousa, os professores não avaliam pessoas. Avaliam o trabalho produzido por um aluno, numa cadeira, num determinado momento. A média final da licenciatura é um bilhete para se entrar no jogo da vida. Vai para o lixo no dia em que conseguimos o primeiro emprego sério. António Costa é o número dois do governo. Bem ou mal toma regularmente decisões que afectam milhões de pessoas. Falar das suas notas escolares só apequena a quem o faz.

Você é uma das cabeças mais brilhantes deste país. Ainda não conseguiu transformar esse brilhantismo em algo que lhe sobreviva. Acredite em si, vá à luta, arrisque, faça alguma coisa que fique e que o orgulhe!


Entretanto, evite envergonhar os seus colegas.

7 comentários:

wind disse...

bem "dito"!:)

Edgar disse...

Grande crítica, totalmente de acordo quando refere que um professor avalia o trabalho e não a pessoa.
E relativamente a seguinte frase: "A média final da licenciatura é um bilhete para se entrar no jogo da vida. Vai para o lixo no dia em que conseguimos o primeiro emprego sério."
Estou de acordo e espero que assim seja!!

Ass: Jovem recém-licenciado em fase de entrevistas de recrutamento para primeiro emprego :)

on disse...

Mas até ter um emprego que dê para iniciar uma carreira, a média conta...

Luis Moutinho disse...

100%
Estou farto de ouvir estas apreciações ex cathedra que passam sem qualquer reparo.
Marcelo é um homem muitíssimo inteligente mas, por trás daquele sorriso, tem cá uns fígados...

Anónimo disse...

É frequente ouvir-se entre os matemáticos, quando se referem a um bom aluno em conversa de café: "Ele é muito forte!"

Dá-me sempre vontade de rir, porque parece-me alimentar o velho mito de que os intelectuais eram os putos que na escola primária levavam porrada dos outros. Inventaram então um novo recreio onde podem avaliar a força pelaos critérios que dão mais jeito? É esse o proposito da torre de marfim? Permitir-lhes agora ser os brutamontes que espezinham os seus pares? Nesta idade até os Bullies do recreio ja cresceram!...

Como ja recebi notas e ja dei notas, acho que posso dar opinião: Dar notas é algo que se deve fazer com pudor. Disretamente. Em silêncio. É uma obrigação de um professor, e é algo que me custa. E concordo em absoluto, não é uma avaliação da pessoa, mas simplesmente do trabalho que ela fez num determinado momento.

Lembro-me de receber 18 em cadeiras que me eram dificeis e 10 em outras que não eram nada de especial. Há tantos factores a influenciar o nosso trabalho!...gostamos da cadeira? Estamos determinados? Estamos interessados? Ou estamos mais interessados, não na cadeira que temos para fazer (lamentavel carpintaria, por vezes) mas na miuda que esta sentada ao nosso lado?

O professor Marcelo, nos tempos em que eu via televisão, já me irritava profundamente. O sorrisinho irritante de quem acredita já na imagem de expoente máximo do intelecto lusitano que pintaram para ele, a forma despudorada como sempre "deu notas", a maneira como num mesmo fôlego recomendava a leitura da Ilíada e do Rei Leão, como uma maquina que come livros, quaisquer livros, e so cospe trivialidades...

Cresça, o recreio da escola fechou à muito tempo.

A.

PS: ON, tenho que deixar de vir aqui, tu só me lembras das coisas tristes que tentei deixar para trás. Entre Papas e Putos, que triste mundo este...vê se escreves mais sobre Yoga!
:)

Manuela disse...

Gostei imenso deste texto. Muito bem dito. Parabéns!

Invisible disse...

Plenamente de acordo, tanto com o post como com os comentários.