Podiamos também chamar-lhe o vagabundo, ou o viajante. Algumas vezes faz sentido falar de uma travessia do deserto.Paul Gaugin abandonou o seu lucrativo trabalho de compra e venda de acções na bolsa de Copenhaga, resolvendo voltar para França e dedicar-se à pintura, abandonando a mulher e os filhos. Tal mudança não o satisfez completamente, só tendo encontrado a sua verdadeira identidade quando se instalou no Tahiti. Um acto de coragem ou de cobardia? Gaugin ganhou o seu lugar na história da pintura e a sociedade perdoou-o, a família talvez não. Gaugin abraçou para toda a vida a figura do viajante. Toda a gente parte numa viagem alguma vez na vida. É a única maneira de encontrar a nossa identidade ou restabelecer o equilíbrio perdido. Mesmo que seja apenas uma viagem interior. Mesmo que seja só discordar de um amigo quando era tão facil dizer que sim, mas isso punha em causa a nossa identidade.
Algumas vezes dizem-nos que vivemos no paraíso, a nós parece-nos mais uma prisão. Quando comeu a maçã, Eva iniciou a viagem da humanidade. Teria alguma graça ter ficado no Paraíso?































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