quinta-feira, janeiro 26

A vida é espessa

Aquilo que parece nem sempre é. Não existem só bons e maus. Os bons não são assim tão bons. Os maus não são tão maus assim. Espanta-me que tantas pessoas inteligentes produzam blogues onde há bons e maus. Os bons são sempre bons e os maus são sempre maus. Depois os leitores X e Y criticam tudo e o Z está sempre de acordo. Não é estranho que assim seja? Ás vezes é pior. Estão todos sempre de acordo...
A melhor vacina que conheço para esse mal, embora nem sempre resulte, é ler o Quarteto de Alexandria. Neste tour de force excepcional Lawrence Durrell conta a mesma história de quatro pontos de vista diferentes. Cada novo volume vai mais fundo, contradizendo o anterior. No quarto volume, a história avança um pouco mais. O Quarteto foi a minha referência enquanto escrevia a blogonovela. Não se nota nada.
PS: O Setúbal acha que o link do Quarteto de Alexandria conta a história. Pelo sim pelo não, evitem ler esse. Se põem hipoteses de vir a ler o livro, claro.
FOTO: Jamb

18 comentários:

/me disse...

Sublinho: "Ás vezes é pior. Estão todos sempre de acordo..."

Nem mais!

MC disse...

"A vida é espessa", disso não tenho dúvidas nenhumas, carago. Nós somos "espessos". Eu, pelo menos, sou.

O Setúbal disse...

Raios! Deste-me a volta! Nem sequer sabia (ou não me lembrava) que tinhas lido o Quarteto.(Até que enfim que falas num livro bom em vez daquilo do Eco e do António Lobo Putanheiro Antunes que queria escrever o Som e a Fúria mas saiu-lhe a Confusão Espúria.)
Lembro-te que nas notas finais do Quarteto o Lawrence Durrell esquematiza ainda mais versões da história.
Nunca mais me esqueci da mão de Clea: já lá vão uns vinte anos!

O Setúbal disse...

O link Quarteto de Alexandria conta a história: não está certo!
Para onde vai a surpresa?

on disse...

Pois é, tens razão.
Já meti um PS a assinalar isso.

Estive para escrever: Este post só está aqui para não ficarem a pensar que eu só leio o Harry Potter e o Código da Vinci :)

Luis M. Jorge disse...

Ah, o fascinante Quarteto. Estou de acordo, on, estamos todos de acordo, todos sempre de acordo ;-)

Mas sabe o que me espanta? Que nunca ninguém fale do Quinteto de Avinhão. Poucas vezes lí alguém que escrevesse com tanto prazer como o Durrell no seu Quinteto. Ele estava rico, e não tinha que provar nada. Se há livros felizes, são aqueles.

on disse...

Lestes os cinco?
depois do quarteto tentei ler o Tunc e não fui capaz de acabar. Não fui o único.
Na altura em que li o quarteto ainda não existia a Amazon. Nem tradução portuguesa do Quinteto.
Paraece haver um consenso: o Monsieur é excelente, os outros não estão ao mesmo nível.

PS: O Lino disse-me outro dia que a edição portuguesa tem três paginas fora do sítio. Escreveu para o Expresso quando saiu a critica da tradução portuguesa do Monsieur. O critico não reparou na troca das paginas...
O Expresso não publicou a carta do Lino. Demasiado incomoda. Como nessa altura não existiam blogues, safaram-se.

O Setúbal disse...

Também gostei muito das sátiras Águias Brancas sobre a Sérvia e Cenas da Vida Diplomática (que tu me emprestaste). E um dos melhores livros políticos que li (mas esta é uma impressão de adolescente de quinze anos...), Chipre Limões Amargos. Nunca me arrisquei a ler o Quinteto; e mais que uma pessoa disse-me mal do Tunc.

on disse...

Esqueci-me de lembrar que a tradução portuguesa do quarteto foi publicada pela Ulisseia e ainda deve estar no mercado (mas não no hipermercado). Os titulos dos quatro volumes são:
Justine,Baltazar,Montolive,Clea.

on disse...

Luis M. Jorge, não é verdade que estejamos sempre de acordo: viva o Joe Berardo :))))

Luis M. Jorge disse...

on,

Na verdade li-os em inglês (cóf...cóf, tossezinha afectada) e gostei muito de todos. Claro que é uma obra muito longa e as obras longas cansam às vezes. Nem o Proust se safa, quando anda às voltas com a "Albertine Disparue". Mas não guardo a sensação de ter achado nenhum volume pior que os outros. No entanto, eu era muito novo. Li-os na praia, durante um Verão, ainda Vila Nova de Milfontes era uma aldeia mais ou menos tranquila. Imagina ao tempo que foi.

lino disse...

Aproveito o facto de haver aqui vários apreciadores do Durrell para perguntar se alguém conhece um livro dele (que não é longo nem é novela) sobre os templários. Vi esse livro há uns 15 ou 18 anos numa livraria próxima do Instituto Franco-Português e não mo venderam porque não conseguiram determinar o preço. Quando lá voltei já não estava lá o livro. O mais estranho é que não consta na bibliografia conhecida do LD, que se pode consultar na internet. Mas eu não sonhei, o livro estava lá.

Luis M. Jorge disse...

O Quinteto de Avinhão tem muita prosa sobre os templários. Mas não sei se é a isso que se refere.

lino disse...

Caro Luís: não me refiro ao Quinteto. O tal livro não era novela.

Anónimo disse...

Há a versão portuguesa do livro?

on disse...

Há, tanto do quarteto como pelos menos do primeiro volume do quinteto. Outro dia na FNAC vi três dos quatro volumes do Quarteto de Alexandria.

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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