segunda-feira, janeiro 2

As três Virtudes Teologais

As Virtudes Cristãs mais importantes são as Virtudes Teologais: A Fé, a Esperança e a Caridade. São estas as qualidades indispensáveis a qualquer investigador. Sem elas, a criatividade é impossível. A importância da Fé e da Esperança são por demais evidentes. Vou falar sobre a Caridade. A vertente intelectual da Caridade.

Quando ouvimos o Outro não devemos proceder como um advogado em tribunal. Não devemos enfiar-lhe pela garganta a baixo a primeira contradição em que caiu. Devemos procurar encontrar um sentido nas suas palavras, mesmo que mal expressas.
Isto se acharmos que a pessoa não está naquele momento de má fé. Mais que não seja para se proteger de uma pressão exterior. Também não podemos dar dinheiro a alguém cada vez que paramos num sinal luminoso.

Se não tivermos Caridade para com os outros, vamos acabar por interiorizar essa atitude. Vamos deixar de ser capazes de ouvir as ideias que Deus sopra baixinho ao nosso ouvido, de as acarinhar até elas terem pernas para andar. Deus acaba por nos condenar à esterilidade intelectual.

O filósofo ateu Carrilho Guimarães conspurca a Caridade regularmente falando desta virtude com o fim de ridicularizar os seus oponentes políticos. Mostra-se caridoso em relação a uma frase de um adversário político, tenta encontrar-lhe algum sentido. Conclui pesarosamente que não conseguiu encontrá-lo. Vai arder no inferno da irrelevancia intelectual até ao dia em que ninguém lhe inveje a Barbara. Depois, nem isso.

Vou juntar alguns exemplos numa próxima oportunidade.
Peço-vos alguma Caridade para com este post, que bem precisado está dela.

12 comentários:

lino disse...

A respeito dos temas que tens procurado debater ultimamente está aqui a recensão de um livro que pode ser interessante:
http://sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/c/a/2005/12/25/RVGDDG9CUE1.DTL

OMWO disse...

Mais uma vez essa tese: "O Cristianismo apela à razão". Comparado com o quê? Com as outras religiões irracionais? Como é que alguém pode sustentar que o Cristianismo trouxe uma apelo à razão maior do que existia nas sociedades que o antecederam? Em Roma, e ainda mais, na Grécia? É na grécia que está a fonte do racionalismo que foi sobrevivendo a custo, não nas discussoes ignobeis da teologia cristã. Isto não é nenhuma tese de liberal moderno, que eu não sou aliás. Lembro-me sempre do monólogo na abertura do Fausto do Marlowe...a ciencia está bem representada na sua "necromancia", ciencia "tecnologica" (que afecta o real), por oposição à vacuidade da teologia cristã...
O renascimento não é certamente fruto do cristianismo. É fruto da peste negra...

A unica coisa boa que se pode dizer do cristianismo é que ele é suficientemente fraco para permitir que os seus prisioneiros se evadam. O Islão consegue ser repressivo ao ponto de tornar isso muito mais dificil. Mas o que se verificou no Ocidente foi precisamente uma evasão das grilhetas da religião, e não um progresso fomentado por ela.

Para que é que se tem que escolher entre duas prisões? Esta é a melhor? O que me interessa isso? Liberto-me de todas. Têm medo de ser livres? Porquê?

Debaixo do Islão os árabes foram prósperos em tempo, quando nós fugiamos para o Norte e a Europa quase caía. Podiam escrever certamente teses sobre a força civilizadorea do Islão. Concordam com essas teses agora?

Já agora, a álgebra é fruto de um incentivo do Islão ao pensamento racional?

on disse...

Acho que vamos levar uns meses para chegar a um acordo sobre isto. Até que enfim há um progresso!

on disse...

De momento só tenho um ponto a acrescentar à discussão. O aparecimento das religiôes monoteistas é um progresso em relação aos gregos. Freud era impossível sem um milénio de monoteismo. Os países asiáticos sem contacto com uma religião monoteista tem uma extaordinária dificuldade em reflectir sobre si próprios.
São ideias muito vagas, eu sei.

Lino, o autor que tu referes parece-me interesante, embora eu tenha desde já algumas dúvidas sobre a sua agenda.
O outro tipo referido, o Diamond, é um verdadeiro diamante e vai aparecer por aqui muito brevemente.

OMWO disse...

ON, os gregos tinham dificuldade em reflectir sobre si proprios? Acho que o faziam melhor do que nós.

Os asiaticos não reflectem sobre si proprios. Certo...e porque é que isso tem a ver com o politeismo? Não vejo ligação.

Repito: os gregos destroem qualquer conexão entre as duas coisas.

on disse...

Freud era impossível sem um milénio de monoteismo. Os Gregos eram capazes de reflectir sobre si proprios. Tenho de pensar com calma no assunto. Temos tempo...

OMWO disse...

>Freud era impossível sem um milénio de >monoteismo.

Podes explicar-me porquê?

OMWO disse...

E, se assim fôr, é suposto ser isso uma justificação cabal para um milenio de monoteismo? :)

E para o Lino, ainda que eu concordasse que devia muitos quadros bons ao Cristianismo, isso justifica de alguma forma a crença em Cristo?

Eu devo as piramides do Egipto às crenças religiosas do antigo egipto. Isso é motivo para acreditar em Ra ou algo assim?

on disse...

OMWO, isto é uma conversa entre três ateus!
As minhas afirmações são só intuições. Não estão bem fundamentadas. Espero que tenhas a caridade de aceitar que não são motivadas por alguma perversa vontade de converter alguém.
Apenas quero compreender melhor o mundo.
Não quero transformar o Prozacland numa sucursal do diário ateista. Vou passar uns dias a falar de outras coisas. Mas um dia destes vou fazer um post a meter o ateismo no seu lugar.

OMWO disse...

Eu percebi, e concordo, com a tua noçao de "caridade". Posso concordar com ela em relação ao Reiki se ele me for apresentado esta semana e eu nao souber nada sobre o assunto. Mas nao me sobra qualquer caridade por um conceito que existe ha dois mil anos, que eu conheço desde que nasci, e que ja esgotou toda a minha paciencia.

Penso que não ha incompatibilidade sequer com as tres virtudes :)

on disse...

Peço caridade para mim, não é para o Cristianismo. Eu mereço!

OMWO disse...

desatei a rir com esse comentario :)))

ok, ok :)