terça-feira, maio 16

Correlação versus causalidade 2

Analisemos então o estudo "científico". O estudo mostra uma correlação entre praticar yoga e perder peso. As pessoas que praticam yoga perderam mais peso ou ganharam menos do que os que não praticam yoga. Os investigadores acham que podem daí inferir uma relação de causalidade. A relação de causalidade que lhes apetece inferir é que praticar yoga faz perder peso.
A causalidade é uma noção muito mais subtil do que parece. Basta ver a discussão entre o OMWO e o /me no post Vanitas. O assunto tem consequências inclusivamente a nível religioso. Como bom católico, o /me acredita no livre arbitrio. Martinho Lutero alinhava na equipa do OMWO, se bem me lembro.
A correlação não chega para garantir causalidade. Convinha no mínimo apresentar um mecanismo que explique a causalidade. A perda de calorias resultante do yoga não é em geral suficiente para garantir que se perca peso. O yoga predisporia as pessoas a ter mais cuidado com a alimentação. Aceito a explicação, mas é um pouco fraca. Especialmente porque há outras relações de causalidade que apresentam explicações mais plausiveis para a correlação: muitas pessoas começam a praticar yoga porque decidiram mudar o seu estilo de vida. Tomaram uma série de decisões com o fazer yoga, ter cuidado com a alimentação, fazer uns passeios a pé...
Uma das formas mais normais de explicar uma correlação entre dois fenómenos é terem uma causa comum. Este tipo de causalidade é sistematicamente esquecido.
O artigo tem muitos outros pontos fracos. As estatisticas baseiam-se em entrevistas! Não se pode basear um estudo sério em entrevistas...
O artigo teve difusão porque as conclusões eram simpaticas. Esta situação acontece repetidamente. As pessoas tomam muitas vezes decisões que afectam seriamente as suas vidas e a sua carteira com base em relapsias deste tipo. As instituições e os governos fazem o mesmo. Dá muito trabalho pensar.
Este post é um exemplo do grau zero dos exercicios de logica avançados de que falava o OMWO nos comentários ao post O mercado e a vida. Um tema muito chato, sem dúvida.
PS: Não acho que os matemáticos ou os cientistas em geral pensem muito melhor fora do assunto em que se especializaram do as outras pessoas. A disciplina de pensamento de que falo está muito mais ligada à nossa forma de encarar a vida do que a qualquer outra coisa.

7 comentários:

on disse...

Um outro estudo mostra que as pessoas que bebem vinho nos Estados Unidos vivem mais do queas outras. Conclui desta correlação que beber vinho moderadamente aumenta a esperança de vida.
As pessoas que bebem vinho nos EUA pertencem a uma classe social mais elevada. As pessoas dessa classe costumam viver mais do que a média...

on disse...

Um outro proiblema do estudo analisado no post:

Alguém interessado em perder peso gostaria de comparar o Yoga com outras actividades que possam ajudar de alguma forma a perder peso:
dançar, fazer passeios a pé, correr...

Se não fazemos um estudo comparativo deste género o valor do aconselhamento providenciado as pessoas que lêem o estudo é muito baixo. Mesmo que est esteja correcto.

/me disse...

Concordo que a correlação não chega para garantir causalidade, embora muitas vezes a questão seja apresentada da mesma forma.

Quanto aos matemáticos e restantes cientistas, têm de facto essa "mania" de julgar que pensam melhor que os outros... Acho que de facto pensam melhor à sua maneira que os outros. :) O problema é que a sua maneira também é limitada.
Isto, claro, generalizando.

on disse...

A correlacionado com B não implica que A é a causa de B. Pode ser que B seja a causa de A. E pode ser que a correlação seja a consequência da existência de um fenómeno C que é a causa de A e de B. Esta ultima hipotese é geralmente descartada. Dava muito trabalho tê-la em conta...

Alguns cientistas levam a deformação profissional com eles para todo o lado.
Outros deixam a experiencia profissional no bengaleiro cada vez que abandonam a sala de trabalho.

MaDi disse...

Se formos pensar em termos de correlação, há muito o que dizer.

Um dos exemplos que gosto de falar: o dos fumadores. As estatísticas dizem (e vou atirar para aqui um número porque não estou com paciência para ir procurar no google) que 30% dos fumadores desenvolvem cancro do pulmão e 20% das pessoas que têm cancro fumaram em alguma altura de sua vida. É óbvio que existe uma correlação entre o fumo e o cancro do pulmão. Mas onde estatisticamente se pode concluir uma causalidade?

on disse...

Não se pode. Mas pode-se fazer uma autopsia a um fumador morto e ver o estado dos pulmôes. Mesmo que não sofra de cancro, o espectaculo não é muito bonito. A este nível, a correlação é muito mais elevada.
As induções em ciencias experimentais são sempre fenomenos muito complicados, onde as certezas podem ser muito grande, embora não absolutas.

Acontece que o criterios que se usa para concluir que um medicamento é eficaz normalmente é muito mais permissivo do que os criterios que levavam a concluir que não se podia provar que o tabaco faz mal.

As questões são complexas, mas é facil evitar alguns erros grosseiros!

Anónimo disse...

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