terça-feira, dezembro 27

Mais uma rosa


Estamos a perder mercados nos texteis e no calçado. Kenianos e etíopes tomaram conta das corridas de fundo. No desporto também se torna necessário procurar novos nichos, em sectores mais técnicos. Em épocas de crise as medalhas de ouro olímpicas dão sempre um pouco mais de esperança e de confiança. São um Prozac sem efeitos secundários.
A Vanessa foi a Pequim ver a pista onde se vai disputar o triatlo olímpico de 2008. Chegou ao fim da prova de natação nas dez primeiras. Filha de Venceslau Fernandes, vez juz ao nome de família e acabou a etapa de bicicleta na frente. Depois desatou a correr e foi-se embora.
A Vanessa gostou do filme e agora repete-o sempre. Já lidera o ranking mundial, aos vinte anos. A Mãe Natal do nosso contentamento?

segunda-feira, dezembro 26

Evo Morales

Em 2001 o governo boliviano, sob pressão do Banco Mundial, privatizou a companhia das águas e declarou toda a água da Bolívia propriedade privada. Para usar a água de um poço ou para recolher água da chuva era necessário obter licenças da International Water Limited, uma multinacional controlada pela Bechtel Corporation. A implementação de tais leis levaria a que nalguns distritos onde o poder de compra médio ronda os 90 euros a população tivesse de gastar 20% desse valor em água. Evo Morales foi um dos lideres do movimento que se opôs com sucesso à implementação desta lei.
A Bolívia é um grande produtor de coca. Alguma dessa coca é usada para produzir cocaína. Acontece que a coca é produzida pelos nativos desde tempos imemoriais. É muito complicado trabalhar a grandes altitudes sem mascar coca. O governo americano quer lutar contra a droga proibindo a sua plantação. Morales lidera o movimento que se opõe a essa proibição, a qual perturbaria seriamente o modo de vida dos indigenas bolivianos. Ele pediu várias vezes que fossem realizados estudos para determinar qual a percentagem de droga que é usada para produzir droga. Sempre se manifestou a favor da proibição da produção de cocaína.

Evo Morales acabou de ser eleito presidente da Bolivia. O primeiro indigena das Américas a chegar a tal posição em quatro séculos de história. Não vai ter direito aos cem dias de graça. Já se iniciou uma campanha com vista a desacreditar Morales. Não era de esperar outra coisa.
Agradeço ao Lino ter chamado a atenção para este problema.

sábado, dezembro 24

FELIZ NATAL

Boas Festas? Quando desejo algo de bom a alguém, desejo o melhor possível. Ninguém deveria ficar zangado por lhe desejarmos aquilo que para nós é o melhor possível. Neste caso, o melhor é o Natal. Ateu católico, porque foi dentro do catolicismo que me tornei ateu, acho que o Natal também é meu. As memórias que tenho de todos os natais que passei, umas melhores, outras piores, são minhas.
O cristianismo é única religião que estabeleceu uma demarcação entre o sagrado e o profano, entre Deus e César. Jesus Cristo está na origem da diferença radical entre a civilização ocidental e todas as outras. Em ultima análise, foi do estabelecimento desta demarcação que resultaram o renascimento, o desenvolvimento da ciência moderna, a revolução industrial, a liberdade de expressão, os complexos de culpa pós-modernos dos ocidentais, o ateísmo enquanto fenómeno de massas, o domínio do sul pelo norte e a bomba atómica. Merece sem dúvida que lhe seja dedicado o dia mais importante do ano.

Feliz Natal!

sexta-feira, dezembro 23

Paulo Portas

No DN, via Ponte Europa. O PP entreteve-se a microfilmar os segredos de estado do Ministério da Defesa?

Fica para o próximo

Então eu não mereço uma Gravity? Serve para trabalhar, para ler um livro repousadamente e para dormir a sesta. A Stokke é lider mundial em ergonomia. Faz umas cadeiras extraordinárias para os miúdos, que acompanham o seu crescimento. Já conheciam? Essas, são as imitações baratas. Nós adultos, também não fomos feitos para estar parados. A posição ideal, é a próxima. Quando estas cadeiras, não há dores de costas. Muito cara? Pronto, fico contente com uma variable. Não se riam, experimentem primeiro. Estes senhores tém uma parecida, mais baratinha. Nem dá para meter uma foto. O isqueiro? está aqui.

quinta-feira, dezembro 22

Trivialidades Venusianas II

A Sofia e a Madi fizeram dois excelentes posts sobre os homens em resposta ao meu desafio. Enquanto gastavam a sua energia a escrever os posts, esqueceram-se de me linchar...
A Sofia faz a comparação odiosa do costume e a Madi lembra-nos que nós homens somos pouco mais do que seres unicelulares (espermatozoides?). A Sofia lembrou também o livro Os Homens são de Marte e as mulheres são de Vénus, inspiração parcial do meu post. Melhor que este livro: a série inglesa Ligações (Coupling). Aprendemos sempre qualquer coisa e rimos ainda mais.
Mesmo os produtores desta série sentiram necessidade de se desculpar por fazerem humor com as mulheres. Embora também façam humor com os homens. Vejam as fotos abaixo. A imagem das três protagonistas foi tirada com uma iluminação perfeita, elas estão bem vestidas e bem maquilhadas. Os homens foram tratados da forma habitual...
Porque é que as coisas são assim? Entre outras coisas porque são vocês que mandam. São a maioria. Do que é que estão à espera? Elejam uma Presidenta e não se fala mais nisso.

quarta-feira, dezembro 21

Trivialidades marcianas I

Quando as mulheres falam dos seus problemas a um homem é normal que este apresente possíveis soluções para o problema ou tente resolvê-lo. A mulher fica normalmente furiosa perante essa reacção do homem. Confuso, ele vai falar com os amigos. Um mais experiente explica-lhe que quando uma mulher te fala de um problema ela só quer que tu a escutes e lhe demonstres a sua solidariedade. Mais nada. Qualquer outra acção será considerada uma falta de atenção imperdoavel.
Da vez seguinte o homem já está preparado. Resiste estoicamente mas acaba por cometer o erro. É obvio que a solução para o problema é...
Á terceira continua a não acertar. Pergunta-se porquê. Acaba por encontrar uma resposta num blogue. A linguagem corporal da mulher e a sua forma de exprimir-se são interpretados pelo sistema nervoso do homem como um pedido de socorro. Activado o sistema simpatico a libertação de adrenalina impele irresistivelmente o homem para agir, lutando ou fugindo.
Conclui de uma consulta à Wikipedia que um alto nível de adrenalina no sangue acaba por provocar dores de cabeça, palpitações, taquicardia, hipertensão e, nalguns casos, edema pulmonar agudo.
Um blogue menos digno de crédito afirma mesmo que é este tipo de interacções entre os dois sexos que explica porque é que a esperança de vida das mulheres é dois a três anos superior à dos homens.
Um blogue feminino sugere que estes problemas podem ser evitados se a mulher começar por explicar pacientemente ao homem que ele não precisa de fazer nada, só ouvi-la. Deve repeti-lo regularmente durante a conversa, sempre que o homem der sinais de ir entrar em panico.
A autora do blogue foi rapidamente desmascarada. Era um travesti. Um anónimo, certamente um homem empenhado em denegrir a imagem da milher, comentou que assim a conversa já não nos descontrai. Para além do mais, perde toda a piada.

Trivialidades Venusianas

Embora vários livros tenham explicado a cada sexo como é que o outro funciona, a minha experiência do últimos dias diz-me que não resultou daí grande melhoria nas relações entre os dois sexos. Foi por isso que escrevi o post acima.
Para equilibrar os pratos da balança, tentei escrever algo parecido, mas visto do ponto de vista das mulheres. Como isso ultrapassa largamente as minhas capacidades, aqui fica o desafio. Expliquem-nos como é que as mulheres vêem as relações com os homens. Nós queremos aprender. De preferência rindo um pouco pelo meio (se formos capazes).
Escrevam um post no vosso blogue sobre o assunto. Se não tiverem um, enviem um texto por mail. Esperamos que os homens também mostrem o que valem, embora as senhoras levem alguma vantagem. Se houver interessadas (os) até podemos organizar um pequeno concurso...

terça-feira, dezembro 20

Um Kalendário Singular

PPPEEEDDDOOOOFFFIIILLLLIIIIIIAAAAA

Não sei por é que não se fala mais do assunto. Medo de levar com um processo em tribunal?

O actual Procurador Geral da República cometeu certamente alguns erros. Convém no entanto lembrar que, antes de ele chegar ao lugar, Portugal era o único país da europa ocidental onde ninguém importante era alguma vez acusado de que quer que fosse.

Cada vez que oiço um político ou jornalista a criticar o PGR, ignorando tudo o resto, passa a haver mais uma pessoa neste país em que eu não posso confiar.
Quando chegar o próximo arquivador, não tenho dúvidas que muitos o acusarão de nada fazer, na confiança absoluta de que as suas palavras não o farão cair.

segunda-feira, dezembro 19

O Centro e a Periferia

Os pais costumavam ser poucos e os filhos muitos. Alguns morriam. Era normal. Ficavam sempre alguns para cuidar dos pais na velhice. Os mais velhos estavam no centro da família. Era-se filho de. Depois a prole começou a diminuir e o centro deslocou-se. Quando nasce a primeiro criança da nova geração todos mudam de estatuto. Passam a ser o avô da, a mãe do. Os pais da são rapidamente promovidos a motoristas da, dividindo o seu tempo entre o ballet, o inglês e a natação.
Em cada famíla uma geração pagou o preço da mudança. Nunca saíram da periferia. Envelhecer é também mais duro agora. As maleitas da idade deixaram em geral de ser compensadas com uma maior atenção e poder. São agravadas pelo afastamento para a periferia. Tudo está bem desde que aparentemos a idade de um jogador de futebol. A idade que James Bond deve aparentar, embora o actor seja muito mais velho.
Os barrigudos da primeira geração de jovens que nasceu no centro não aceitam de bom grado o afastamento para a periferia. Têm agora o direito a uma série de televisão em que o mundo é visto do ponto de vista de um quarentão barrigudo, o gangster Tony Soprano. Embora reconheçam a qualidade da série, é normal os jovens de vinte e pouco anos embirrarem com ela. Não sabem bem porquê. Talvez porque não estão habituados a ver alguém que não eles no centro do mundo?
Desperated Housewives é o equivalente feminino d'Os Sopranos.
Durante séculos as pessoas caminhavam ao longo da vida da periferia para o centro. Agora é o contrário. Esta nova situação não é estável. Ninguém quer largar o centro. Para onde irá evoluir?

O som do que não se diz (III)


Há uns dias ia no carro e ouvi momentaneamente a emissão de uma daquelas igrejas brasileiras da moda. O "pastor" dizia qualquer coisa do tipo:

"Todos os homens, independentemente da sua raça, nacionalidade, ou estatuto social, têm um desejo (...)"

O que falta aqui? Find (the invisible) Wally.

Às vezes o que não é dito diz tudo.

O maior sonho de uma religião é tornar-se tão dominante que a própria palavra "religião" deixe de existir no dicionário.

O som do que não se diz (II)


"Racism, of course, is not possible without a concept of race."- Robyn Conder Broyles


Vamos supor que negávamos a validade científica do conceito de "raça" e baníamos dos documentos oficiais qualquer referência a esse conceito. Isto não é ficção, é um dos bastiões de certas facções do politicamente correcto.

Uma vez tomado tal passo há uma miríade de medidas que não podem ser, não só tomadas, mas mesmo enunciadas em tais documentos. Há um conceito que desaparece de discussão porque não tem nome. Isto é totalmente artificial porque, "cientifico" ou não, o conceito de raça está presente nas mentes dos cidadãos, e constrange as suas interacções. Não desaparece do terreno por desaparecer do papel.

Mas agora tome o passo seguinte: proíba a menção do conceito (tornando esse simples acto como "hate crime" - note-se que não utilizei a palavra "racismo" já que não há "raça") em livros escolares, artigos de jornal, etc. Censure-o da televisão sempre que alguém o mencione em entrevistas de rua. Se fizer isto bem feito ao fim de uma geração ou duas a palavra e o conceito serão apenas usados por meia dúzia de velhotes "reaccionários" e decrépitos, e apenas às escondidas. Conversa de velhos senis!

Deixa de se poder falar de uma data de coisas. Certas frases deixam de ser compreendidas pelas novas gerações, donas de uma linguagem mais pobre. Certos comportamentos de grupo e afinidades e hostilidades mútuas tornam-se ncompreensíveis. Mas será que desaparecem?

Há quem diga que sim. Desprovido de nome, o problema esfuma-se magicamente. Na minha opinião, tal não tem funcionado, não dá mostras de vir a funcionar, e ainda que funcionasse não pagaria o preço de sermos cada vez mais uma carneirada acéfala e cobarde. Trata-se de novo de escolher: enfrentamos o mundo livremente, corajosamente, conscientemente, ou protegemo-nos, dando em troca a nossa liberdade de pensamento e de acção, e a nossa coragem?

É de novo a velha escolha entre liberdade e segurança...

domingo, dezembro 18

O amor na Net: A Sofia e a Rita

O Povo não deve ser soberano


O povo não deve ser soberano a propósito da pena de morte.

Ouvi agora mesmo esta frase no programa Eixo do Mal da Sic Notícias, proferida por Daniel Oliveira, um dos fundadores do Barnabé e membro do Bloco de Esquerda. A frase pareceu ser consensual. Ninguém se manifestou contra. Vejamos o contexto da frase. Falava-se contra o facto de os Estados Unidos admitirem a pena de morte. Foi dito que eram os cidadadãos de cada estado que decidiam, porque os estados eram soberanos. DO disse que os estados não deveriam ser soberanos. Além disso, nem o povo devia ter o direito à soberania nestas matérias.
Que lhes parece?

sábado, dezembro 17

O som do que não se diz (I):


O discurso "Politicamente Correcto", mais do que um discurso (como o "discurso de esquerda" ou o "discurso de direita") é uma linguagem. O importante não são as posições que toma mas os vocábulos que introduz, e, mais crucial que tudo, os que elimina. É um exemplo de Newspeak, um ingrediente fundamental de qualquer bom pesadelo Orwelliano. Quando limitamos adequadamente a linguagem, as críticas ao status quo deixam de ser sequer blasfémias, passam a ser frases-mal-formadas, desprovidas de significado. É esse o propósito destas "inovações linguísticas". O seu verdadeiro propósito só se sente nas gerações seguintes, que não conseguem sequer fazer o "parsing", a descodificação, das frases que no passado eram blasfemas, mas que na nova linguagem já nem frases são.

sexta-feira, dezembro 16

Politicamente Correcto

O totalitarismo costumava ter um rosto: Hitler, Staline, Mussolini. Hoje o maior perigo totalitário é o Politicamente Correcto. É um fenómeno contra o qual é difícil lutar. Como nasceu? Quem tem a ganhar com ele, quem o promove? Parece ter começado nos Estados Unidos. Começou por ser uma procura de uma solução para a convivência entre os vários grupos étnicos. Pretendia a interdição de certas expressões consideradas ofensivas. É cada vez mais uma forma de condicionar a nossa forma de pensar a todos os níveis.
Como podemos lutar contra o politicamente correcto num blogue?
A forma de luta mais elementar consiste em fazer o contrário do que é politicamente correcto. Muitos dos meus posts são desse tipo.
Outra forma consiste em desmontar alguns dos truques do políticamente correcto. Fica para uma próxima oportunidade.
Finalmente, temos o post anti-totalitário. Vamos a um exemplo. No sábado o Lutz escreve o post Interrogatório (2), onde pergunta:

Se um governo continua a permitir e encobrir a violação sistemática dos direitos humanos por serviços que lhe estão subordinados, acha sustentável votar nele, porque porventura concorda com a sua política noutros assuntos?

Eu respondo nos comentários Acho. Eu saio do quadro aceitável perversamente estabelecido por este post totalitário. Levo alguma pancada. Mais tarde o Lutz escreve um comentário onde básicamente diz o meu que eu, de uma forma menos provocadora. As pessoas aceitam. Ao fazê-lo são descondicionadas relativamente aos truques do politicamente correcto. Um post deste tipo funciona como vacina para o tipo de condicionamento que o politicamente correcto nos impõe. A posteriori, transforma-se num post anti-totalitário!

Nós pensamos da forma como discutimos. O problema fundamental do condicionamento ao nosso discurso é que ele acaba por limitar a forma como raciocinamos. O mais importante não é o número de neurónios que possuímos mas o número de sinapses (ligações) existentes entre entre essas células. Digamos que se não pudermos dizer (logo pensar) a frase a mulher é um ser inferior estamos a limitar o número de combinações que o nosso cérebro pode produzir. Estamos assim a diminuir a clareza dos nossos raciocínios e a limitar a nossa criatividade.

A Madi tem razão quando afirma que a forma como argumenta não condiciona de forma significativa as respostas dos seus interlocutores. Tem toda a razão. Na net somos todos meio anónimos e a capacidade de condicionar é limitada. Mas o facto de um discurso ser totalitário não tem a ver com o conteúdo nem com os seus efeitos mas tão só com a forma. Madi, o mesmo discurso, ao vivo, sendo tu a chefe do teu laboratório, condiciona o discurso dos teus subordinados.

O politicamente correcto é tão perigoso por nos facilitar tanto a vida. As relações entre as pessoas tendem a ser menos conflituosas. As nossas convicções deixam de ser postas em causa. Temos acesso a uma série de instrumentos para convencer outras pessoas de algumas das nossas convicções. Em troca, só perdemos a nossa alma.

Cajamarca 2

Eu diria que uma das razões porque algumas pessoas gritam a inferioridade moral dos europeus nestes casos é para não deixar ouvir as vozes que perguntam:

Os europeus ganharam porque eram intrinsecamente superiores?

Essas vozes ecoaram e ecoam dentro da cabeça de muitos peruanos e de muitos africanos.

Porque é que foram os europeus a controlar o mundo?

Esta questão não está respondida na cabeça de praticamente ninguém. Apenas existe na cabeça das pessoas o axioma de que todos os homens são iguais. Acredito nesse axioma. Todos teremos a ganhar se o provarmos a partir de axiomas mais auto evidentes. Em vez de calarmos estas perguntas.

quinta-feira, dezembro 15

Cajamarca

Decorre amanhã mais um aniversário da mais simbólica batalha de sempre. A 16 de Dezembro de 1532 um destacamento de 168 espanhóis comandados por Francisco Pizarro derrotou 6.000 incas em trinta minutos, matando 4.000 e aprisionando o imperador Atahualpa, sem sofrer uma única baixa. Pizarro encontrava-se no coração do império Inca. Não tinha acesso a reforços de qualquer tipo. Assistiram à batalha cerca de 80.000 incas. Como foi possível que tal tivesse acontecido?

Pizarro era um aventureiro em busca da fortuna. Deslocou-se com o seu pequeno grupo de sequazes até perto dos territórios por onde andava nessa altura Atahualpa, que tinha acabado de derrotar o seu irmão Huascar. O imperador convidou-o para um encontro. Quando avistaram o exército inca os espanhóis ficaram completamente aterrorizados. Compreenderam rapidamente que qualquer demonstração de fraqueza da sua parte resultaria na sua perdição. Na falta de alternativa, avançaram.

Pizarro enviou o Padre Vicente de Valverde para falar com Atahualpa. O padre aproximou-se do imperador com uma Bíblia numa mão e uma cruz na outra, invectivando-o a submeter-se às ordens de Jesus Nosso Senhor e do rei de Espanha. O imperador nunca tinha visto um livro à frente. Tentou manuseá-lo sem grande sucesso. O padre tentou tirar-lhe a bíblia das mãos para lhe mostrar como a usar. Atahualpa não gostou do excesso de familiariedade, afastou o braço do padre e atirou a bíblia para o chão. O padre correu em direcção a Pizarro, gritando que só um ataque imediato lavaria a ofensa à fé cristã. Nesta altura a situação já estava tão crispada que Pizarro não tinha outra alternativa senão atacar.
Os incas foram apanhados de surpresa. As sucessivas investidas da cavalaria, disparos dos arcabuzes e canhões desorganizavam continuamente o grupo de soldados em volta do imperador. As armaduras de aço pareciam tornar os espanhóis invulneráveis. Uma vez capturado Atahualpa, toda a resistência cessou. Os incas pagaram um resgate de 240 metros cubicos de ouro pela libertação de Atahualpa. Pizarro matou-o mal recebeu o resgate. O império inca caiu rapidamente nas mãos de um grupo de algumas centenas de espanhóis, com uma base de apoio situada do outro lado do mundo.

Durante muitos anos esta batalha foi apresentada como a prova da superioridade dos povos europeus. Já pouca gente afirma abertamente tal coisa. Actualmente é mais vulgar que esta batalha seja apresentada como um símbolo da inferioridade moral do ocidente. Que vos parece?