terça-feira, março 22

Tentações totalitárias II

Embora o militante do PCP fosse uma pessoa pacífica e bem intencionada, o seu argumento já justificou um número sem fim de atrocidades. O totalitarismo está sempre ligado de uma forma ou de outra à confusão entre o modelo e a realidade.
Todas as formas de totalitarismo religioso assentam na crença de que existe um modelo de socidedade ideal dado por um deus todo poderoso que todos devem seguir. Cristo ao separar aquilo que é de Deus daquilo que é de César negou a existência de um modelo que se possa aplicar a todos os aspectos da sociedade. O que não impediu a igreja cristã de embarcar em várias aventuras totalitárias. Os muçulmanos consideram que a introdução por Maomé de um sistema que abarca toda a sociedade é um grande aperfeiçoamento em relação ao cristianismo. É certamente um obstáculo ao desenvolvimento dos países muçulmanos.
Embora tenha sempre votado na esquerda moderada não me acho em poder de nenhuma verdade suprema. Por um lado estou a dizer uma banalidade, por outro nem tanto. Grande parte dos votantes do CDS, do PC e do bloco de esquerda comporta-se como se fossem os detentores da Verdade. Os outros ou são estúpidos ou são seres diabólicos. Os meus queridos colegas do Blafémias comportam-se muitas vezes como sacerdotes do Mercado. Muitos votantes do PS ou do PSD são mais moderados, talvez apenas porque tém uma atitude menos militante.
As nossas opções políticas estão associadas aos modelos que usamos para interpretar a realidade. Se todos pensassem como nós, viveríamos numa sociedade menos capaz de criar soluções para enfrentar novos desafios.

3 comentários:

on disse...

Não pretendo com isto defender o relativismo total. Às vezes estamos pura e simplesmente errados. Não tem mal nenhum discutir com vigor e achar que o outro está errado. Devemos é deixar em aberto a hipótese do nosso opositor não ser um imbecil nem um ser peçonhento que fez um pacto com o diabo.

on disse...

Já agora, existe também a possibilidade infinitesimal de ele estar certo.

Anónimo disse...

Todos os dias um economista mais ou menos jovem e inexperiente confunde a realidade com um modelo que aprendeu na escola e alguém paga a factura.