domingo, abril 5

O Princípio de Peter: porque é que as coisas sempre acabam mal?

Lembram-se deste princípio? O que é que afirmava? Parece-vos que faz sentido?

13 comentários:

on disse...

Não estou a perguntar só para ter comentários. Queria mesmo saber a vossa opinião.

MaDi disse...

Não me lembro, porque nunca tinha ouvido falar, mas a wikipedia lembra-se :)

Parece-me que faz algum sentido. Sobretudo porque normalmente numa hierarquia o trabalho que é feito no topo é normalmente radicalmente diferente daquele que é feito na base. As pessoas tendem a pensar que estar no topo é melhor independentemente de saberem ou não fazer bem o trabalho.

Na minha universidade, o antigo reitor era alguém que praticamente não fez carreira científica, tinha pouquíssimas publicações e quase não ensinou. Constantemente, ouviu-se dizer mal desta nomeação, que não fazia sentido, etc. Eu não tenho bem capacidades para avaliar o seu desempenho como reitor. Mas acho curioso que as pessoas achem necessário ter tido uma carreira científica brilhante para executar um trabalho que não depende nada disso.

Igualmente, um investigador em finais de carreira praticamente já não faz investigação (em grupos grandes), tratando-se de um grande gestor de recursos humanos (e não tendo por vezes capacidade para tal).

Acho que o Peter's principle está muito relacionado com a famosa frase de Françoise Giroud: «Il y aura égalité entre les hommes et les femmes le jour où on nommera des femmes incompétentes à des postes à responsabilité».

on disse...

O princípio de Peter começa por ser uma observação que faz todo o sentido: muitas vezes numa empresa premeia-se uma pessoas pelo seu bom desempenho num cargo promovendo-o a um posto onde as qualidades necessárias para o desempenhar são bem diferentes daquelas que levaram a pessoas a ter-se destacado pela sua competência, com as consequências óbvias.
Mas esta simples observação nunca teria transformado o livro num best-seller...

MaDi disse...

Tenho que ler o livro...

Anónimo disse...

Madi, não me parece que valha a pena...
Eu estou agora a escrever o post.
Um bocadinho de cada vez.

Anónimo disse...

Nao se deve colocar uma pessoa num lugar mais alto como forma de recompensa. Para a recompensar pode-se por exemplo pagar-lhe mais. O motivo para fazer alguem subir deve ser que ha um lugar vago mais acima e falta gente apta a preenche-lo. O principio de Peter so estará activo em momentos durante os quais ha escassez de gente apta para os lugares mais altos. Nesse parece natural que se promova quem se deu bem no lugar imediatamente abaixo. Existira' uma boa alternativa a essa estrategia? Sera que ha pessoas que sao incompetentes no lugar de nivel X mas mais adequadas ao lugar X+k do que os que sao bons em X? Isto é, sera que ha pessimos sargentos que sao optimos generais? (Pode ser, porque as "skills" necessarias no nivel X+k nao sao Skill(X)+Skill(k). Podem ser outras totalmente diferentes, e mesmo opostas) Sendo assim, como detecta-los?
Filtrá-los por testes de personalidade? Por QI? Por testes em simuladores?
Sera que o tipo que se tornou incompetente no nivel X deveria ter ficado em X-1 ou sera que essa é uma barreira para o seu tipo, e ele deveria ter saltado para o nivel X+5 directamente? Sera que o principio de Peter so decorre da ideia de que os niveis devem ser transpostos um por um? Prendemos as pessoas em minimos locais?


omwo

ps: Quanto a testes, eu teria pelos menos um teste para politicos, por exemplo: se alguem procura activamente um lugar de poder, nao lho deve ser concedido. A frase do costume "O poder corrompe (etc)", esta errada. "O poder atrai as pessoas corruptas, o poder absoluto atrai as pessoas absolutamente corruptas" e' mais correcta.

omwo

on disse...

O que é que transformou o livro num best-seller?
Eu diria que foi o subtítulo (porque é que as coisas sempre acabam mal?).

A pergunta deixa implícito o mais importante: as coisas acabam mal.
Resta saber porquê. Se estivéssemos mesmo interessados, líamos o livro.
Mas não custa nada acreditar. Afinal, até é uma ideia reconfortante!

Como diz o OMWO, "O motivo para fazer alguém subir deve ser que há um lugar vago mais acima e falta gente apta a preenchê-lo."
Rapidamente esquecemos o pequeno detalhe técnico que referi no meu comentário anterior. Que sobra depois?
A ideia de que as pessoas acabam por chegar a lugares onde são incompetentes porque não há suficientes pessoas competentes para os desempenhar.
Além de tudo acabar mal, somos essenciamente incompetentes.

Finalmente, temos o "Receituário de Peter":
Como garantir que não vamos um dia ser nós próprios promovidos a um lugar onde seremos incompetentes?
Claro que fica implícito que nunca seremos capazes de chegar ao topo.
Uma das receitas é: cometer pequenos erros no nosso trabalho para evitar que tal promoção venha a ocorrer.
Não chegava dizer não quando nos querem promover...

Quem comprou o livro e quem o publicitou?
Esta é a questão fundamental.
As pessoas que não tiveram sucesso na vida?
Não propriamente.
Eu diria que foram as pessoas que decidiram não ter sucesso na vida.
Ridículo? Talvez sim, talvez não...

Anónimo disse...

talvez sim

on disse...

Falemos então do QI:

O Hugo nota que não se pode fazer o mesmo teste de QI em todas as sociedades.
Algumas perguntas seriam mais dificeis noutra sociedade, ou pura e simplesmente incompreensiveis. Considera que este facto põe em causa o proprio conceito de Inteligência.

Suponhamos que o Hugo está com febre. Como é que mede a temperatura?
Com um termometro. E como é que se mede a temperatura do sol?
De certeza que não é com um termómetro...
Para medir temperaturas usam-se pelo menos seis tecnicas diferentes.
Cada tecnica é válida entre determinadas temperaturas e elas coincidem nas intersecções
das faixas em que funcionam. Até temos aqui uma pescadinha de rabo na boca.
Vamos concluir daqui que o conceito de temperatura não faz sentido?

Consideremos a seguinte experiência: mostramos a uma pessoa
duas barras verticais. Uma claramente maior que a outra.
Perguntamos qual é a maior.
Depois repetimos a experiencia com uma velocidade cada vez maior.
Há uma correlação bastante elevada entre os resultados deste teste e os resultados do teste de QI. Este teste não depende da sociedade em que a pessoa cresceu ou da sua educação.
Há uma correlação forte entre o o nível de sucesso material que se consegue na vida vida e o QI,
se excluirmos as pessoas de QI elevado.


Porque é que algumas pessoas ficam tão cepticas quando falamos do QI?

MaDi disse...

Acho que exactamente por causa das pessoas de QI muito elevado.

Eu não sou contra o QI. Quero deixar aqui bastante claro. Acho que dá bastante informação sobre como a pessoa raciocina, a velocidade com que raciocina, etc.

Não concordo também com o Hugo em relação às questões culturais. Dos testes de QI que já fiz, não vejo propriamente qual é a questão cultural que existe em ver qual é o próximo de uma série, etc.

Acho que para avaliar a capacidade analítica e de compreensão de alguém é muito bom o teste.

Agora, por exemplo, como se pode avaliar alguém em relação à sua capacidade negociadora? moderadora? para resolução de conflitos? gestão? gestão de pessoas?

Acho mais complexo avaliar este tipo de coisas. E são normalmente as capacidades mais necessárias para os "lugares de topo".

Hugo disse...

oiça-se o que o professor castro e caldas diz sobre o QI e sociedade:

http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=894949

(por volta do minuto 15)

Já agora, esta entrevista é muito interessante, ouçam toda :)

on disse...

e...

Imóveis em Goiânia - Morati Imóveis disse...

Eu estava pesquisando no Google sobre Incompetência, o porque de ser tão difícil hoje em dia encontrar um funcionário competente, e eis que me veio o princípio de Peter, que a meu ver, é a mais verdadeira definição de Incompetência:

Princípio de Peter, que dita que em uma organização hierárquica os funcionários tendem a ser promovidos até chegarem a um cargo para o qual são incompetentes, e então lá permanecem.

A grande verdade é que a gente vê isso todos os dias ao nosso redor, sem perceber a verdadeira razão, até descobrir essa teoria, como dizem os leitores dela, dura, mais verdadeira.