sábado, novembro 24

Hermenêutica do piaçaba

O niilismo e o subjectivismo subjacentes ao discurso de uma nova geração de bloggers manifesta-se através da substituição des-construtora da vassoura pelo piaçaba. A vassoura, objecto industrial, é substituida pela palmeira Attalea funifera, denunciando assim um dogma evanescente: a demarcação entre artefactos pré e pós industriais. O piaçaba é simultaneamente uma apropriação edipiana da tecnologia indígena e o seu resgate na recuperação contextualizante de uma relação não incestuosa com a natureza.
A intelectualidade pró-industrial pretende que a escolha do piaçaba decorre da náusea crescente do sujeito: a vassoura varre conteúdos diversos, o piaçaba varre os mais imundos dejectos. A vassoura teria perdido a sua condição de paradigma da afirmação da liberdade e subjectividade do sujeito. Esta interpretação caduca assenta em pressupostos limitadores do príncipio do prazer que têm o efeito castrador de um interdito linguístico em abismo.

10 comentários:

Jaime disse...

O quê...?! Não percebo nada do que queres dizer, on. Suspeito até (sem ofensa) que boa parte do que dizes não tem significado! É essa a ideia? Escrever um texto que soa bem, parece profundo, intelectual, sofisticado, apenas compreensível por peritos, mas no fundo não diz nada nem faz sentido?

Lembro de ler qualquer coisa sobre um indivíduo que consegui publicar um texto desses numa prestigiada revista, revelando assim fragilidades do processo de arbitragem.

on disse...

ão tem significado?
NÃO TEM SIGNIFICADO?
A opacidade do meu discurso está na sua manifesta falta de cultura.
Essa vã tentativa de limitar a subjectividade domeu discurso obriga-me a proceder à desconstrução do seu imaginário.

Comecemos pela evanescencia do dogma da demarcação entre artefactos pré e pós industriais.
O livro é o primeiro exemplo de uma artefacto industrial. A imprensa foi a primeira industria. Ler um livro é coartar a nossa subjectividade. Que podemos fazer? Somente ler ou parar de ler. A lineariedade do livro é o percursor da lineariedade da cadeia de montagem. Nada mais resta ao operário que trabalha na cadeia de montagem que ser o escravo dessa linearidade. Não pode manifestar a sua subjectividade, nãopodendo portanto aceder ao prazer.

A oralidade é um artefacto pré industrial. Quando alguém nos conta uma história, não destroi a nossas subjectividade. Para além de podermos ouvir ou não a história, podemos interromper o orador, responder-lhe, bater-lhe, dançar.

Um blog é um artefacto pos industrial. Podemos interagir com o autor do post de multiplas formas. A introdução de hiperligações deslineariza o discurso, contribuindo para nos devolver a nossa subjectidade. Podemos seguir o texto ou segui o link.

As mil e uma noites são um tour de force excepcional. O autor pretende fazer sobreviver a subjectividade do contador de historias recusando a lineariedade através do encadeamento das historias.

Um blog é a recuperação da oralidade. Começa a compreender a evanescencia do dogma da demarcação entre artefactos pre e pos industriais?

on disse...

Vamos então começar a descontrução do seu imaginário. Usa boxers ou cuecas?

Reconhece que tem desejos não assumidos de auto-mutilação? As formas menos assumidas de mutilação simbolica são as tatuagens e os piercings. A tatuagem é um artefacto pre industrial que exprime através do nosso corpo a nossa recusa da objectificação do nosso discurso. A tatuagem foi recuperada na era pos industrial, como sabe.

Admite que gostaria de se tatuar?
Admite que deseja recusar a opressão pró industrial que o afasta do principio do prazer?
Na verdade já expressou publicamente esse desejo de se tatuar. Não gostaria de tatuar o nome da mademoiselle Tautou algures no seu corpo? Na verdade, já o fez.
As listas que se colocam nos blogs
com afirmações

contra a pobreza ou contra a descriminação dos seropositivos

são, metaforicamente e literalmente, tatuagens.

Essas recusas começaram por aparecer ligadas a causas humanitárias. Foi a forma de o sujeito não assumir o seu desejo.

As expressões de subjectividade
"Este blog diz Tautou" e
"Este blog diz piaçaba"

não se dissimulam por detrás de frases humanitárias. Assumem o seu niilismo (ausencia de valores) e a sua subjectividade.

Começamos a entender-nos?

Jaime disse...

on, não o queria ofender quando disse «Suspeito até (sem ofensa) que boa parte do que dizes não tem significado!»

Laura disse...

Realmente James,
não devemos ser escravos do discurso linear. Convém seguir os links, usando o nosso direito à subjectividade:)

Jaime disse...

Laura, obrigado pela dica. Culpa minha, que só vi o link do cartoon (sabem como é que eu sou: se não tiver bonecos...). Outro dos links, este, leva para um post em cujos comentários on e um anónimo discutem. O post do on é uma paródia ao estilo desse anónimo. Acertei?

Realmente, onde anda a minha subjectividade... O meu niilismo subjacente deve andar a fazer-me mal. Tenho de me interditar de prosseguir linearmente antes de chegar ao abismo e tornar-me escravo da gravidade. :-)

Laura disse...

James,
não sei não. Achas mesmo que nada faz sentido? Não será só metade a gozar e metade a admitir que o outro tinha alguma razão?
Ou talvez não...

Hugo disse...

Isto só pode ser a gozar...

Gustavo C B disse...

Que belas cachimbadas!
(espero não incomodar ninguém...)
Ao que parece o sr. on começou finalmente a compreender quão errado estava no debate do Falta de Tempo! Não só deu a mão à palmatoria como mostrou a sua capacidade de compreender o ponto de vista do Outro! É natural que aos desconstruidos seja mais simples rejeitar o texto reduzindo-o a uma chalaça! A referência às Mil e uma Noites, (obra a reler sempre, sempre!) não é original. Foi buscá-la à Julia Kristeva ou ao Roland Barthes, meu caro amigo? Assim de memória, não me lembra. Já a sua interpretações dos disticos dos blogues enquanto tatuagens não assumidas já se me afigura prenhe de significado.

Gostei particularmente da forma como aproveitou as possibilidades de deslinearização do discurso que a internet nos facilita. O link dos "pressupostos limitadores do príncipio do prazer" permite-lhe afirmar simultaneamente o seu ponto de vista e o d@ Outr@, calando a chalaça. Brilhante!


Uma ultima palavra sobre "o interdito linguístico em abismo". Trata-se de uma maravilhosa expressão de sentido aberto. Um significante sem significado permeavel à subjectividade dos ouvidores. Finalmente compreendeu-o, não foi? Felizmente resistiu à tentação de a encarcerar entre palavras.

Um Momento disse...

Hum??
Desculpa On...
Fiquei assim meio sem saber o q dizer...
(*)