sexta-feira, abril 29

Católicos "progressistas"


Publico aqui uma reflexão sugerida por um artigo referido pelo João no Insurgente. A questão anda à volta dos católicos "progressistas" que deveriam desistir do seu "progressismo".

A Igreja tem uma história já longa de tentar evitar as "novidades" de cada época para acabar décadas ou séculos mais tarde a incorporar sem problemas essas "novidades". Desde Galileu até ao evolucionismo começa-se por declarar que algo é incompatível com a fé e, quando já é patente que seria quase irracional negar a "novidade", lá se acaba por fazer uma síntese. O que é interessante é que, no fim, descobre-se que a "novidade" não afectava assim tanto o essencial da fé.

Penso que todos (os católicos) podemos e devemos participar nesta tarefa que é encarnar a fé no mundo, que é viver no mundo de hoje a fé e o amor de Jesus, com os conhecimentos que a humanidade adquiriu sobre o homem e sobre a natureza. Acredito que, nos nossos tempos: "diz o Senhor, Eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas. Os vossos filhos e filhas vão profetizar, os jovens terão visões e os anciãos terão sonhos. E, naqueles dias, derramarei o meu Espírito também sobre os meus servos e servas, e eles profetizarão." (Act. 2, 17-18)

As preocupações do Vaticano em reprimir opiniões são para mim, muitas vezes, sinal de fraqueza, de medo da novidade e sobretudo, de uma tremenda falta de confiança no Espírito. Certos católicos mais ortodoxos parecem também querer fazer "saltar fora" da Igreja os "não alinhados", provando-lhes que ou aceitam tudo sem questionar nada ou então já não são católicos. Mais uma vez parece-me um sinal de fraqueza. Penso que todos deveríamos ouvir o conselho de Gamaliel ao Sinédrio: "Quanto ao que agora está a acontecer, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com estes homens, e soltai-os. Porque, se o seu projecto ou actividade é de origem humana, será destruído; mas, se vem de Deus, não conseguireis aniquilá-los. Cuidado, não corrais o risco de vos meterdes contra Deus!» (Act. 5, 38-39)

Quanto às comunidades, vivo a fé numa comunidade que não é legalista, que sabe que há pontos que serão avaliados pela misericórdia de Deus, que procura sobretudo responder ao essencial: o amor. E, francamente, vitalidade não falta.

5 comentários:

Joao P. Noronha disse...

Tentarei apresentar alguns comentários na 2ª feira.

on disse...

O argumento de que a eleição de Ratzinger trás algo de definitivo para a evolução da igreja católica é uma anedota. Na política a escala de tempo a que é razoável fazer análises varia entre a uma semana e uma década. Na religião varia entre a década e o século. E é assim porque pouca gente vive mais de cem anos. Ratzinger é um epifenómeno.

on disse...

Então João?

Anónimo disse...

Keep up the good work » »

Anónimo disse...

That's a great story. Waiting for more. » »