quarta-feira, abril 27

Caminhos para o nosso eu profundo


Iyengar considera que o controle da respiração (pranayama) é a arma mais eficiente do yoga mas também algo de extremamente perigoso se mal usado. Como tal deve-se esperar uns anos antes de se começar a trabalhar as tecnicas respiratorias mais profundas. Schifman prefere não abordar o tema, provavelmente por o achar demasiado avançado. Em Light on Pranayama Iyengar usa sistematicamente uma linguagem religiosa neutra. O yoga considera que é através da respiração que podemos chegar a ter contacto com algo a que podemos chamar o nosso inconsciente, o nosso eu profundo ou Deus. Um Deus que não está ligado a nenhum culto particular.
As experiências misticas foram sempre uma fonte de heresias na igreja cristã. Isso levou a igreja a afastar os fieis de todas as fontes da religiosidade. Não só de qualquer tipo de experiência mistica como até da própria leitura da Bíblia. Não é por acaso que um dos primeiros actos da insurrecção de Lutero foi a tradução para alemão da Bíblia.
Só muito recentemente a igreja católica começou a considerar desejável que os leigos tivessem um contacto directo com Deus através da leitura da Bíblia. O contacto directo com o corpo através do sexo ou de outras experiências místicas continua a ser muito mal visto. As relações sexuais não conduzem facilmente a nenhuma experiência mistica profunda. No entanto a morte do eu que se produz na sequência de um orgasmo é a experiência mística mais básica de todas. Aquela que é acessível a todas as bolsas.
A igreja cristã acumulou uma profunda experiência mística, conparável à de qualquer outra religião ou actividade espiritual. Juan de la Cruz, Inácio de Loyola e Teresa de Ávila são três místicos canonizados e tolerados pela igreja. Não se encoraja os fieis a seguir o seu exemplo. Qualquer contacto directo com a divindade é uma ameaça para a ordem estabelecida. Se nós pudessemos ter um contacto directo com a divindade, para que precisaríamos de mediadores? A hierarquia da igreja está a roubar-nos a nossa espiritualidade, sendo parcialmente responsável pelo estado de materialismo em que o ocidente caiu.
Actualmente é bastante difícil, mas não impossível, utilizar a longa experiência mistíca da igreja como forma de nos completarmos como pessoas. Parece-me mais facil começar pelo yoga. Podemos depois chegar a outras formas de espiritualidade mais próximas da tradição cristã.

6 comentários:

lino disse...

O "materialismo em que o ocidente caiu" não é responsabilidade de hierarquia nenhuma; resulta, sim, de o cristianismo conter em si mesmo as forças libertadoras que separaram definitivamente igreja e estado e permitiram o progresso material que atingimos. Ao mesmo tempo, ironicamente, tornámo-nos uma civilização que rejeita os seus próprios valores e corre riscos muito sérios a que não dá grande importância. Só iremos acordar quando nas nossas cidades os templos forem substituídos por mesquitas.

on disse...

Obviamente que sim. Mas não é a única causa.
A igreja pouco mais tem para nos oferecer do que o aconchego de uma grande família. A oração é uma proposta muito pobre. Quem quiser algo mais substancial tem de o ir procurar no budismo ou na IURD.

A reza diária dos muçulmanos serve para os obrigar a pensar constantemente na religião. Tem também uma série de efeitos salutares: descalçar os sapatos, lavar os pés e prostra-se várias vezes ao dia elimina muitas das tensões que nós procuramos resolver através de um materalismo desenfreado. O muçulmano reencontra-se várias vezes ao dia com o seu corpo durante uns minutos e isso muda muita coisa. Experimenta fazer exercício físico cinco vezes por semana durante um mês e depois para quinze dias...
Tens que ir três vezes por semana ao Colombo para compensar!
A igreja católica começa a aperceber-se do problema e começou a organizar retiros, que são cada vez mais populares. Ainda é pouco. Penso desenvolver estes assunto em próximas oportunidades.

ab disse...

Caro on, os retiros não são recentes! em certo sentido sempre existiram na tradição da Igreja e desde Santo Inácio de Loyola, os seus "exercícios espirituais" (fundamento de muitos dos "modernos" retiros) sempre foram recomendados pelos Papas; nesse sentido não vejo como se pode dizer que os fiéis não são encorajados a seguir os exemplos dos místicos citados...

on disse...

Caro AB, es muito bem vindo ao Prozacland!
Em certo sentido... Um termo pouco preciso!
Não tenho ideia de que na maior parte dos retiros se vá tão longe a ponto de fazer os exercícios de Loyola.
Vou confirmar as informações que tenho e depois falamos!

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