terça-feira, julho 10

Conversas em família

A Primavera Marcellista acabou no dia em que Marcello Caetano contou nas Conversas em Família uma anedota.

Outro dia o Marcello Caetano foi multado por um polícia.
Então porquê?
Fez sinal para a direita e virou para a esquerda.

Marcello garantiu que não era verdade. E lá teve que virar um pouco mais à direita.

Uns programas mais tarde, Marcello Caetano deixou um recado para uma professora do ensino secundário. Ela teria afirmado numa aula que também nós temos o nosso Vietnam.

Minha senhora, nós não fomos para Angola a década passada...

De bufo em bufo, a história foi da sala de aula até ao gabinete do Primeiro Ministro. Marcello Caetano achou por bem não sujar as mãos ordenando o seu despedimento, nem deixou que alguém o fizesse por ele. Outras mentes mais mesquinhas não teriam resistido a usar o poder.

segunda-feira, julho 9

Mais cheques sem cobertura

Se há um fenómeno económico que nos é familiar e é dificil de entender, esse fenómeno é a inflação. O dinheiro é a régua que mede o valor dos bens. E essa régua está sempre a encolher.
A inflação está relacionada com a quantidade de dinheiro existente. Se o Banco Central imprimir mais notas, a lei da oferta e da procura leva a que que consiga comprar menos bens com uma nota.
Se eu colocar mil euros dentro do colchão durante um ano, é como se eles não existissem. O que conta realmente é a quantidade de dinheiro a circular.
Mas ainda é um pouco mais complicado. Se metade das notas estiverem debaixo do colchão e as outras mudarem de mão duas vezes no mesmo dia, isso é equivalente a todas as notas terem mudado de mão uma vez. A inflação está directamente relacionada com o produto da massa monetária pela sua velocidade de transação. Trocando por miudos: quanto mais dinheiro circular, maior a inflação.
Também podemos ler a coisa ao reverso: se o dinheiro circular mais depressa, é como se houvesse mais dinheiro. Se circular mais devagar, é com se houvesse menos.

A inflação rouba-nos a todos qualquer coisinha. Redistribui a riqueza, que viaja lenta mas inexoravelmente das zonas onde o dinheiro circula mais devagar (os meus bolsos) para as zonas onde estes circula mais depressa (os bancos e a bolsa).
Que posso eu fazer para manter esta nota de cem euros inteirinha no meu bolso?
O que é que este post tem a ver com cheques sem cobertura?

domingo, julho 8

Igualdades

As tenistas conseguiram finalmente aquilo que reivindicavam há muitos anos: a igualdade nos valores dos prémios nos torneios do Grande Slam. Convém realçar que prémios iguais para ambos os sexos favorecem objectivamente as mulheres. Normalmente um jogo de ténis realiza-se à melhor de três sets. Os jogos de Grand Slam dos homens realizam-se à melhor de cinco. Quer isto dizer que os homens são obrigados a jogar aproximadamente o dobro do tempo das mulheres para ganharem o mesmo. Como estes torneios se realizam ao longo de duas semanas, em vez de uma, as mulheres podem facilmente jogar em pares e pares mistos, ganhando um dinheirinho extra.
Porque é que os homens não se queixam?
Porque as marcas que eles representam não deixam.
Dava mau aspecto.

Harry Potter 7

Dia 20 de Julho, 23h59m, lá estarei à parte da FNAC para comprar o meu exemplar do último Harry Potter. O Calvin tinha pedido cinco livros que eu ainda não tinha lido e queria ler. Não tinha reparado nesse detalhe. Só me lembro deste.

sábado, julho 7

Matemática 12

Um professor, ou um ministro, não se podem congratular por os seus alunos obterem bons resultados num exame de que foram responsáveis. Até por causa disto.

Respeitinho!

José Sócrates, o ministro e o cidadão, colocaram um processo contra António Balbino Caldeira, o blogger do Portugal Profundo. Não se pode saber qual a razão que levou JS a colocar tal processo. Acontece que foi ABC quem pôs em causa a licenciatura de Sócrates. Acontece também que tudo o que ABC disse se veio a comprovar. O segredo de justiça deveria servir para evitar que a investigação seja prejudicada ou então para defender o bom nome de ABC, que é inocente até prova em contrário. Não parece que neste caso qualquer revelação de qual é a acusação possa prejudicar a investigação. Também não parece que ABC tenha algum problema em que seja revelada a acusação, antes pelo contrário. Para que serve então manter o segredo de justiça? Certamente para evitar problemas políticos a Sócrates. Para que servirá já agora o processo, para além de servir para intimidar alguns de nós bloggers?

Aproveito esta oportunidade para me redimir de tudo o que pensei de mal da Sra. Margarida Moreira da DREN. Ela limitou-se a tentar manter o seu emprego, mais nada.
A outra senhora, que não investigou o cartaz que lhe apareceu no serviço nem avisou os seus superiores desse facto, foi despedida.
Mas isso aconteceu depois, a MM ainda não sabia de nada, dirão vocês.

Sabia sim senhor. Vai para um ano que o professor da Universidade Nova que dirigia o processo do acordo com o MIT se demitiu. Na primeira oportunidade confrontou JS publicamente. JS explicou-lhe com todas as letras:

o Sr. é funcionário público, veja se anda na linha!

Nós achámos que não era a sério.
A MM é mais esperta do que nós.

sexta-feira, julho 6

Informação e Ruído

Alguns meses atrás os jornais fizeram um grande alarido com o facto de Vítor Constâncio preferir ouvir música clássica a ouvir as notícias quando guia o seu automóvel. Precisamos mesmo de ser informados hora a hora do que se passa no mundo? Todas as manhãs sou informado pela Sic Notícias de que a bolsa está a subir ou a descer. Será que essa notícia contém alguma informação ou é apenas ruído?
Analisemos por exemplo a questão dos números de mortos em acidentes de tráfico ocorridos durante o Natal. O aumento do número de mortos em relação ao ano anterior é encarado como sinal de fracasso da política governamental em relação à segurança rodoviária. Fernando Gomes ameaçou demitir-se do governo caso o número de mortos na estrada aumentasse durante o Natal. Ora a variação em relação ao ano anterior depende acima de tudo da variação das condições atmosféricas. Para analisar a política governamental há que mostrar um gráfico dos últimos dez anos e ver qual é a tendência. O mesmo se aplica à política de combate aos incêndios.
Porque é que os jornalistas não apresentam este tipo de informação?
- Dá mais trabalho obter os dados e construir o gráfico.
- Perde-se o dramatismo: na maior parte dos casos nada se pode concluir do gráfico. Aliás, a notícia só interessa se o número de mortos aumentar em relação ao ano anterior. Tal acontecerá mais ou menos metade das vezes, independentemente das políticas serem boas ou más.
- O gráfico deixa claro o que é que a notícia vale: Muito pouco. É mais um número a juntar aos números dos dez anos anteriores.
Protejam-se do ruído e tentem obter informação onde ela se possa encontrar.

quinta-feira, julho 5

Viva a mulher...

...e o viva o software!

Vergonhosamente roubado à Pinpinela.

...e parabéns por mais um aniversário.

Transformações de Moebius

São giras, não são?

quarta-feira, julho 4

O caso do cheque sem cobertura

O Malaquias comprou um anel de diamantes ao Sr. Miranda por dez mil euros. Satisfeito com a venda, o Sr. Miranda achou que afinal sempre podia oferecer um automóvel à sua filha. Pagou-o endossando o cheque ao Sr. Matateu. Que também endossou o cheque a um vizinho. Finalmente o Sr. Meireles foi ao banco descontar o cheque. Entretanto o Malaquias tinha fugido para o Brasil com a namorada.
Dois dias depois realizou-se uma reunião entre todos os comerciantes que tinham sido burlados. O Sr. Miranda propôs que cada um dos nove comerciantes que tinham endossado o cheque pagasse mil euros ao Sr. Meireles. Cada um dos dez perdia mil euros e não se falava mais no assunto. Iam todos para casa, quando o Sr. Matateu propôs que fossem ao café da esquina comemorar o acontecimento. Se todos vocês trabalham com margens de lucro de vinte por cento, como eu, ganharam mil euros com esta história! Beberam um copo à saúde do Malaquias, a quem desejaram um brilhante futuro no Brasil.

Havia realmente razão para comemorações?
Qual é a moral da história?
Que consequência práticas podemos retirar dela?

terça-feira, julho 3

Cinco Livros, Cinco Blogs

Respondendo ao desafio do Calvin, vou falar em breve de cinco livros que li nos últimos tempos. Entretanto, passo o desafio ao CA, ao Lino, à MC, ao OMWO e à Sofia.

sexta-feira, junho 29

O Amor, a Fé e a Vontade

Dizia o CA aqui que "O amor é uma acto de vontade". Decidimos amar.

E a Fé, também é um acto de vontade?

quinta-feira, junho 21


Avestruz.


Ministro.


Ministro a quem não deixaram continuar a fazer de avestruz.

Setenave, Lisnave, Sines, Ota...

tradução de alguns excertos do artigo referido abaixo:

Desde de que os planos para a construção da Ota foram feitos, o transporte aéreo modificou-se dramaticamente - na Europa em geral e em Portugal em particular. As low-cost desenvolveram-se consideravelmente. As linhas de dimensão média enfrentaram grandes dificuldades. Não se pode ignorar a existência das low-cost. ...
Os investidores da Ota enfrentam riscos consideraveis. A TAP enfrenta dificuldades economicas graves e poderá não estar em condições de suportar um aumento das taxas do aeroporto. As low cost fugirão da Ota.
O novo aeroporto deveria ter um plano adaptavel à evolução do mercado. Deveria ser construido por fases. Os investimentos só deveriam ser feitos quando se revelassem absolutamente necessários.


As únicas opções até agora consideradas que respeitam estes critérios de prudência são "Portela ampliada e vamos com calma" e "Portela+1". Convém não esquecer os elefantes brancos planeados nos anos 60 que se revelaram completamente obsoletos nos anos 70, comprometendo o nosso desenvolvimento económico durante décadas: Setenave, Lisnave, Sines...
A ideia da construção de um novo aeroporto de raiz em Rio Frio foi lançada na década de 60 pelas mesmas pessoas que prepararam a Lisnave para receber petroleiros com o dobro da capacidade do maior petroleiro construido até hoje. O estaleiro da Lisnave foi pura e simplesmente destruido, de tão inviavel que era.

Estocolmo e Copenhaga tém dimensões semelhantes a Lisboa. Cada uma delas tem três aeroportos. As vantagens desta situação são maiores do que os inconvenientes. As taxas são estabelecidas em clima de concorrência. Os utentes ganham, as linhas aéreas low cost escolhem preferencialmente os aeroportos baratos. Exactamente o oposto de atribuir à ANA um monopólio a nível nacional, o que só prejudicará a economia nacional e cada um de nós.

OTA chega ao MIT

Apesar da inflação em geral e dos aumentos do petróleo em particular, comprei esta semana um bilhete de avião por um preço nominal inferior ao preço que paguei à vinte anos. As companhias aéreas low cost são o futuro. E os aeroportos devem reflectir isso mesmo. É isso que nos diz um prof do MIT. Mais um canalha a fazer campanha contra o governo Sócrates. Via CA.

O governo português assinou recentemente um importante acordo estratégico com o MIT. O MIT recebeu uma pipa de massa e comprometeu-se a ajudar o desenvolvimento do país. É o que eles estão a fazer.

quarta-feira, junho 20

A terceira Opa de Joe Berardo

Dia 30 de Maio Pinto da Costa vendeu o passe de Anderson ao Manchester United. A compra e venda de Anderson proporcionou uma rentabilidade de capitais de 400% ao ano. Nem na Bolsa se fazem negócios destes. No dia 1 de Junho Joe Berardo descobriu o seu amor pelo Glorioso. Quer constituir um fundo de investimento para ajudar o Benfica a ser campeão.
Nos tempos que correm a grande fonte de receitas dos três grandes é a compra e venda dos passes de jogadores. Que tal ficar com o sector mais suculento do negócio futebol, sem ter de pagar os deficits dos outros sectores? A SAD do Benfica perderá o seu único património, os passes dos jogadores. Mas pode ser que o Benfica ganhe um ou dois títulos entretanto. O resto não interessa.
Os sócios do Benfica podem estar descansados: Vale de Azevedo iniciou há uma década o caminho que levará o seu clube de volta ao domínio do futebol nacional. Dentro de dez anos a única possibilidade de sobrevivência do Benfica será vender-se por um euro ao investidor que aceitar pagar as suas dívidas. No dia em que os sócios deixarem de ter uma palavra a dizer sobre o futuro do clube, este terá finalmente a hipótese de voltar ao seu antigo esplendor.