segunda-feira, setembro 19

Geografias da Polinésia


Por volta de 1200 A.C. a população da Nova Guiné começou a espalhar-se pelas ilhas do Pacífico Sul, dando origem aos Maori e aos Moriori. Aos ascendentes dos Maori coube em sorte uma ilha rica, a Nova Zelândia, o que lhes permitiu manter e aumentar a divisão do trabalho, criando um casta guerreira que se envolvia regularmente em guerras intertribais. Os ascendentes dos Moriori foram parar a uma ilha onde as culturas tropicais que conheciam não vingavam. Foram obrigados a abandonar a agricultura e voltar a ser caçadores-recolectores. Não havendo excedentes alimentares, a divisão do trabalho foi completamente abandonada. Deixaram de existir chefes guerreiros, pois qualquer tipo de delapidação de bens podia por em risco a sobrevivência da sociedade Moriori. Toda a forma de violência foi eliminada, por estrita necessidade de sobrevivência. A própria arte foi simplificada devido à inexistência dos materiais normalmente usados nas suas esculturas.

Quando estes primos direitos se voltaram a encontrar, o (que ficou) mais pobre não teve qualquer hipótese.
Como dizia o OMWO, faz tanto sentido alguém orgulhar-se dos seus genes com orgulhar-se de ter nascido rico. Embora muita gente o faça. Neste caso os genes não tiveram qualquer tipo de influência. Nesta situação extrema a geografia parece ter determinado tudo. Será sempre assim?

7 comentários:

O Setúbal disse...

Já cá estou! Onde se lê "geografia" deve ler-se "forças produtivas" (ah! todo o romantismo da adolescência neste termo).A localização geográfica não permite prever nada neste caso senão referirmos as forças produtivas da sociedade em causa, tal como o fizeste. Estas forças incluem os factores relevantes bióticos e abióticos do ecossistema e, quando já temos esta informação, latitude ou longitude tornam-se irrelevantes. É sempre assim? Duvido. Os genes têm alguma importância? Parece-me que isso depende crucialmente do tamanho da população. No entanto, isto não significa que as propriedades específicas de um grupo de genes tenha alguma importância na história Global duma etnia.Embora não seja impossível, em geral as linhas causais genéticas misturam-se com outras até o efeito genético ser irreconhecível. E então temos os infames genes de penetrância e expressividade variável. No entanto, em populações pequenas, propriedades mais abstractas do fundo genético como a variabilidade podem ter a sua importância. Mas mesmo aí essa importância é gerida por algo não genético: as regras de parentesco.

OMWO disse...

A geografia, eventualmente, molda até mesmo os genes :)

Queria voltar ao assunto do tal post. Uma coisa que não posso conceder em geral é a associação da superioridade militar à superioridade cultural. Quando a superioridade militar decorre da posse de recursos naturais mais proveitosos, de uma boa economia, etc, isso em geral também pode providenciar uma cultura sofisticada (embora nem sempre). Mas o poderio militar pode vir de outras fontes.

Exemplo: Onde está a superioridade cultural dos Mongóis de Genghis Khan?

Finalmente: Antigamente a historia era feita do ponto de vista individual. Era baseada no culto do heroi - A França de Napoleao, a Macedonia de Alexandre, Portugal de Afonso Henriques. Isso em exagero é um erro, mas hoje cai-se no exagero oposto, e a historia tem sempre que ser vista como o movimento das massas, determinada pelas suas acracteristicas geneticas, sociais, geograficas, etc.

A verdade é que os mongois nao eram grande problema antes de Genghis Kahn, os Franceses não teriam feito o imperio sem Napoleao, e a Macedonia, sem Alexandre, não teria ido a lado nenhum - certamente não estava mais qualificada que os seus vizinhos, eplo menos antes de Filipe. O papel dos individuos certos nos momentos certos - ou errados nos momentos errados - não deve ser esquecido. A verdade é que os momentos cruciais da historia estão frequentemente nas mãos de individuos extraordinarios sem os quais nunca teriam sido catalizados os acontecimentos, por mais fortemente que as circunstancias os justificassem.

Susana disse...

Que tal ir dar um mergulho nesse triangulo:)?

on disse...

Setúbal,
insisto na geografia.
Ou mesmo na geometria!
Fica para o próximo post.
Podias ter escolhido Geografia no Liceu, como eu:)

O Setúbal disse...

Mas escolhi biologia...e não estou preso aos genes!
Tenho de dizer que esta série de posts sobre a Polinésia é refrescante. A blogosfera tende a fechar-se no tempo presente e quando percorre os caminhos da História são geralmente os mais batidos (Grécia,Roma...). É fácil esquecermo-nos que em quase todo o tempo da espécie humana as sociedades que construímos foram sociedades sem escrita, sem história, primitivas (nenhum destes termos é correcto, mas não sei como designá-las). Mas esquecermo-nos delas é paroquialismo ou pior. Neste momento Lula inaugura uma estrada que atravessa a Amazónia ligando o Atlântico à Bolívia. Fica assim facilitada a tarefa do Serviço de Protecção dos Índios que ainda nos anos sessenta contribuía para o extermínio dos mesmos!
Há uns tempos a Semiramis,no seu blogue, comparava Adam Smith a Newton. Não está em causa o génio de Adam Smith mas é uma manifestação de provincianismo identificar alguém que estudou um fenómeno local, o mercado, e Newton, que tem um alcance universal. Lembrarmo-nos das sociedades primitivas é corrigir a nossa miopia social (e moral; a contradição com o que disse noutros comentários é meramente aparente).

on disse...

Usar alguém como termo de comparação acaba por ser uma admissão implicita de que esse alguém é pelo menos um pouco mais importante:)

Anónimo disse...

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