terça-feira, setembro 15

O dever cívico

Suponhamos que era nosso dever cívico votar. Então tínhamos direito a exprimir a nossa opinião. Podíamos votar negro, o voto dos que não se sentem representados. O voto branco? Nada distingue quem vota em branco de quem coloca o cruzinha fora do sítio por displicencia ou imbecilidade. É claro que nenhum político quer que o eleitor possa manifestar-se contra o sistema. Os políticos formam uma casta mais ou menos fechada. A sua alternância e eventual sacrifício de um dos seus membros pouco mais é do que a ilusão que mantem a casta no poder.
À falta de melhor, esqueçamos a treta do dever cívico: o voto é um direito lúdico. Por exemplo: imaginem qual foi o prazer que me deu ver a cara do João Soares quando eu votei no Santana Lopes. O homem bem se queixou dos votos da esquerda que foram indevidamente parar ao Santana. Seria meu dever cívico votar nele? É verdade que eu não podia sonhar quanto é que me custaria a brincadeira. Como também não sei qual seria a conta que o João me apresentaria, mais vale lembrar-me que o consulado do Santana foi o mais divertido de sempre.
Azar, azar é a Manuela não ter graça nenhuma. Mas a cara do Pedro quinze dias depois, sempre pode equilibrar as coisas. Votar é um assunto sério? Votei no Socrates para tirar o país da bancarrota. Para depois ele nos endividar outra vez com aeroportos, TGV's para o Porto, BPN's e BPP's, rebentar com a educação e com a justiça. Não vale a pena chorar. As coisas sempre foram mais ou menos assim, e lá temos sobrevivido. Na dúvida, mais vale rir.

42 comentários:

Anónimo disse...

Votar serve para matar o tirano simbolicamente, a intervalos regulares. Assim libertamos a ira, pomos lá outro igual, outro grande libertador, e quando também ele nos lixa esquecemo-nos tanto do que era o primeiro que até voltamos a votar nele uns anos depois. Basta dois tiranos - ou duas familias de tiranos - para repetir o processo eternamente.
É um ritual que só serve para acalmar os animos e perpeturar o jogo.

Eu prefiro acumular a ira e o desprezo. Matar o tirano não me satisfaz se é só com simbolismos da treta. Tragam a guilhotina ou deixem-me em paz. :) Prefiro lembrar-me bem que sou um escravo. A minha pequeníssima vitoria é ignora-los a todos.

omwo

Sofia disse...

Excelente! Parece que, finalmente, estamos a aprender a lidar com a politica como deve ser, não lhe dando mais crédito do que o que ela merece.

Carlos Albuquerque disse...

A política é incontornável. Se não for em democracia será sob outro regime qualquer. E há sempre inúmeros voluntários dispostos a serem ditadores.

Baixar a expectativas sobre os políticos em democracia também não melhora a política.

on disse...

Mas pode melhorar a qualidade das nossas vidas.

on disse...

e até pode melhorar a qualidade da nossa intervenção política.

...

Melhora mesmo.

on disse...

Qual é o nível de expectativas correcto:

O que corresponde à imagem que os políticos gostariam que nós tivessemos deles?

O que corresponde à realidade?

O actualmente partilhado pela maioria dos eleitores?

outro? qual?

Carlos Albuquerque disse...

Eu diria que o nível de expectativas correcto seria um pouco acima da realidade.

Não pedir mais que a realidade provavelmente torna a realidade pior porque acabamos por aceitar qualquer coisa.

Muito acima da realidade só serve de frustração e não nos permite aproveitar o que possa aparecer de melhor.

on disse...

e qual é a realidade?

a discrição do post está abaixo da realidade?

Sofia disse...

Claro que não! O que está descrito no post é a realidade. E nem é a realidade toda.

Para se ser um bom politico, a primeira coisa a fazer será aceitar a ideia de que a politica é uma brincadeira de meninos crescidos que acham que sabem tudo ou muito mais do que qualquer outro. A segunda, é estar disposto a mudar isso.

Carlos Albuquerque disse...

On

Acho que o post dá uma descrição um pouco abaixo da realidade. Embora fale mais da tua atitude do que dos políticos propriamente, parte do princípio de que são todos iguais e que se continuarem assim tudo correrá bem. Ora nem são todos iguais nem as coisas estão num caminho que nos deixe descansados.

on disse...

Carlos,
as minhas expectativas até são altas.

Espero que um partido formado por homens honestos inclua no seu programa uma medida do seguinte tipo:

Todos os cidadãos têm de declarar todos os seus bens todos os anos. A alteração do património deve ser explicavel através dos rendimentos obtidos durante o ano.

Caso o contribuinte não consiga explicar rendimentos ou aumento do patrimonio, paga no mínimo 50% de impostos sobre aquilo que não explica. Em muitos casos pode perder tudo o que não explica e pode ir parar á prisão.

Se um partido não se propõe implementar estas medidas e não faz um esforço significativo nesse sentido, concluo que se ainda não se corromperam foi só por falta de oportunidade.

Carlos Albuquerque disse...

On

A liberdade individual também passa pela privacidade. Uma medida como a que propões deitaria fora qualquer privacidade para tentar combater a corrupção e provavelmente não acabaria com a corrupção.

O crime é um mal mas criar uma sociedade permanentemente vigiada para acabar com o crime pode não ser necessariamente melhor.

Quanto ao "se ainda não se corromperam foi só por falta de oportunidade", a conclusão é tua.

on disse...

Carlos,

não percebo o teu argumento. As medidas que defendo estão a funcionar em países "comunistas" como por exemplos os EUA. Qualquer cheque que deposites numa conta bancária nos EUA, o IRS toma nota e tira as consequências.

Afinal as minhas expectativas são demasiado altas?

Claro que a conclusão é minha!

on disse...

Que liberdade individual é violada quando a DGCI monitoriza a variação do nosso património?

Carlos Albuquerque disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Se eu no próximo ano declarar dois novos andares, não me espantaria nada que as finanças me viessem perguntar onde é que eu tinha arranjado dinheiro para os pagar.
Seria a coisa mais natural do mundo. Não se trata de estar a espreitar por cima do meu ombro par ver onde gasto os meus tostões.

Uma medida destas desinsentivava muita corrupção.

Estou a ver que achas mesmo que os americanos são comunistas.

on

Carlos Albuquerque disse...

Reproduzo o meu comentário imediatamente anterior depois de corrigida uma gralha aborrecida:

"Que liberdade individual é violada quando a DGCI monitoriza a variação do nosso património?"

A privacidade. Praticamente tudo o que fazemos está relacionado com entradas e saídas de dinheiro. Uma monitorização completa deixaria toda a nossa vida nas mãos dos funcionários das finanças e logo de muitos serviços do estado.

Pessoalmente prefiro pagar um pouco mais de impostos (por causa dos que vão fugindo aos impostos) do que ter a minha vida toda registada pelos serviços públicos.

Já agora: a grande corrupção não se apanha com técnicas deste género. Passa provavelmente por contas no estrangeiro ou por transferências de bens que são perfeitamente legítimas.

on disse...

Só lês uma parte dos meus comentários?

"a grande corrupção não se apanha com técnicas deste género",

apanha-se a corrupção dos presidentes de camara, por exemplo...

como a medida M não resolve completamente o problema P, esquecemos a medida P.

onde é que eu já ouvi isto? :)

FOX News? :)

on

Carlos Albuquerque disse...

On

A corrupção é um problema de mentalidades. Se se introduzisse um sistema de monitorização total a corrupção (mesmo a mais pequena) arranjaria rapidamente formas de contornar o esquema e nós perderíamos privacidade para o governo de serviço.

Anónimo disse...

OK. Ganhaste.

on

Anónimo disse...

Concordo com o CA.

Passava-se dez dias e os teus alvos ja estavam ao fresco via um loophole qualquer e entretanto o Estado ja tinha uma desculpa para te apontar mais esse microscópio. Os unicos que estariam sob vigilancia seriamos nos, os papalvos do costume. O Estado deve cheirar o minimo possivel as nossas vidas. Queres uma medida para controlar os presidentes das camaras? Entao passa uma lei para os presidentes das camaras, e mais ninguem. Nao cries mais uma burocracia gigantesca para andar a brincar ao big brother com todos os cidadãos. Mais um passo nesse sentido e iam perguntar-te o que fazias com cada tostão que levantas do multibanco. Não deves não temes, não é? Onde gastou esses 100 |euros, caro cidadão on? O cidadão omwo justificou todos os seus levantamentos (drogas e putas, bien sure) mas o senhor, com as suas preocupações políticas, deve estar a comprar dinamite.

ON, a unica constituição razoavel era a dos Estados Unidos. Sabes para que era o "right to bear arms", nao sabes? Não era por segurança contra os ladrões. Era para os cidadão terem em casa com o que disparar sobre os seus legitimos lideres, caso estes prevaricassem. É o unico sistema político que conheço que integra de raiz um botão de auto-destruição. Mostrava que os seus autores conheciam a natureza humana. Infelizmente palavras no papel são apenas isso mesmo, mas é pelo menos inspirador.

A ratalhada deve ficar tao no escuro quanto possível. Sabes que foi Satanás que instigou o rei David a fazer um censo? Dá jeito ler a Biblia ;)

PS: CA, decerto que nem todos os politicos sao iguais, mas isso é verdade de todos os grupos. De certeza que até nas SS havia um ou outros senhor simpático. Mas em termos globais, digamos que se amanhã morressem todos os canalizadores a sociedade parava, e se morressem todos os politicos...bom, ela também parava, mas porque seria, sem que ninguem o declarasse, feriado nacional e dia de festa.

omwo

Anónimo disse...

A lei contra os presidentes de camara não se aplica aos seus sobrinhos.

on

Anónimo disse...

omwo,

o Carlos é o cabeça de lista pelo Funchal daquele que é provavelmente o sexto mais importante partido político português.

on

Anónimo disse...

on,

o sexto mais importante? Eu sou o cabeça de lista daquele que é talvez o decimo quinto mais importante (e a partir do terceiro, tanto faz): o partido hedonista, cujo programa é transformar todos os homens em selvagens e todas as mulheres em garotas de programa.

eu tambem fiz parte de um governo - o da associação de estudantes da escola secundaria d. pedro V :D. Foi uma experiencia interessante, serviu-me para aprender o que essas coisas são e gerar anticorpos, e foi a minha primeira e ultima participação na "política". Toda a gente tem direito a errar uma vez. (Uma vez, quando era miudo, também tirei um marcador preto a outro rapazito, mas disseram-me que isso nao se fazia e eu fiquei muito envergonhado e nunca mais roubei - mas acho que tenho mais vergonha da minha participação na politica do que do furto do marcador) Depois também votei uma data de vezes antes de também perceber a futilidade.

Eu ja sabia que o CA faz parte de uma associação de estudantes. Além disso também sei que ele acredita no Deus de Israel cujo nome não deve ser pronunciado, e no seu contestado profeta da Galileia e nessas coisas. Mas não faz mal: é como eu disse, de certeza que até nas SS havia gente simpática :D. O Senhor perdoa mesmo os maiores erros desde que o arrependimento venha a tempo e seja sincero :). Ainda estás a tempo, CA, Deus não queria Reis em Israel, recordai-vos e abandonai as associações de entes malignos (repent, with much wailing and renting of clothes and gnashing of teeth)! :)

E ja agora, a nossa citação biblica de hoje, meus filhoses:

"In those days there was no king in Israel, but every man did that which was right in his own eyes"
-Judges 17:6

Bons tempos :)

omwo

Anónimo disse...

E ainda (do livro de Samuel), uma bela sessão de wrestling, God vs Big Gov'ment:

10 So Samuel spoke all the words of the Lord to the people who were asking him for a king. 11 He said, “Here are the policies of the king who will rule over you: He will conscript your sons and put them in his chariot forces and in his cavalry; they will run in front of his chariot. 12 He will appoint for himself leaders of thousands and leaders of fifties, as well as those who plow his ground, reap his harvest, and make his weapons of war and his chariot equipment. 13 He will take your daughters to be ointment makers, cooks, and bakers. 14 He will take your best fields and vineyards and give them to his own servants. 15 He will demand a tenth of your seed and of the produce of your vineyards and give it to his administrators and his servants. 16 He will take your male and female servants, as well as your best cattle and your donkeys, and assign them for his own use. 17 He will demand a tenth of your flocks, and you yourselves will be his servants. 18 In that day you will cry out because of your king whom you have chosen for yourselves, but the Lord won’t answer you in that day.” 19 But the people refused to heed Samuel’s warning. Instead they said, “No! There will be a king over us! 20 We will be like all the other nations. Our king will judge us and lead us and fight our battles.”

E assim se lixaram todos.

Anónimo disse...

Eu acho que vou passar a dar aulas de catequese :D (não é preciso acreditar em Deus, pois não?)

MaDi disse...

Venho atrasada...
De qualquer modo, sempre tive esta ideia que devemos ir votar pela memória daqueles que lutaram por esse direito.
Eu tenho dupla nacionalidade. No Brasil, votar é um dever, paga-se uma multa se não se votar. E lá, os votos brancos e nulos são considerados e 50% de votos brancos e nulos dão direito a anulação das eleições, novas campanhas e novos candidatos (embora nunca tenha visto isto em prática).

Será que esse método funciona? Não deixámos de colocar grandes corruptos no poder...

Desta vez, não vou votar. Não estou em Portugal e não alterei a minha residência no tempo devido. Tant pis. Também não sabia em quem votar.

Há quem diga que cada povo tem o governante que merece. Talvez seja um pouco extremista. Mas, estatisticamente, a classe política não é uma amostra da população?

Anónimo disse...

MaDi,

ha uma certa verdade nisso ("tem o governante que merece"), mas ja nao é verdade que a classe politica seja uma amostra da população. É apenas uma amostra daquela parte da população que almeja a pertencer à classe política. Tirando uns poucos que vão ao engano, pode ser até que esse sub-grupo seja constituido de criaturas alienigenas do planeta sheet'ole, for all we know :p

Não acho grande coisa essa medida de obrigar as pessoas a votar. Em geral acho cada vez menos graça às medidas que obrigam a isto e àquilo. "És obrigado a exercer o teu direito" soa-me algo absurdo. Mas tem o lado bom de mostrar que os votos em branco são uma demonstração de desprezo e não apenas de preguiça. Importante para aqueles que acham que a preguiça é um pecado (Proverbs 26:15 "The slothful buries his hand in the dish; He is weary of bringing it to his mouth again."). Todos os governos acham que a preguiça é um pecado, não esperassem eles ser os beneficiários máximos da diligencia dos outros. E como eles dão o exemplo! Sempre diligentes na sua unica e especializada tarefa: a de cobrar impostos pelo serviço prestado (o de cobrar impostos).

omwo

Anónimo disse...

omwo,

o Carlos resolve o problema da corrupção dando a outra face. Tu resolves o problema acumulando a ira e o desprezo e ignorando os corruptos?

O registo uma vez por ano do patrimonio de cada um não é uma intrusão assim tão grande na vida de cada um.

Nem todos os que pertencem a um partido que não subscreve a minha proposta são corruptos à espera da sua oportunidade. Alguns são apenas um pouco naives...

Carlos,
afinal qual é o programa do teu partido para a luta contra a corrupção?

on

Anónimo disse...

Madi,

acho que temos mesmo os políticos que merecemos. Seja qual for o grupo ou instituição que eu contacte encontro sempre os mesmos tiques. Mesmo que cultura média das pessoas seja mais elevada, que tenham doutoramentos, que tenham vivido anos a fio no estrangeiro contactando todos os dias com grupos de excelência...

Anónimo disse...

Sobre a obrigatoriedade do voto: na China quando se condena alguém à morte por dá cá aquela palha, a recebe a conta da bala. Não deixa de haver uma certa analogia:)

Anónimo disse...

a FAMÍLIA recebe a conta da bala

Anónimo disse...

>Tu resolves o problema acumulando >a ira e o desprezo e ignorando os >corruptos?

nao disse que nada se podia fazer. Apenas sugeri que:

1-vigiar as contas dos politicos eleitos pode ser melhor que nada.

2-vigiar toda a gente seria pior que nada.

Mais vale pescar menos mas com cuidado do que pescar de arrastão.

omwo

Carlos Albuquerque disse...

Omwo

Pode parecer paradoxal mas o que os cristãos sentem é que quando se afastam do seu Deus se tornam escravos dos reis deste mundo.

Convém notar que também há muitos senhores deste mundo, verdadeiros reis, que insistem em se fazer passar por representantes de Deus. Estes reis existem fora da Igreja e dentro da Igreja.

Carlos Albuquerque disse...

On

A corrupção é como um rio. Não se faz frente a um rio colocando alguns painéis no meio do rio, por maiores ou mais populistas que sejam esses painéis.

Para se construir uma barragem é preciso um trabalho muito mais complexo. E que não tem a ver com dar a outra face.

Quanto às medidas do MEP contra a corrupção, podem ser encontradas aqui.

on disse...

Carlos,
li as medidas. Não sou engenheiro civil, mas não me parece que estejamos na presença das fundações de uma barragem.
É o tipo de coisas que uma pessoa que nunca pensou realmente no assunto escreveria. Um dia destes fazem melhor do que isso.

on

Diogo disse...

Se alguns se podem dar ao luxo de rir das manobras da máfia política, os desempregados, os precarizados, os que ganham uma merda e os que dormem debaixo das pontes só têm motivos para pegar em armas.

on disse...

Diogo,
a rir podem dizer-se coisas muito sérias. A chorar, só se dizem lamechices. A raiva, só nos tolda o raciocínio.

on

Hugo disse...

"Criação de um “Código de Boas Práticas Anti-corrupção” com objectivação de quais os comportamentos que oferecem dúvidas e dos que não oferecem dúvidas, com “protocolos” de actuação perante cada situação, a divulgar por cidadãos, empresas, IPSS e funcionários; Instituição de acções de formação destas boas práticas."

O que é que isto quer dizer na prática? É por isso que não voto MEP: parece-me tudo tão vago!

Anónimo disse...

Parece algo escrito pelo grande Sir Humphrey.

Carlos Albuquerque disse...

Hugo

Antes pelo contrário. Isto nada tem de vago. Por exemplo: pode um funcionário receber um pequeno presente de um utente do serviço? Pode ser algo insignificante ou podem ser umas garrafas de bebidas caras no Natal ou até algo mais. Claro que a desculpa é que se trata de presentes inocentes. E às vezes não se está a pedir nada de ilegal, apenas se "compra" boa vontade. Ao fim de algum tempo quem não dá presentes é um chato enquanto que quem dá presentes é um utente "normal". O sistema está cheio destas pequenas coisas que criam uma mentalidade receptiva a que aos níveis mais elevados se passem coisas semelhantes.

Há instituições que impõem simplesmente limites ao presentes a receber pelos seus funcionários, sejam eles contínuos ou presidentes.

Podem ser definidos procedimentos a ter em caso de determinados tipos de abordagens dos utentes, por exemplo.

Quando toda a gente sabe que determinado procedimento é considerado incorrecto torna-se mais complicado a alguém dar-lhe início.

Um dos problemas fundamentais da corrupção é o facto de ela ser aceite na nossa mentalidade como povo. Um conjunto de medidas profilácticas (à imagem das instruções da gripe) ajuda a reduzir a fertilidade do terreno onde a corrupção cresce e isso pode ter efeitos muito mais profundos e duradouros do que certas medidas mais sonantes.

Anónimo disse...

O problema e' que depois temos protocolos para tudo e mais alguma coisa e andamos sempre com medo de dar um espirro da forma errada senao caem-nos em cima. Na minha instituição passa-se algo do género com o eduquês, temos tantas normas de interacção com os alunos que bem podiam começar a substituir-nos por robots.
Não resolve nada, oprime as pessoas normais, e apenas causa uma rapida mudança de estrategia em quem de facto quer ir contra a intenção (e nao a letra) da lei.

Ja agora, as medidas (histericas) contra a gripe que se andam a tomar nao sao exemplo para ninguem, e' capaz de ser uma má metafora. Eu estou a ver e' um boom de vendas de sabao antibacteriano (para uma dença viral - hah!) e outras tretas do genero e a adivinhar o ponto em que a histeria dos contágios vai chegar ao limite em que ja ninguem se toca por medo de apanhar isto e aquilo. Para breve, os preservativos osculares! Afinal, o beijo transmite todo o tipo de doenças, desde a gripe às caries! Se as pessoas se beijassem com latex poupava-se milhoes ao sistema de saude e às seguradoras, e salvavam-se vidas (temos que pensar nas seguradoras, digo, nas crianças, nas crianças!!!.....). Beijar com latex sabe quase ao mesmo, e nao o fazer devia ser considerado crime!

omwo