quarta-feira, março 1

Liberalismo de esquerda

O que é que isso quer dizer? Aqui fica o desafio a todos aqueles que já alguma vez se auto proclamaram tal coisa. À primeira vista é uma contradição: ser liberal significa (na Europa) que se defende que o estado intervenha tão pouco quanto possível na economia. (Muitos liberais são liberais em parte time. Defendem a liberdade das empresas fazerem o que quiserem. Depois vão pedir os subsídios do costume.) Ser de esquerda significa achar que o estado tem apesar de tudo de intervir em defesa dos mais fracos. Significa também defender a importância de várias liberdades. Já não existem liberais puros com ambições políticas. Todos os liberais proclamam o apoio aos mais desfavorecidos. Na prática isso significa meia dúzia de acções demagógicas para ganhar votos e um argumento para estrangular a classe média. Ouvimos muitos argumentos deste tipo ultimamente. Não é por aí que vamos encontrar o liberalismo de esquerda. Então, onde está ele?
Algumas perguntas complementares:
Reconhecem a alguém o estatuto de teórico do liberalismo de esquerda?
Existe algum partido em algum país do mundo que se aproxime dos ideias do liberalismo de esquerda?
Se não existe, será o liberalismo de esquerda apenas mais uma tentativa idiota de fazer uma síntese entre duas perspectivas que se auto-excluem uma à outra?

18 comentários:

O Setúbal disse...

Primeiro, uma questão terminológica: pelo desenvolvimento vejo que quando escreves "liberalismo" entendes "liberalismo económico" e quando escreves "esquerda" excluis a esquerda anti-estatista. Ficam portanto excluídas as relações interessantes entre anarquismo e liberalismo político (por ex. a relação maioria/minoria no processo de decisão), entre anarquismo e liberalismo económico (por ex. a tendência proudhonista), entre marxismo e liberalismo político (por ex. a tendência comunismo dos conselhos,por ex. a discussão do conceito de ditadura do proletariado).
Restringindo a discussão à relação esquerda estatista/ liberalismo económico: embora históricamente, numa primeira visão, haja uma incompatibilidade radical, encarnada nesses paradigmas do estatismo e do liberalismo económico que são, respectivamente, a URSS e os Estados Unidos, isso não garante a incompatibilidade lógica. De facto John Rawls demonstrou (o uso do termo é intencional) que uma sociedade justa, ou seja, fundamentalmente preocupada com a protecção dos mais fracos (portanto de esquerda na tua definição) é compatível quer com o liberalismo económico, quer com a planificação centralizada, quer com conselhos operários.
Segundo o próprio Rawls, no prefácio da edição francesa da "Teoria da Justiça", a sua concepção seria designada, nos Estados Unidos, de liberal ou liberal de esquerda (liberal no sentido político).

on disse...

A minha primeira preocupação não é viver numa sociedade justa mas numa sociedade que consiga sobreviver na competição com as outras sociedades. Se não conseguir, de pouco lhe servirá ser justa.
Conseguido isso, podemos depois aprofundar a questão da justiça.

Luis M. Jorge disse...

"Todos os liberais proclamam o apoio aos mais desfavorecidos. Na prática isso significa meia dúzia de acções demagógicas para ganhar votos e um argumento para estrangular a classe média."

On, eu até estava disposto a fazer um post a explicar-lhe o que significa ser um liberal de esquerda, mas julgo que iria esbarrar no seu irremediável preconceito.

on disse...

Caro LMJ, fico à espera do post:)
Eu considero-me um liberal de esquerda.
Quando digo "todos os liberais" não estou a incluir os "de esquerda". Deformação profissional. Na minha profissão não existem adjectivos.

O Lutz também se proclamou liberal de esquerda. Estou à espera de ver o que ele tem a dizer sobre o assunto...

O Setúbal disse...

ON, se estás a utilizar "sobreviver" literalmente, concordo totalmente contigo. Caso contrário, depende.
Mas o ponto do meu comentário era que o maior filósofo político dos últimos dois séculos tratou do assunto de modo convincente (não encerrou o assunto, claro está).

Luis M. Jorge disse...

Oh, que coincidência! Pois EU também sou um liberal de esquerda! Irmão, e para que queres tu que eu te explique esta evidência?

on disse...

LMJ,
Eu já o sabia. Mas pode ser que sejamos só primos. As nossas visões podem diferir um pouco. Ou muito. Vou escrever umas coisas sobre o assunto. Logo se vê se estamos de acordo...

Deixei umas perguntas mais concretas:
#Reconhecem a alguém o estatuto de teórico do liberalismo de esquerda?
Existe algum partido em algum país do mundo que se aproxime dos ideias do liberalismo de esquerda?#

on disse...

Setúbal,
sobreviver não está usado no sentido estrito da palavra. Não há sociedade justa que resista a uma taxa de desmprego de 50%...

O Setúbal disse...

On, concordo, mas isso não garante que o liberalismo económico seja a solução.
Quanto às perguntas mais concretas: à primeira já respondi; quanto à segunda sugeria os trabalhistas em Inglaterra e os sociais-democratas na Escandinávia.
Agora quanto à dicotomia sobrevivência/justiça: no contexto em que estamos a discutir quando a sobrevivência entendida literalmente está em causa a justiça eclipsa-se (estou a excluir qualquer contexto religioso no qual a resposta seria diferente). Quando "sobrevivência" é a maximização ou manutenção de um determinado valor tem de existir um "trade-off" entre ela e a justiça. Exemplificando: se não queremos sobrecarregar as empresas de impostos para garantir o seu crescimento, temos também, para garantir a justiça social, de ter impostos proporcionais a taxas de crescimento. Isto contradiz a idéia : primeiro "sobrevivência", depois justiça; são simultâneas (ou é estabelecida expícitamente uma fronteira a partir da qual a justiça entra em acção). A noção de imposto progressivo (apoiada por Smith e por Marx) é uma das muitas idéias já antigas para resolver o dilema exequibilidade/moralidade.
Passemos ao mais saboroso: as bocas! Não é muito credível no momento histórico que vivemos invocar a sobrevivência para descartar a justiça; ou já se descobriram as WMDs atrás de algum calhau? Atrás do Bush, talvez?

Lutz disse...

ON, já sei que tenho de fazer um post. Se não houver um imprevisto, amanhã.

on disse...

Setúbal,
temos que saber lidar com a China e com os novos membros da CE. Mas tudo isto irá sendo analisado em proximos posts...

MP-S disse...

Nos somos tao poucos que temos de seguir o exemplo dos escandinavos: jogar em equipa. Em particular, o nosso nivel medio tem de ser muito mais elevado do que nos grandes paises como, por exemplo, os EUA. Eles la' ate' nem precisam de um nivel medio muito elevado, basta-lhes uns picos de excelencia (que, para a nossa dimensao, sao enormes) e as fragilidades do sistema sao compensadas atraindo muitos dos melhores de todo o Mundo. E' evidentemente uma estrategia totalmente inviavel para Portugal.

Miguel Madeira disse...

Alguém que pretenda, na despesa pública, cortar apenas os subsidios "aos ricos" (p.x, às empresas, aos grandes produtores agricolas, etc.) e usar o dinheiro poupado para baixar os impostos nos escalões inferiores do IRS não poderá ser considerado, simultaneamente "liberal" e "de esquerda"?

Miguel Madeira disse...

(opinião de um esquerdista não-liberal)

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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Anónimo disse...

Eu também sou de esquerda...como nosso bom e velho quevara...
aquilo sim era homem...sou apaixonada por ele ...viva che.. de onde ele estiver ,esta tentado mudar o mundo d alguama forma, como ele sempre fazia...che quevara....Dayane Nery

Ramon disse...

Sempre me questionei sobre esse tremendo engano. Você vê por aí assim: direita conservador e esquerda e liberal. Fico sempre com uma interrogação na cabeça, pois eu jogo o rótulo de conservador na esquerda, por vários motivos...