terça-feira, dezembro 13

Parabéns Calvin!

Como é possível seres mais velho do que eu?

Seres Totalitários

Quando uma mulher pergunta achas que esta saia me faz gorda, um homem começa a suar. É a volta dA Santa Inquisição. Se fizermos todas as piruetas e outras acrobacias com precisão milimétrica, safamo-nos com um amuo de duas horas. Uma distracção vale uma semana de abstinência.


Se discordarmos publicamente da Madi, como podemos voltar a falar com uma mulher?
Sim Madi, tens toda a razão.

segunda-feira, dezembro 12

Não ver o Mal, Não ouvir o Mal...e já chega de dizer Mal!



"Rice satisfez Bruxelas com garantia que EUA não torturam" (Público, 9.12.05)

Esta notícia, que deveria encher-nos de alívio, provocou ao que parece ainda mais ondas de choque, e um regresso às acusações de hipocrisia e afins.

Oh, santa ignorância...é o que dá a falta de educação matemática.
(et tu, ON, que, segundo consta, até fazes umas contas!)

Passo a explicar, impacientemente, revirando os olhos:

"A América não tortura" é uma proposição que pretende ser tomada como axioma (chamemos-lhe axioma 1).

Sendo um axioma, ela é verdadeira independentemente do que a América faça ou deixe de fazer, e consequentemente, serve para definir o que é tortura, ou melhor, o que não é.

Então:

Se a América asfixia, o axioma 1 não é falso por causa disso. Pelo contrário, pelo axioma 1, podemos concluir que a asfixia não é tortura (é interrupção voluntária temporária do permanente movimento involuntário dos pulmões).

Se a América tira dentes, o axioma 1 não é menos verdadeiro por tal detalhe. Pelo contrário, permite-nos concluir que tirar dentes não é tortura (é odontologia gratuita compulsiva).

E assim por diante.

Perceberam, ou querem que explique outra vez?

"When I use a word, it means just what I choose it to mean, neither more nor less."-Humpty Dumpty

Vemos, Ouvimos e Lemos

Não podemos ignorar.

Posts Totalitários


Considero que um post de opinião deve estimular o diálogo. Alguns posts apresentam uma posição políticamente correcta de tal forma que quem discordar ganha logo o estatuto de proscrito. Muitos blogues não publicam posts de outro tipo. Mesmo as pessoas mais abertas ao diálogo publicam de vez em quando um post totalitário. Acontece aos melhores. Vou ilustrar esta ideia com posts da Madi e do Lutz.
Como comentar um post totalitário? É preciso um niquinho de coragem para pôr em causa a ideia subjacente ao post. Se resolvermos avançar convém evitar meias palavras.
Comecemos porém por arrumar a casa. O meu post sobre o Lobo Antunes é um bom exemplo de um post totalitário. Existe algo mais politicamente correcto do que lembrar que não se deve abrir a correspondência das outras pessoas? Até é verdade. Acontece que os valores são sempre algo relativos. Se eu estivesse mesmo muito interessado na obra do LA lia mesmo as suas cartas de amor escritas durante a guerra. Nem que tivesse de pagar esta acção com as chamas do inferno. No excuses. Não é, Sofia?
Porque é que eu escrevi o post daquela forma? Não resisti a tentar captar um instantâneo com uma dimensão trágica a lembrar o rei Lear. O LA a ser levado ao pelourinho pelas próprias filhas.
A Alemanha é uma grande potência que abdicou de ter uma política externa. Um alemão quase que se pode dar ao luxo de colocar as coisas nos termos postos pelo Lutz. Um português também. É facil arranjar variantes da pergunta em que o problema se põe de outra forma.
Todos os governos americanos violam sistematicamente os direitos humanos. Um americano não deveria votar, mesmo que a opção fosse entre o Clinton e o Bush?
Alguém sabe exactamente o que se passa na Base das Lajes e nas bases americanas na Alemanha? Não serão todos os governos portugueses e alemães coniventes com violações sistematicas dos direitos humanos? Vamos deixar de votar?
Paulo Pedroso foi candidato a deputado pelo PS. Eu votei no PS. Foi um dilema muito complicado. Achei que não tinha alternativa.
O post da Madi é demasiado delicioso para o gastar já. Fica para uma próxima oportunidade.

sábado, dezembro 10

Cultura

Para muita gente cultura é mais ou menos sinónimo de gostar de música clássica e de literatura. Se entendermos a cultura como sendo o conjunto de instrumentos que nos ajuda a nos compreendermos a nós próprios e ao mundo que nos rodeia, é preciso mais qualquer coisa.
Ter uma ideia de como funciona um computador. Não ser aldrabado pela primeira manipulação de números que ocorre ao economista de serviço do partido X. Saber qual é a diferença entre um vírus e uma bactéria. Saber detectar uma falácia num raciocínio.
Cultura é sobretudo autoconhecimento. O João afirma: a mulher do não sei quantos dormiu com o António. Se fosse comigo, já estava com as malas à porta. Depois o João descobre que a mulher dele também dormiu com o António. Descobre também que não consegue prescindir da camisa lavada e do jantar na mesa. Como reagimos em situações extremas? Como podemos sabê-lo? Este tipo de autoconhecimento é precioso.
As situações extremas estão quase sempre relacionadas com algum tipo de violência e algum tipo de dor.
Actualmente existe um grande desconhecimento da violência e da dor. Nada é mais angustiante do que o desconhecido.
Quando era miúdo estive uma ou duas vezes em risco de levar uma valente sova de miudos mais velhos. Não havia adultos por perto. Não foi lá muito agradável mas deu-me um ponto de referência que ainda hoje me é util. Quando estou numa situação de stress dou comigo a pensar: se me safei daquela vez, também me safo desta...
Se tivesse apanhado, ficava a saber como era. Sempre é menos mau do que o desconhecido.

Não estou a recomendar que participem em excursões ao Intendente às duas da manhã. Existem muitas formas seguras de criar alguns pontos de referência.
Praticar uma arte marcial. Fazer paraquedismo ou escalada. Mais do que aprendermos a lutar, passamos a encarar a vida com outra atitude. Deixamos de fazer dramas de pequenos problemas que nada significam. Distinguimos melhor o essencial do acessório. Não é o carro novo nem o cortinado que vão resolver os problemas da nossa vida.
Mais suave: praticar yoga ou fazer longas caminhadas. É incrivel como alguns machos latinos reagem mal à perspectiva de um pequeno desconforto numa posição menos habitual.
Na verdade, basta não fugir dos problemas com que a vida nos confronta.

Vivemos numa sociedade que evita a dor. Evitamos a nossa dor, a dor dos outros, a ideia de dor. Quanto a própria ideia de dor se torna insuportável, a dor acaba por vir em nosso socorro e cura-nos da nossa doença.

Rituais

De vez em quando sai uma notícia nos jornais. Um facto incómodo. Nada que alguma pessoa bem informada pudesse afirmar que desconhecia. Durante uma semana toda a gente condena o facto, supreendida e horrorizada. Uma semana depois esquecem tudo e dormem descansados, de consciência tranquila. Até serem novamente surpreendidos pela mesma notícia.

Alguém enfia a carapuça?
Esta não é para o Lutz. Que isso fique bem claro. Nem estou a pensar em alguém em particular.

Franceses e Alemães

Os franceses sabem o que é a diplomacia. Its all about making money: NEGÓCIOS estrangeiros. Got it? De vez em quando exageram. A PAC (política agrícola comum) está na origem de todos os males da União Europeia. Os ingleses desesperam com o savoir faire dos franceses: They should play fair! Vingam-se acusando os franceses de ser efeminados: passam o tempo todo de roda das mulheres. Foi preciso uma Dama para conseguir o british check, garantindo que os ingleses não vão pagar as contas dos franceses.
A França fez uns erros na Argélia mas aprendeu com eles. Não se faz um negócio importante na África subsahariana francófona sem autorização (participação) da França. Quando alguém tenta levantar a cabeça, um pequeno grupo da Légion Etrangère (les étrangers au service de la France) vai até lá e põe a casa em ordem. Normalmente a operação mal é noticiada. A oferta da estátua da liberdade foi o mais rentável investimento político alguma vez feito...
Mas quem costuma pagar as contas dos franceses (a PAC) são os alemães. Afinal para que servem os boches? No fim da primeira guerra mundial os franceses exageraram mesmo. As indemnizações impostas pelo tratado de Versalhes destruíram a economia alemã e criaram Hitler. Os alemães tiveram culpas no cartório mas mostraram depois da segunda guerra que quando são tratados justamente, retribuem generosamente. Já passaram duas gerações. O complexo de culpa que contaminou a cultura mais adaptada ao pensamento racional com uma série de interdições politicamente correctas é um anacronismo que continua a ser instigado por Israel e pela França. Em proveito próprio.
Lutz, o pecado está expiado.
Podemos começar agora a discutir o post.

sexta-feira, dezembro 9

Pobre Lobo

Nunca li mais de três páginas de um livro de ficção do Lobo Antunes. Fico no entanto sempre tocado pelo brilho no olhar que os seus leitores exibem quando falam do seu autor preferido. Estou também fascinado pela personagem Lobo Antunes. A maneira como ele fala da sua vida e em particular da sua entrega ao trabalho é impressionante.
Como diz a Maria da Conceição, cada um de nós carrega a sua cruz. Como Cristo era homem, é natural que as cruzes das mulheres sejam maiores. Se não esquecermos este facto, podemos falar por uma vez da cruz de um homem. Um homem que admite estar no purgatório em vida para expiar os muitos pecados que cometeu. Os maiores de entre eles todos ligados à Maria José. Se julgava que já estava perto do fim do seu calvário, enganou-se.
As suas filhas desenterraram do baú as cartas que ele escreveu à mãe durante a Guerra. Aquele assunto de que ele não é capaz de falar. Nem nos livros, nem nas entrevistas. Terão elas consciência do que estão a fazer? Será uma punição? Será apenas um capricho?
As filhas devem ter-lhe pedido autorização para publicar as cartas. Que podia ele fazer? Não tem mais nenhumas.
Doía ver as entrevistas a Lobo Antunes quando da apresentação do livro:
Está contente?
...
Releu as cartas? Corrigiu-as?
Não li.
Lembra-se do que está lá escrito?
Não.
Está a pensar em relê-las quando?
Não estou a pensar nisso.
Resignado como um boi à entrada do matadouro, o António aceitava o seu destino. Mais um passo da sua via sacra.
Consumidor ávido de toda a obra não literária do António, desta vez não vou comprar o livro. Por pudor. Uma palavra que o António tantas vezes usa. Uma palavra cujo significado não conseguiu transmitir às suas filhas.

quinta-feira, dezembro 8

Alvo militar legítimo?


Quando uma nação é pequena, os seus cidadãos constituem o seu exército. Se for mesmo pequena, constituem mesmo a sua polícia. Quando um império cresce, é típico que se profissionalizem os exércitos. Assim torna-se tudo mais eficiente. Assim, apaga-se também a responsabilidade dos cidadãos nas atrocidades que são cometidas para a sua conveniência económica. Assim os cidadãos se tornam em turba. Assim declinam os impérios em pão e circo, tampas de telemóveis e futebol. Profissionaliza-se tudo, até a caridade e a coragem mais básicas. Até a responsabilidade pelas atrocidades é profissionalizada. Ao cidadão resta consumir.

É o que se passa hoje. O conceito da inocência dos civis não foi inventado para estes civis de hoje. Tinha-se em mente as mulheres e crianças e aqueles que não podiam lutar. E uma população que pouco ou nada decidia. Hoje somos tudo menos inocentes.

Os civis de hoje não são inocentes. São cobardes, moles, arrogantes. Enchem-se com os espólios das manipulações e conquistas levadas a cabo pelos políticos que elegem e pelos soldados profissionais que contratam. De tudo isto lavam as mãos, mas lavam-nas no sangue vertido a seu mando, por outrem.

Um Zé-povinho não se coíbe de dar a sua opinião, de vociferar: “É preciso é largar-lhes umas bombas em cima!”. Não se coíbe de eleger os tipos que darão as ordens de largar as ditas bombas. Arma-se em general de bancada. Mas quando é atingido de volta faz um ar de surpresa e espanto: “Mas eu sou civil! Eu sou inocente! Eu sou desprotegido”

Inocente? Um soldado de uma qualquer ditadura do terceiro mundo é mais inocente. Não pode escolher por quem luta, ou se luta. Um civil dos EUA ou de Portugal não é inocente. Eles votaram no tipo que lança as bombas. Nós votámos nos tipos que mantém alianças com ele, por conveniência económica e política. Não estou a questionar essas políticas. Digo apenas que numa democracia somos todos responsáveis pelas decisões tomadas. Muito mais que o tal soldado da republica das bananas, e apesar disso ele é “um alvo militar legítimo”. A não ser, é claro que admitam que a nossa democracia não decidimos nada…querem admitir isto?

Desprotegido? Quando os aviões chocaram com as torres gémeas não foi porque os civis estavam desprotegidos. O que isso mostrou foi que por vezes mesmo uma população extremamente protegida pode ser atingida por detrás dos seus escudos, do seu exército, da sua polícia. E mostrou também a fraqueza dessa população. Que em vez de simplesmente declarar guerra a esse inimigo, e aceitar os perigos envolvidos, deu carta verde a um burocrata com tendências a ditador para fazer dela escrava enquanto se dedica a outras guerras que não aquela a que se propôs.

Mais desprotegido é o tal soldado da república das bananas, que tem uma kalashnikov na mão contra mísseis balísticos e bombardeamentos por aviões que nem sequer vê. Nem por isso deixa de ser um “alvo militar legítimo”.

E as regras da Guerra? As regras da guerra, hoje, são escritas com o único propósito de dar a vantagem a quem a escreve. É por isso que a tortura é proibida, mas o Dick Cheney acha que ela pode ser permitida à CIA, em caso “de necessidade extrema”. Pois bem, o inimigo pode certamente alegar “necessidade extrema” de quebrar outras regras, para enfrentar uma potência militarmente invencível. Ou “as leis da guerra” implicam que o Bin Laden teria que enfrentar os porta-aviões americanos com um exército de meia dúzia de palhaços, em formação clássica, armados de kalashnikovs e toalhas na cabeça? Isso sim seria “um ataque suicida”. Porque é que as leis da guerra proíbem o terrorismo? Porque foram escritas por nações que contam com a vantagem em conflitos assimétricos. Mas nem por isso os americanos se coibiram de em tempos apoiar os contras na Nicarágua, que eram eles próprios terroristas. E muitos americanos católicos financiavam o IRA. As regras são as que dão jeito.

Que sequer se usem tais argumentos é uma prova de fraqueza da população civil. E é por essa fraqueza que o terrorismo funciona. Porque é que os americanos estão em risco de abandonar o Iraque? Por causa das bombas e dos ataques suicidas. Não foi por se aperceberem que foram ser enganados que os americanos recuaram. Já o tinham percebido antes e não se mexeram. Não foi por perceberem que guerra foi feita sob falsos pretextos e que não tem nada a ver com o terrorismo que pretendiam combater. Foi por estarem a perder. Foi por perderem uns tantos filhos, verem uns tantos caixões. Não há qualquer moral nesta gente. Só cobardia. Dessem-lhes uma vitória rápida e não teriam perguntado nada.

É com isso que conta o Bin Laden e companhia. Que nós somos tão fracos que se levarmos com umas tantas bombas em cima, vamos primeiro vociferar, depois chorar, e depois ceder.

E tem razão.

A não ser que algo mude.

Parasitismos e cobardias

Ontem fui assaltado no metro. Estava a ler, senti um encosto, e apercebi-me da falta da carteira. Sem ter a certeza absoluta da identificação tive que arriscar o bluff. Calmamente, muito matter-of-fact:

-"Oh amigo, devolve-me a carteira"
-"No comprendo!" (uma pronuncia que não consegui identificar)
-"Não compreendes uma merda. Devolve-me a carteira. Vê se percebes, não vais a lado nenhum, isto não vai acontecer. Devolve-a agora e não hà chatices nem polícias."

O diálogo prosseguiu assim por mais umas trocas. Depois tentou abandonar o metro. Eu acompanhei-o, agarrado pela lapela. Ainda tinha o livro numa mão e a mochila as costas, e só pensava "que merda, vou estragar o meu livro todo se tiver que lutar".

Ao sair da carruagem identifiquei por instinto um segundo elemento que me pareceu suspeito e que mais ou menos se mexeu em simultâneo com o primeiro. Arrisquei e agarrei-o também. Há quase sempre um parceiro nestas coisas e provavelmente já era ele quem tinha a carteira. Agarrei-os aos dois, levemente, enquanto caminhávamos e discutíamos. Sem violência, eles a tentarem esquivar-se e convencer-me, com uma ar inocentíssimo, eu a alegar uma certeza que não tinha, à espera, a qualquer momento, de uma explosão de violência súbita. Ainda não percebo, passado o instante, como raio é que estava a segurar o segundo tipo se nunca larguei o livro, mas sei que estava porque eles tentaram separar-se nas escadas rolantes e eu puxei o segundo para junto do outro.

Acabaram por desistir e atirar a carteira para longe. Agarrei-a e persegui-os até ter a certeza de que estava lá tudo. Não sei bem se tiraram algum dinheiro, mas se o fizeram não foi muito, porque ainda lá estava bastante. Um terceiro elemento tentou reter-me, estava feito com eles e fingiu ser um "civil prestável" até eu lhe quebrar o bluff. Era o mais forte dos três e estava às minhas costas ainda por cima - foi o que mais me preocupou. Acabou tudo sem violência (ainda fizeram umas ameaças a contra-gosto, mas não se mexeram) e fui-me embora satisfeito com o desfecho.

Porque falo disto?

Porque no interior da carruagem, apesar de estarmos rodeados por dezenas dos meus concidadãos, e da situação ser clara, ninguém se mexeu. Não pedi ajuda. Não acho que seja estético, "agarra que é ladrão" soa-me mal. Mas eu teria ajudado sem me pedirem. Os meninos que ameaçam de porrada o árbitro estavam todos a contemplar o tecto da carruagem com intensa concentração.

Os ladrões são só ladrões. Todos os ecossistemas complexos albergam parasitas. Mas os meus caros concidadãos metem-me asco. Caros amigos Lusitanos, a maioria de vós não passam de miseráveis cobardes. Tirem-vos a polícia e o exército, e meia duzia de palhaços da Al-Qaeda armados de fisgas tomavam Lisboa em trinta minutos.

A população civil do século XXI é só carneirada pronta a abater. Não se prefigura nada de bom.

E isto leva a outros assuntos a tratar de seguida.

MBT: Masai Barefoot Technology

Karl Müller era um engenheiro suíço que vivia na Coreia. Tinha problemas sérios a nível das costas, do joelho e do tendão de Aquiles. Apenas encontrava alívio para as suas dores caminhando pelo campos de arroz. Compreendeu que caminhar sobre superfícies macias e irregulares massajava os seu corpo, tonificando dois tipos de músculos: Os músculos profundos que servem para manter uma postura correcta e os pequenos músculos que garantem a estabilidade de articulações delicadas como a articulação do joelho. No dia a dia caminhamos sobre superfícies planas e duras que não exercitam este tipo de músculos. Procurou então desenvolver uns sapatos que simulassem o efeito da areia macia quando caminhamos sobre superfícies duras. Foi assim que nasceram os MBT.

Comprei o meu primeiro par há dois meses e nunca mais os larguei. Com estes sapatos posso andar horas e horas sem qualquer esforço. Até consigo ir ás compras num centro comercial e tudo. O princípio básico é simples. A sola é convexa e a única parte do sapato em contacto com o chão é uma pequena zona por baixo do calcanhar. Esta zona fica mesmo por baixo do osso talar, o osso que divide a pressão do peso do corpo entre os dedos do pé e o calcanhar. O nosso corpo é obrigado a manter-se em equilíbrio. Mesmo que tenhamos uma postura tão má como a do esqueleto da esquerda, passamos rapidamente a ter a postura correcta do esqueleto da direita. Algo que não se pode conseguir através de um acto de vontade.

Outras vantagens resultantes de usar estes sapatos : melhora a nossa postura e acaba por melhorar a flexibilidade, elimina dores de costas e tonifica os músculos abdominais. Qualquer pessoa que execute regularmente exercício aeróbico sofre de vez em quando de pequenas dores de articulações resultantes da repetição do mesmo movimento vezes sem conta quando acaba o exercício. Especialmente se já passou dos trinta. Essas dores podem evoluir para uma lesão mais séria. Os MBT evitam estes problemas. Muitas lesões deste tipo também são rapidamente eliminadas, mesmo que sejam crónicas e graves.

São tão caros como umas botas de senhora, mas os meus valem todo o dinheiro que paguei por eles. Podem ser comprados em quase todos os países da Europa menos em Portugal. Também podem ser comprados através da net, mais baratos. Convém nesse caso comprar meio número abaixo do normal porque o pé não escorrega para a frente como nos outros sapatos.

As namoradas de Hugh Grant usam todas MBT's. Não é uma questão de publicidade: a Janina GoldSmith é a herdeira mais rica de Inglaterra. Será outro fetiche do homem? Fica a informação. Usem-na como quiserem:)

Não percam as imagens dos esqueletos em movimento na página da MBT, secção Medical & Therapy.

quarta-feira, dezembro 7

Yoga

Os primeiros yogis usavam pedaços de maneira, pedras e cordas para ajudar a sua prática. Iyengar inventou utensílios que permitem manter posturas dificeis durante mais tempo.
Iyengar em Setubanandha Sarvangasana. Esta postura é extremamente exigente ao nível do pescoço, dos ombros e do peito. Requere anos de prática. Não deve ser experimentada sem supervisão adequada.

Yoga à portuguesa




terça-feira, dezembro 6

No Limbo

Nunca percebi como é que tantos cristãos contam ao mesmo tempo às criancinhas duas histórias: a do Pai Natal e a do Menino Jesus. Se uma é para descobrir que não é para levar a sério, será que a outra...
A hierarquia da igreja católica anda agora entretida a discutir o limbo. Aquele sítio para onde é suposto irem as criancinhas que morrem pequeninas. Em tempos em que a mortalidade infantil era muito elevada, deve ter dado algum conforto a muitos pais acreditar na existência de um tal local. Hoje em dia já não faz tanta falta. E será que alguém leva esse mito realmente a sério?
Talvez por se ter dado conta disso mesmo, o cardeal Levada resolveu acabar com o limbo e arranjar um substituto.
É outra vez a história do pai Natal. Se o limbo (e o inferno) já não existem, quanto tempo teremos de esperar para ver os outros mitos cair?
Não seria mais prudente deixar o Limbo ficar num limbo?

segunda-feira, dezembro 5

Parkour

Vi outro dia na televisão uma reportagem sobre esta nova actividade radical. Não me parece que seja realmente um desporto. As fotografias são espectaculares mas os videos podem ser impressionantes. É difícil ficar indiferente à graciosidade e à fluidez com que estes jovens ultrapassam obstáculos e sobem um prédio. O Parkour começou quando o pai de David Belle partilhou com ele algumas das técnicas que tinha aprendido enquanto militar no Vietnam. Depois o jovem Belle passou a brincar aos ninjas com os colegas nos telhados da sua escola nos arredores de Paris. Não levou muito tempo até que esta actividade se começasse a expandir e a comercializar.
Quando tentava encontrar um site sobre o assunto ia sempre parar aos motins que ocorreram em França no mês passado. Não existe à partida qualquer relação entre os dois assuntos. Não deixo porém de referir que enquanto observava o documentário não deixava de pensar na facilidade que estes jovens teriam em entrar num primeiro andar numa questão de segundos, sem usar qualquer tipo de material auxiliar, e escapar da polícia sem problemas de maior. Pode-se no entanto fazer comentários semelhantes acerca de qualquer arte marcial.

A ficção cria a realidade. Os escritores do século dezanove criaram (pelo menos popularizaram entre as massas) o amor romântico. Filmes como O Tigre e o Dragão e Matrix mostram cenas impossíveis, produzidas com efeitos especiais. Algumas dessas cenas podem ser agora vistas ao vivo. Sem recurso a profissionais.

quarta-feira, outubro 19

Armas biologicas II

A coisa teria funcionado assim: em algumas zonas da China surgiram mutações que levaram a que certos virus que atacavam as aves passassem a atacar também os humanos. Esta gripe levaria à morte de muitos chineses a partir do momento em que o virus se transmitisse entre humanos. dentro de algumas centenas de anos os chineses que sobrevivessem acabariam por ganhar uma imunidade parcial ao virus. Quando outras civilizações entrassem em contacto com a China suceder-lhes-ia aquilo que sucedeu às populações do continente americano quando entraram em contaco com os europeus.
Actualmente vivemos numa aldeia global. A gripe vai atacar-nos a todos. Ninguém vai desenvolver vantagens competitivas. Pelo contrário: as zonas onde estas doenças aparecem sofrem conseências económicas graves ao nível do turismo e das exportações. As condições de higiene actuais permitem esperar que esta ameaça não tenha consequências graves.