
Udo de Aachen foi o monge beneditino do século XIII que escreveu o poema
Fortuna Imperatrix Mundi, onde antecipou uma parte do trabalho pioneiro de Pascal sobre a teoria das probabilidades e os jogos de azar. No seu tempo era mais conhecido pelos seus trabalhos de teologia.
Udo teve direito aos seus quinze minutos de fama no dia em que Bob Schipke visitou a catedral de Aachen e passou os seus olhos pela iluminura ao lado, que se encontra num manuscrito obscuro que nesse dia de reis era exibido em lugar de destaque. A estrela dos reis magos era demasiado parecida com o conjunto de Mandelbrot para que se tratasse de uma coincidência.
De volta a Harvard Schipke contactou um medievalista seu conhecido. Cerca de um ano depois conseguiu reconstruir o trajecto intelectual de Udo, que durante oito anos executou religiosamente os penosos calculos que lhe permitiram esboçar o conjunto de Mandelbrot. Um milagre da paciência impensavel antes da descoberta dos computadores. Tendo sido completamente ignorado pelos homens do seu tempo, Udo decidiu gravar a sua descoberta em duas iluminuras. Esta foi a única que chegou aos nossos dias.
Quando li pela primeira vez esta historia passaram-me pela cabeça duas ou três ideias. Os números complexos só foram descobertos uma par de séculos mais tarde. A interpretação geométrica dos números complexos só surgiu no século XIX. No entanto só no dia seguinte pus verdadeiramente em causa esta página da internet. Uma rápida consulta à Wikipedia permitiu rapidamente tirar tudo a limpo.
A verdade é que a nossa confiança na internet está a crescer. Felizmente, há boas razões para que assim seja. Convém no entanto praticar o cepticismo metódico. Este foi outro caso em que me deixei levar por umas horas. Mais uma vez, a Wikipedia esclareceu as dúvidas.