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quinta-feira, junho 26

Futebol e Borboletas

Com certeza que sim, meu caro Joao Pinto e Castro, mas apesar de tudo, ainda existe a estatistica. Podemos fazer previsoes e depois ver quem acerta um numero razoavel de vezes. E essa a grande vantagem do futebol sobre a economia. O primeiro e um toy model da segunda. Podemos fazer previsoes mais vezes e ver os resultados mais depressa.
Muita gente comparou quatro treinadores de sucesso:Mourinho, Rijkaard, Mancini e Grant. Mourinho ganhou dois campeonatos, mas tinha muito dinheiro. Rijkaard ganhou la Liga e a Champions. Mancini ganhou tres escudetos e Grant quase ganhou varias coisas. Foram todos despedidos. Mundo cao. Pela logica dos resultados, nao sao assim tao diferentes.
Eu discordo desta ultima afirmacao, mil vezes repetidas nos jornais. Afinal Mourinho na terceira epoca escolheu um plantel bastante reduzido e quando houve uma serie de lesoes, Abramovitch puxou o tapete, nao o deixando ir buscar reforcos que teriam provavelmente feito toda a diferenca. Rijakaard tem um passado de grande jogador que impos respeito durante alguns anos As estrelas do Barca, mas nunca mostrou mais nada. Quando o adjunto Ten Cate se foi embora, foi o que se viu. O primeiro escudeto de Mancini resultou de uma decisao judicial no fimdo campeonato, que se propagou aos dois campeonatos seguintes. Grant pegou na equipa de Mourinho com a pre epoca ja feita, nao lhe mexeu muito, e aquilo resistiu ate ao fim da epoca.
Agora seria a altura de fazer a prova dos nove, ver o que estes senhores sao capazes de fazer nos seus novos clubes. So que a economia veio em socorro do futebol. Ninguem apostou em tres destes senhores. Afinal, parece que sempre existe alguma logica no futebol.

terça-feira, junho 10

Porque é que esta vez o Pinto da Costa não se safa?

Quando vi Pinto da Costa na SIC ainda pensei que ele se podia dar a volta ao castigo da UEFA. A lata com que este senhor "reinterpretou" os acontecimentos é realmente impressionante.
Pinto da Costa afirmou que o Conselho de Justiça da FPF lhe ia dar razão. Tal faria o juri d'appel da UEFA voltar atrás na sua decisão de afastar o Porto da liga dos campeões. Mas Pinto da Costa está a fazer bluff. Se não estivesse, tinha pedido ao Conselho de Justiça que tratasse o assunto com o urgência. Não o fez. Como tal o juri d'appel não vai mudar a sua posição.
Dirão alguns: mas se o Conselho de Justiça deliberar antes da decisão do Tribunal Desportivo Europeu, este tribunal ainda poderá levar em conta a sua decisão. Não é bem assim. Este tribunal não se pronuncia sobre matéria factual mas apenas sobre algum erro processual das deliberações da UEFA. Que pretende Pinto da Costa com tudo isto? Conseguir que o Euro e as férias do verão dêem tempo aos sócios do Porto para se habituarem à ideia.
Caro Jorge Nuno, os sócios do seu clube veneram-no. Já está perdoado. Mas para a próxima, vai ter um pouquinho menos crédito. Ganhe mais três campeonatos e tudo será esquecido. Se for capaz. Antes da era Mourinho o Porto passou três anos sem ganhar um campeonato. quando Mourinho partiu deixou tanto dinheiro em caixa que o Porto pode passar a ter orçamentos iguais à soma dos orçamentos do Benfica e do Sporting. Perdendo trinta milhões de euros com a decisão da UEFA, de forma directa e indirecta, as coisas vão mudar.
Que fique bem claro que em Portugal o clube mais bem organizado teve quase sempre a melhor equipa de futebol e o controle da arbitragem. Não fazer batota era dar mostras de não amar o clube acima de todas as coisas. É por isso que é especialmente importante acabar com a corrupção no futebol. Porque demasiadas pessoas honestas cruzaram a linha uma primeira vez por causa do seu clube. E uma segunda por outras razões.

sábado, junho 7

Lembram-se do Poborsky?

Os checos são o nosso grande rival. Dava jeito que os suiços se safassem com o 0-0.

Lembram-se do Paolo Rossi?

Com menos partidas nas pernas, Deco é o jogador que está em melhor condições para explodir neste europeu.

quarta-feira, junho 4

Não! Não! Não!

Não se lembram que da outra vez eu também não tinha pago a viagem ao Brasil àquele senhor arbitro que até nunca foi à minha casa.
Foi a agência de viagens que mandou o bilhete lá pró Futebol Clube do Porto e nós pagámos por engano.
Mas isso até nem aconteceu porque eu até já devolvi o recibo à Cosmos e até já me devolveram o dinheiro, carago!
Penso eu de que!

quinta-feira, maio 1

A suspeita

Com aquele orçamento e aqueles jogadores, qualquer lateiro teria feito o que ele fez?
É claro que sim, meu caro João Pinto e Castro, desde que tivesse sido Mourinho a programar a pré-época e a estabelecer o modelo de jogo. Pró ano tiramos as dúvidas.

quarta-feira, dezembro 12

Futebol e Economia

Por muito que nos custe, a maneira mais eficiente de organizar uma equipa de futebol é montar um bom sistema defensivo, um sistema de pressão alta, treinar as transições rápidas defesa-ataque, escolher dois ou três jogadores criativos que se complementem, e ser optimista. Por cada equipa que joga deliberadamente ao ataque, há duas que lhe dão a volta. O Barcelona do Cruyft levou 5-0 do Milan. A Holanda perde sempre com Portugal.
Por muito que nos custe, a médio prazo os economistas só sabem controlar a inflação e impedir a economia de aquecer demasiado, evitando as consequências nefastas do sobreaquecimento. Consequências que conhecemos várias vezes nas últimas décadas. É mais ao menos fácil estimular a economia e fazer um brilharete durante dois aos três anos. Depois vem a ressaca.
Muita gente boa anda a pedir a Sócrates que jogue mais ao ataque, com a melhor das intenções. Tenham cuidado com o que pedem, podem vir a consegui-lo.

quinta-feira, novembro 29

Ebbsfleet United

Primeiro aprendemos a dar pontapés na bola. Depois começamos a organizar-nos em tribos, quero dizer: clubes. Esses clubes foram crescendo e foi o que se viu. Para mal dos nossos pecados, a democracia directa não funciona tão bem como nós gostaríamos. Alguns clubes começaram a ser controlados por demagogos, outros acabaram por ser vendidos a sociedades. Ou a tipos endinheirados com apetência por novos brinquedos. Os fãs das equipas da primeira liga inglesa deixaram há muita de ter uma palavra a dizer sobre os clubes.
O que está aqui em jogo é muito mais do que o futebol.
Entretanto surgiram jogos de computador como o Footbal Manager, cujo objectivo consiste em dirigir um clube de futebol e fazê-lo ganhar campeonatos. Dirigir não com o coração mas sim com a cabeça. Há sempre alguém pronto a descobrir um novo negócio. A empresa de internet MyFootballClub propôs-se arranjar 50.000 pessoas dispostas a pagar 50 euros por ano para ter uma palavra a dizer na gestão de um clube de futebol. Com esse dinheiro compraram o Ebbsfleet United. O ciclo fechou-se num ponto mais alto da espiral. Vamos agora ver se eles se entendem...
Para bem de nós todos, bom seria que esta experiência de democracia electrónica corresse um pouco melhor do que a anterior.

quarta-feira, junho 20

A terceira Opa de Joe Berardo

Dia 30 de Maio Pinto da Costa vendeu o passe de Anderson ao Manchester United. A compra e venda de Anderson proporcionou uma rentabilidade de capitais de 400% ao ano. Nem na Bolsa se fazem negócios destes. No dia 1 de Junho Joe Berardo descobriu o seu amor pelo Glorioso. Quer constituir um fundo de investimento para ajudar o Benfica a ser campeão.
Nos tempos que correm a grande fonte de receitas dos três grandes é a compra e venda dos passes de jogadores. Que tal ficar com o sector mais suculento do negócio futebol, sem ter de pagar os deficits dos outros sectores? A SAD do Benfica perderá o seu único património, os passes dos jogadores. Mas pode ser que o Benfica ganhe um ou dois títulos entretanto. O resto não interessa.
Os sócios do Benfica podem estar descansados: Vale de Azevedo iniciou há uma década o caminho que levará o seu clube de volta ao domínio do futebol nacional. Dentro de dez anos a única possibilidade de sobrevivência do Benfica será vender-se por um euro ao investidor que aceitar pagar as suas dívidas. No dia em que os sócios deixarem de ter uma palavra a dizer sobre o futuro do clube, este terá finalmente a hipótese de voltar ao seu antigo esplendor.