sexta-feira, abril 8

Está tudo dito...

Lembro-me perfeitamente de ter lido esta cartoon há muitos anos. Na altura achei graça. Agora, nem por isso...
Via Carlos Albuquerque.

16 comentários:

maria disse...

não, não está! (tudo dito)

Há que romper o círculo.

on disse...

Pois claro. Mas nesta eleição já não vai dar, pois não?

Anónimo disse...

Os mesmos que derrubaram o governo por causa do PEC aceitam medidas piores do que o PEC de braços abertos. Isso mostra-nos qual era a motivação de todos. São transparentes. PS e PSD são a mesma treta.

Chega um momento em que tens que levar a política para a rua.

E não estou a falar de marchar do ponto A para o ponto B a carregar cartazes. Estou a falar de paralisar a economia e dizer, se nos asfixiam então asfixiamos todos juntos. Em ultima análise, estou a falar de meter-lhes medo. E finalmente estou a falar de aguentar com cargas policiais e cabeças partidas. E de servir cocktails moltov aos estabelecimentos requintados. Foi sempre assim que se conquistou alguma coisa para os servos.

Mas para começar já não era mau levar os cartazes do ponto A para o ponto B. Mas cartazes que façam exigencias concretas, não cartazes com a cara do próximo ditador que é igual ao ditador anterior.

A.

Carlos Albuquerque disse...

A.

O governo não foi derrubado por causa do PEC. Demitiu-se porque o PEC foi chumbado na primeira versão. E foi chumbado porque o governo não justificou a sua necessidade nem negociou o seu conteúdo.

O que foi grave foi o governo negociar e fechar um acordo com os governos da UE colocando todo o país perante um facto consumado.

Todos os governos gostam de recolher para si e para os seus um ovo de ouro diário da galinha que somos todos nós. Infelizmente o actual partido do governo quis apertar a galinha para lhe tirar os ovos todos de uma só vez.

Anónimo disse...

Carlos, não tenho objecções à tua correcção, mas fui desleixado no uso do termo porque a questão não era essa (se o governo foi demitido ou se demitiu, ou em que circunstancias exactas) e muito menos de alguma forma defender a besta demissionária, o diabo que a carregue. O meu ponto dirigia-se à forma como o PSD se insurgiu contra as medidas em causa e como agora parece estar perfeitamente alinhado com a ideia do "resgate" e das medidas mais severas que ele implica. A unica questão na mente do PS era não ser ele a pedir ou negociar o resgate, a unica questão na cabeça do PSD era derrubar o governo, e de preferência ter esse mesmo governo zombie no lugar à data da entrada do FMI. É tudo uma questão de saber quem fica com as culpas, mas estão ambos alinhados nas medidas a tomar.


Quando ainda por cima o resgate não é mais do que mais dividas a juros apenas um pouco menos ruinosos. O que há a fazer é entrar em default e renegociar a dívida, como fizeram os Islandeses, que são os unicos que se estão a safar nisto tudo, ao contrário dos gregos e irlandeses que foram pelo caminho que agora seguimos, com os miseráveis resultados que se pode ver.

A unica coisa que estamos a fazer é sacrificar o resto das nossas vidas para proteger os bancos dos países que criticam a nossa suposta irresponsabilidade ao mesmo tempo que mantém o euro com uma valorização que impede qualquer recuperação da nossa parte.

O nosso unico trunfo neste jogo é paradoxalmente este: que se nos estamparmos mesmo a sério podemos por em causa a Espanha, e com ela, a Europa toda. Devíamos estar a usar esse trunfo para dobrar os Alemães. Em suma, devíamos, subtilmente, ameaçá-los com a nossa ruína - com a nossa "irresponsabilidade", e para isso dava jeito ter-mos um governo credivelmente irresponsável, digamos uma coligação de esquerda; sim, é chantagem, e depois? O que é que nos fazem a nós? Em vez disso continuamos a brincar aos bons alunos e vamos acabar como bons escravos.

Se formos por esse caminho eu estou a pensar seriamente em abandonar este barco. Estou cansado de brincar às ovelhas.

A.

on disse...

Carlos, mudando um pouco de assunto: estás a advogar o voto no PSD para castigar o PS ou por alguma outra razão? Isso preocupa-me. Não me parece que haja grande risco em não haver maioria absoluta. Por outro lado O PS e o CDS com maioria na assembleia e desculps para fazer o que lhes apetecer é um risco que eu preferia evitar.

on disse...

Chateia-me o facto de o aldrabão continuar a ter uma base de apoio significativa. Como é possível?
É claro que sei como é possível...
Por outro lado, acredito que daqui até às eleições muita coisa vai acontecer. O aldrabão cometeu erros tácticos muito graves durante as últimas semanas e vai pagar por isso.

on disse...

A. Abandonar o barco?
Era interessante discutir isso...

Carlos Albuquerque disse...

A.

Por hábito preferia uma solução sem default. Talvez porque usar o default precisaria de uma disciplina e de uma capacidade de recuperação que acho que não temos. No fundo se escaparmos com o default acabaremos por voltar ao mesmo muito rapidamente e daqui a poucos anos não temos nem dinheiro nem credibilidade seja para o que for.

Mas pelo caminho que vejo tomarem as negociações com os outros países, é bem possível que eles se assustem.

Provavelmente não somos suficientemente disciplinados para fingirmos que somos irresponsáveis mas somos suficientemente irresponsáveis para o parecermos.


On

Acho que no fundo estou a advogar o voto em qualquer outro partido que não seja o PS, mesmo que seja no PSD. Basicamente porque sinto que enquanto Sócrates tiver algum poder as coisas podem sempre piorar muito além do que com qualquer outro partido.

Anónimo disse...

Abandonar o barco é a única solução (em média) se nos mantivermos neste caminho. Quando tens uma região tão grande como a Europa que possui uma unica moeda tens problemas como o nosso. A moeda só pode ter um valor, e neste caso o valor é decidido pelos Alemães e os interesses deles são opostos aos nossos (ou pelo menos eles acham que sim). Com uma moeda forte não podemos recuperar, por isso estamos presos num ciclo descendente.

Ora, isso também acontece nos estados unidos, no entanto eles sobrevivem com o dolar como moeda unica num panorama em que certos estados estarão em situações como a nossa. Como é que fazem? O que acontece nos EUA é que os trabalhadores movem-se dos estados que não os podem empregar (ou onde os salários são baixos) para os estados que precisam de mão-de-obra (ou onde os salários são melhores).

Na Europa esta solução não funciona porque a mobilidade não é tão boa. Um dos problemas é a língua. Mas para aqueles que se consigam safar, a imigração é não só uma solução como é a solução natural dentro do sistema da moeda única. Por exemplo, os alemães estão a precisar de gente para diversas funções. Embora me pareça que não se aplica bem ao meu caso, mas para vários tipos de técnicos (que consigam lidar com a questão linguistica) será uma boa ideia.

No meu caso, face ao mercado de trabalho, parece-me que será de tomar em conta outras soluções mais radicais. Talvez esteja na hora de inverter o fluxo do Brasil para cá...

Nota que por vários motivos não me é fácil fazer isso, nem desejável. Enquanto mantiver o meu emprego, e condições de vida decentes, não o farei - tenho demasiadas ligações aqui...mas essas duas condições não são uma certeza no que se adivinha...

A.

on disse...

Pois, era o que eu pensava. Estamos demasiados presos e pelo menos a curto przao não compensa. A Austrália também seria um lugar a considerar...

on disse...

Hummmm, estás a advogar o voto noutro partido mas não vais votar PC nem bloco, nem Portas...
E é o que eu escrevi mais acima. Os nossos votos vão anular-se uns aos outros.

Carlos Albuquerque disse...

Pela primeira vez estou a considerar todas as hipóteses, incluindo Portas, bloco, PCP, MEP, PCTP/MRPP e mais algum que apareça.

Ainda não percebi bem o que é que Nobre vai fazer nas listas do PSD.

on disse...

Vai satisfazer o seu gigantesco ego. Algumas vezes as pessoas fazem bem a coisa certa pelas razões erradas. O homem nunca me enganou..

maria disse...

Longe de mim diminuir a importância do voto. (Embora sabendo o que significam alguns (muitos) deles). Discordo de ti, on, quando pões o problema em votar sempre no mesmo partido.

E não chega arranjar um bode expiatório (Governo...Sócrates)porque a cidadania exerce-se (ou deveria)em toda a nossa vida de cidadãos e não apenas como eleitores.

maria disse...

Eu não votei sempre igual. Dependeu da conjuntura e das hipóteses disponíveis. Mas não sublimo isso.

Muitos votantes Nobre, hoje sentem-se defraudados.