O General António de Spínola era um ultraconservador. Era também um homem inteligente. Quando tomou conta das operações militares na Guiné entrou-lhe pelos olhos dentro que não havia possibilidade de ganhar a guerra ou controlar a situação. A solução tinha de ser política. Marcelo Caetano também apoiaria algumas mudanças nas antigas colónias portuguesas. Os outros, os que estão por detrás, os que não tem responsabilidades, negaram-se a aceitar a evidência. Spínola tirou daí as consequências. Demitiu-se do cargo e escreveu Portugal e o Futuro, um livro que ajudou a desencadear o 25 de Abril.Rabin e Sharon eram dois falcões em muitos aspectos bem semelhantes a Spínola. Acabaram por compreender
os dois à sua própria custa que as soluções em que acreditavam não iriam funcionar. O primeiro compreendeu-o antes de chegar a primeiro-ministro. O segundo depois de já lá estar. O primeiro só foi detido à bala. O segundo parece que nem a revolta do seu próprio partido o poderia deter.Espero que ainda exista em Israel um falcão inteligente. Para bem dos israelitas. Nunca pensei vir a escrever meia dúzia de palavras simpáticas para com Ariel Sharon. Nunca acreditei que ele pudesse vir a tornar-se um novo Rabin. Nunca digas nunca.










