segunda-feira, janeiro 9

Ariel Sharon

O General António de Spínola era um ultraconservador. Era também um homem inteligente. Quando tomou conta das operações militares na Guiné entrou-lhe pelos olhos dentro que não havia possibilidade de ganhar a guerra ou controlar a situação. A solução tinha de ser política. Marcelo Caetano também apoiaria algumas mudanças nas antigas colónias portuguesas. Os outros, os que estão por detrás, os que não tem responsabilidades, negaram-se a aceitar a evidência. Spínola tirou daí as consequências. Demitiu-se do cargo e escreveu Portugal e o Futuro, um livro que ajudou a desencadear o 25 de Abril.
Rabin e Sharon eram dois falcões em muitos aspectos bem semelhantes a Spínola. Acabaram por compreender os dois à sua própria custa que as soluções em que acreditavam não iriam funcionar. O primeiro compreendeu-o antes de chegar a primeiro-ministro. O segundo depois de já lá estar. O primeiro só foi detido à bala. O segundo parece que nem a revolta do seu próprio partido o poderia deter.
Espero que ainda exista em Israel um falcão inteligente. Para bem dos israelitas. Nunca pensei vir a escrever meia dúzia de palavras simpáticas para com Ariel Sharon. Nunca acreditei que ele pudesse vir a tornar-se um novo Rabin. Nunca digas nunca.

sábado, janeiro 7

Caridade (2): Um conto científico

(começou aqui)

... And thats it! Terminava triunfante John Mawhinsky, enquanto esperava que o Lino Lopes trouxesse os cafés. A admiração, o espanto e a apreensão afunilavam-se na garganta do Luís, emudecendo-o, quando o cotovelo de um orangotango se insere entre as suas espáduas, esmagando a sua face contra a barriga flácida do John. Os óculos magoam-lhe as gengivas. Sorry, Luís! forgot your coffee! Na mesa em frente, duas alunas sorriem. A terceira cora intensamente. Aquela mão gorda e forte volta a agarrá-lo pelo cachaço, levantando-o.
O Luís foi buscar o café que lhe comprava o direito de se sentar à mesa. O Lino tinha-lhe deixado uma nesga para meter uma cadeira. A figura gigantesca do Lino eliminava qualquer hipótese de ele poder continuar a conversa com o Professor Mawhinsky. O John, desde há cinco minutos. E que grandiosos cinco minutos!
O John aterrou em Lisboa no domingo, de passagem para o Porto. O Lino convidou-o para dar um seminário. As más línguas dizem que o Lino apenas pretendia impressionar os colegas. Agora parece que já nem aulas de jeito consegue dar.
A conversa com o John correu muito bem ao Luís. Mawhinsky foi logo direito ao assunto: are you still interested in the stability problem? O Luís aproveitou logo para lhe explicar a dificuldade que o preocupava. Estava grato por não ter que mendigar uma ajuda ao John e saboreava as expressões de ódio e desespero que se iam alternando na face do Lino. Quando chegaram à porta do café, já o John tinha percebido o problema e contemplado o atacador do sapato direito durante trinta segundos. Enquanto o Lino foi buscar os cafés, o John explicou-lhe que this is not really like KAM theory, you know, but...
...And thats it!

O John não só tinha encontrado um caminho para resolver o problema como tinha proposto uma vasta generalização do mesmo. A generalização era fundamental para compreender o quadro natural em que o problema se punha.
Vou ter de o convidar para co-assinar o artigo? Se não o convido...
A ideia não lhe agradava mesmo nada. O Luís foi salvo do seu dilema pelo cotovelo do Lino.
Acabaram todos de tomar o café. O Lino, visivelmente mais bem disposto, foi levar o John à Gare do Oriente. O Luís ficou no café a rever exaustivamente a ideia do John. Tudo batia certo. Havia que transcrever a ideia no papel!
Quando meteu a chave na fechadura do gabinete foi atravessado por uma acesso de raiva. Correu para o carro, passou três sinais vermelhos e dirigiu-se para a Expo. Aquele sacana vai pagá-las! Só a admiração que sentia pelo Mawhinsky podia explicar como é que ele tinha caído na aldrabice. Era obvio que a série inicial não convergia. A sugestão do John não valia um chavo. Se o Lino não lhe tivesse dado a cotovelada, ele teria proposto ao Mawhinsky que fizessem juntos o artigo. À frente de toda a gente. Depois não podia voltar atrás. Era assim que o velhadas mantinha a reputação, arranjando maneira de jovens brilhantes como ele lhe fazerem artigos.
Quando saiu do carro, deu de caras com o Lino. Chegou atrasado.

(continua)

sexta-feira, janeiro 6

Politicamente Correcto

A dra Mary Galinski, presidente da Associação Internacional da Malária acusou o treinador do Manchester United de fazer comentários inapropriados e ofensivos. Sir Alex admitiu que o Chelsea seria campeão a menos que grassasse uma epidemia de malária entre a equipa de Mourinho.

Miss January

quinta-feira, janeiro 5

Berardo e a Caixa

Só quem nunca visitou uma grande capital da Europa é que não se apercebeu da reduzido espólio museológico existente em Lisboa. Eu não sou capaz de sugerir a um colega que me visite que vá ao Museu de Arte Antiga ver o Bosch. Só um? Se queremos que os espanhóis continuem a vir cá devolver uma parte do dinheiro que nós mandamos para lá todos os dias, convém arranjar-lhes umas entretengas.
Muito se tem falado sobre a colocação da colecção Joe Berardo no CCB. Esta polémica fez-me lembrar a história da sede da Caixa Geral de Depósitos. Um dos mais belos edifícios da cidade de Lisboa. Extraordinariamente bem enquadrado na área que o circunda. Cheio de detalhes deliciosos, como se pode ver aqui. Os nossos velhos do Restelo criaram um alarido completamente despropositado contra a construção da sede da CGD. Uma das consequências desse alarido foi o recuo cobarde na decisão de construir a nova sede do Banco de Portugal na Praça de Espanha. Que continua a parecer uma praça do terceiro mundo. Isso já não incomoda as nossas cabeças bem pensantes. Uma vez construida a Caixa Geral de Depósitos, nunca mais ninguém falou contra o edifício. Veremos o que acontece com a colecção Berardo.
Acham que tenho uma visão utilitária da arte? Não gostam do gosto do Berardo?
Meus senhores: se gostam de pintura, vão aprender a pintar para a Sociedade Nacional de Belas Artes, vão desenhar para o blogue do OMWO, vão ver exposições temporárias. Os museus não devem ser feitos a pensar em vocês. Custam demasiado dinheiro. Devem pagar-se a si próprios atraindo turistas, como o Prado e o Louvre fazem. É para isso que eles servem em primeiro lugar.
Espero que alguém tenha feito as contas a propósito da colecção Berardo. Mas não vi ninguém a criticar o aspecto económico do negócio...
(Foto dos Candeeiros da autoria de Jaime Olhares sobre Lisboa)

Em busca do Bolero perdido: Um conto biónico

Caridade: um conto paramédico

quarta-feira, janeiro 4

Teatro Chinês

Na Wired, a fascinante história da ascensão e queda de Randolph Hobson Guthrie III, perigoso vendedor internacional de...DVDs piratas.
Enquanto a MPAA não passa uma lei que nos obrigue a ir ao cinema contra a nossa vontade, prossegue na sua luta heroica contra os bucaneiros dos sete mares.

Guthrie não passa de um bode expiatório, meio concessão meio insulto do governo ditatorial Chinês à pressão ditatorial Americana. Uma troca entre padrinhos de mafias distintas/indistinguíveis.

O mais fascinante é que a MPAA, para conseguir impôr leis cada vez mais draconianas, joga também ela a carta universal do terrorismo. É preciso deter a pirataria de filmes pois há grupos terroristas que se financiam com os lucros da pirataria!

Eu pergunto: Se os grupos terroristas passarem depois a viver de plantações de bananas, teremos também de ilegalizar as bananas?

O mesmo argumento falacioso poderá ser usado para passar leis cada vez mais duras contra qualquer actividade vagamente ilegal, mero crime económico que poderá passar a ser tratado com ferocidade desmedida.

Todas as actividades situadas "na fronteira" são facilmente atacadas por este argumento. Recentemente o combate à pornografia tornou-se uma prioridade do FBI. Quanto tempo até que alguém se lembre de dizer que há grupos terroristas a financiarem-se com produção de pornografia?

Assim se faz avançar, à sombra da luta contra o terrorismo, as mais variadas agendas de grupos económicos como a MPAA e políticos como a direita religiosa Americana, cansados, respectivamente, das regras enfadonhas do capitalismo verdadeiro e da democracia.

Pois é

Circulou durante algum tempo na net a história do artigo do Miguel Sousa Tavares sobre a Ota. Ele supostamente acusou Mario Soares de ser o dono dos terrenos do aeroporto. Essa história é falsa.
Parece que o Mário Soares deu uma entrevista a uma televisão onde disse uma série de coisas sem nexo. A peça passou em dois telejornais de pequena audiência mas depois desapareceu. Será verdade, ou só mais um boato? Não levei demasiado a sério a história da entrevista. Até que passei pelo blogue do Calvin.

Uma Conversa animada com o Lutz

Caridade: um conto científico

Luís Rodriguez acordou bem cedo naquela manhã de segunda feira. A aula estava preparada, a roupa escolhida de véspera. Comeu à pressa. Não estava atrasado mas era como se o tempo lhe faltasse. O seminário do Mawhinsky acabava ao meio dia. Depois havia cinco minutos de perguntas e respostas e iam todos almoçar. Ele acabava a teórica de Equações Diferenciais à mesma hora. Tinha de atravessar o campus à pressa para conseguir uma lugar na mesa do conferencista. De preferência bem perto. Era uma manobra delicada.
Ele estava no EQUADIF o ano passado, mas passou a hora a fazer contas. Nem levantou a cabeça enquanto eu dava o meu seminário. Não se lembra de mim, de certeza. Ainda por cima, nem vou ao seminário dele...
Rodriguez tinha completado a sua tese dois anos atrás. A passagem a Professor definitivo costumava ser uma formalidade mas as coisas estão a mudar rapidamente. E o Luís era demasiado orgulhoso e perfeccionista. Quatro artigos, um deles no Journal of Differential Equations era o mínimo para que ele pudesse andar de cabeça levantada. Uma meta ambiciosa, mas o Luís não fazia as coisas por menos. Já tinha dois aceites. Fazer mais dois a tempo não seria difícil. O problema era fazer um suficientemente bom para o JDF. Tinha uma boa ideia mas há três meses que não conseguia avançar. Uma conversa de dois minutos com o Mawhinsky podia ajudar a desbloquear o problema.
Quando a aula acabou a Matilde barrou-lhe o caminho para a porta. Não tinha percebido a terceira passagem da segunda demonstração. Até era agradavel ter uma aluna que prestava atenção à aulas. Mas naquele dia! Não teve coragem de a despachar.
Ficou sózinho noutra mesa, a ouvir as conversas. Quando se convida um colega para dar uma conferência, esta é mais um pretexto para justificar a viagem do que outra coisa. O importante são as discussões nos gabinetes e durante o almoço. E ali estavam os colegas dele a gastar o tempo do Mawhinsky com graçolas e trivialidades. No fim combinaram ir tomar café do outro lado da rua. Por timidez ou orgulho, o Luís nem tentou arranjar maneira de se fazer convidar para os acompanhar. Quando tentava engolir a sua frustração juntamente com os ultimos pedaços do arroz de pato, sentiu uma mão gorda e pesada no cachaço. Helloouh Rodriguezz! That trick you performed with the Hamiltonian at EQUADIFF was very funny indeed! AhAhAhAh. Join us for a coffeeeh?
(continua)

terça-feira, janeiro 3

The perfect husband

Termodinâmica


O post Voltando ao Reiki degenerou numa discussão sobre a Lei da Conservação da Energia. É muito feio andar a discutir à frente dos outros sem explicar o que está em causa. Não é habitual discutir as leis da mecânica clássica fora dos bancos da escola. Porque é que com esta lei da termodinamica as coisas funcionam de outra forma? Talvez porque esta lei não é tão bem compreendida como as outras. Eu não percebo nada disto a ando a picar a Madi sobre o assunto, que é uma profissional. Lá vou eu ser ridicularizado em público mais uma vez...
Não se intimidem! Dêem um salto à Wikipedia e entrem na discussão. Sofia, cinco comentários é a penitência mínima para quem compra um livro do Parvalhoti...
As leis da termodinâmica são algo tão básico como a Mona Lisa, a Nona Sinfonia e o Guardador de Rebanhos. Depois de as comprender, passamos a olhar para o universo que nos rodeia de outra forma. Até pode ser que deixemos de opinar levianamente sobre os embriões e outras coisas do género.
A ideia básica é: There is no free lunch! Como disse Lavoisier: Nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma. Quando se faz uma experiencia de quimica, se a soma dos pesos dos componentes no fim da experiencia é inferior à soma dos pesos antes da experiencia é porque entretanto se libertou uma gás. Se aumentou é porque o oxigénio que se encontrava na atmosfera entrou na reacção. Esta é a lei da conservação da massa.
A Lei da conservação da energia diz que a energia também se conserva. O problema é que existem várias formas de energia: o calor, a energia que é libertada nas reacções quimicas, a energia cinética, a energia potencial, a energia elétrica. Estas formas de energia transformam-se umas nas outras mas a quantidade de energia é suposta conservar-se.
Se sabemos algo sobre as leis da física, sabemos que qualquer lei de conservação acaba por ser quebrada em condições suficientemente extremas, sendo então válida uma lei de conservação mais geral: quando uma bomba atómica explode, uma pequena quantidade de massa é destruida e é transformada numa grande quantidade de energia. As duas leis de conservação que referimos atrás são violadas mas verifica-se a lei de conservação da massa-energia. A transformação da massa em energia faz-se segundo a única lei da física em que toda a gente já ouviu falar.

d'O Guardador de Rebanhos

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Só a natureza é divina, e ela não é divina...
Se às vezes falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nomes às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande e a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...
Bendito seja eu por tudo quanto não sei.
É isso tudo que verdadeiramente sou.
Gozo tudo isso como quem está aqui ao sol.

Alberto Caeiro

Quantas dimensões?

MaDi said...
Vivemos num espaço a 3 dimensões (ou com a 4ª dimensão de tempo) e para nós é conceptualmente complexo imaginar um espaço do género cartesiano com mais do que 3 dimensões.
Imaginei noutro dia que o espaço em que vivemos poderia ser uma projecção de um hiperespaço (dimensão n). E que nesse hiperespaço estaria Deus.
Como a partir de uma projecção é impossível saber o que foi projectado sem condições iniciais sabidas, daí viria toda a nossa incompreensão sobre estas coisas.
Um tanto rebuscado, eu sei. O que acham?
----------------------------------------------------------------------------------
Platão pede-nos na República que imaginemos um grupo de prisioneiros atados por correntes numa caverna, virados de costas para a saída, que só vêem as sombras do mundo real projectadas na parede. Para Platão o mundo real é o Mundo das Ideias, do qual o nosso mundo é uma pálida sombra. A alegoria da Madi é mais uma versão da Alegoria da caverna.
A alegoria da Madi tem alguma coisa a ver com a realidade? Tem mais do que parece. O mais interessante problema da física moderna é o de unificar a teoria da gravitação de Einstein, uma teoria essencialmente contínua, com a mecânica quântica, uma teoria essencialmente descontínua. Einstein procurou resolvê-lo durante décadas sem chegar a nenhum resultado. Actualmente começa-se a conseguir vislumbrar como será possível unificar as duas teorias. Os primeiros modelos bem sucedidos em que se consegue compatibilizar as teorias são modelos em que só existem duas dimensões, uma de espaço e uma de tempo. Esses modelos só permitem descrever fenómenos muito simples, como o movimento de um objecto em linha recta.
Quando se tentou aumentar o número de dimensões para dois ou três surgiram problemas matemáticos insolúveis. Mais tarde reparou-se que os modelos funcionavam bem se aumentássemos o número de dimensões para certos valores como onze ou vinte e seis...
Actualmente este facto é interpretado da seguinte forma: uns milisegundos depois do BigBang o nível de energia do universo baixou drásticamente e daí resultaram várias quebras de simetria. A maior dessa quebras de simetria foi o facto de o espaço encurvar em certas direcções: digamos que certas rectas se transformaram em circulos de diametro muito inferior ao diametro de um atomo. Para nós é como se essas rectas se transformassem em pontos e algumas dimensões deixassem de existir. Estes conceitos não tém nada de esóterico para um matemático ou um físico teórico.
O nosso universo é qualquer coisa semelhante a uma projecção de um universo a muitas dimensões (a alegoria da Madi). As leis que regem o nosso universo são mais dificeis de perceber do que as leis simples que regem o universo quando o nível de energia é mais elevado (A alegoria do Platão).
Madi, parece que até vivemos na projecção de um universo a muitas dimensões. Apesar de tudo, continuamos a entender o que se passa. E não precisamos de um deus para explicar as coisas!

segunda-feira, janeiro 2

As três Virtudes Teologais

As Virtudes Cristãs mais importantes são as Virtudes Teologais: A Fé, a Esperança e a Caridade. São estas as qualidades indispensáveis a qualquer investigador. Sem elas, a criatividade é impossível. A importância da Fé e da Esperança são por demais evidentes. Vou falar sobre a Caridade. A vertente intelectual da Caridade.

Quando ouvimos o Outro não devemos proceder como um advogado em tribunal. Não devemos enfiar-lhe pela garganta a baixo a primeira contradição em que caiu. Devemos procurar encontrar um sentido nas suas palavras, mesmo que mal expressas.
Isto se acharmos que a pessoa não está naquele momento de má fé. Mais que não seja para se proteger de uma pressão exterior. Também não podemos dar dinheiro a alguém cada vez que paramos num sinal luminoso.

Se não tivermos Caridade para com os outros, vamos acabar por interiorizar essa atitude. Vamos deixar de ser capazes de ouvir as ideias que Deus sopra baixinho ao nosso ouvido, de as acarinhar até elas terem pernas para andar. Deus acaba por nos condenar à esterilidade intelectual.

O filósofo ateu Carrilho Guimarães conspurca a Caridade regularmente falando desta virtude com o fim de ridicularizar os seus oponentes políticos. Mostra-se caridoso em relação a uma frase de um adversário político, tenta encontrar-lhe algum sentido. Conclui pesarosamente que não conseguiu encontrá-lo. Vai arder no inferno da irrelevancia intelectual até ao dia em que ninguém lhe inveje a Barbara. Depois, nem isso.

Vou juntar alguns exemplos numa próxima oportunidade.
Peço-vos alguma Caridade para com este post, que bem precisado está dela.

Inquietações

Como é possível eu escrever num blogue com um tipo que pensa exactamente como eu? Finalmente tornei-me sócio de um clube? Estarei a ficar velho? As dúvidas perseguem-me dia e noite.

domingo, janeiro 1