sexta-feira, maio 19

Hokusai 2 (1831)

"Uma criança tem direito a um pai e uma mãe"

Este slogan tem sido usado para retirar às mães solteiras o direito de recorrer a um banco de esperma ou a um dador anónimo. Vamos perder um momento a analisá-lo? O que é que subentende? Se a mãe solteira recorre a um dador anónimo, está a retirar ao seu filho o direito a conhecer o pai? Será mesmo assim? Se ela não recorrer, não há filho!
Este slogan atribui subrepticiamente uma pseudoexistência a algo que ainda não existe. O slogan só faz sentido se acreditarmos que uma criança já existe sobre a forma de uma "alma" ou "proto-alma" antes de ser concebida, estando à espera num limbo que um casal o "adopte". Alguns até acreditarão em algo assim, suponho eu. Mas não tém o hábito de o explicitar...
Existe uma hipótese de a criança vir mais tarde a sentir-se incompleta por nunca vir a conhecer o pai? É possível. Temos de ultrapassar tantos traumas na vida... Vamos então legislar que não podem nascer crianças com malformações de qualquer tipo, obrigando as mães a abortar? Não me parece a melhor opção.
Se perdermos um momento a analisar os slogans com que somos confrontados todos os dias, na publicidade, na política, nos blogues, acabamos por notar até que ponto eles nos enredam em suposições que uma vez explicitadas nos fazem sorrir. Vale sempre a pena parar para pensar.

quinta-feira, maio 18

O Patriarca e as maternidades

Um rei português que não sabia o que fazer ao dinheiro trocou uma fortuna gigantesca por mais um cognome para o bispo de Lisboa. Socrates vai retirar ao patriarca o seu lugar no protocolo de estado. Vai assim calar por uns tempos a ala esquerda do PS, que não gosta do aperto do cinto. O CDS estrebucha pela perda de terreno. São umas bandeiras que avançam e outras que recuam, mais um episódio do Jogo. Nada de essencial está em causa para nenhum dos lados.
Ter um filho numa maternidade onde se faz um parto por dia é um perigo. Os médicos e os enfermeiros necessitam de prática. É infinitamente mais seguro apanhar uma ambulância para uma maternidade a vinte quilómetros de distância. Acontece que aceitar a partida da maternidade é aceitar que a vila em que vivemos já não é o que era, é perder terreno para a vila do lado, é perder terreno no Jogo.

quarta-feira, maio 17

Contra Factos

Frank Rijkaard entrou para a história do Barcelona ao ganhar hoje a liga dos campeões contra o Arsenal. Se lhe juntarmos os três campeonatos de Espanha que ganhou em três anos, Rijkaard pode agora pedir meças a Johan Cruyff no imaginário blaugrana. Alguém interessado em criar uma grande equipa de futebol, tomaria a decisão acertada ao convidar Rijkaard para treinador? Quando se tem de tomar decisões é crucial saber distinguir o essencial do aleatório.
Olhemos para Lazlo Boloni, o homem que treinou o Sporting da ultima vez que este clube foi campeão. Vários comentadores tentaram descobrir quais as suas qualidades que se revelaram decisivas. Eu apenas encontrei a sorte. No ano seguinte Jardel foi-se embora e foi o que se viu. Boloni comparou-se ao dono de um restaurante que perdeu o seu cozinheiro fora de série. Não tinha culpa de ter perdido o cozinheiro. Também não tinha tido nenhum mérito nos pratos que o cozinheiro preparava e que deram a fama ao restaurante, esqueceu-se ele de acrescentar.
Rijkaard é também o homem de sorte no lugar certo. Mais nada. Não o queria nem a treinar os juniores. Veremos o que acontece quando mudar de clube ou quando a conjuntura actual do Barcelona se modificar.
Um dos grandes atractivos do futebol é ser um modelo em miniatura do mundo em que vivemos. Um modelo onde o tempo corre mais depressa e podemos testar a nossa capacidade de analisar uma situação. É pena que tão pouca gente o aproveite para este fim.

Hokusai 1

terça-feira, maio 16

Outros que jogam o mesmo JOGO

Aceitar senhoras a vender lingerie na Arábia Saudita seria uma perda de terreno inadmissivel.

A nova lei sobre o aborto na Colombia e o JOGO

Já aqui afirmei várias vezes que me parece que questões como o aborto são muitas vezes tratadas pelos dois lados como se fossem um jogo. O que conta é não perder terreno, ou avançar um pouco mais. A Colombia criou finalmente uma lei semelhante à nossa acerca do aborto. Passa-se a poder abortar em hospitais públicos no caso de malformações do feto, violação, etc. A igreja católica colombiana está profundamente indignada por este atentado contra a vida. Estão preocupados com a Vida, ou com o Jogo?
A situação é mais clara do lado da igreja católica, porque esta é uma organização internacional que devia ter standarts a nivel planetário. O única politica mundial que o Vaticano parece ter em relação às leis sobre o aborto é retardá-las o mais possivel, sem olhar a mais nada.
Volto a perguntar a todos os católicos praticantes que passam por aqui: se vivessem em Espanha, França, Alemanha, Suécia, os tais países que tomamos por modelo, estavam contra as leis do aborto vigentes nesse país? Ou aceitavam-nas como fazem os católicos e as próprias hierarquias da igreja desses paises? Então porque não apoiam o estabelecimento neste país de leis semelhantes às que existem por toda a Europa a proposito do aborto?
Estão a deixar-se usar como peões do tal Jogo?

Correlação versus causalidade 2

Analisemos então o estudo "científico". O estudo mostra uma correlação entre praticar yoga e perder peso. As pessoas que praticam yoga perderam mais peso ou ganharam menos do que os que não praticam yoga. Os investigadores acham que podem daí inferir uma relação de causalidade. A relação de causalidade que lhes apetece inferir é que praticar yoga faz perder peso.
A causalidade é uma noção muito mais subtil do que parece. Basta ver a discussão entre o OMWO e o /me no post Vanitas. O assunto tem consequências inclusivamente a nível religioso. Como bom católico, o /me acredita no livre arbitrio. Martinho Lutero alinhava na equipa do OMWO, se bem me lembro.
A correlação não chega para garantir causalidade. Convinha no mínimo apresentar um mecanismo que explique a causalidade. A perda de calorias resultante do yoga não é em geral suficiente para garantir que se perca peso. O yoga predisporia as pessoas a ter mais cuidado com a alimentação. Aceito a explicação, mas é um pouco fraca. Especialmente porque há outras relações de causalidade que apresentam explicações mais plausiveis para a correlação: muitas pessoas começam a praticar yoga porque decidiram mudar o seu estilo de vida. Tomaram uma série de decisões com o fazer yoga, ter cuidado com a alimentação, fazer uns passeios a pé...
Uma das formas mais normais de explicar uma correlação entre dois fenómenos é terem uma causa comum. Este tipo de causalidade é sistematicamente esquecido.
O artigo tem muitos outros pontos fracos. As estatisticas baseiam-se em entrevistas! Não se pode basear um estudo sério em entrevistas...
O artigo teve difusão porque as conclusões eram simpaticas. Esta situação acontece repetidamente. As pessoas tomam muitas vezes decisões que afectam seriamente as suas vidas e a sua carteira com base em relapsias deste tipo. As instituições e os governos fazem o mesmo. Dá muito trabalho pensar.
Este post é um exemplo do grau zero dos exercicios de logica avançados de que falava o OMWO nos comentários ao post O mercado e a vida. Um tema muito chato, sem dúvida.
PS: Não acho que os matemáticos ou os cientistas em geral pensem muito melhor fora do assunto em que se especializaram do as outras pessoas. A disciplina de pensamento de que falo está muito mais ligada à nossa forma de encarar a vida do que a qualquer outra coisa.

segunda-feira, maio 15

Correlação versus causalidade 1

Um grupo investigadores do Fred Hutchinson Cancer Research Center em Seattle analisou o impacto da prática do Yoga na perda de peso. Foi publicado no número de Julho/Agosto do ano passado da revista cientifica Alternative Therapies in Health and Medicine. O inquerito feito pelos investigadores mostra que o peso das pessoas que praticam yoga se comporta melhor do que o peso da média da população. Concluiram que o yoga se revelou um excelente instrumento para perder peso para as pessoas na faixa dos 45-55 anos de idade. O estudo foi citado por muitos jornais e recomendado pelo site do equivalente americano do nosso Ministério da Saúde. Segundo esta página web os especialistas consideram que o yoga pode ajudar a mudar os hábitos das pessoas, fazendo-as perder peso.
Se conhecesse alguém nesta faixa de idade que quisesse perder peso, aconselhava-a a fazer yoga com base neste estudo? Porquê?
Este post tem pouco a ver com yoga ou dietas.

domingo, maio 14

Vanitas vanitatum et omnia vanitas

Ecclesiastes 1:2

De que nos podemos orgulhar?
De termos nascido ricos? De estarmos bonitos? (não dura sempre) De sermos inteligentes? (dura mais) Da nossa personalidade?
Ter orgulho em ter nascido rico está fora de moda. Pelo menos quando é afirmado em público. Mas há outras razões para não ter orgulho em tal coisa: não nos assiste nenhum mérito nisso. Ter orgulho em estar bonito também não pode ser apregoado aos sete ventos. Embora sejam dois atributos muito úteis, sem dúvida. Ter orgulho em ser inteligente também começa a ser complicado. O /me já não cai nessa. Concessão ao politicamente correcto?
Se não há motivos para nos orgulharmos da nossa herança económica, porque haverá motivos para nos orgulharmos da nossa herança genética? Qual é o nosso mérito em termos os genes que temos? Se fizermos uma campeonato a jogar ao cara ou coroa, é provável que o vencedor tenha alguma vaidade na sua vitória. Vaidade provem do latim vanitas, que significa vazio.

Podemos orgulhar-nos de algumas decisões que tomamos? Do nosso espaço de livre arbítrio. Acho dificil distinguir o livre arbítrio do resto? Quando se começa a escarafunchar as coisas...

Será que precisamos mesmo de ter orgulho naquilo que somos?

sábado, maio 13

Mergers & acquisitions

Quando à crise, nada como juntar várias empresas para conseguir sobreviver através das economias de escala. Não sei se foi algo assim que levou à criação do Lugar Comum. Haverá realmente uma crise na blogosfera portuguesa? Ou há apenas alguns bloggers que deixaram de procurar novos blogs e se surpreendem pelo desaparecimento ou baixa de produção de muitos dos que conheciam? Eu sou um deles.
Haverá espaço para os blogs que fazem um post por semana? Penso que sim, especialmente se aqueles que se cansam de visitar os seus blogs favoritos sem encontrar posts novos criarem um kinja.
O kinja acaba com o caracter utilitário da barra lateral onde se anunciam outros blogs. Esta barra passa a ser um instrumento político. Que podemos até omitir. Omissão essa que também é uma afirmação política.

quarta-feira, maio 10

O mercado e a vida

Pergunta a Maria da Conceição quanto vale uma vida humana. Escrevi em tempos um artigo sobre o assunto. Na prática, atribuimos todos os dias valor à vida de uma pessoa de forma indirecta. Nós próprios atribuimos à nossa vida um valor quando com decidimos gastar mais ou menos dinheiro na segurança do nosso carro, quando escolhemos voar numa comanhia de aviação que dá um pouco mais de garantias ou arriscamos voar num charter meio esquisito.
É possível portanto determinar o preço que na pratica uma sociedade atribui a uma vida humana. Mas não é disso que estavamos a falar, dirão alguns. Estamos a falar do valor intrinseco de uma vida humana.
Qual é o valor intrinseco de uma escova de dentes?
Marx procurou determiná-lo na primeira parte d'O Capital, onde analisa a teoria do valor. O valor intrinseco da escova de dentes é a quantidade de trabalho que se gastou na produção da escova. É hoje claro para quem se debruçou sobre o assunto que não existem forma de dar um sentido a essa quantidade de trabalho. O valor da escova de dentes é aquele que lhe é atribuido pelo mercado. Mercado = processo de interecção social que determina o valor dos bens.
À escova, tal como à vida humana, não se podem atribuir valores absolutos.
Desta vez Marx e a Igreja Católica estão de acordo.

quinta-feira, abril 27

Vipassana

Um dia destes tenho de experimentar o curso introdutório de meditação Vipassana: dez dias, dez horas por dia. Todas as pessoas que conheço que já experimentaram, querem voltar a repetir a experiência. Só se pode falar com os outros no último dia. Toda a gente diz que os problemas só começam nesse dia. O pecado original é o Verbo...

Ao contrário do que eu pensava, até nem é preciso ir a Barcelona para experimentar este tipo de meditação. Basta ir aqui.

Agora que acabei com o blog

Sinto-me mais à vontade para escrever qualquer coisa, só quando me apetecer.

domingo, abril 16

Parece que acabou...

Nestas coisas é sempre dificil dizer, mas parece-me que este blogue acabou. Agradeço a todos os que passaram por aqui.

sábado, abril 1

quinta-feira, março 23

Oops! ...

... Nunca mais me lembrei de fazer um post!

quinta-feira, março 16

O canto do pássaro

Deus é o Desconhecido e o Incognoscível.
Toda a afirmação sobre Ele é uma distorção da verdade.

- Então porque falamos sobre Ele?

Porque é que o pássaro canta?
Não por que tem algo para dizer,
mas porque tem um canto para cantar.

A. Mello

quarta-feira, março 15

Uma lenda judia

Os judeus de uma aldeia russa esperavam avidamente a chegada de um rabi particularmente sábio. Era um acontecimento raro. Eles gastaram muito tempo a a preparar as perguntas que lhe iam fazer.
Quando o rabi chegou, sentiu demasiada tensão no ar. Olhou-os nos olhos e começou a murmurar uma melodia. Todos o acompanharam. Depois começou cantar e todos cantaram. Levantou-se e executou alguns passos solenes. Todos o seguiram. Finalmente todos se absorveram na dança, ignorando tudo o resto. Todos se uniram num só, ultrapassando as suas diferenças. Foi assim sarada a divisão que os separava da verdade.
Ao fim de uma hora a dança acalmou e finalmente todos se voltaram a sentar. O rabi disse então as únicas palavras da noite. Espero ter respondido a todas as vossas perguntas.
A. Mello

Uma dança muçulmana

Porque é que um dervishe venera Deus através da dança?

Venerar significa deixar morrer o ego.
Dançar mata o ego.
Quando o ego morre, os problemas morrem com ele.
Onde o ego não está, o amor está, Deus está.

Já ouviram rezar e disseram rezas, vejam agora uma:
A. Mello

terça-feira, março 14


Acordar

A espiritualidade tem a ver essencialmente com estar acordado. A maior parte das pessoas não sabe que está sempre a dormir. Nasceram a dormir, vivem a dormir, casam a dormir, criam os seus filhos a dormir, morrem sem nunca acordar. Nunca compreenderam o encanto e a beleza daquilo a que chamamos a existência humana. Todos os misticos, cristãos e não cristãos, estão de acordo: tudo está bem, tudo está bem! Embora tudo esteja mal, tudo está bem. Um paradoxo estranho, sem dúvida. Tragicamente, muitos nunca reparam que tudo está bem, porque estão a dormir. Estão a viver um pesadelo.

Outro dia ouvi a história de um pai que bate à porta do quarto do filho.
Jaime, acorda!
- Não me quero levantar!
Levanta-te, tens de ir para a escola.
- Não quero ir à escola.
Porquê?
- Por três razões: primeiro é chato, segundo, os miudos gozam comigo, terceiro, odeio a escola.
Então eu dou-te três razões para ires à escola: primeira: é o teu dever, segundo, tens quarenta e cinco anos, terceiro, és o Director.
Acorda. Já cresceste. Pára de te entreter com os teus brinquedos!

Muitas pessoas dizem que querem abandonar o jardim-escola. Não acreditem! O que eles querem é consertar os seus brinquedos partidos. Dêem-me a minha mulher de volta! Dêem-me o meu emprego de volta! Dêem-me a minha reputação de volta! O meu sucesso! É isto que eles querem: os brinquedos de volta. Os médicos e os psicólogos sabem muito bem o que as pessoas querem: querem o Alívio. A Cura, essa é dolorosa.

Anthony de Mello

Um jesuíta polémico

O Padre jesuíta Anthony de Mello nasceu em Goa em 1931. Dedicou-se à psicoterapia, orientou um grande número de retiros espirituais e escreveu mais de uma dezena de livros.
Em 1988, um ano depois da sua morte, foi "canonizado" pelo cardeal Ratzinger. Eu dificilmente lhe faria um maior elogio.
Podia ter escolhido um jesuíta menos polémico, mas a verdade é que não convém eu deixar o meu lado irreverente adormecido durante demasiado tempo. Apenas escrevi este post para que alguns dos frequentadores do blogue não deixem aqui um comentário de que se possam arrepender.

Parece que o Padre Mello afirmou que
Pensar que o Deus da própria religião é o único, é puro fanatismo.
Trata-se de uma questão que obviamente não me diz respeito. Mas, se existe o deus dos cristãos, não existirá o deus dos judeus? Será o mesmo? e o Deus dos muçulmanos. Não existe?

Nunca percebi porque é que alguns sportinguistas não querem que o Benfica ganhe ao Barcelona. Mas, em questões clubísticas, também sou ateu.

segunda-feira, março 13

O tempo do corpo?


Duas gerações atrás não havia transportes públicos. Era normal uma pessoa fazer uma dúzia de quilómetros a pé por dia só para ir trabalhar. Essa caminhada proporcionava ao caminhante um momento de meditação. O efeito calmante desta actividade equipara-se a uma dose de Prozac, sem efeitos secundários.
No tempo da segunda guerra mundial, e não só, a comida não abundava. O que se poupava na Quaresma, ajudava a celebrar melhor a Páscoa. O jejum, nem sempre voluntário, era uma oportunidade de renovação espiritual. Usávamos o corpo todos os dias.
No dia em que passei a ter um carro só para mim, perdi um pouco mais de contacto com o meu corpo. Para o recuperar, tive de pagar bem caro para andar na passadeira do Health Club os quilómetros que deixei de andar a pé.

Não será a explosão de corporeidade de que fala o Manuel a soma das diversas tentativas de evitar os efeitos nefastos da diminuição da nossa actividade corporal no dia a dia? Esta diminuição levanta também novos problemas de natureza religiosa. É necessário encontrar formas alternativas de utilizar o corpo que nos ajudem a manter o equilíbrio espiritual.
Quando se tem de lutar pela sobrevivência, muita coisa é clara. Quando já não temos de o fazer, a vida complica-se sobremaneira. Até é preciso descobrir-lhe um sentido!
Muitos grupos religiosos descobriram que unir as palmas das mãos ajuda a atingir uma certa paz interior. O cristianismo também. Mas este acto é apenas o grau zero da interacção corpo-espírito.
Alguns grupos protestantes redescobriram a longa experiência do Zen nestas questões. Dentro da igreja católica quase só os jesuitas, herdeiros dos exercícios de Loyola, lhe dão a importância que merecem. Vale a pena que nos debrucemos um pouco mais sobre elas. Fica para breve.

domingo, março 12

sábado, março 11

O ritmo

Manter um blogue passa por ganhar um ritmo. O ritmo do número de posts que escrevemos por semana. Um ritmo respiratório: suspensão do sentido crítico, recuperação da capacidade de auto crítica. Um blogue é ao mesmo tempo tão efémero como um jornal tabloide e tão eterno quanto a saúde económica do Google. Com a baixa constante da memória dos servidores, arriscamosmo-nos a permanecer na blogosfera para além do fim das nossas vidas.
Normalmente começamos muito depressa. Queremos ganhar público. Ter um blogue de competição. Ser quase famosos, embora incógnitos. Depois percebemos que o melhor é ter juízo. Afinal, ainda existe vida fora da blogosfera. Vem a primeira pausa e com ela um reajustar dos ritmos de publicação (e do nosso sentido crítico).
Alguns não querem desistir da corrida e querem passar a fazer parte de uma estafeta. Arranjamos mais uns tipos e assim fazemos um blogue do caraças. As dinâmicas de grupo são complicadas. Muitas vezes correm todos ao mesmo tempo e depois tiram todos férias na mesma semana. O blogue oscila entre entupido e vazio. Já é bom se não andam à pancada. O que até pode ser uma actividade bem salutar.
Depois descobre-se que o melhor de tudo são as pessoas. Vale a pena manter o blogue para furar as duas ou três crisalidas onde vivemos, cheias de pessoas que pensam mais ou menos como nós. Mantemos o blogue para ir falando com os novos amigos blogosféricos, muitos dos quais só conhecemos pelo nick.
De vez em quando mais um blogue se fina. E o outro que parecia ter acabado, volta a actividade. Continuo surpreendido por este blogue ainda existir. Quando diminui a velocidade de publicação, desafinei o ritmo.Vamos a ver se o recuperei outra vez.
A semana passada coloquei o meu primeiro comentário no Espectro. Já não vale apena colocar um link porque entretanto se finou. Não percebia a ritmo frenético de publicação do VPV e da CCS. Porque é que alguém há-de fazer cinco posts por dia à borla, quando costuma fazer um por dia, sendo pago por isso? Quando fiz o primeiro comentário, alguém tinha acabado de referir que o Espectro tinha batido pela primeira vez as audiências do Abrupto. Bem, já podem fechar a loja, pensei eu. Não durou nem vinte e quatro horas.

quinta-feira, março 9

O tempo do corpo


Diz o Manuel do Adro: Uma das características definitórias da cultura contemporânea é a ideia de ter superado o antropocentrismo renascentista ou moderno, para passarmos ao que Miguel Ibañez chama somatocentrismo pós-moderno. O corpo é a estrela de uma sociedade ultraviolenta, supertecnificada e hipersexual. Esta explosão de corporeidade pode envernizar-se e aparecer requintada e complexa. Mas disfarça mal a animalidade a que nos reduz.

Caro Manuel, este blogue ultimamente mais parece uma exposição de corpos nus. É verdade que vivemos numa sociedade hiperconsumista que se apercebeu das consequências do hiperconsumismo a nivel da alimentação. Num mundo com cada vez mais obesos, só o culto do corpo permite equilibrar os efeitos da publicidade aos chocolates. É a guerra das calorias. Mas não é desta guerra que eu queria falar.
Este seu post levanta uma série de questões interessantes. O CA já opinou sobre os adjectivos empregados pelo Manuel, e muito bem. Deixe-me tratar de outro aspecto da questão. O que é que a igreja católica pode fazer a propósito deste problema? Parece que muito pouco. Porquê?
Quando tinha treze anos tentei juntar-me à equipa de basquetebol do clube da minha terra. Fui lá com um amigo, católico praticante. No fim do treino fui tomar duche nu, com toda a gente. Depois de duas horas de exercício violento num dia de verão, estavamos mesmo a precisar de um duche. O meu amigo tentou escapar-se discretamente. Alguns colegas mais velhos avisaram o meu amigo: Oh pá, homens com homens não há vergonhas! Se na próxima tentas escapar-te outra vez, vais para o duche vestido. Uma atitude extrema sem dúvida. Apesar de o meu amigo estar muito interessado em jogar basquete, nunca mais lá apareceu.
Toda a vida se intrigou esta falta de à vontade com o corpo tão vulgar entre os católicos praticantes. O corpo parece ser um envolucro descartável da alma. Algo imperfeito de que nos devemos envergonhar. Só serve para pecar.
Algumas tradições têm coisas muito mais interessantes para nos dizer sobre o corpo. Ensinam-nos a usar o corpo como uma meio para chegar ao nosso lado mais espiritual. É o caso do yoga e do zen. O post do Manuel é apenas e só um grito de impotência. Não será possível encontrar na tradição cristã algo que nos ajude a lidar com o nosso corpo de uma forma mais saudavel?

segunda-feira, março 6

sexta-feira, março 3

quinta-feira, março 2

quarta-feira, março 1

Liberalismo de esquerda

O que é que isso quer dizer? Aqui fica o desafio a todos aqueles que já alguma vez se auto proclamaram tal coisa. À primeira vista é uma contradição: ser liberal significa (na Europa) que se defende que o estado intervenha tão pouco quanto possível na economia. (Muitos liberais são liberais em parte time. Defendem a liberdade das empresas fazerem o que quiserem. Depois vão pedir os subsídios do costume.) Ser de esquerda significa achar que o estado tem apesar de tudo de intervir em defesa dos mais fracos. Significa também defender a importância de várias liberdades. Já não existem liberais puros com ambições políticas. Todos os liberais proclamam o apoio aos mais desfavorecidos. Na prática isso significa meia dúzia de acções demagógicas para ganhar votos e um argumento para estrangular a classe média. Ouvimos muitos argumentos deste tipo ultimamente. Não é por aí que vamos encontrar o liberalismo de esquerda. Então, onde está ele?
Algumas perguntas complementares:
Reconhecem a alguém o estatuto de teórico do liberalismo de esquerda?
Existe algum partido em algum país do mundo que se aproxime dos ideias do liberalismo de esquerda?
Se não existe, será o liberalismo de esquerda apenas mais uma tentativa idiota de fazer uma síntese entre duas perspectivas que se auto-excluem uma à outra?

segunda-feira, fevereiro 27

Falta de tempo

Não gosto de ouvir falar em falta de tempo. Normalmente é outra coisa mais concreta que falta. Que tal ser mais especifico?
Também não gosto da palavra nunca e da expressão não sou capaz. Quando digo nunca, normalmente acabo por engolir a palavra. Que tal dizer ainda antes de não sou capaz? Não somos imortais. Já é limitação que chegue.
Subscrevo os desgostos do Lino. Ele podia era explicar porque é que essas expressões o desgostam tanto. Lino, se tiveres falta de espaço no teu blogue, explica nos comentários. Gostava de ver as listas do /me, do Franco Atirador, da Sofia, da Maria da Conceição e da Madi.

domingo, fevereiro 26

sexta-feira, fevereiro 24

Gustav Klimt - Podia ser o Porto

quinta-feira, fevereiro 23

A seita da linha

Nos últimos anos tem crescido rapidamente um grupo ultraconservador dentro da igreja católica. Uns familiares meus têm a casa repleta de imagens de santos. Ouvem constantemente música religiosa, o terço e vários canticos que eu não sei identificar. Queimam tudo o que lhes aparece à frente. Desde os livros da Isabel Allende e do Harry Potter (magia), às estátuas de Buda ou vindas das ex-colónias, até mesas indianas. Explicam-me que todos os discos rock contêm mensagens subliminares, o fumo das discotecas contem drogas, os produtos do supermercado Celeiro também. Quando vão a casa de alguém desligam a televisão, essa invasão do demónio, sempre que podem. Frequentam umas missas esquisitas, tipo IURD, onde se realizam exorcismos e onde acontecem regularmente milagres. Não têm a hierarquia da igreja católica em grande conta mas parece-me que esta não se sente incomodada por isso. Dão uma especial importância á virgem de Međugorje, a versão bósnia de Fátima.
Já ouvi alguém referir-se a eles como sendo a seita da Linha. Parece que a zona da linha de Cascais é o epicentro desta revolução. É a nossa pequena Califórnia. Convém notar que algumas das pessoas de que eu estou a falar têm mestrados e doutoramentos, não são propriamente incultas.
Estranho que não se fale mais deste assunto nos blogues religiosos que costumo visitar. Alguém me ajuda a compreender o que se passa? Como é que se chama este grupo? Como é que começou?

quarta-feira, fevereiro 22

O timing

Quarenta anos atrás uma geração de jovens brilhantes e ambiciosos decidiram estudar Física. Cada um deles esperava ser o super engenheiro que iria gerir a primeira central nuclear portuguesa. A opção nuclear nunca foi feita. Até podia haver razões para não a fazer, mas não foram essas as decisivas. Durante os últimos vinte anos estes jovens já não tão jovens engoliram a frustração de seguir uma carreira académica que não os satisfazia. Envolveram-se em tricas e politiquices. Chatearam os colegas.
Hoje, corremos todos os riscos de um país que tomou a opção nuclear, sem nenhuma das suas vantagens. As limitações à poluição resultantes do protocolo de Kyoto e a evolução do mercado petrolífero vão provavelmente obrigar-nos a repensar a nossa opção. Esta geração de físicos vai agora provar o fel que Moisés provou às portas da terra prometida.
Mais grave do que isso, não é claro que existam no país pessoas em quantidade e qualidade para ocupar as posições para as quais eles foram treinados. Substitui-los por pessoas ao mesmo nível levaria duas décadas. As consequências de certas decisões não estão contabilizadas directamente no orçamento geral do estado.
Mas pagam-se...

terça-feira, fevereiro 21

Benjamin Franklin

"Those who would give up essential Liberty, to purchase a little temporary Safety, deserve neither Liberty nor Safety."
Quando coloquei esta frase como subtítulo temporário do blogue, nunca me passou pela cabeça que se revelaria tão actual.

segunda-feira, fevereiro 20

domingo, fevereiro 19

A Economia, meu Deus...

A moral diz-nos como o mundo deveria ser. A economia explica por que é como é. A visão racional do mundo que a economia nos proporciona não se reduz a explicar porque é que a inflação aumentou ou o PIB desceu. Explica também muitas das decisões que as pessoas tomam no dia a a dia. A economia tem a ver com a tomada de decisões perante a escassez de um recurso. E pode ser aplicada a quase tudo o que fazemos.
Steven Levitt é um economista fora do comum, que se tem dedicado a explorar as aplicações da economia a temas que não costumamos olhar desse prisma. Levitt explica porque é que a pena de morte não é assim tão efectiva a diminuir a criminalidade, porque é que alguns professores fazem exames mais fáceis ou beneficiam os alunos nas correcções, a influência da legalização do aborto na criminalidade, etc. Foi uma surpresa ver o seu livro Freakonomics - o lado escondido das coisas no topo de vendas da FNAC. É um daqueles livros que pode refrescar a nossa visão do mundo.

Um modelo económico bastante simples explica porque é que o requisito do celibato provoca a existência de um número anormalmente grande de pedófilos entre os padres católicos. Explica também porque é que, quando uma sociedade se torna mais tolerante à homossexualidade, o número de vocações sacerdotais diminui. Outro dia o diário ateísta dedicou um artigo ao tema. Podiam ter utilizado uma linguagem diferente, mas estão lá as ideias chave.

Os liberais passam a vida a incensar as escolha económicas de Bush. O artigo de hoje do Blogo Existo lembra mais uma vez que o modelo económico europeu não anda a perder assim tanto terreno para o modelo económico americano como parece. Antes pelo contrário.

sábado, fevereiro 18

quinta-feira, fevereiro 16

quarta-feira, fevereiro 15

Palmas para o Zé!

Não me interessa quais foram as razões que levaram Barroso a defender de forma clara, como lhe competia, a liberdade de expressão. A verdade é que outros não o fizeram. Fica registado o facto.

segunda-feira, fevereiro 13

Roma

Mais uma excelente série da HBO. Passa às segundas no Canal 2, no antigo horário d'Os Sopranos (outra série da HBO). O detalhe com que tratam a vida quotidiana dos romanos e o realismo das batalhas bate qualquer filme feito até hoje sobre o tema. Por outro lado, as liberdades tomadas pelo argumentista parecem-me excessivas e desnecessárias. Octávio não foi visitar César à Gália. Muito menos foi raptado por gauleses. O consul não tinha poder de veto sobre o Senado.
Qualquer filme ou livro sobre este período está obrigado a confrontar-se com Masters of Rome (O primeiro homem de Roma), o romance histórico de seis volumes escritos por Colleen McCullough. A guerra civil entre César e Pompeu é apenas o último episódio da degradação da república romana. A lenta erosão das instituições começou duas gerações antes, nos tempo de Mário e Sila. Só começando a contar a decadência da república desde os seus princípios se pode compreender o que aconteceu. E aprender algo que nos possa ser útil hoje.

domingo, fevereiro 12

É Proibido Pensar ou: Entre Fascistas e Esquerdalhos venha o profeta e escolha

Dedicado ao Zé

Eis o problema de pertencer (a própria palavra já diz tudo) a um partido, ou de ter uma visão partidária da política.

Metem-me asco os espíritos confusos que por ai andam, que acham que reconhecer as legitimas aspirações do povo Palestiniano, e apoia-lo numa determinada posição politica, implica necessariamente ter que apoiar em toda a linha os tarados religiosos extremistas do Hamas.

Metem-me asco os que acham que criticar a administração Bush pela agressão injustificada ao Iraque, feita sob falsos pretextos, e pelas suas políticas ruinosas é o mesmo que ter que estar do lado dos inimigos mais aberrantes que combatem os EUA no terreno, eles próprios usando o Iraque como mero pretexto para outras lutas, que com essa terra pouco têm que ver.

Metem-me asco os que a pretexto de combater a xenofobia, ou a pretexto de uma visão igualitária dos povos se julgam obrigados a tomar como legítimos as pretensões medievais dos extremistas Islâmicos no que diz respeito a toda a palhaçada dos cartoons Dinamarqueses. Ou seja, a pretexto da igualdade e da tolerância, apoiar a mais ditatorial intolerância.

Mete-me asco que certa esquerda se insulte a si e a nós todos com as posições que toma, e com as que convenientemente não toma. E que se arrogue posições morais impolutas, e que fale dos resistentes anti-fascistas, e que fale da censura comparativamente moderada e da violência comparativamente moderada do regime Salazarista com tanto asco enquanto fechou e fecha os olhos a tanta outra censura, violência, opressão, desde que venha da parte daqueles que estrategicamente apoia, por vezes meramente por consistência com a herança de outros tempos em que seguia às cegas as orientações de Moscovo, e não por qualquer real posição moral. E mete-me asco certa Direita que é culpada de outro tanto, e que por esta e aquela negociata vende a alma.

Mete-me asco quem necessita de tomar posições em bloco (de esquerda ou de direita) em vez de pensar em cada uma por si mesmo, com erros e tudo. Mete-me asco quem não pode mudar de opinião, limitado não ao menos por orgulho, mas porque carrega em cima o peso de toda uma estrutura partidária, que não lhe permite fazer as curvas com destreza, pois é essa a natureza da inércia. Mete-me asco quem acha que tem que fazer alianças permanentes com esta e aquela facção e apoiá-la em toda a linha ou em nenhuma. Ou de outra forma: quem acha que apoiar as aspirações legítimas implica apoiar também as ilegítimas.

Sou o meu próprio partido. Tomo as minhas posições uma a uma. Sei que fora do grupo tenho menos força. Mas tenho mais liberdade. Suporto que que decidam por mim, mas jamais que pensem por mim. A força que o grupo nos dá é apenas a força para fazer o que o grupo quer – a força para ser um escravo bem sucedido. Prefiro ser um homem livre na prisão do que um preso em liberdade. Declaro as minhas próprias guerras, travo os meus próprios duelos. Levantar o punho no anonimato da multidão requer pouca coragem. Levantar a voz no meio do grupo, e em discordância com o grupo, é mais difícil. Prefiro assim. Nem por isso o recomendo aos outros. Requer um amor pelas escarpas gélidas e solitárias, pelo ar rarefeito, e pelo silêncio. Os outros que façam o que entenderem. E eu direi o que entender.

Protestos espontaneamente orquestrados

"Don't you think it's a coincidence that the victim's body fell perfectly within the chalk outline?"

-The Pink Panther (remake)

Desengane-se quem imaginou que os protestos radicais contra os cartoons Dinamarqueses eram, ainda que estúpidos, ao menos sinceros. Não há nada de novo ou especial nestes cartoons. Tudo não passa de uma farsa..

Em Outubro passado, em pleno Ramadão, um jornal Egípcio pôde publicar esses mesmos cartoons (para criticá-los, é certo, mas ainda assim quebrando o suposto tabu). Onde estiveram os protestos?

No Ocidente podem-se encontrar dezenas de representações do profeta em capas de livros e em revistas, que passaram até hoje pacificamente debaixo do radar (anda no peer-to-peer uma pequena compilação de uns tantos exemplos).



Podem-se encontrar duzias de images do profeta expostas em museus, sendo que algumas delas da autoria de Muçulmanos porque a proibição não era, como aliás não é tão absoluta como isso tudo. Que diabos (perdoai a blasfémia), segundo este insuspeito muçulmano ofendido, até nos bazares dos mais santos lugares do Irão se podem comprar representações do profeta, como quem vai a Fátima e compra uma imagenzita do J.C. que pisca os olhinhos enquanto encara o firmamento e pede ao Pai que perdoe a estupidez dos mortais (e bem difícil seria fazê-lo nos dias que correm).

E como pode ter passado por debaixo do radar o episodio do South Park, visto por milhões, onde o profeta foi caricaturado? Episódio esse, aliás, disponível na net para quem o queira ver…



Tão inofensivos eram aliás os pobres cartoons Dinamarqueses que os radicais que orquestraram estes protestos sentiram a necessidade de incluir no pacote promocional três cartoons adicionais muito mal desenhados e esses sim fortemente ofensivos. O engraçado é que provavelmente terão sido eles próprios, devotos muçulmanos, a desenhar pela sua mão estes acrescentos, incluindo aquele em que o profeta é acusado de pedófilo. O que fizeram depois de realizar tal tarefa sagrada, cortaram irados as suas próprias mãos conspurcadas, ou dispunham de algum autorização divina?

A inescapável conclusão é que os correntes protestos, além de estúpidos e homicidas, são, longe de espontâneos, manifestações de um plano orquestrado e posto em prática num momento predeterminado por autoridades radicais Islâmicas que governam as suas massas subservientes como se de gado se tratassem. E porque não, se todas as religiões vivem afinal da ilusão e da mentira…

Que os politicos Ocidentais se prostrem temerosamente e reverencialmente frente a tais falsas sensibilidades (incluindo, risivelmente, a administração Bush) está para lá do ofensivo. O nosso preciosíssimo Vitalino Canas, que compara em gravidade as acções dos cartoonistas Dinamarqueses com as dos radicais Islâmicos, é um belo exemplo Lusitano dessa reverencial demência. Aconselho-o vivamente, e a outros como ele, que, se insiste em oferecer o traseiro ao radicais Islâmicos em nosso nome colectivo, ao menos que arranje um mapa, já que não arranja bom-senso, e que o faça devidamente virado para Meca.

sexta-feira, fevereiro 10

O menos culpado

Hoje, Maomé na versão Charlie Hebdo. Amanhã, a versão on.

quinta-feira, fevereiro 9

Apitos dourados


É incrivel como a qualidade das arbitragens melhorou em Portugal desde a semana passada. Até Bruno Paixão apita um jogo do Porto de forma impecável. Entretanto em Espanha o Barcelona foi eliminado da taça do rei de forma muito estranha. Em Itália a Juve tem uma "sorte" incrivel com os árbitros.
A que se deve a nossa sorte? Será a este apito mágico que rodopia por cima das nossas cabeças?

quarta-feira, fevereiro 8

Parabéns Calvin!

Porque hoje é sábado...

Durante os próximos seis meses a minha semana vai ser composta por seis sábados e um domingo. É provavel que daí resulte uma redução significativa da minha actividade neste blogue.

segunda-feira, fevereiro 6

Outros Contextos

Alguns dos defensores do casamento homossexual em Portugal são contra a liberalização do aborto, ou não tém uma posição clara sobre o assunto. Se vivessem noutro país europeu, a maioria deles aceitaria a lei da liberalização sem dificuldade.

Muitos dos que são acerrimamente contra, deixarão de o ser quando a lei mudar. Já foi assim quando foi aprovada a primeira "liberalização" do aborto. Assim voltará a ser. O que está em jogo para a hierarquia da igreja católica, para alguma esquerda e para quem os segue não é a lei do aborto nem o casamento gay, mas sim ganhar ou perder uns metros.

Mister February

domingo, fevereiro 5

Contextos

Dizem alguns que as leis actuais sobre o casamento são inconstitucionais, por não permitirem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não me parece.
Uma lingua viva é uma linguagem com grande poder de expressão, capaz de se adaptar a situações novas. Uma tal linguagem não pode ser tão precisa como uma linguagem de programação ou a linguagem matemática. Depende fortemente do contexto. Expressões como não dá cavaco a ninguém podem ver o seu sentido totalmente alterado de um dia para o outro. O contexto varia com o tempo e de pessoa para pessoa. A mesma palavra não tem exactamente o mesmo significado para duas pessoas diferentes. Não é estranho que assim seja. O que é estranho é que apesar de tudo somos capazes de comunicar. Um verdadeiro milagre.
É por isso mesmo que existe um tribunal constitucional. As decisões deste tribunal são algumas vezes tomadas por razões técnicas. Uma lei pode realmente ser inconstitucional. Na maior parte das vezes as decisões sobre a constitucionalidade de uma lei são políticas. Não poderia ser de outra forma.
Alegar a inconstitucionalidade da actual lei do casamento não faz sentido. Apenas abre o flanco para questões do tipo: então e a poligamia? então e o casamento com um animal de estimação? Trata-se de um artifício que ajuda a manter o assunto na agenda política, através do recurso aos tribunais. Mais nada. Quase toda a gente usa este tipo de armas. Por mim, não tenho nada contra. Convém no entanto perceber quais são os limites da racionalidade.
A legitimidade ou não legitimidade do casamento homossexual não se deduz de primeiros princípios. É algo que resulta de um contrato estabelecido entre cidadãos, num determinado momento, quando se verificam determinadas relações de força.
Convém lembrar que a abolição da escravatura; a prática de enterrar pessoas em cemitérios em vez de em igrejas; o direito ao voto para as mulheres, provocaram no passado tumultos sociais graves, incluindo guerras civis. Actualmente existe um consenso àcerca destes temas. Esse consenso resultou de uma modificação do equilíbrio de forças, não de uma vitória da argumentação.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma inevitabilidade. Os homossexuais representam mais de cinco por cento da população. Vão-se assumir cada vez mais. O número dos que defendem activamente a liberalização dos costumes não para de aumentar. Os partidos políticos vão acabar por perceber isso.
Dentro de vinte anos o casamento gay deixará de levantar qualquer polémica. Tal como a lei da liberalização do aborto é um dado adquirido em quase todos os países da União Europeia.

sábado, fevereiro 4

Cinco manias

1. Sou completamente obsessivo. Como quase todas as pessoas que arranjam um profissão em que se passa meses a pensar num problema. Se não forem obsessivas...

2. Salto regularmente de obsessão em obsessão. Ninguém está mais surpreendido do que eu por este blogue ainda existir.

3. Analiso os meus problemas com outras pessoas em termos essencialmente estatísticos. Se alguém faz algo de que não gosto uma vez por outra, não me preocupo sequer em obter uma explicação. Se acontece demasiadas vezes, não há explicação que se sobreponha à estatística.

4. Quando tenho um mal entendido com um amigo, não me preocupo em explicá-lo. Se a amizade for suficientemente forte, sobrevive. Senão, não valia a pena de qualquer maneira. Se me vierem pedir explicações, é provável que as dê.

5. Nunca joguei no totoloto, na lotaria, na roleta ou no euromilhões. Na Bolsa, já é outra história.

Esta cadeia foi-me enviada pela Maria da Conceição. Passo-a ao OMWO, ao Raiva, ao Lino, ao Calvin e à Sofia. E também para a Madi.

quinta-feira, fevereiro 2

The world according to George W

Bush explicou ao mundo qual era o obstáculo fundamental à resolução do conflito palestiniano: o senhor Yasser Arafat. Agora que se realizaram as primeiras eleições palestinianas pós Arafat, estão realizados os desejos de George W.

quarta-feira, fevereiro 1

É tão simples fazer um filme excepcional...

Barry Lyndon, de Stanley Kubrick, foi um dos filmes que mais me marcou. Tentei vê-lo uma segunda vez durante anos. Quando finalmente o consegui, já estava datado.
Allen Stewart Königsberg foi a Londres fazer o Barry Lyndon do século xxi. Quando era miúdo, dava pelo nome de Woody Allen.
Só um génio consegue reinventar-se aos setenta. Match Point!