quinta-feira, outubro 29

Demasiadas perguntas

Cada pergunta tem quatro respostas possíveis:

DD - discordo totalmente.
D - não concordo
C - concordo parcialmente.
CC - concordo totalmente.

O melhor é arranjarem um papel ou um ficheiro word e anotar as respostas juntamente com os asteriscos.
O resto das instruções estão no primeiro comentário.

I
  1. A minha vida satisfaz-me.
  2. Sinto-me à vontade quando encontro novas pessoas.
  3. Situações novas causam-me stress.*
  4. O meu trabalho não usa as minhas capacidades.*
  5. Tenho uma atitude positica para com o dinheiro.
  6. Não uso o meu tempo de forma eficiente.*
  7. Sou uma pessoa cheia de energia.
  8. Em geral encaro uma responsabilidade como sendo um fardo.*
  9. Não me sobra tempo para relaxar e divertir.*
  10. Normalmente atinjo os objectivos a que me proponho.

II
  1. Gosto de mim enquanto uma pessoa.
  2. Tenho (tinha) uma relação terna com os meus pais.
  3. Passo frequentemente por situações emocionais difíceis (tristeza/ansiedade/raiva/stress).*
  4. Sinto-me desconfortavel quando estou só.*
  5. Consigo manter um equilíbrio entre o tempo que dedico a mim próprio e o que dedico aos outros.
  6. Tenho dificuldades em concentrar-me e em pensar com clareza.*
  7. É-me facil demonstrar aos outros amor e afecto.
  8. Não estou satisfeito com as minhas relações pessoais.*
  9. Nunca sei exactamente o que estou a sentir.*
  10. Tenho uma boa relação com o meu corpo.
III
  1. Acho que sei o que é o melhor para mim.
  2. Sou capaz de exprimir a minha criatividade de várias maneiras diferentes.
  3. Não estou interessado no que se passa no meu inconsciente.*
  4. Não acredito em intuições ou em guias interiores.*
  5. Tenho uma visão positiva do meu futuro.
  6. Raramente dou atenção aos meus sonhos.*
  7. Acho que estou a crescer espiriritualmente e a desenvolver-me.
  8. Não me parece que o meu espírito possa ter um papel activo na recuperação dos meus problemas físicos ou psicologicos.*
  9. Tenho dificuldade de imaginar o que nunca experimentei.*
  10. Sinto frequentemente uma ligação à natureza.

IV
  1. Sinto a presença de algo mais poderoso do que eu (Deus/Dharma/Tao...).
  2. Cultivo o amor e a compaixão por tudo o que me rodeia.
  3. Nenhuma forma espiritualidade faz sentido para mim.*
  4. Não me parece que a minha existência tenha algum grande propósito.*
  5. É importante para mim que a minha vida tenha um impacto no Mundo.
  6. Não pratico qualquer forma de prática espiritual (meditação/contemplação/oração).*
  7. Realizo regularmente actividades que me ajudam a recuperar o equilíbrio emocional.
  8. Sou facilmente apanhado a realizar actividades superficiais ou a com preocupações do mesmo tipo.*
  9. Raramente me confronto com o significado das minhas experiencias de vida.*
  10. Quando tomo decisões sigo aquilo que me parece correcto de um ponto de vista espiritual.
Retirado daqui.

Agora clikem aqui e leiam os dois comentários.
Se publicar os resultados pode comprometer a acuidade das respostas, mais vale não publicar!

quarta-feira, outubro 28

O eixo do Mal

The American Academy of Family Physicians has announced a corporate sponsorship with Coca-Cola and is also accepting an undisclosed amount of money from them as well.
A AAFP assinou um acordo com a Coca Cola no sentido de lançar uma campanha para educar as crianças no uso adequado de bebidas não alcoolicas e adoçantes artificiais.

Não havia provas

Mas os indicios eram suficientes para compreender o que se passava. Agora temos a certeza.

quarta-feira, outubro 21

Algumas perguntas banais sobre o aquecimento global

Uns dizem que há, outros que não é bem assim. Quem tem razão? Como podemos saber quem tem razão? Podemos saber quem tem razão? Há por aí toda uma série de pessoas e empresas que promovem a ideia da existência do aquecimento global, porque têm bastante a lucrar com isso, ou porque usam essa ameaça como arma política para tentar converter as pessoas a um outro modo de vida. Podemos concluir daí que se trata de uma farsa? E se não for e o ignorarmos?

sexta-feira, outubro 16

O Astrologo e o Cientista


As manhãs e as tardes dos nossos canais generalistas estão desde há alguns anos ocupadas com programas de entretenimento para donas de casa que tentam imitar Oprah Winfrey, com um orçamento bem mais reduzido. Uma das lutas de galos baratinhas que eles gostam de organizar é colocar de um lado um ateu ou um cientista e do outro uma cartomante, um astrologo ou uma vidente. A variante astrologo versus cientista é a que corre pior para o representate da Razão. A posteriori, o cientista arranja boas explicações para o facto de a discussão não lhe ter corrido tão bem como ele esperava. A televisão é um meio de comunicação que não se presta muito bem à transmissão de mensagens complexas. As mais simplistas passam com mais facilidade e o astrologo está à partida em vantagem. Mas porque é que ele não pensou nisso antes de aceitar o convite?
O caso do astrologo é especialmente emblemático. A força gravítica dos planetas é demasiado fraca para ter qualquer efeito sobre as pessoas. Mesmo que assim não fosse, a precessão dos equinócios desactualizou todos os cálculos. O astrologo faz uma figura ridícula aos olhos do cientista.
Acontece que os cientistas são operários especializados, artesões que sabem produzir sapatos de alta qualidade. Normalmente não lhes sobra tempo para pensar em muito mais. Sobretudo não lhes sobra muito tempo para pensar em como funcionam as pessoas. É claro que estas palavras também se aplicam a mim.
Um bom astrologo passa a vida a pensar em como funcionam as pessoas. Os horoscopos são apenas um pretexto, um ponto de partida para começar uma consulta. O que se passa depois não sei. Não me atrevo a emitir opiniões sobre o que desconheço. Se a crença no determinismo dos astros pode agir como um placebo em favor dos objectivos do astrologo, que mal há nisso? Claro que o astrologo nunca o pode admitir. E alguns até acreditarão nos astros. Os advogados também acabam por acreditar nos clientes que defendem, mesmo quando há todas as razões para pensar o oposto.
Para muitos astrologos, o idiota é o cientista que supõe que o seu trabalho consiste em analisar cartas astrologicas. O idiota é o cientista que só conhece a dimensão racional de uma pessoa, ignorando tudo o resto. O astrologo age sobre o inconsciente das pessoas, algo em geral muito mais poderoso do que apelar à sua racionalidade. Numa disputa realizada fora das paredes de uma universidade o cientista dificilmente terá alguma hipótese. Nem alguma vez perceberá o que lhe aconteceu.

sábado, outubro 10

O Símbolo Perdido

É o novo livro de Dan Brown, o tipo do Código da Vinci. O techno-triller, criado por Michael Crichton e Tom Clancy, é um novo genre da literatura de suspense, caracterizada pelo extraordinário detalhe das discrições da tecnologia envolvida, o que de alguma forma compensa a menor riqueza com que são descritas as personagens e a relativa simplicidade do enredo. Os três últimos livros de Dan Brown contam a mesma história, personagens semelhantes representam os mesmos papeis, só variam os detalhes. Mas são esses detalhes que verdadeiramente interessam.
Brown começou por seguir as pegadas de Crichton. Em Anjos e Demónios criou um novo sub-genre. A tecnologia que invadiu as nossas vidas desde há um século é combinada com um conhecimento detalhado da forma como se expressaram ao longo dos tempos todos os medos e esperanças que povoam o nosso inconsciente desde há milénios. And thats when the big bucks started rolling in. Dois outros ingredientes contribuiram para o sucesso de vendas:
Toda a história se desenrola a um ritmo alucinante, normalmente em 24 horas. Esta ideia já foi tão copiada (ver a série 24, por exemplo) que agora Dan Brown reduziu para 12.
O ataque a uma instituição: o Vaticano em Anjos e Demónios, a Opus Day no codigo. Este último ingrediente perdeu-se. Os católicos não mordem por aí além. Não há por aí muitas outras instituições que de alguma forma ainda dêem a outra face. Dizia-se que este livro saíria pouco antes das eleições americanas do ano passado, referindo o papel da Skull and Bonnes nas eleições americanas. Brown percebeu que não era boa ideia atacar a família Bush e os falcões do partido republicano. Foi aí que perdeu a hipótese de repetir o impacto do Código.
Dito isto, o livro está cheio de pequenas pérolas, como a referência à ignorada ascensão aos céus de George Washington, pintada no tecto do Capitólio e a análise da gravura de Dürer reproduzida acima.

quarta-feira, outubro 7

Benfica Stars Fund: A aritmética segundo Luís Filipe Vieira

A SAD benfiquista anunciou esta terça-feira que subscreveu 15 por cento do valor total do "Benfica Stars Fund - Fundo Especial de Investimento Mobiliário Fechado", num investimento global de 6 milhões de euros.

Se a SAD investe, deve ser seguro...
Deixem lá ver se eu percebo este comunicado. Quem comprar unidades de participação do Benfica Stars Fund, compra direitos sobre futuras vendas dos passes de certos jogadores do Benfica. A quem pertencem actualmente esses passes? À SAD. O que significa subscrever 15% do fundo? Significa que a SAD comprou a si própria unidades de subscrição do fundo. Significa também que a SAD vendeu só 85% do valor nominal desses passe, qualquer coisa como 34 milhões de euros. Comprar 6 milhões de euros ou vender 34 não é exactamente a mesma coisa.

terça-feira, outubro 6

"Termos tecnicos": Violação e Recessão

O que é uma recessão? É um período durante a qual a economia se contrai. As vendas diminuem, os inventários começam a crescer, depois a produção diminui para se ajustar à procura e as ofertas de empregos começam por diminuir. Se a contracção continua, alguns trabalhadores vão parar ao desemprego.
Toda a contracção é uma recessão? Não. Existem efeitos sazonais. Em certos trimestres há mais actividade económica do que outros. Durante o verão o turismo estimula a actividade económica, em Dezembro temos o Natal. Para além do mais nessas alturas uma boa parte da população recebe um mês suplementar de salário e gasta boa parte dele.
Como se deveria então definir recessão? Um definição razoavel seria: estamos em recessão se durante dois trimestres consecutivos a actividade economica for inferior à actividade economica do mesmo semestre do ano anterior. É esse o fenomeno que mexe com os nossos bolsos e os nossos empregos.
Quando é que estamos em recessão tecnica? Quando a produção diminui em dois trimestres consecutivos. Só num período de crise extrema se produz menos no trimestre do Verão do que no trimestre da Primavera. O que permite a muitos primeiros ministros anunciar no fim de cada verão o fim da recessão tecnica. Já viram este filme?
Por outro lado, cada vez que caímos em recessão tecnica devemos estar descansados. Afinal não é uma recessão a sério, é só uma recessao tecnica. Uma technicality. Mas afinal, o que é uma recessão sem o qualificativo tecnico? Não está definido...
Se não temos palavra para o definir algo, é quase como se esse algo não existisse.

Polanski violou uma jovem de treze anos? O que quer dizer violou?
A palavra violação costuma ser usada quando existe sexo não consensual. Não foi o caso. A jovem em causa sempre o afirmou e continua a afirmar.
Não estou a dizer que Polanski não tenha cometido um crime e não deva ser punido. Só estou a referir que a palavra violação está a ser usada no seu sentido tecnico. Quem detem o poder também detem o poder de manipular a linguagem. E a palavra violação faz toda a diferença.
O caso Polanski é sobretudo um problema legal e não um problema moral ou um problema de direitos humanos. Qualquer um de nós arranjaria problemas legais gravíssimos se se comportasse na Arábia Saudita da forma como se comporta aqui. Pela minha parte tenho muitas duvidas sobre varias decisões ou não decisões dos tribunais portugueses. A justiça americana também não é exemplar em termos de direitos humanos. Pense cada um de nós o que quiser sobre o enquadramento legal do caso Polanski. Por mim, preferia deixar de fora os direitos humanos e a moral. Se vamos por aí, se há alguém a querer e poder invocar os direitos humanos neste caso, esse alguém até é o Polanski. A suposta violada já disse de sua justiça.

Depois de me chamarem a atenção sobre a história do crime cometido por Polansky, fiz uma busca pela internet. Trata-se efectivamente de uma violação. Espero que se faça justiça. Estamos sempre a aprender...

segunda-feira, outubro 5

A sobremesa

Durante dois anos Sócrates passou por ser um governante decidido e equilibrado. Depois começaram as gafes. Que aconteceu? A mudança pode ter tido alguma coisa a ver a saida de António Costa para a camara de Lisboa. Alguém que quase me merece o benefício da dúvida. Ele e Rui Rio são os únicos nomes com possibilidade de chegar a primeiro ministro a quem eu reconheço alguma capacidade para o cargo. Em Lisboa temos ainda a possibilidade de manter Santana Lopes a andar por aí. Já percebi que não podemos esperar mais do que isso, quando lidamos com ervas daninhas.
Felizmente não voto no concelho com mais licenciados do país. Tinha de decidir se votava ou não no sr. Isaltino.
Onde eu gostava mesmo de votar era em Almada. Contribuir para a não eleição de Paulo Pedroso, esse sim é um verdadeiro dever civico.

sexta-feira, outubro 2

Greg House 3


Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
ché la diritta via era smarrita.

Da nossa vida, em meio da jornada,
Achei-me numa selva tenebrosa,
Tendo perdido a verdadeira estrada.

Assim começa a Divina Comédia. Dante confessa-nos que ao atingir a meia idade se sentiu perdido. A vida deixou de fazer sentido. As lembranças das causas porque lutou, daquilo que construiu, só lhe deixam um travo amargo na boca. A vida não passa de um desespero tranquilo. O poema é simultaneamente a história da sua auto-cura, contada de forma alegórica, e o remédio que o curou.
Dante começa por encontrar Virgílio, o autor da Eneida, o poema épico que ele espera emular ao escrever a Divina Comédia. Virgílio conduz Dante através do Inferno, levando-o até ao Purgatório. Virgilio representa a razão, o lado intelectual de Dante, o grande responsável pela situação actual de Dante mas também a única força que o mantem inteiro. Visitar o Inferno é ganhar consciencia total da sua situação. Dante está a viver o Inferno na Terra. É esse o primeiro passo da sua viagem interior.
Virgílio conduz Dante até às portas do Purgatório, onde Beatriz o espera. Dante apaixonou-se por Beatrice Portinari aos nove anos, tinha ela oito. Viu-a meia dúzia de vezes durante toda a sua vida. Beatriz casou aos vinte e um e morreu de peste aos vinte e quatro. Dante dedicou-lhe todos os seus poemas mais importantes e nunca a esqueceu. É através do seu lado feminino que um homem se relaciona com o seu inconsciente e produz trabalho criativo. Por isso se fala da musa inspiradora. Muitas vezes esse lado feminino ganha uma representação mais concreta. A musa ganha um rosto.
Beatriz conduz Dante através do Purgatório, ajudando-o a reencontrar o seu caminho. É aí que começa a Purga. Finalmente atingem o Céu, o extase momentaneo associado ao alivio de recuperar o sentido da vida.

House é a história da mid life crisis de Greg House, MD. Greg já completou a sua travessia do inferno e encontra agora a sua Beatriz, personificada em Amber, a ex-namorada do seu amigo James Wilson, morta num acidente. Cada um tem a musa que merece e Amber é bem diferente da doce Beatriz. Cada tipo de obra de arte tem as suas convenções. Nós vemos Amber em carne e osso, uma imagem bem definida. Não podia ser de outra forma. Não significa isso que seria assim que o House a sentia. Seria mais razoavel que o lado feminino de House se manifestasse através de uma voz interior e de uma sensação de presença indefinida.
House lida mal com o aparecimento do seu lado feminino. Pergunta-se se estará louco. O aparecimento de Amber é o ingrediente fundamental do gran finale da quinta série. Estou mais ou menos seguro que a sexta série vai começar com House de volta ao hospital, uns meses mais tarde. Vai ser curioso ver como a série evolui. Num one hour drama algo muda para que tudo fique na mesma. Mesmo na Divina Comédia, o Inferno é bem mais interessante do que o paraíso. Os autores não se podem dar ao luxo de deixar que House ultrapasse a crise da meia idade.
Convem no entanto salientar que o aparecimento de Amber faz bem mais sentido do que muitas outras leviandades que encontramos nos one hour dramas. É por isso que House é diferente.

House 1
House 2

quinta-feira, outubro 1

quarta-feira, setembro 30

Desta vez deu Cavaco

O homem irrita-me. Sempre me irritou. Para meu grande espanto, dei por mim a pensar antes das últimas presidenciais: espero que o Cavaco ganhe à primeira volta, senão ainda vou ter de votar nele. Lá por isso o homem continuou a irritar-me. Depois veio o estatuto dos Açores. Todos os partidos desceram até à mais rasteira das demagogias. Só Cavaco disse o que tinha de ser dito. Estas eleições o PS ultrapassou todos os limites da manipulação. Deu resultado. As pessoas até se esqueceram de como será dificil a Sócrates governar em minoria. Bastará que o PCP e o Bloco se abstenham para que o voto conjunto do CDS e do PSD derrote o PS. O PS só terá hipoteses de chegar ao fim da legislatura com um presidente da mesma cor. Sócrates sabe-o e provocou Cavaco. Cavaco mordeu o isco. Resta saber se Sócrates tem arcaboiço para pescar em aguas profundas.
Muitos acusaram Sócrates de muitas coisas. Algumas das acusações, embora não decisivas, estão provadas para lá de toda a dúvida. Quando o presidente se junta ao coro, muitos mais deixarão de ignorar que algo está podre no reino da Dinamarca.

Cavaco conquistou a sua primeira maioria absoluta devido ao seu especial talento para irritar Vitor Constancio, lider do PS à altura, levando-o a avançar para uma moção de censura suicida. Seria irónico que quem pela irritação matou pela irritação morra. Se Cavaco perder as eleições retira-se da política com um gosto amargo na boca, mas será apenas um epsilon na sua carreira política. Outros terão muito mais a perder.

Numa disputa entre o presidente e um partido sem maioria absoluta ninguém dúvida quem é que está em desvantagem. Quando essa disputa nos leva a comparar a integridade de dois homens, a quem é que nós compraríamos um carro usado? A intervenção de Cavaco pode ter sido desajeitada. Pela minha parte acho que a indignação de um homem honrado perante a perfídia vigente é altamente refrescante.
De momento estão todos contra Cavaco. Um ano em política é uma eternidade e o tempo joga a favor do presidente. Quem se desgasta todos os dias é o governo. Não sei quantos portugueses se sentiriam descansados com um governo Sócrates não vigiado. Vamos ter um ano bem interessante.
Quando surgiram problemas no final do primeiro mandato, todos os presidentes assobiaram para o lado. Cavaco não o fez. A sua coragem pode até vir a custar-lhe o segundo mandato. Mas terá certamente o meu voto.

domingo, setembro 27

Matemática Ilegal

584201=733 x 797 ? Parece que sim.
Mas cuidado, quando decompuserem um número nos seus factores primos podem estar a cometer uma ilegalidade.

sábado, setembro 26

Uma das mil razões porque eu não voto PS

Dentro em breve os jovens com dificuldades de aprendizagem vão passar a ser tratados condignamente pelo estado português. Até agora era-lhes negado o direito a estar numa aula com alunos normais, a viver a vida em sociedade. Essa injustiça tem os seus dias contados. Estou a falar de jovens com problemas leves mas também de autistas (e estava a ser ironico, caso não tenham reparado). Por acaso até parece que a maioria dos pais dessas crianças nem estão nada interessados no fim desta discriminação, antes pelo contrário. Esta medida humanitária tem ainda a vantagem de aliviar os cofres do estado. Se os pais não entendem as vantagens inerentes a este novo direito, eles que paguem do bolso deles para ter os seus filhos educados à parte.
O efeito desta medida sobre a qualidade do ensino só não é obvia para aqueles que são bem piores do que os cegos, porque não querem ver. Em tempos a escola pública permitia a um jovem inteligente proveniente de uma família sem grandes recursos económicos ou culturais ter as oportunidades que os seus pais não tiveram. Se hoje já não podemos dizer o mesmo, pior é sempre possível.
Só um país rico pode dar aos seus cidadãos mais desfavorecidos pela biologia a possibilidade de minorarem os handicaps com que nasceram. Os recursos são finitos. Portugal até é um país relativamente rico à escala mundial, mas está a empobrecer. A maior riqueza de um país é a educação dos seus cidadãos. Não é um tema com que se brinque ou com que se façam experiencias caprichosas. No fim são sempre os mais desfavorecidos a pagar a factura.

domingo, setembro 20

Como aprendemos, como comunicamos, como armazenamos informação?


Espreitem isto. Aprendi muito sobre como é que comunicava com as pessoas quando fiz um teste deste género. Qual é o vosso tipo?

terça-feira, setembro 15

O dever cívico

Suponhamos que era nosso dever cívico votar. Então tínhamos direito a exprimir a nossa opinião. Podíamos votar negro, o voto dos que não se sentem representados. O voto branco? Nada distingue quem vota em branco de quem coloca o cruzinha fora do sítio por displicencia ou imbecilidade. É claro que nenhum político quer que o eleitor possa manifestar-se contra o sistema. Os políticos formam uma casta mais ou menos fechada. A sua alternância e eventual sacrifício de um dos seus membros pouco mais é do que a ilusão que mantem a casta no poder.
À falta de melhor, esqueçamos a treta do dever cívico: o voto é um direito lúdico. Por exemplo: imaginem qual foi o prazer que me deu ver a cara do João Soares quando eu votei no Santana Lopes. O homem bem se queixou dos votos da esquerda que foram indevidamente parar ao Santana. Seria meu dever cívico votar nele? É verdade que eu não podia sonhar quanto é que me custaria a brincadeira. Como também não sei qual seria a conta que o João me apresentaria, mais vale lembrar-me que o consulado do Santana foi o mais divertido de sempre.
Azar, azar é a Manuela não ter graça nenhuma. Mas a cara do Pedro quinze dias depois, sempre pode equilibrar as coisas. Votar é um assunto sério? Votei no Socrates para tirar o país da bancarrota. Para depois ele nos endividar outra vez com aeroportos, TGV's para o Porto, BPN's e BPP's, rebentar com a educação e com a justiça. Não vale a pena chorar. As coisas sempre foram mais ou menos assim, e lá temos sobrevivido. Na dúvida, mais vale rir.

domingo, setembro 13

Mecanismos

Se se faz um teste a meio do semestre, vamos aceitar que vão ao teste alunos que tenham faltado a mais de 20% das aulas? Será que devemos antes colocar a fasquia nos 10%? Se nos decidirmos pelos 25%, um professor deverá ter liberdades para aceitar um aluno que tenha faltado a 26,3% das aulas? Haverá mesmo necessidade de deliberar colectivamente sobre estes temas e uniformizar tudo? Até ao mínimo detalhe? Que convicções destinguem um apoiante dos 20% de alguém que prefira os 25? Não podem ser assim tão profundas. Que leva algumas pessoas a baterem-se pela imposição destas regras?
Quais são as semelhanças e as diferenças entre estas questões e outras bem mais mediáticas, do tipo: Só se pode chamar casamento a uma união entre pessoas de sexos diferentes? Só se pode morrer de uma forma? Suicídio e eutanásia são crimes? Alguém pode decidir por nós sobre fazer um aborto? As touradas devem ser proibidas por toda a parte?
Dirão alguns que neste segundo caso estão em jogo convicções profundas.
No primeiro caso, quais são as motivações das pessoas? Basta ouvir as suas justificações. Se todos usarmos a mesma bitola, não podemos ser postos em causa pelos estudantes, os responsáveis das licenciaturas, o conselho pedagógico. Não temos de nos preocupar com os assuntos, não temos de pensar neles, não somos responsáveis. Era assim que funcionava a sociedade algumas gerações atrás. Em muitos países do mundo as pessoas continuam a não se perguntar se são felizes no casamento, se realmente fazem ou não sentido para elas toda uma série de rituais /obrigações que repetem/cumprem sem verdadeiramente os sentir, se estão realmente a fazer da sua vida aquilo que queriam fazer. Na nossa sociedade, a liberdade criou-nos a ansiedade da escolha. Ainda não aprendemos a lidar com ela.
Tenho dúvidas que os mecanismos que levam alguns de nós a querer decidir por mim como posso casar, ter filhos ou morrer, sejam muito diferentes dos mecanismos que levam outros de nós a querer decidir por mim que número é mais bonito: o 15, o 20 ou o 25?