terça-feira, maio 16
A nova lei sobre o aborto na Colombia e o JOGO
Já aqui afirmei várias vezes que me parece que questões como o aborto são muitas vezes tratadas pelos dois lados como se fossem um jogo. O que conta é não perder terreno, ou avançar um pouco mais. A Colombia criou finalmente uma lei semelhante à nossa acerca do aborto. Passa-se a poder abortar em hospitais públicos no caso de malformações do feto, violação, etc. A igreja católica colombiana está profundamente indignada por este atentado contra a vida. Estão preocupados com a Vida, ou com o Jogo?
A situação é mais clara do lado da igreja católica, porque esta é uma organização internacional que devia ter standarts a nivel planetário. O única politica mundial que o Vaticano parece ter em relação às leis sobre o aborto é retardá-las o mais possivel, sem olhar a mais nada.
Volto a perguntar a todos os católicos praticantes que passam por aqui: se vivessem em Espanha, França, Alemanha, Suécia, os tais países que tomamos por modelo, estavam contra as leis do aborto vigentes nesse país? Ou aceitavam-nas como fazem os católicos e as próprias hierarquias da igreja desses paises? Então porque não apoiam o estabelecimento neste país de leis semelhantes às que existem por toda a Europa a proposito do aborto?
Estão a deixar-se usar como peões do tal Jogo?
A situação é mais clara do lado da igreja católica, porque esta é uma organização internacional que devia ter standarts a nivel planetário. O única politica mundial que o Vaticano parece ter em relação às leis sobre o aborto é retardá-las o mais possivel, sem olhar a mais nada.
Volto a perguntar a todos os católicos praticantes que passam por aqui: se vivessem em Espanha, França, Alemanha, Suécia, os tais países que tomamos por modelo, estavam contra as leis do aborto vigentes nesse país? Ou aceitavam-nas como fazem os católicos e as próprias hierarquias da igreja desses paises? Então porque não apoiam o estabelecimento neste país de leis semelhantes às que existem por toda a Europa a proposito do aborto?
Estão a deixar-se usar como peões do tal Jogo?
Correlação versus causalidade 2

Analisemos então o estudo "científico". O estudo mostra uma correlação entre praticar yoga e perder peso. As pessoas que praticam yoga perderam mais peso ou ganharam menos do que os que não praticam yoga. Os investigadores acham que podem daí inferir uma relação de causalidade. A relação de causalidade que lhes apetece inferir é que praticar yoga faz perder peso.
A causalidade é uma noção muito mais subtil do que parece. Basta ver a discussão entre o OMWO e o /me no post Vanitas. O assunto tem consequências inclusivamente a nível religioso. Como bom católico, o /me acredita no livre arbitrio. Martinho Lutero alinhava na equipa do OMWO, se bem me lembro.
A correlação não chega para garantir causalidade. Convinha no mínimo apresentar um mecanismo que explique a causalidade. A perda de calorias resultante do yoga não é em geral suficiente para garantir que se perca peso. O yoga predisporia as pessoas a ter mais cuidado com a alimentação. Aceito a explicação, mas é um pouco fraca. Especialmente porque há outras relações de causalidade que apresentam explicações mais plausiveis para a correlação: muitas pessoas começam a praticar yoga porque decidiram mudar o seu estilo de vida. Tomaram uma série de decisões com o fazer yoga, ter cuidado com a alimentação, fazer uns passeios a pé...
Uma das formas mais normais de explicar uma correlação entre dois fenómenos é terem uma causa comum. Este tipo de causalidade é sistematicamente esquecido.
O artigo tem muitos outros pontos fracos. As estatisticas baseiam-se em entrevistas! Não se pode basear um estudo sério em entrevistas...
O artigo teve difusão porque as conclusões eram simpaticas. Esta situação acontece repetidamente. As pessoas tomam muitas vezes decisões que afectam seriamente as suas vidas e a sua carteira com base em relapsias deste tipo. As instituições e os governos fazem o mesmo. Dá muito trabalho pensar.
Este post é um exemplo do grau zero dos exercicios de logica avançados de que falava o OMWO nos comentários ao post O mercado e a vida. Um tema muito chato, sem dúvida.
PS: Não acho que os matemáticos ou os cientistas em geral pensem muito melhor fora do assunto em que se especializaram do as outras pessoas. A disciplina de pensamento de que falo está muito mais ligada à nossa forma de encarar a vida do que a qualquer outra coisa.
A causalidade é uma noção muito mais subtil do que parece. Basta ver a discussão entre o OMWO e o /me no post Vanitas. O assunto tem consequências inclusivamente a nível religioso. Como bom católico, o /me acredita no livre arbitrio. Martinho Lutero alinhava na equipa do OMWO, se bem me lembro.
A correlação não chega para garantir causalidade. Convinha no mínimo apresentar um mecanismo que explique a causalidade. A perda de calorias resultante do yoga não é em geral suficiente para garantir que se perca peso. O yoga predisporia as pessoas a ter mais cuidado com a alimentação. Aceito a explicação, mas é um pouco fraca. Especialmente porque há outras relações de causalidade que apresentam explicações mais plausiveis para a correlação: muitas pessoas começam a praticar yoga porque decidiram mudar o seu estilo de vida. Tomaram uma série de decisões com o fazer yoga, ter cuidado com a alimentação, fazer uns passeios a pé...
Uma das formas mais normais de explicar uma correlação entre dois fenómenos é terem uma causa comum. Este tipo de causalidade é sistematicamente esquecido.
O artigo tem muitos outros pontos fracos. As estatisticas baseiam-se em entrevistas! Não se pode basear um estudo sério em entrevistas...
O artigo teve difusão porque as conclusões eram simpaticas. Esta situação acontece repetidamente. As pessoas tomam muitas vezes decisões que afectam seriamente as suas vidas e a sua carteira com base em relapsias deste tipo. As instituições e os governos fazem o mesmo. Dá muito trabalho pensar.
Este post é um exemplo do grau zero dos exercicios de logica avançados de que falava o OMWO nos comentários ao post O mercado e a vida. Um tema muito chato, sem dúvida.
PS: Não acho que os matemáticos ou os cientistas em geral pensem muito melhor fora do assunto em que se especializaram do as outras pessoas. A disciplina de pensamento de que falo está muito mais ligada à nossa forma de encarar a vida do que a qualquer outra coisa.
segunda-feira, maio 15
Correlação versus causalidade 1
Um grupo investigadores do Fred Hutchinson Cancer Research Center em Seattle analisou o impacto da prática do Yoga na perda de peso. Foi publicado no número de Julho/Agosto do ano passado da revista cientifica Alternative Therapies in Health and Medicine. O inquerito feito pelos investigadores mostra que o peso das pessoas que praticam yoga se comporta melhor do que o peso da média da população. Concluiram que o yoga se revelou um excelente instrumento para perder peso para as pessoas na faixa dos 45-55 anos de idade. O estudo foi citado por muitos jornais e recomendado pelo site do equivalente americano do nosso Ministério da Saúde. Segundo esta página web os especialistas consideram que o yoga pode ajudar a mudar os hábitos das pessoas, fazendo-as perder peso.
Se conhecesse alguém nesta faixa de idade que quisesse perder peso, aconselhava-a a fazer yoga com base neste estudo? Porquê?
Este post tem pouco a ver com yoga ou dietas.
domingo, maio 14
Vanitas vanitatum et omnia vanitas
De que nos podemos orgulhar?
De termos nascido ricos? De estarmos bonitos? (não dura sempre) De sermos inteligentes? (dura mais) Da nossa personalidade?
Ter orgulho em ter nascido rico está fora de moda. Pelo menos quando é afirmado em público. Mas há outras razões para não ter orgulho em tal coisa: não nos assiste nenhum mérito nisso. Ter orgulho em estar bonito também não pode ser apregoado aos sete ventos. Embora sejam dois atributos muito úteis, sem dúvida. Ter orgulho em ser inteligente também começa a ser complicado. O /me já não cai nessa. Concessão ao politicamente correcto?
Se não há motivos para nos orgulharmos da nossa herança económica, porque haverá motivos para nos orgulharmos da nossa herança genética? Qual é o nosso mérito em termos os genes que temos? Se fizermos uma campeonato a jogar ao cara ou coroa, é provável que o vencedor tenha alguma vaidade na sua vitória. Vaidade provem do latim vanitas, que significa vazio.
Podemos orgulhar-nos de algumas decisões que tomamos? Do nosso espaço de livre arbítrio. Acho dificil distinguir o livre arbítrio do resto? Quando se começa a escarafunchar as coisas...
Será que precisamos mesmo de ter orgulho naquilo que somos?
De termos nascido ricos? De estarmos bonitos? (não dura sempre) De sermos inteligentes? (dura mais) Da nossa personalidade?
Ter orgulho em ter nascido rico está fora de moda. Pelo menos quando é afirmado em público. Mas há outras razões para não ter orgulho em tal coisa: não nos assiste nenhum mérito nisso. Ter orgulho em estar bonito também não pode ser apregoado aos sete ventos. Embora sejam dois atributos muito úteis, sem dúvida. Ter orgulho em ser inteligente também começa a ser complicado. O /me já não cai nessa. Concessão ao politicamente correcto?
Se não há motivos para nos orgulharmos da nossa herança económica, porque haverá motivos para nos orgulharmos da nossa herança genética? Qual é o nosso mérito em termos os genes que temos? Se fizermos uma campeonato a jogar ao cara ou coroa, é provável que o vencedor tenha alguma vaidade na sua vitória. Vaidade provem do latim vanitas, que significa vazio.
Podemos orgulhar-nos de algumas decisões que tomamos? Do nosso espaço de livre arbítrio. Acho dificil distinguir o livre arbítrio do resto? Quando se começa a escarafunchar as coisas...
Será que precisamos mesmo de ter orgulho naquilo que somos?
sábado, maio 13
Mergers & acquisitions
Quando à crise, nada como juntar várias empresas para conseguir sobreviver através das economias de escala. Não sei se foi algo assim que levou à criação do Lugar Comum. Haverá realmente uma crise na blogosfera portuguesa? Ou há apenas alguns bloggers que deixaram de procurar novos blogs e se surpreendem pelo desaparecimento ou baixa de produção de muitos dos que conheciam? Eu sou um deles.
Haverá espaço para os blogs que fazem um post por semana? Penso que sim, especialmente se aqueles que se cansam de visitar os seus blogs favoritos sem encontrar posts novos criarem um kinja.
O kinja acaba com o caracter utilitário da barra lateral onde se anunciam outros blogs. Esta barra passa a ser um instrumento político. Que podemos até omitir. Omissão essa que também é uma afirmação política.
Haverá espaço para os blogs que fazem um post por semana? Penso que sim, especialmente se aqueles que se cansam de visitar os seus blogs favoritos sem encontrar posts novos criarem um kinja.
O kinja acaba com o caracter utilitário da barra lateral onde se anunciam outros blogs. Esta barra passa a ser um instrumento político. Que podemos até omitir. Omissão essa que também é uma afirmação política.
quarta-feira, maio 10
O mercado e a vida
É possível portanto determinar o preço que na pratica uma sociedade atribui a uma vida humana. Mas não é disso que estavamos a falar, dirão alguns. Estamos a falar do valor intrinseco de uma vida humana.
Qual é o valor intrinseco de uma escova de dentes?
Marx procurou determiná-lo na primeira parte d'O Capital, onde analisa a teoria do valor. O valor intrinseco da escova de dentes é a quantidade de trabalho que se gastou na produção da escova. É hoje claro para quem se debruçou sobre o assunto que não existem forma de dar um sentido a essa quantidade de trabalho. O valor da escova de dentes é aquele que lhe é atribuido pelo mercado. Mercado = processo de interecção social que determina o valor dos bens.
À escova, tal como à vida humana, não se podem atribuir valores absolutos.
Desta vez Marx e a Igreja Católica estão de acordo.
quinta-feira, abril 27
Vipassana
Um dia destes tenho de experimentar o curso introdutório de meditação Vipassana: dez dias, dez horas por dia. Todas as pessoas que conheço que já experimentaram, querem voltar a repetir a experiência. Só se pode falar com os outros no último dia. Toda a gente diz que os problemas só começam nesse dia. O pecado original é o Verbo...
Ao contrário do que eu pensava, até nem é preciso ir a Barcelona para experimentar este tipo de meditação. Basta ir aqui.
Ao contrário do que eu pensava, até nem é preciso ir a Barcelona para experimentar este tipo de meditação. Basta ir aqui.
Agora que acabei com o blog
Sinto-me mais à vontade para escrever qualquer coisa, só quando me apetecer.
domingo, abril 16
Parece que acabou...
Nestas coisas é sempre dificil dizer, mas parece-me que este blogue acabou. Agradeço a todos os que passaram por aqui.
sábado, abril 1
quinta-feira, março 23
quinta-feira, março 16
O canto do pássaro
quarta-feira, março 15
Uma lenda judia
Os judeus de uma aldeia russa esperavam avidamente a chegada de um rabi particularmente sábio. Era um acontecimento raro. Eles gastaram muito tempo a a preparar as perguntas que lhe iam fazer.
Quando o rabi chegou, sentiu demasiada tensão no ar. Olhou-os nos olhos e começou a murmurar uma melodia. Todos o acompanharam. Depois começou cantar e todos cantaram. Levantou-se e executou alguns passos solenes. Todos o seguiram. Finalmente todos se absorveram na dança, ignorando tudo o resto. Todos se uniram num só, ultrapassando as suas diferenças. Foi assim sarada a divisão que os separava da verdade.
Ao fim de uma hora a dança acalmou e finalmente todos se voltaram a sentar. O rabi disse então as únicas palavras da noite. Espero ter respondido a todas as vossas perguntas.
Quando o rabi chegou, sentiu demasiada tensão no ar. Olhou-os nos olhos e começou a murmurar uma melodia. Todos o acompanharam. Depois começou cantar e todos cantaram. Levantou-se e executou alguns passos solenes. Todos o seguiram. Finalmente todos se absorveram na dança, ignorando tudo o resto. Todos se uniram num só, ultrapassando as suas diferenças. Foi assim sarada a divisão que os separava da verdade.
Ao fim de uma hora a dança acalmou e finalmente todos se voltaram a sentar. O rabi disse então as únicas palavras da noite. Espero ter respondido a todas as vossas perguntas.
A. Mello
Uma dança muçulmana
Porque é que um dervishe venera Deus através da dança?
Venerar significa deixar morrer o ego.
Dançar mata o ego.
Quando o ego morre, os problemas morrem com ele.
Onde o ego não está, o amor está, Deus está.
Já ouviram rezar e disseram rezas, vejam agora uma:
Venerar significa deixar morrer o ego.
Dançar mata o ego.
Quando o ego morre, os problemas morrem com ele.
Onde o ego não está, o amor está, Deus está.
Já ouviram rezar e disseram rezas, vejam agora uma:

A. Mello
terça-feira, março 14
Acordar

A espiritualidade tem a ver essencialmente com estar acordado. A maior parte das pessoas não sabe que está sempre a dormir. Nasceram a dormir, vivem a dormir, casam a dormir, criam os seus filhos a dormir, morrem sem nunca acordar. Nunca compreenderam o encanto e a beleza daquilo a que chamamos a existência humana. Todos os misticos, cristãos e não cristãos, estão de acordo: tudo está bem, tudo está bem! Embora tudo esteja mal, tudo está bem. Um paradoxo estranho, sem dúvida. Tragicamente, muitos nunca reparam que tudo está bem, porque estão a dormir. Estão a viver um pesadelo.
Outro dia ouvi a história de um pai que bate à porta do quarto do filho.
Jaime, acorda!
- Não me quero levantar!
Levanta-te, tens de ir para a escola.
- Não quero ir à escola.
Porquê?
- Por três razões: primeiro é chato, segundo, os miudos gozam comigo, terceiro, odeio a escola.
Então eu dou-te três razões para ires à escola: primeira: é o teu dever, segundo, tens quarenta e cinco anos, terceiro, és o Director.
Acorda. Já cresceste. Pára de te entreter com os teus brinquedos!
Muitas pessoas dizem que querem abandonar o jardim-escola. Não acreditem! O que eles querem é consertar os seus brinquedos partidos. Dêem-me a minha mulher de volta! Dêem-me o meu emprego de volta! Dêem-me a minha reputação de volta! O meu sucesso! É isto que eles querem: os brinquedos de volta. Os médicos e os psicólogos sabem muito bem o que as pessoas querem: querem o Alívio. A Cura, essa é dolorosa.
Outro dia ouvi a história de um pai que bate à porta do quarto do filho.
Jaime, acorda!
- Não me quero levantar!
Levanta-te, tens de ir para a escola.
- Não quero ir à escola.
Porquê?
- Por três razões: primeiro é chato, segundo, os miudos gozam comigo, terceiro, odeio a escola.
Então eu dou-te três razões para ires à escola: primeira: é o teu dever, segundo, tens quarenta e cinco anos, terceiro, és o Director.
Acorda. Já cresceste. Pára de te entreter com os teus brinquedos!
Muitas pessoas dizem que querem abandonar o jardim-escola. Não acreditem! O que eles querem é consertar os seus brinquedos partidos. Dêem-me a minha mulher de volta! Dêem-me o meu emprego de volta! Dêem-me a minha reputação de volta! O meu sucesso! É isto que eles querem: os brinquedos de volta. Os médicos e os psicólogos sabem muito bem o que as pessoas querem: querem o Alívio. A Cura, essa é dolorosa.
Anthony de Mello
Um jesuíta polémico
O Padre jesuíta Anthony de Mello nasceu em Goa em 1931. Dedicou-se à psicoterapia, orientou um grande número de retiros espirituais e escreveu mais de uma dezena de livros.
Em 1988, um ano depois da sua morte, foi "canonizado" pelo cardeal Ratzinger. Eu dificilmente lhe faria um maior elogio.
Podia ter escolhido um jesuíta menos polémico, mas a verdade é que não convém eu deixar o meu lado irreverente adormecido durante demasiado tempo. Apenas escrevi este post para que alguns dos frequentadores do blogue não deixem aqui um comentário de que se possam arrepender.
Parece que o Padre Mello afirmou que
Pensar que o Deus da própria religião é o único, é puro fanatismo.
Trata-se de uma questão que obviamente não me diz respeito. Mas, se existe o deus dos cristãos, não existirá o deus dos judeus? Será o mesmo? e o Deus dos muçulmanos. Não existe?
Nunca percebi porque é que alguns sportinguistas não querem que o Benfica ganhe ao Barcelona. Mas, em questões clubísticas, também sou ateu.
Em 1988, um ano depois da sua morte, foi "canonizado" pelo cardeal Ratzinger. Eu dificilmente lhe faria um maior elogio.
Podia ter escolhido um jesuíta menos polémico, mas a verdade é que não convém eu deixar o meu lado irreverente adormecido durante demasiado tempo. Apenas escrevi este post para que alguns dos frequentadores do blogue não deixem aqui um comentário de que se possam arrepender.
Parece que o Padre Mello afirmou que
Pensar que o Deus da própria religião é o único, é puro fanatismo.
Trata-se de uma questão que obviamente não me diz respeito. Mas, se existe o deus dos cristãos, não existirá o deus dos judeus? Será o mesmo? e o Deus dos muçulmanos. Não existe?
Nunca percebi porque é que alguns sportinguistas não querem que o Benfica ganhe ao Barcelona. Mas, em questões clubísticas, também sou ateu.
segunda-feira, março 13
O tempo do corpo?

Duas gerações atrás não havia transportes públicos. Era normal uma pessoa fazer uma dúzia de quilómetros a pé por dia só para ir trabalhar. Essa caminhada proporcionava ao caminhante um momento de meditação. O efeito calmante desta actividade equipara-se a uma dose de Prozac, sem efeitos secundários.
No tempo da segunda guerra mundial, e não só, a comida não abundava. O que se poupava na Quaresma, ajudava a celebrar melhor a Páscoa. O jejum, nem sempre voluntário, era uma oportunidade de renovação espiritual. Usávamos o corpo todos os dias.
No dia em que passei a ter um carro só para mim, perdi um pouco mais de contacto com o meu corpo. Para o recuperar, tive de pagar bem caro para andar na passadeira do Health Club os quilómetros que deixei de andar a pé.
Não será a explosão de corporeidade de que fala o Manuel a soma das diversas tentativas de evitar os efeitos nefastos da diminuição da nossa actividade corporal no dia a dia? Esta diminuição levanta também novos problemas de natureza religiosa. É necessário encontrar formas alternativas de utilizar o corpo que nos ajudem a manter o equilíbrio espiritual.
Quando se tem de lutar pela sobrevivência, muita coisa é clara. Quando já não temos de o fazer, a vida complica-se sobremaneira. Até é preciso descobrir-lhe um sentido!
Muitos grupos religiosos descobriram que unir as palmas das mãos ajuda a atingir uma certa paz interior. O cristianismo também. Mas este acto é apenas o grau zero da interacção corpo-espírito.
Alguns grupos protestantes redescobriram a longa experiência do Zen nestas questões. Dentro da igreja católica quase só os jesuitas, herdeiros dos exercícios de Loyola, lhe dão a importância que merecem. Vale a pena que nos debrucemos um pouco mais sobre elas. Fica para breve.
No tempo da segunda guerra mundial, e não só, a comida não abundava. O que se poupava na Quaresma, ajudava a celebrar melhor a Páscoa. O jejum, nem sempre voluntário, era uma oportunidade de renovação espiritual. Usávamos o corpo todos os dias.
No dia em que passei a ter um carro só para mim, perdi um pouco mais de contacto com o meu corpo. Para o recuperar, tive de pagar bem caro para andar na passadeira do Health Club os quilómetros que deixei de andar a pé.
Não será a explosão de corporeidade de que fala o Manuel a soma das diversas tentativas de evitar os efeitos nefastos da diminuição da nossa actividade corporal no dia a dia? Esta diminuição levanta também novos problemas de natureza religiosa. É necessário encontrar formas alternativas de utilizar o corpo que nos ajudem a manter o equilíbrio espiritual.
Quando se tem de lutar pela sobrevivência, muita coisa é clara. Quando já não temos de o fazer, a vida complica-se sobremaneira. Até é preciso descobrir-lhe um sentido!
Muitos grupos religiosos descobriram que unir as palmas das mãos ajuda a atingir uma certa paz interior. O cristianismo também. Mas este acto é apenas o grau zero da interacção corpo-espírito.
Alguns grupos protestantes redescobriram a longa experiência do Zen nestas questões. Dentro da igreja católica quase só os jesuitas, herdeiros dos exercícios de Loyola, lhe dão a importância que merecem. Vale a pena que nos debrucemos um pouco mais sobre elas. Fica para breve.
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