domingo, março 12
sábado, março 11
O ritmo

Manter um blogue passa por ganhar um ritmo. O ritmo do número de posts que escrevemos por semana. Um ritmo respiratório: suspensão do sentido crítico, recuperação da capacidade de auto crítica. Um blogue é ao mesmo tempo tão efémero como um jornal tabloide e tão eterno quanto a saúde económica do Google. Com a baixa constante da memória dos servidores, arriscamosmo-nos a permanecer na blogosfera para além do fim das nossas vidas.
Normalmente começamos muito depressa. Queremos ganhar público. Ter um blogue de competição. Ser quase famosos, embora incógnitos. Depois percebemos que o melhor é ter juízo. Afinal, ainda existe vida fora da blogosfera. Vem a primeira pausa e com ela um reajustar dos ritmos de publicação (e do nosso sentido crítico).
Alguns não querem desistir da corrida e querem passar a fazer parte de uma estafeta. Arranjamos mais uns tipos e assim fazemos um blogue do caraças. As dinâmicas de grupo são complicadas. Muitas vezes correm todos ao mesmo tempo e depois tiram todos férias na mesma semana. O blogue oscila entre entupido e vazio. Já é bom se não andam à pancada. O que até pode ser uma actividade bem salutar.
Depois descobre-se que o melhor de tudo são as pessoas. Vale a pena manter o blogue para furar as duas ou três crisalidas onde vivemos, cheias de pessoas que pensam mais ou menos como nós. Mantemos o blogue para ir falando com os novos amigos blogosféricos, muitos dos quais só conhecemos pelo nick.
De vez em quando mais um blogue se fina. E o outro que parecia ter acabado, volta a actividade. Continuo surpreendido por este blogue ainda existir. Quando diminui a velocidade de publicação, desafinei o ritmo.Vamos a ver se o recuperei outra vez.
A semana passada coloquei o meu primeiro comentário no Espectro. Já não vale apena colocar um link porque entretanto se finou. Não percebia a ritmo frenético de publicação do VPV e da CCS. Porque é que alguém há-de fazer cinco posts por dia à borla, quando costuma fazer um por dia, sendo pago por isso? Quando fiz o primeiro comentário, alguém tinha acabado de referir que o Espectro tinha batido pela primeira vez as audiências do Abrupto. Bem, já podem fechar a loja, pensei eu. Não durou nem vinte e quatro horas.
Normalmente começamos muito depressa. Queremos ganhar público. Ter um blogue de competição. Ser quase famosos, embora incógnitos. Depois percebemos que o melhor é ter juízo. Afinal, ainda existe vida fora da blogosfera. Vem a primeira pausa e com ela um reajustar dos ritmos de publicação (e do nosso sentido crítico).
Alguns não querem desistir da corrida e querem passar a fazer parte de uma estafeta. Arranjamos mais uns tipos e assim fazemos um blogue do caraças. As dinâmicas de grupo são complicadas. Muitas vezes correm todos ao mesmo tempo e depois tiram todos férias na mesma semana. O blogue oscila entre entupido e vazio. Já é bom se não andam à pancada. O que até pode ser uma actividade bem salutar.
Depois descobre-se que o melhor de tudo são as pessoas. Vale a pena manter o blogue para furar as duas ou três crisalidas onde vivemos, cheias de pessoas que pensam mais ou menos como nós. Mantemos o blogue para ir falando com os novos amigos blogosféricos, muitos dos quais só conhecemos pelo nick.
De vez em quando mais um blogue se fina. E o outro que parecia ter acabado, volta a actividade. Continuo surpreendido por este blogue ainda existir. Quando diminui a velocidade de publicação, desafinei o ritmo.Vamos a ver se o recuperei outra vez.
A semana passada coloquei o meu primeiro comentário no Espectro. Já não vale apena colocar um link porque entretanto se finou. Não percebia a ritmo frenético de publicação do VPV e da CCS. Porque é que alguém há-de fazer cinco posts por dia à borla, quando costuma fazer um por dia, sendo pago por isso? Quando fiz o primeiro comentário, alguém tinha acabado de referir que o Espectro tinha batido pela primeira vez as audiências do Abrupto. Bem, já podem fechar a loja, pensei eu. Não durou nem vinte e quatro horas.
sexta-feira, março 10
quinta-feira, março 9
O tempo do corpo

Diz o Manuel do Adro: Uma das características definitórias da cultura contemporânea é a ideia de ter superado o antropocentrismo renascentista ou moderno, para passarmos ao que Miguel Ibañez chama somatocentrismo pós-moderno. O corpo é a estrela de uma sociedade ultraviolenta, supertecnificada e hipersexual. Esta explosão de corporeidade pode envernizar-se e aparecer requintada e complexa. Mas disfarça mal a animalidade a que nos reduz.
Caro Manuel, este blogue ultimamente mais parece uma exposição de corpos nus. É verdade que vivemos numa sociedade hiperconsumista que se apercebeu das consequências do hiperconsumismo a nivel da alimentação. Num mundo com cada vez mais obesos, só o culto do corpo permite equilibrar os efeitos da publicidade aos chocolates. É a guerra das calorias. Mas não é desta guerra que eu queria falar.
Este seu post levanta uma série de questões interessantes. O CA já opinou sobre os adjectivos empregados pelo Manuel, e muito bem. Deixe-me tratar de outro aspecto da questão. O que é que a igreja católica pode fazer a propósito deste problema? Parece que muito pouco. Porquê?
Quando tinha treze anos tentei juntar-me à equipa de basquetebol do clube da minha terra. Fui lá com um amigo, católico praticante. No fim do treino fui tomar duche nu, com toda a gente. Depois de duas horas de exercício violento num dia de verão, estavamos mesmo a precisar de um duche. O meu amigo tentou escapar-se discretamente. Alguns colegas mais velhos avisaram o meu amigo: Oh pá, homens com homens não há vergonhas! Se na próxima tentas escapar-te outra vez, vais para o duche vestido. Uma atitude extrema sem dúvida. Apesar de o meu amigo estar muito interessado em jogar basquete, nunca mais lá apareceu.
Toda a vida se intrigou esta falta de à vontade com o corpo tão vulgar entre os católicos praticantes. O corpo parece ser um envolucro descartável da alma. Algo imperfeito de que nos devemos envergonhar. Só serve para pecar.
Algumas tradições têm coisas muito mais interessantes para nos dizer sobre o corpo. Ensinam-nos a usar o corpo como uma meio para chegar ao nosso lado mais espiritual. É o caso do yoga e do zen. O post do Manuel é apenas e só um grito de impotência. Não será possível encontrar na tradição cristã algo que nos ajude a lidar com o nosso corpo de uma forma mais saudavel?
Algumas tradições têm coisas muito mais interessantes para nos dizer sobre o corpo. Ensinam-nos a usar o corpo como uma meio para chegar ao nosso lado mais espiritual. É o caso do yoga e do zen. O post do Manuel é apenas e só um grito de impotência. Não será possível encontrar na tradição cristã algo que nos ajude a lidar com o nosso corpo de uma forma mais saudavel?
segunda-feira, março 6
sexta-feira, março 3
quinta-feira, março 2
quarta-feira, março 1
Liberalismo de esquerda
O que é que isso quer dizer? Aqui fica o desafio a todos aqueles que já alguma vez se auto proclamaram tal coisa. À primeira vista é uma contradição: ser liberal significa (na Europa) que se defende que o estado intervenha tão pouco quanto possível na economia. (Muitos liberais são liberais em parte time. Defendem a liberdade das empresas fazerem o que quiserem. Depois vão pedir os subsídios do costume.) Ser de esquerda significa achar que o estado tem apesar de tudo de intervir em defesa dos mais fracos. Significa também defender a importância de várias liberdades. Já não existem liberais puros com ambições políticas. Todos os liberais proclamam o apoio aos mais desfavorecidos. Na prática isso significa meia dúzia de acções demagógicas para ganhar votos e um argumento para estrangular a classe média. Ouvimos muitos argumentos deste tipo ultimamente. Não é por aí que vamos encontrar o liberalismo de esquerda. Então, onde está ele?
Algumas perguntas complementares:
Reconhecem a alguém o estatuto de teórico do liberalismo de esquerda?
Existe algum partido em algum país do mundo que se aproxime dos ideias do liberalismo de esquerda?
Se não existe, será o liberalismo de esquerda apenas mais uma tentativa idiota de fazer uma síntese entre duas perspectivas que se auto-excluem uma à outra?
Algumas perguntas complementares:
Reconhecem a alguém o estatuto de teórico do liberalismo de esquerda?
Existe algum partido em algum país do mundo que se aproxime dos ideias do liberalismo de esquerda?
Se não existe, será o liberalismo de esquerda apenas mais uma tentativa idiota de fazer uma síntese entre duas perspectivas que se auto-excluem uma à outra?
segunda-feira, fevereiro 27
Falta de tempo

Não gosto de ouvir falar em falta de tempo. Normalmente é outra coisa mais concreta que falta. Que tal ser mais especifico?
Também não gosto da palavra nunca e da expressão não sou capaz. Quando digo nunca, normalmente acabo por engolir a palavra. Que tal dizer ainda antes de não sou capaz? Não somos imortais. Já é limitação que chegue.
Subscrevo os desgostos do Lino. Ele podia era explicar porque é que essas expressões o desgostam tanto. Lino, se tiveres falta de espaço no teu blogue, explica nos comentários. Gostava de ver as listas do /me, do Franco Atirador, da Sofia, da Maria da Conceição e da Madi.
domingo, fevereiro 26
sexta-feira, fevereiro 24
quinta-feira, fevereiro 23
A seita da linha
Nos últimos anos tem crescido rapidamente um grupo ultraconservador dentro da igreja católica. Uns familiares meus têm a casa repleta de imagens de santos. Ouvem constantemente música religiosa, o terço e vários canticos que eu não sei identificar. Queimam tudo o que lhes aparece à frente. Desde os livros da Isabel Allende e do Harry Potter (magia), às estátuas de Buda ou vindas das ex-colónias, até mesas indianas. Explicam-me que todos os discos rock contêm mensagens subliminares, o fumo das discotecas contem drogas, os produtos do supermercado Celeiro também. Quando vão a casa de alguém desligam a televisão, essa invasão do demónio, sempre que podem. Frequentam umas missas esquisitas, tipo IURD, onde se realizam exorcismos e onde acontecem regularmente milagres. Não têm a hierarquia da igreja católica em grande conta mas parece-me que esta não se sente incomodada por isso. Dão uma especial importância á virgem de Međugorje, a versão bósnia de Fátima.
Já ouvi alguém referir-se a eles como sendo a seita da Linha. Parece que a zona da linha de Cascais é o epicentro desta revolução. É a nossa pequena Califórnia. Convém notar que algumas das pessoas de que eu estou a falar têm mestrados e doutoramentos, não são propriamente incultas.
Estranho que não se fale mais deste assunto nos blogues religiosos que costumo visitar. Alguém me ajuda a compreender o que se passa? Como é que se chama este grupo? Como é que começou?
quarta-feira, fevereiro 22
O timing
Quarenta anos atrás uma geração de jovens brilhantes e ambiciosos decidiram estudar Física. Cada um deles esperava ser o super engenheiro que iria gerir a primeira central nuclear portuguesa. A opção nuclear nunca foi feita. Até podia haver razões para não a fazer, mas não foram essas as decisivas. Durante os últimos vinte anos estes jovens já não tão jovens engoliram a frustração de seguir uma carreira académica que não os satisfazia. Envolveram-se em tricas e politiquices. Chatearam os colegas.Hoje, corremos todos os riscos de um país que tomou a opção nuclear, sem nenhuma das suas vantagens. As limitações à poluição resultantes do protocolo de Kyoto e a evolução do mercado petrolífero vão provavelmente obrigar-nos a repensar a nossa opção. Esta geração de físicos vai agora provar o fel que Moisés provou às portas da terra prometida.
Mais grave do que isso, não é claro que existam no país pessoas em quantidade e qualidade para ocupar as posições para as quais eles foram treinados. Substitui-los por pessoas ao mesmo nível levaria duas décadas. As consequências de certas decisões não estão contabilizadas directamente no orçamento geral do estado.
Mas pagam-se...
Mas pagam-se...
terça-feira, fevereiro 21
segunda-feira, fevereiro 20
domingo, fevereiro 19
A Economia, meu Deus...
A moral diz-nos como o mundo deveria ser. A economia explica por que é como é. A visão racional do mundo que a economia nos proporciona não se reduz a explicar porque é que a inflação aumentou ou o PIB desceu. Explica também muitas das decisões que as pessoas tomam no dia a a dia. A economia tem a ver com a tomada de decisões perante a escassez de um recurso. E pode ser aplicada a quase tudo o que fazemos.
Steven Levitt é um economista fora do comum, que se tem dedicado a explorar as aplicações da economia a temas que não costumamos olhar desse prisma. Levitt explica porque é que a pena de morte não é assim tão efectiva a diminuir a criminalidade, porque é que alguns professores fazem exames mais fáceis ou beneficiam os alunos nas correcções, a influência da legalização do aborto na criminalidade, etc. Foi uma surpresa ver o seu livro Freakonomics - o lado escondido das coisas no topo de vendas da FNAC. É um daqueles livros que pode refrescar a nossa visão do mundo.
Um modelo económico bastante simples explica porque é que o requisito do celibato provoca a existência de um número anormalmente grande de pedófilos entre os padres católicos. Explica também porque é que, quando uma sociedade se torna mais tolerante à homossexualidade, o número de vocações sacerdotais diminui. Outro dia o diário ateísta dedicou um artigo ao tema. Podiam ter utilizado uma linguagem diferente, mas estão lá as ideias chave.
Os liberais passam a vida a incensar as escolha económicas de Bush. O artigo de hoje do Blogo Existo lembra mais uma vez que o modelo económico europeu não anda a perder assim tanto terreno para o modelo económico americano como parece. Antes pelo contrário.
Um modelo económico bastante simples explica porque é que o requisito do celibato provoca a existência de um número anormalmente grande de pedófilos entre os padres católicos. Explica também porque é que, quando uma sociedade se torna mais tolerante à homossexualidade, o número de vocações sacerdotais diminui. Outro dia o diário ateísta dedicou um artigo ao tema. Podiam ter utilizado uma linguagem diferente, mas estão lá as ideias chave.
Os liberais passam a vida a incensar as escolha económicas de Bush. O artigo de hoje do Blogo Existo lembra mais uma vez que o modelo económico europeu não anda a perder assim tanto terreno para o modelo económico americano como parece. Antes pelo contrário.
sábado, fevereiro 18
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