quinta-feira, fevereiro 16

quarta-feira, fevereiro 15

Palmas para o Zé!

Não me interessa quais foram as razões que levaram Barroso a defender de forma clara, como lhe competia, a liberdade de expressão. A verdade é que outros não o fizeram. Fica registado o facto.

segunda-feira, fevereiro 13

Roma

Mais uma excelente série da HBO. Passa às segundas no Canal 2, no antigo horário d'Os Sopranos (outra série da HBO). O detalhe com que tratam a vida quotidiana dos romanos e o realismo das batalhas bate qualquer filme feito até hoje sobre o tema. Por outro lado, as liberdades tomadas pelo argumentista parecem-me excessivas e desnecessárias. Octávio não foi visitar César à Gália. Muito menos foi raptado por gauleses. O consul não tinha poder de veto sobre o Senado.
Qualquer filme ou livro sobre este período está obrigado a confrontar-se com Masters of Rome (O primeiro homem de Roma), o romance histórico de seis volumes escritos por Colleen McCullough. A guerra civil entre César e Pompeu é apenas o último episódio da degradação da república romana. A lenta erosão das instituições começou duas gerações antes, nos tempo de Mário e Sila. Só começando a contar a decadência da república desde os seus princípios se pode compreender o que aconteceu. E aprender algo que nos possa ser útil hoje.

domingo, fevereiro 12

É Proibido Pensar ou: Entre Fascistas e Esquerdalhos venha o profeta e escolha

Dedicado ao Zé

Eis o problema de pertencer (a própria palavra já diz tudo) a um partido, ou de ter uma visão partidária da política.

Metem-me asco os espíritos confusos que por ai andam, que acham que reconhecer as legitimas aspirações do povo Palestiniano, e apoia-lo numa determinada posição politica, implica necessariamente ter que apoiar em toda a linha os tarados religiosos extremistas do Hamas.

Metem-me asco os que acham que criticar a administração Bush pela agressão injustificada ao Iraque, feita sob falsos pretextos, e pelas suas políticas ruinosas é o mesmo que ter que estar do lado dos inimigos mais aberrantes que combatem os EUA no terreno, eles próprios usando o Iraque como mero pretexto para outras lutas, que com essa terra pouco têm que ver.

Metem-me asco os que a pretexto de combater a xenofobia, ou a pretexto de uma visão igualitária dos povos se julgam obrigados a tomar como legítimos as pretensões medievais dos extremistas Islâmicos no que diz respeito a toda a palhaçada dos cartoons Dinamarqueses. Ou seja, a pretexto da igualdade e da tolerância, apoiar a mais ditatorial intolerância.

Mete-me asco que certa esquerda se insulte a si e a nós todos com as posições que toma, e com as que convenientemente não toma. E que se arrogue posições morais impolutas, e que fale dos resistentes anti-fascistas, e que fale da censura comparativamente moderada e da violência comparativamente moderada do regime Salazarista com tanto asco enquanto fechou e fecha os olhos a tanta outra censura, violência, opressão, desde que venha da parte daqueles que estrategicamente apoia, por vezes meramente por consistência com a herança de outros tempos em que seguia às cegas as orientações de Moscovo, e não por qualquer real posição moral. E mete-me asco certa Direita que é culpada de outro tanto, e que por esta e aquela negociata vende a alma.

Mete-me asco quem necessita de tomar posições em bloco (de esquerda ou de direita) em vez de pensar em cada uma por si mesmo, com erros e tudo. Mete-me asco quem não pode mudar de opinião, limitado não ao menos por orgulho, mas porque carrega em cima o peso de toda uma estrutura partidária, que não lhe permite fazer as curvas com destreza, pois é essa a natureza da inércia. Mete-me asco quem acha que tem que fazer alianças permanentes com esta e aquela facção e apoiá-la em toda a linha ou em nenhuma. Ou de outra forma: quem acha que apoiar as aspirações legítimas implica apoiar também as ilegítimas.

Sou o meu próprio partido. Tomo as minhas posições uma a uma. Sei que fora do grupo tenho menos força. Mas tenho mais liberdade. Suporto que que decidam por mim, mas jamais que pensem por mim. A força que o grupo nos dá é apenas a força para fazer o que o grupo quer – a força para ser um escravo bem sucedido. Prefiro ser um homem livre na prisão do que um preso em liberdade. Declaro as minhas próprias guerras, travo os meus próprios duelos. Levantar o punho no anonimato da multidão requer pouca coragem. Levantar a voz no meio do grupo, e em discordância com o grupo, é mais difícil. Prefiro assim. Nem por isso o recomendo aos outros. Requer um amor pelas escarpas gélidas e solitárias, pelo ar rarefeito, e pelo silêncio. Os outros que façam o que entenderem. E eu direi o que entender.

Protestos espontaneamente orquestrados

"Don't you think it's a coincidence that the victim's body fell perfectly within the chalk outline?"

-The Pink Panther (remake)

Desengane-se quem imaginou que os protestos radicais contra os cartoons Dinamarqueses eram, ainda que estúpidos, ao menos sinceros. Não há nada de novo ou especial nestes cartoons. Tudo não passa de uma farsa..

Em Outubro passado, em pleno Ramadão, um jornal Egípcio pôde publicar esses mesmos cartoons (para criticá-los, é certo, mas ainda assim quebrando o suposto tabu). Onde estiveram os protestos?

No Ocidente podem-se encontrar dezenas de representações do profeta em capas de livros e em revistas, que passaram até hoje pacificamente debaixo do radar (anda no peer-to-peer uma pequena compilação de uns tantos exemplos).



Podem-se encontrar duzias de images do profeta expostas em museus, sendo que algumas delas da autoria de Muçulmanos porque a proibição não era, como aliás não é tão absoluta como isso tudo. Que diabos (perdoai a blasfémia), segundo este insuspeito muçulmano ofendido, até nos bazares dos mais santos lugares do Irão se podem comprar representações do profeta, como quem vai a Fátima e compra uma imagenzita do J.C. que pisca os olhinhos enquanto encara o firmamento e pede ao Pai que perdoe a estupidez dos mortais (e bem difícil seria fazê-lo nos dias que correm).

E como pode ter passado por debaixo do radar o episodio do South Park, visto por milhões, onde o profeta foi caricaturado? Episódio esse, aliás, disponível na net para quem o queira ver…



Tão inofensivos eram aliás os pobres cartoons Dinamarqueses que os radicais que orquestraram estes protestos sentiram a necessidade de incluir no pacote promocional três cartoons adicionais muito mal desenhados e esses sim fortemente ofensivos. O engraçado é que provavelmente terão sido eles próprios, devotos muçulmanos, a desenhar pela sua mão estes acrescentos, incluindo aquele em que o profeta é acusado de pedófilo. O que fizeram depois de realizar tal tarefa sagrada, cortaram irados as suas próprias mãos conspurcadas, ou dispunham de algum autorização divina?

A inescapável conclusão é que os correntes protestos, além de estúpidos e homicidas, são, longe de espontâneos, manifestações de um plano orquestrado e posto em prática num momento predeterminado por autoridades radicais Islâmicas que governam as suas massas subservientes como se de gado se tratassem. E porque não, se todas as religiões vivem afinal da ilusão e da mentira…

Que os politicos Ocidentais se prostrem temerosamente e reverencialmente frente a tais falsas sensibilidades (incluindo, risivelmente, a administração Bush) está para lá do ofensivo. O nosso preciosíssimo Vitalino Canas, que compara em gravidade as acções dos cartoonistas Dinamarqueses com as dos radicais Islâmicos, é um belo exemplo Lusitano dessa reverencial demência. Aconselho-o vivamente, e a outros como ele, que, se insiste em oferecer o traseiro ao radicais Islâmicos em nosso nome colectivo, ao menos que arranje um mapa, já que não arranja bom-senso, e que o faça devidamente virado para Meca.

sexta-feira, fevereiro 10

O menos culpado

Hoje, Maomé na versão Charlie Hebdo. Amanhã, a versão on.

quinta-feira, fevereiro 9

Apitos dourados


É incrivel como a qualidade das arbitragens melhorou em Portugal desde a semana passada. Até Bruno Paixão apita um jogo do Porto de forma impecável. Entretanto em Espanha o Barcelona foi eliminado da taça do rei de forma muito estranha. Em Itália a Juve tem uma "sorte" incrivel com os árbitros.
A que se deve a nossa sorte? Será a este apito mágico que rodopia por cima das nossas cabeças?

quarta-feira, fevereiro 8

Parabéns Calvin!

Porque hoje é sábado...

Durante os próximos seis meses a minha semana vai ser composta por seis sábados e um domingo. É provavel que daí resulte uma redução significativa da minha actividade neste blogue.

segunda-feira, fevereiro 6

Outros Contextos

Alguns dos defensores do casamento homossexual em Portugal são contra a liberalização do aborto, ou não tém uma posição clara sobre o assunto. Se vivessem noutro país europeu, a maioria deles aceitaria a lei da liberalização sem dificuldade.

Muitos dos que são acerrimamente contra, deixarão de o ser quando a lei mudar. Já foi assim quando foi aprovada a primeira "liberalização" do aborto. Assim voltará a ser. O que está em jogo para a hierarquia da igreja católica, para alguma esquerda e para quem os segue não é a lei do aborto nem o casamento gay, mas sim ganhar ou perder uns metros.

Mister February

domingo, fevereiro 5

Contextos

Dizem alguns que as leis actuais sobre o casamento são inconstitucionais, por não permitirem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não me parece.
Uma lingua viva é uma linguagem com grande poder de expressão, capaz de se adaptar a situações novas. Uma tal linguagem não pode ser tão precisa como uma linguagem de programação ou a linguagem matemática. Depende fortemente do contexto. Expressões como não dá cavaco a ninguém podem ver o seu sentido totalmente alterado de um dia para o outro. O contexto varia com o tempo e de pessoa para pessoa. A mesma palavra não tem exactamente o mesmo significado para duas pessoas diferentes. Não é estranho que assim seja. O que é estranho é que apesar de tudo somos capazes de comunicar. Um verdadeiro milagre.
É por isso mesmo que existe um tribunal constitucional. As decisões deste tribunal são algumas vezes tomadas por razões técnicas. Uma lei pode realmente ser inconstitucional. Na maior parte das vezes as decisões sobre a constitucionalidade de uma lei são políticas. Não poderia ser de outra forma.
Alegar a inconstitucionalidade da actual lei do casamento não faz sentido. Apenas abre o flanco para questões do tipo: então e a poligamia? então e o casamento com um animal de estimação? Trata-se de um artifício que ajuda a manter o assunto na agenda política, através do recurso aos tribunais. Mais nada. Quase toda a gente usa este tipo de armas. Por mim, não tenho nada contra. Convém no entanto perceber quais são os limites da racionalidade.
A legitimidade ou não legitimidade do casamento homossexual não se deduz de primeiros princípios. É algo que resulta de um contrato estabelecido entre cidadãos, num determinado momento, quando se verificam determinadas relações de força.
Convém lembrar que a abolição da escravatura; a prática de enterrar pessoas em cemitérios em vez de em igrejas; o direito ao voto para as mulheres, provocaram no passado tumultos sociais graves, incluindo guerras civis. Actualmente existe um consenso àcerca destes temas. Esse consenso resultou de uma modificação do equilíbrio de forças, não de uma vitória da argumentação.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma inevitabilidade. Os homossexuais representam mais de cinco por cento da população. Vão-se assumir cada vez mais. O número dos que defendem activamente a liberalização dos costumes não para de aumentar. Os partidos políticos vão acabar por perceber isso.
Dentro de vinte anos o casamento gay deixará de levantar qualquer polémica. Tal como a lei da liberalização do aborto é um dado adquirido em quase todos os países da União Europeia.

sábado, fevereiro 4

Cinco manias

1. Sou completamente obsessivo. Como quase todas as pessoas que arranjam um profissão em que se passa meses a pensar num problema. Se não forem obsessivas...

2. Salto regularmente de obsessão em obsessão. Ninguém está mais surpreendido do que eu por este blogue ainda existir.

3. Analiso os meus problemas com outras pessoas em termos essencialmente estatísticos. Se alguém faz algo de que não gosto uma vez por outra, não me preocupo sequer em obter uma explicação. Se acontece demasiadas vezes, não há explicação que se sobreponha à estatística.

4. Quando tenho um mal entendido com um amigo, não me preocupo em explicá-lo. Se a amizade for suficientemente forte, sobrevive. Senão, não valia a pena de qualquer maneira. Se me vierem pedir explicações, é provável que as dê.

5. Nunca joguei no totoloto, na lotaria, na roleta ou no euromilhões. Na Bolsa, já é outra história.

Esta cadeia foi-me enviada pela Maria da Conceição. Passo-a ao OMWO, ao Raiva, ao Lino, ao Calvin e à Sofia. E também para a Madi.

quinta-feira, fevereiro 2

The world according to George W

Bush explicou ao mundo qual era o obstáculo fundamental à resolução do conflito palestiniano: o senhor Yasser Arafat. Agora que se realizaram as primeiras eleições palestinianas pós Arafat, estão realizados os desejos de George W.

quarta-feira, fevereiro 1

É tão simples fazer um filme excepcional...

Barry Lyndon, de Stanley Kubrick, foi um dos filmes que mais me marcou. Tentei vê-lo uma segunda vez durante anos. Quando finalmente o consegui, já estava datado.
Allen Stewart Königsberg foi a Londres fazer o Barry Lyndon do século xxi. Quando era miúdo, dava pelo nome de Woody Allen.
Só um génio consegue reinventar-se aos setenta. Match Point!

terça-feira, janeiro 31