"Racism, of course, is not possible without a concept of race."- Robyn Conder Broyles
Vamos supor que negávamos a validade científica do conceito de "raça" e baníamos dos documentos oficiais qualquer referência a esse conceito. Isto não é ficção, é um dos bastiões de certas facções do politicamente correcto.
Uma vez tomado tal passo há uma miríade de medidas que não podem ser, não só tomadas, mas mesmo enunciadas em tais documentos. Há um conceito que desaparece de discussão porque não tem nome. Isto é totalmente artificial porque, "cientifico" ou não, o conceito de raça está presente nas mentes dos cidadãos, e constrange as suas interacções. Não desaparece do terreno por desaparecer do papel.
Mas agora tome o passo seguinte: proíba a menção do conceito (tornando esse simples acto como "hate crime" - note-se que não utilizei a palavra "racismo" já que não há "raça") em livros escolares, artigos de jornal, etc. Censure-o da televisão sempre que alguém o mencione em entrevistas de rua. Se fizer isto bem feito ao fim de uma geração ou duas a palavra e o conceito serão apenas usados por meia dúzia de velhotes "reaccionários" e decrépitos, e apenas às escondidas. Conversa de velhos senis!
Deixa de se poder falar de uma data de coisas. Certas frases deixam de ser compreendidas pelas novas gerações, donas de uma linguagem mais pobre. Certos comportamentos de grupo e afinidades e hostilidades mútuas tornam-se ncompreensíveis. Mas será que desaparecem?
Há quem diga que sim. Desprovido de nome, o problema esfuma-se magicamente. Na minha opinião, tal não tem funcionado, não dá mostras de vir a funcionar, e ainda que funcionasse não pagaria o preço de sermos cada vez mais uma carneirada acéfala e cobarde. Trata-se de novo de escolher: enfrentamos o mundo livremente, corajosamente, conscientemente, ou protegemo-nos, dando em troca a nossa liberdade de pensamento e de acção, e a nossa coragem?
É de novo a velha escolha entre liberdade e segurança...