segunda-feira, abril 27

Greg House 2

A forma obsessiva com House tenta convencer os amigos sobre a importância de conhecer o lado mau das coisas é patética. Cai num negativismo sem sentido. Leva-nos a ignorar o caminho que House nos propõe.
O facto ele torturar constantemente os ajudantes é completamente diferente. Faz todo o sentido. Eles estão ali para aprender com ele. Aquilo que ele sabe e os outros médicos não sabem. O que é que o diferencia dos outros médicos? A sua aceitação do seu lado negro. Ele tem de os pôr em contacto com os seus lados negros. Eles querem aprender com House tudo, menos aquilo que mais precisam de aprender... Ele não lhes explica este facto? Por um lado eles não o levariam a sério. Se o levassem a sério, a táctica perdia a eficácia...
Porque é que Chase e Cameron abandonaram a equipa? Porque a sua capacidade de evoluir no contacto com as suas sombras estava esgotado. Foreman, que esteve preso por roubar carros e tem mais um par de anos, está em condições de continuar a evoluir.
Mal abandonaram a equipa Chase e Cameron passaram a ser pessoas mais confiantes. Temos aqui mais uma manipulação da série. Eles não se tornaram pessoas mais confiantes por terem abandonado o House mas por terem trabalhado todo aquele tempo com ele.
Porque é que o House passou uma época inteira a escolher pessoas? Sem dúvida que introduziu um novo ritmo na série. Parece-me no entanto que há uma razão mais profunda. Os autores não se sentiram seguros de construir personagens que garantissem uma progressão credível e interessante das suas personalidades durante várias épocas. Nunca ninguém tinha experimentado algo assim e eles já tinham tido um insucesso parcial com o casalinho de médicos. Criaram várias personagens, puseram-nas a interagir com o House e no fim escolheram as que tinham mais hipoteses de continuar a evoluir interiormente.
Um problema: as necessidades comerciais da série exigem que um dos assistentes do House seja uma mulher jovem e bonita. Demasiado jovem para mergulhar suficientemente fundo no seu inconsciente, uma tarefa para a segunda metade da vida. Como resolver o problema? A doença de Huntington dá um jeitão...

sábado, abril 25

Gregory House: Solitude and Loneliness

Solitude e Loneliness são normalmente traduzidas por solidão. No entanto não significam exactamente a mesma coisa. Podemos sentir-nos sózinhos no meio de uma multidão. Isso é lonliness. Podemos estar sós e encher o espaço à nossa volta. Isso é solitude without lonliness. Não é possível realizar qualquer trabalho criativo sem ser capaz de estar só. Porque qualquer trabalho criativo envolve algum tipo de contacto com o inconsciente.

O argumento de House gira em torno da personalidade do protagonista e das tensões entre ele e os outros personagens. Não é mais uma série de médicos. Porque é que House é médico? Porque não se pode deixar de levar a sério alguém que é capaz de salvar vidas que outros não são capazes de salvar. É essencial que se mantenha a tensão: ninguém acredita no House, ele diz as coisas mais loucas, mas nós acreditamos. O enigma que House acaba por resolver no fim de cada episódio serve essencialmente para realçar mais uma vez a sua excepcional perspicácia.

Donde provém o magnetismo pessoal de House? Donde provem a sua capacidade de compreender as situações? A resposta à segunda pergunta é clara: tem alguma coisa a ver com o facto de Greg House estar em contacto com o seu lado negro, a sua Sombra. Se pensarem bem, a forma como ele chega ao pé de alguém desconhecido e consegue o que quer também tem a mesma origem.

As pessoas não estão umas do lado do Darth Vader e outras do lado do Luke SkyWalker. Temos os dois dentro de nós. Temos de reconhecer o Darth Vader que está em nós. Only then, can we use the force! É esta a mensagem que Greg House tenta transmitir a toda a gente, a toda a hora. Ninguém a quer ouvir.
A mensagem fundamental da série é outra: House está certo, mas está errado. Ele está em contacto com a verdade, mas o preço a pagar é a lonliness, uma vida miseravel. É bem melhor abdicar de estar em contacto com a verdade. Quantos jovens inteligentes e ambiciosos terão comprado esta tese? A forma rasteira como a FOX usa a confusão entre solitude e lonliness é típica da mais reaccionária cadeia de televisão dos Estados Unidos.
(continua)

quarta-feira, abril 22

As Sombras do Senhor Neves

A seguir à segunda guerra um número crescente de famílias americanas viviam longe dos seus pais. Não tinham com quem conversar quando tinham alguma dúvida sobre como cuidar dos seus filhos. O Dr. Benjamin Spock publicou em 1946 Baby and Child Care (Meu Filho, Meu Tesouro). Este livro foi um dos maiores best-sellers de sempre. Distinguia-se pelo seu bom senso e pelo seu calor humano.
Muitos anos mais tarde os seus filhos vieram a público explicar como o seu pai fora sempre um homem frio e distante e como isso os marcara irreparavelmente para toda a vida. É trágico que tal tenha acontecido, mas isso não muda uma vírgula ao mais importante. A geração dos baby-boomers cresceu mais equilibrada e confiante do que as que a precederam em parte graças ao talento do Dr. Spock. O esforço de Benjamin para apresentar ao mundo a Persona do pediatra perfeito ajudou a criar uma Sombra sinistra, só conhecida dos que partilhavam o seu tecto.

Vem isto a propósito do artigo de João César das Neves citado no Jardim de Luz. Este senhor critica Jean-Jacques Rousseau, Karl Marx, Bertrand Russell e Jean-Paul Sartre, entre muitos outros ódios de estimação. Tal como com Frei Tomás, é melhor fazer como eles dizem, do que como eles fizeram. César das Neves dá a entender que a existências destas sombras na vida destes homens destroi a credibilidade das suas obras.
Quanto mais alto subimos maior a sombra que projectamos. Há que aceitá-la, admitir a sua existência sem vergonha e tentar integrá-la na nossa personalidade. Nada pior do que tentar pura e simplesmente reprimi-la e escondê-la debaixo do tapete. Não resulta. Cada pessoa tem a sua Sombra e só um pobre Diabo se lembraria de vir para os jornais apregoar o contrário.

César das Neves dificilmente alguma vez escreverá um artigo sobre o novo caso de pedofilia que ensombra a igreja católica da Irlanda. Neste caso a sombra não destroi a obra? Negar a existência desta sombra nada resolve...
O ritual da confissão católica pode ser um excelente meio para reconhecer as nossas sombras e integrá-las na personalidade. Aceitá-las como parte de nós próprios. Quantas vezes serve apenas para manter a ilusão de que as nossas sombras podem ser deitadas fora?

segunda-feira, abril 20

Descer a rua

Desço a rua.
Há um grande buraco no passeio.
Caio nele.
Estou perdido ... desamparado...
A culpa não é minha!
Levo um tempo infinito a sair do buraco.

Desço a rua.
Há um grande buraco no passeio.
Faço por não o ver.
Caio nele.
Não posso crer que voltou a acontecer!
Mas a culpa não é minha!
É dificil sair do buraco.

Desço a rua.
Há um grande buraco no passeio.
Estou a vê-lo.
Volto a cair nele ... é um hábito ... mas
os meus olhos estão abertos.
Sei onde estou.
A culpa é minha.
Saio do buraco rapidamente.

Desço a rua.
Há um grande buraco no passeio.
Desvio-me dele.

Desço outra rua.

sábado, abril 18

Rituais de Transição

Um casamento cigano dura três dias.
Algumas vezes as famílias dos noivos ficam endividadas.
Um desperdício?
Ao fim dos três dias todos os intervenientes interiorizaram o facto de que aqueles dois jovens se casaram e entraram numa nova etapa das suas vidas.
Muitos ajustes que se iriam realizar ao longo de uma década entre os noivos e as suas famílias foram realizados em poucas horas, num ambiente bastante mais propício, enquanto cantavam, comiam e dançavam.
Esses ajustes podem gastar muita energia, muito tempo e muito dinheiro.
Talvez o gasto tenha sido um bom investimento...
Na nossa sociedade o casamento era essencialmente uma cerimónia centrada na noiva. O seu dia de glória. Em troca ela abdicava da sua identidade em prole da harmonia da sua futura família. Para o resto da sua vida.
É claro que se uma cerimónia do casamento já não cumpre nenhum propósito e se transforma apenas em mais uma forma de consumismo, mais vale guardar a massa para outro fim.

A transição mais importante das nossas vidas é a entrada na idade adulta.
Esta transição era acompanhada de rituais que nos ajudavam a compreender e ajustar a essas mudanças. Nalgumas sociedades as crianças eram ritualmente raptadas das suas familias, era-lhes dado a conhecer os segredos da tribo e da vida adulta. Chegar à idade adulta era considerado algo inquestionavelmente positivo. Nunca mais se falava nisso.
A nossa sociedade acabou com a maioria desses rituais. Os segredos da tribo já não se podem transmitir numa semana ou num mês. Já não se ordenam cavaleiros nem se cumpre o serviço militar obrigatório. Até as mais elementares cerimónias de iniciação, como as praxes académicas, foram aniquiladas pelos pruridos dos politicamente correctos.

As experiências associadas a terminar a quarta classe, o ensino secundário ou uma licenciatura cumpriam modestamente esse papel. Já não é o caso. A entrada na idade adulta atrasou-se tanto que um doutoramento acaba por algumas vezes cumprir as funções de um rito de passagem. Quando não é uma forma de atrasar por mais uns anos o contacto com as responsabilidades da idade adulta...

Qual o preço que se paga quando não passamos por estas experiências de transição?
As crises de identidade e outros conflitos interiores arrastam-se por mais uns anos...
Toda uma série de ajustamentos que deveriam ocorrer mais ou menos naturalmente acabam por se revelar mais dificeis.

quarta-feira, abril 15

Muscular Activation Technique

Vai para um ano e meio estava a fazer a invertida antes da aula de Yoga começar. Começaram a dizer-me: estás inclinado para a direita! para a esquerda. Quando a torre inclinada de Pisa caiu nada de mais parecia ter acontecido. Passei a noite seguinte deitado de costas, com as pernas dobradas em cima de um banco. Umas idas ao fisioterapeuta e as dores maiores desapareceram, mas o problema ficou por resolver. Nem a fisioterapia, nem a osteopatia nem as aulas individuais de Pilates resolveram o problema. Qualquer destas técnicas funciona muito bem em certos casos. Não neste.

Estou finalmente a ver uma luz ao fundo do tunel. Numa sessão típica de MAT faz-se uma série de testes. Vamos a um exemplo. Deitado de costas na marquesa, pedem-me para deslizar a perna direita para a direita sem a levantar. Agora tenho de resistir a uma pressão feita da direita para a esquerda no pé. Por incrível que pareça, não consigo oferecer qualquer resistência. O músculo que devia fazer o trabalho, o glúteo direito, está a fazer greve. Não há problema, espetam-me um dedo algures na zona lombar junto à coluna. Oscila entre o desagradável e o altamente doloroso. Um minuto mais tarde, o meu glúteo já sabe o que fazer para resistir à pressão. Agora vamos repetir o teste, com a cabeça levantada. Volto a não conseguir resistir. Agora enfiam-me o dedo algures entre a traqueia e a coluna, novamente com bons resultados. Agora vamos fazer o mesmo teste, mas pressionando a marquesa com a nuca. A história repete-se.

Depois passa-se para outro teste, e mais outro. Volta-se na semana seguinte, para ver como é que as mudanças foram assimiladas. Verifica-se que progressos foram consolidados, o que se perdeu. Procura-se avançar na compreensão do puzzle.

O que é que mais me surpreendeu? A natureza quase milagrosa da técnica? Talvez a pouca diferença que parece existir entre o meu corpo e uma máquina.

Descartes diria: pois claro, o corpo é uma máquina, mas o homem é sobretudo a sua alma. Apesar de tudo, não estou tão seguro de que o corpo seja uma máquina tão simples como o meu relato poderá dar a entender. Por outro lado, não estou certo de o espírito não ter os seus aspectos roboticos. Quando se estimula uma certa parte do cérebro com um eléctrodo, revivemos as sensações e as emoções que sentimos num certo momento das nossas vidas. Não nos limitamos a relembrá-las. Acredito plenamente que existe algo de único e especial em cada ser humano, mas é preciso procurar bem fundo para o encontrar.

Não vejo por isso grande razão para me sentir diminuído se uma boa parte do meu comportamento for reduzida a umas combinações de estereótipos. Afinal eu compartilho boa parte do meu código genético com os chimpanzés, os periquitos e as osgas.

segunda-feira, abril 13

A Crítica da Razão Pura

Ao longo das nossas vidas vamos desenvolvendo uma "filosofia espontânea". Muitas das ideias que julgamos serem nossas são pedaços de teorias desenvolvidas uns séculos atrás por algum filosofo de quem eventualmente nunca ouvimos falar. Por exemplo: a visão de muitos de nós sobre a forma como interagimos com o mundo remonta aos pontos de vista introduzidos por Descartes na primeira metade do século XVII ou por David Hume na primeira metade do século XVIII.
Descartes criou o dualismo alma corpo. Penso, logo existo significa que somos primeiro que tudo seres pensantes. Deus não nos enganaria, portanto as nossas percepções são realmente a indicação da existência do mundo exterior. Os seus sucessores usaram Deus e a alma para resolver de forma simplista todos os problemas epistemológicos que se lhes apresentaram.
Um réptil ao nascer está quase preparado para a vida. Uma série de instintos determinam a sua vida e estão prontos a utilizar mal ele sai do ovo. Nos mamíferos a aprendizagem desempenha um papel crescente. Um bebé ao nascer parece quase completamente por formar. É uma esponja que vai absorver os estímulos do meio, os quais terão uma importância decisiva na sua formação. Dá a impressão de que não existe qualquer tipo de estruturação na sua mente.
Hume acredita na plasticidade infinita da mente humana, tal como a maioria dos psicólogos actuais. Para Hume as ideias que orientam a nossa vida são o resultado da acumulação dos estímulos exteriores. Há uma variação quase infinita e inclassificável de padrões no comportamento humano, por oposição à estreiteza das variações que encontramos no comportamento animal, pré-determinado pelos instintos. A vitória do cepticismo de Hume consistiu em mostrar as limitações do pensamento pós-cartesiano. Por outro lado Hume nunca consegui explicar a noção de causalidade ou a possibilidade do raciocínio lógico.
Quando aos 46 anos Kant apresentou a sua dissertação inaugural enquanto professor em Konigsberg, Kant recebeu uma carta do seu aluno Markus Herz. Herz lembrou a Kant que ele se tinha esquecido de explicar como é que o ser humano recebia a informação do mundo exterior e a processava. Durante onze anos Kant meditou nesta questão. Herz e Hume acordaram-no do seu sonho dogmático. A obra prima de Kant é o produto desses onze anos de meditação. É tão complexa que dois séculos não foram suficientes para que as suas ideias percorressem o caminho que as separam do senso comum. Sendo a mais importante obra da história da filosofia, penso que vale a pena tentar transmitir aqui uma parte do seu sabor.
Noam Chomksy foi o mais importante linguista do século XX. A influencia decisiva da sua obra abrange áreas tão diversas como a Psicologia e a Teoria da Computação. A gramática generativa de Chomsky descreve todas as línguas existentes. Cada língua conhecida pode ser obtida a partir duma língua base fixando certos parâmetros. A teoria de Chomsky pressupõe a existência a priori de uma linguagem universal que nós nascemos programados para falar, descrita por ele. Esta é uma das teorias científicas que põe limites à infinita plasticidade da mente humana.
Suponham que vêem no ecrã do vosso computador duas bolas pretas em fundo branco. A bola que está do lado esquerdo desloca-se para a direita, quando as duas bolas se tocam a bola esquerda para e a bola direita move-se para a direita. O nosso cérebro será levado a crer que o movimento da segunda bola foi provocado pelo da primeira. Porquê? Simplificando radicalmente as coisas, Kant considera que o ser humano é uma "máquina programada" para pensar segunda certas regras de causalidade. As noções de causalidade, espaço e tempo, entre outras, estão "programadas" na nossa mente independente de qualquer realidade exterior. São os instrumentos que usamos para lidar com o mundo.
Kant consegue assim fundamentar a ciência sem cair nas ingenuidades de Descartes e mantendo vivo o cepticismo de Hume.
Freud e Jung introduziram definitivamente o conceito de inconsciente nas nossas vidas. O inconsciente é mais uma limitação à infinita plasticidade da mente humana. Em especial o inconsciente Jungiano. É por isso que descrever certos aspectos do comportamento humano através de uma combinatória finita talvez não seja assim tão imbecil.
Há ainda um problema com todas estas teorias. Não se conseguiu ainda fundamentar em termos genéticos a teoria de Chomsky ou a filosofia de Kant. A Teoria da Evolução também terá aqui uma palavra a dizer. A seu tempo lá chegaremos.

domingo, abril 5

O Princípio de Peter: porque é que as coisas sempre acabam mal?

Lembram-se deste princípio? O que é que afirmava? Parece-vos que faz sentido?

sexta-feira, abril 3

O Guerreiro

Algumas vezes temos de ficar e lutar. Sempre foi assim ao longo da história da humanidade. Era matar ou ser morto. Um homem só contava se era um guerreiro. Mas o guerreiro não tem de matar para defender os seus valores. O guerreiro sabe afirmar o seu poder e assumir a sua identidade no mundo. Esse poder pode ser físico, psicologico, intelectual ou espiritual. Luta-se para subir no emprego. Também se luta para engravidar ou para ultrapassar um limitação pessoal.
Se o martir enfrenta a dor e o viajante a solidão, o guerreiro enfrenta o medo. Só se consegue viver plenamente um destes arquetipos quando já se conhecem razoavelmente bem os outros. Para enfrentar o medo, temos de saber lidar com a dor e a solidão.
Durante milénios poucas guerreiras existiram. Felizmente as coisas mudaram. Por outro lado, conheço bastantes senhoras da classe média alta que não concebem outra forma de estar na vida que não seja comportarem-se como guerreiras. Pelo menos a partir do momento que saiem da garagem do prédio onde vivem. Um dia descobrem que o marido não é perfeito. Quando dão por elas já estão divorciadas. Algumas vezes por coisa nenhuma...

quarta-feira, abril 1

A Inclita Geração

Todos os filhos de João primeiro e Philippa de Lancaster se distinguiram de alguma forma. Fernando, o Infante Santo, morre no cativeiro em Fez, depois de recusar entregar Ceuta em troca da sua própria liberdade. Pedro foi um nobre excepcionalmente culto para a época tendo viajado incansavelmente por toda a Europa. João foi o condestável do reino, sucedendo a o grande Nuno Álvares Pereira. Henrique, o Navegador, foi o mágico que reformulou o projecto nacional, quando os Algarves já estavam conquistados e invadir o norte de África não se revelou viavel. Tal como Fernando foi o mártir, Pedro o peregrino e João o guerreiro. Este mito foi contado de geração em geração a todos os míudos que não tinham hipótese de vir a ser reis, como Duarte, o filho mais velho. Muitos aprenderam alguma coisa com ele.
Umas gerações depois, este mito foi completamente ofuscado pelo mito d'O desejado, que havia de voltar num manhã de nevoeiro. O mito que simboliza a transformação desta terra num país de orfãos.