terça-feira, dezembro 30

"O mundo é ininteligível, mas é bom"

É o novo subtítulo do blog da Maria da Conceição. Vale a pena gastar umas linhas a analisar este aforismo de uma senhora simpática chamada Adélia Prado.
Inintelegível porquê? Porque não se pode saber de que são feitos as estrelas e os planetas? Nem por isso, até já se foi à Lua... Mas levou muito tempo a se descobrir que havia umas luas a andar à volta de Júpiter. A partir daí foi mais fácil acreditar que a Terra girava em volta do Sol. Foi um senhor chamado Galileu que se deu ao trabalho de construir um telescópio. Devia ter juízo.
Foi o que se pensou durante muito tempo. Agora já não. No entanto há muito quem continue a ignorar a eviedência: as fronteiras do conhecimento movem-se.
Ininteligível porquê? Porque não se pode compreender a mente humana? Nunca se desvendará o mistério do livre arbítrio? Quem quiser acreditar que assim é, está no seu direito. Não é algo que se compreenda sem empenhamento. Não é algo se explique nos comentários de um blog. Daqui a umas décadas uma nova geração crescerá com duas ou três novas palavras, a destilação de décadas de trabalho. Para eles nada haverá a explicar sobre o livre arbítrio. É assim que as novas ideias se propagam. poucas pessoas notam os progressos essenciais.
Afinal, Ininteligível porquê? Porque se quer acreditar que o mundo é bom, que existe um deus bom. Na verdade,

O mundo só pode ser bom se for inintelígivel.

Como se pode aceitar de outra forma a morte de uma criança?
Qual é o preço que se paga por acreditar no tal aforismo? Acabamos por nos fechar ao mundo. Estou a ouvir o clamor da indignação: eu sou bom, estar aberto ao mundo é bom, logo eu estou aberto ao mundo. Não é assim tão simples. Definimo-nos pelas nossas acções, não pelas nossas intenções. Ou pelas intenções que julgamos ser as nossas.

segunda-feira, dezembro 15

sexta-feira, dezembro 5

Bombaim

Não posso concordar com a citação do Lutz acerca dos actos de terrorismo cometidos em Bombaim. Talvez as opiniões de dois cidadãos do mundo, um paquistanês, outro indiano, nos possam dar uma visão mais profunda das coisas. A Índia e o Paquistão são dois gémeos siameses que não podem progredir um sem o outro. Já vai sendo tempo de compreenderem isso.