domingo, dezembro 30

Fat Ladies


Só um louco recusa um menu dégustation de um bom restaurante de francês. Fora isso, faço por ter juízo. Duas senhoras gordas apanharam o Luis M. Jorge num momento de maior credulidade. DVD's com senhoras gordas, eu prefiro cantoras de ópera.

Quando se abate um animal ao estilo kosher, retira-se-lhe o sangue e com ele se vai o aço úrico que dá à carne aquele gostinho tão apreciado. Um bom naco de carne contém catorze gramas de ácido úrico que o animal ainda não teve oportunidade de transformar em urina. O nossos rins só conseguem eliminar oito gramas por dia. Umas das fat ladies está sentada num side-car. Ataque de gota?
As senhoras gordinhas gostam com certeza de uma carne bem tenrinha. A carne só fica tenrinha uns dias depois do animal estar morto, quando as bactérias putrefactoras deixam o colon do animal e se espalham por todo o corpo. Convém esperar.

Substituir uma salada por um raminho de salsa? Uma boa receita para uma vida breve.

A piramide alimentar recomendada pelo governo americano nos anos cinquenta era ditada pelos interesses dos produtores de carne e leite. Os EUA e a Europa gastam fortunas em subsidios à produção de leite quando esta é altamente excedentária. Depois há que tentar escoar este leite, dizendo às pessoas que o leite evita a osteoporose e que necessitam de mais protéinas. Não é bem assim.

O LMJ envia receitas de cabidela às amigas vegetarianas que se preocupam com o sofrimento dos animais. Prefiro enviar-lhes uma cópia deste post.

Dedico estas linhas ao Luís, acompanhadas de votos de rápido restabelecimento das desventuras natalícias.

sábado, dezembro 29

Please

Eles já começaram a campanha. Coitados, há anos que se queixam. Falam muito dos Estados Unidos. Para ver se nós nos esquecemos que cá pela nossa terrinha continua a ser impossível entrar num café ou num bar sem inalar as baforadas de fumo que nos atiram para cima.
Para variar acho que desta vez nós, as vítimas, não deveríamos ficar calados.

quinta-feira, dezembro 27

segunda-feira, dezembro 24

Mandelbrot Set - Jonathan Coulton

Pathological monsters! cried the terrified mathematician
Every one of them is a splinter in my eye
I hate the Peano Space and the Koch Curve
I fear the Cantor Ternary Set
And the Sierpinski Gasket makes me want to cry
And a million miles away a butterfly flapped its wings
On a cold November day a man named Benoit Mandelbrot was born

His disdain for pure mathematics and his unique geometrical insights
Left him well equipped to face those demons down
He saw that infinite complexity could be described by simple rules
He used his giant brain to turn the game around
And he looked below the storm and saw a vision in his head
A bulbous pointy form
He picked his pencil up and he wrote his secret down

Take a point called Z in the complex plane
Let Z1 be Z squared plus C
And Z2 is Z1 squared plus C
And Z3 is Z2 squared plus C and so on
If the series of Z’s should always stay
Close to Z and never trend away
That point is in the Mandelbrot Set

Mandelbrot Set you’re a Rorschach Test on fire
You’re a day-glo pterodactyl
You’re a heart-shaped box of springs and wire
You’re one badass fucking fractal
And you’re just in time to save the day
Sweeping all our fears away
You can change the world in a tiny way

Mandelbrot’s in heaven, at least he will be when he’s dead
Right now he’s still alive and teaching math at Yale
He gave us order out of chaos, he gave us hope where there was none
And his geometry succeeds where others fail
If you ever lose your way, a butterfly will flap its wings
From a million miles away, a little miracle will come to take you home

Links: versão editada de Changing Places.

sexta-feira, dezembro 21

As Mulheres segundo Feynman

Quase toda a gente leu Surely You're Joking, Mr. Feynman. No entanto quase ninguém se lembra de uma pequena secção intitulada You just Ask! Porquê? O conto anterior é apenas um resumo dessa secção. Esse livro ficou famoso pela história onde Feynman ensina a abrir cofres. Mas quem é que está interessado em abrir cofres?

Mulheres: um conto científico (epílogo)

Nesse outono estava a dançar numa festa da universidade com a irmã de um estudante de doutoramento quando me lembrei da Pam. Que tal se fossemos a um bar? Será que a lição do John também funcionava com um jovem de boas familias? Enchi-me de coragem e perguntei: olha, antes que eu te compre esta bebida. Vais dormir comigo esta noite? Ela respondeu que sim.
Nunca mais voltei a usar as lições do John. Não me dava prazer fazer as coisas daquela maneira. Mas não deixou de ser interessante saber que funcionava.

Mulheres: um conto científico (2)

Passei o dia a mentalizar-me: a miúda só quer a comissão das bebidas. Não tenho obrigação nenhuma de ser simpático ou comportar-me como um cavalheiro! Essa noite a Tamara acenou-me e apontou para a Pam. Sorri à moça mas não saí da minha mesa. Ela acabou por aparecer. Não lhe paguei a bebida. Foi-se embora. Via-a a dançar com um tenente da força aérea bem parecido. Olhava para mim enquanto dançava. Tentava fazer-me ciúmes. Ignorei-a. Começava a duvidar que a estratégia funcionasse.
Depois do show ela foi buscar o casaco e atirou a frase. Está-me a apetecer dar um passeio, alguém quer vir? Não podia ignorá-la sempre. Ofereci-me para a acompanhar. Sem demonstrar entusiasmo. Sempre era a primeira vez que saía do bar acompanhado. O tenente tinha desaparecido.Estava a fazer progressos. Fomos beber um café. Ela encomendou umas sandes mas tinha-se esquecido da carteira. Eu paguei-as. Estavamos quase a chegar à porta do hotel. Desculpa, gostava muito que subisses para beber outro café mas combinei com o tenente... Não a deixei acabar a frase: és pior do que uma puta!
O quê?!
Paguei as sandes e o que é que recebo em troca? Nada!!!
Eu devolvo-te o dinheiro!
Ok, devolve lá.
Apanhei-a no bluff. Surpreendida, lá descobriu a carteira e tirou uns trocos. Voltei para o night cub e fiz o relatório ao John: falhei, mas tentei recuperar...
Não te preocupes. Vais dormir com ela esta noite.
Mas ela está a comer o tenente!
Não te preocupes...
Duas horas depois, ajudava eu o John a fechar o bar quando apareceu a Pam.
Agarrou-me o braço e levou-me de volta para o hotel.

quinta-feira, dezembro 20

Mulheres: um conto científico

Eu ia àquele night club muitas vezes. A Tamara apresentava-me sempre a uma das dançarinas. Ela sentava-se na minha mesa, eu pedia umas bebidas e falavamos. Ela ia fazer o show e depois voltava. Os homens das mesas em volta invejavam-me. Depois ela dizia qualquer coisa do tipo: gostava que viesses ao meu quarto esta noite mas ... talvez amanhã.
Uma noite a Tamara apresentou-me a Gloria. Quando ela se levantava da mesa por qualquer razão acabava sempre por trocar umas palavras ou uns olhares com o mestre de cerimónias. Tratava-se de uma cumplicidade calma, não de um engate. Resolvi arriscar. Da vez seguinte que a Gloria se levantou passei pelo mestre de cerimónias e atirei: a sua mulher é muito simpática. Acertei. Ele achou que ela me tinha dito. Ficamos na conversa. Quando ela voltou, achou que ele me tinha dito. Depois do cabaret fechar fui até casa deles e assim nasceu uma bela amizade. Acabei por lhes perguntar porque é que a Tamara era tão simpática e me apresentava todas aquelas moças. A Gloria explicou-me: pouco antes da Tamara me apresentar a ti, disse-me: agora vou-te apresentar ao maior mãos largas cá do bar. Parece que tu da primeira vez que cá vieste pagaste uma rodada de champagne a toda a gente. Então era isso!
Confessei que andava meio frustrado. Como era possível que um tipo esperto como eu nunca tinha conseguido levar uma moça para a cama, quando tantos outros, que tratavam as moças abaixo de cão, o faziam sem qualquer dificuldade?

O John ficou de me dar uns conselhos. O problema fundamental é o seguinte: tu queres ser um cavalheiro simpático. Enquanto te comportares dessa forma, ela sabe como lidar contigo, conduz-te onde ela quiser. Como tal

1. Não te podes comportar como um cavalheiro em nenhuma circunstância.
2. Deves desrespeitar as moças.
3. Não lhes vais pagar NADA. Nem sequer um maço de cigarros até lhe perguntares se ela dorme contigo, ela responder que sim, e tu ficares absolutamente convencido que ela fala verdade.

uuhhhhh, isso pergunta-se?

quarta-feira, dezembro 19

>Porque é que o amor não entra nessa "equação económica"?

Caro Jaime,

por amor referes-te àquele sentimento sublime e profundo cujas causas são sempre um mistério mas que por algum motivo só surge nos gajos face às tipas de mamas grandes e nas gajas face aos tipos que as tratam mal?
Isto é uma equação, não é um caixote de lixo para mitologias infantis. Nem mesmo no Natal.
Um conselho: lá porque as gajas dizem que gostam que os homens sejam gays, digo, sensíveis, e tal, não quer dizer que elas ofereçam alguma coisa aos tipos que cumprem com esses preceitos. Já o deves ter observado muitas vezes. Uma ideia: se calhar, se uma coisa se repete frequentemente, é porque não é acidental.
As mulheres falam de amor como os Ingleses falam de sabão: Se ouvires o que eles dizem, parece que o inventaram, mas se vires o que eles fazem, parece que não sabem o que é nem para que serve.
Se queremos perceber as mulheres, pedimos-lhes que nos expliquem. Depois pomos o som em off e anotamos como de facto elas agem.
Isto não é ser misógeno, pelo contrário, eu ADORO as gajas. Mas se vais ter cascavéis como bichos de estimação convém que aprendas primeiro qual é o lado que morde. ;)

PS: Bate lá, Sofia, anda. Today is a good day to die! ;)

OMWO

Cartas de condução com pontos

Vamos ter dentro em breve cartas de condução digitais com um sistema de pontos. Cada infracção reduz o nosso número de pontos, podendo-se chegar rapidamente à inibição de conduzir. Este tipo de cartas já existe em França e Espanha. Alguns espanhóis da raia começaram mesmo a vir a Portugal tirar a carta. O sistema é mesmo eficaz a travar os excessos de velocidade. É sim senhor. Tenho vários amigos espanhóis que passaram a andar na linha. São eficazes a tornar a estrada mais segura? Está por provar. O ministro espanhol responsável pelo sector anda muito chateado com os automobilistas. Depois de alguns sinais de melhoria, o número de acidentes durante as férias do verão disparou. O homem disse que ia procurar desenhar novas medidas. Chegaram agora: Pena de prisão para quem for apanhado acima dos 180 km/h. Se esta medida não resultar, qual será o próximo passo?
Que tal fazer um estudo estatístico sério sobre as verdadeiras causas que estão por detrás dos acidentes? Dá muito trabalho?
É verdade: Todos os acidentes acontecem por excesso de velocidade. Se dois carros estiverem parados, nunca chocam um com o outro.

PS: Aqui vai o link. Afinal é apartir de 200km/h na estrada e 110km/h no que é considerado cidade. Até SEIS meses de prisão.

Nota Mental: já não posso comprar o Porsche.

segunda-feira, dezembro 17

Logica Difusa 3

O ex-Presidente Italiano, Francesco Cossiga, afirmou que foram a CIA e a Mossad que executaram os atentados do 11 de Setembro de 2001. Que credibilidade se pode dar a estas afirmações? Bem, o homem já tinha feito afirmações semelhantes no passado. Denunciou a existência da Operação Gladio. Segundo Cossiga a CIA teria executado operações terroristas na Europa com o objectivo de as inputar a grupos terroristas e daí retirar dividendos políticos. Entre essas operações incluem-se o rapto e posterior assassínio de Aldo Moro, primeiro ministro de Itália e vários atentados à bomba. O homem já é reincidente. Acontece que o Parlamento Europeu ordenou em 1990 uma investigação ao caso, reconhecendo alguma credibilidade a Cossiga.
A ideia de que a CIA teria sido capaz de infligir um ataque em pleno território americano parece algo insana. Vamos admiti-la por um instante. Que teria a direita americana a ganhar com um acto deste tipo. Bem, Bush estava em muito maus lençois, dificilmente seria reeleito. O 11 de Setembro foi a melhor coisa que lhe podia ter acontecido. O 11 de Setembro também permitiu limitar as liberdades civis, atacar o Afeganistão e o Iraque, dar dinheiro a ganhar aos amigos de Bush... Mas o Bin-Laden confessou! Pois confessou. Em troca dessa confissão tornou-se o heroi de todo o mundo Islamico. Um bom negócio. Seria de esperar que os EUA desenvolvessem esforços sérios para o apanhar. Não foi o caso. Para além do mais a sua família teve direito a um salvo conduto para sair dos EUA a 12 de Setembro, quando todos os aeroportos estavam fechados. Pois, também existiram movimentos altamente suspeitos na bolsa de Nova York nos dias que antecederam as explosões. Esses movimentos só não foram considerados crimes porque não se estabeleceram relações entre as pessoas que os fizeram e a Al Qaeda. Se não foi só a Al Qaeda que esteve por detrás dos atentados, o caso muda de figura.

Concluindo: podemos acreditar com intensidade 100% que os atentados de 11 de Setembro foram executados pela Al Qaeda ou devemos considerar que esta afirmação não é completamente segura? Estamos preparados para nos movermos neste mundo sem certezas?

sábado, dezembro 15

A Economia do Sexo

A Isabela escreveu recentemente vários posts condenando moralmente uma transação comercial que considera que é estabelecida de livre vontade entre dois adultos. Como é que a existência dessas transacções afecta os seus interesses?
A existência de prostitutas perturba significativamente a economia (não monetária) das transacções sexuais entre homens e mulheres. Se os homens que vão às prostitutas não o pudessem fazer, teriam de negociar sexo com mulheres não prostitutas. Aceitar as suas condições. Esse aumento da procura reflectir-se-ia no mercado das transações sexuais, afectando o comportamento de todos os homens, mesmo dos que não vão às prostitutas. O poder das mulheres aumentaria significativamente.
Até que ponto é que as nossas posições morais são influenciadas pelos nossos interesses?

PS: A economia trata de todas as interacções entre pessoas que envolvam bens escassos. Não se esgota nas transações monetárias nem nos bens tangíveis.

Knol: Google versus Wikipedia

Actualmente um quinto do tráfico da Google dirige-se à Wikipedia. Imaginem que a Wikipedia permitia Google Ads. Quanto é que a Google podia ganhar com isso? Que tal criar uma nova Wikipedia com Google Ads? Está em fase experimental e chama-se Knol. Durante a fase experimental os artigos são escritos por especialistas convidados. Depois, qualquer pessoa se pode candidatar a escrever um artigo. Os autores recebem o dinheiro dos Ads, caso decidam incluí-los. Os outros podem comentar.
A Google distingui-se pelo seu motor de busca super eficiente, pelo seu código ético e por trabalhar sempre com ideia originais. Pela primeira vez faz lembrar a MicroSoft. Veremos o que acontece. Via Razão Crítica.

Vês, ouves e lês

Francisco Chimoio, arcebispo do Maputo, desaconselha o uso do preservativo. Afirma que várias marcas de preservativos produzidas na Europa são deliberadamente infectadas com sida, o mesmo acontecendo com os medicamentos que são usados para tratar a doença.
Neste momento 16% da população moçambicana está infectada com o vírus.
Como pode a hierarquia da igreja católica ignorar estes factos?
E tu, católico praticante, vais ignorar estes factos?

Rejecta Matematica Caveat Emptor

Não deite fora os seus papers rejeitados. Esvazie o seu caixote do lixo. Via A última Dança.

quinta-feira, dezembro 13

As Ordenações Afonsinas

foram mais indulgentes para com as senhoras.
Sê-lo-á também o nosso José Maria?

Rare Erotica

quarta-feira, dezembro 12

O Talibã da Rua de São Lázaro

As lições de Chang

Ou tudo o que um cidadão bem informado deveria saber sobre economia em geral e a globalização em particular para entender o mundo em que vivemos. Um serviço público dos ladrões de bicicletas.
Indexado para nós pelo Daniel Oliveira.

Futebol e Economia

Por muito que nos custe, a maneira mais eficiente de organizar uma equipa de futebol é montar um bom sistema defensivo, um sistema de pressão alta, treinar as transições rápidas defesa-ataque, escolher dois ou três jogadores criativos que se complementem, e ser optimista. Por cada equipa que joga deliberadamente ao ataque, há duas que lhe dão a volta. O Barcelona do Cruyft levou 5-0 do Milan. A Holanda perde sempre com Portugal.
Por muito que nos custe, a médio prazo os economistas só sabem controlar a inflação e impedir a economia de aquecer demasiado, evitando as consequências nefastas do sobreaquecimento. Consequências que conhecemos várias vezes nas últimas décadas. É mais ao menos fácil estimular a economia e fazer um brilharete durante dois aos três anos. Depois vem a ressaca.
Muita gente boa anda a pedir a Sócrates que jogue mais ao ataque, com a melhor das intenções. Tenham cuidado com o que pedem, podem vir a consegui-lo.

Pensar Bem - Pensar Melhor

Qualquer pessoa que tenha frequentado o Cambridge teve oportunidade de aprender por lá algo mais do que inglês. Aprende por exemplo a estruturar uma apresentação, começando com uma introdução onde explica os seus objectivos, terminando com um resumo das conclusões a que chegou. Expor melhor obriga-nos a pensar melhor. Não se ensina nada disto ao longo de doze anos de estudo da língua portuguesa. Apesar de a Inglaterra ser o nosso mais velho aliado, nunca aprendemos nada com o pragmatismo da cultura inglesa. Da cultura francesa assimilámos o bom Rosseau, que considera que já nascemos ensinados. Não é bem assim.
Sabia que é muito comum a existência de cursos de pensamento crítico nas universidades dos países de cultura anglo-saxónica. Por alguma razão o fazem. Não sabia é que existia um desses cursos aqui por Lisboa. Vejam o post do Ludwig Krippahl no Rerum Natura.

terça-feira, dezembro 11

Em busca do tempo perdido

O amor nos tempos de internet (13).

Revisitando o Gato de Schrödinger

As partículas que compõem o mundo seguem as leis da física quântica. Podem estar ao mesmo tempo em vários lugares, saltar de uma lado para o outro. Até agora achava-se que nós nunca observamos esse tipo de fenómenos devido a questões de escala. De alguma forma era como se a diferença de escala criasse uma diferença qualitativa. Afinal, parece que essa diferença é apenas quantitativa.
Agora alguns físicos argumentam que só não observamos esses fenómenos porque não fazemos medições suficientemente precisas. Se as fizéssemos podíamos por vezes observar a agulha de uma bússola saltar de uma posição para outra sem passar pelas intermédias, em consequência de uma flutuação discreta do campo magnético terrestre. Mais detalhes em Anaximandrake, um blog deliciosamente francês.

segunda-feira, dezembro 10

Logica Difusa 2

Durante muito tempo defendi a justificação moral do lançamento das bombas de Hiroxima. O argumento é simples: depois da resistência suicida das forças japonesas em Okinawa, seria de esperar um número de baixas gigantesco no caso de uma invasão do arquipelago japonês. Só essa invasão podia acabar com a guerra. Não compreendia muito bem o sentimento de culpa de Openheimer e de outras pessoas ligadas à criação da bomba.
A posição mais comum sobre o assunto até é a condenação do lançamento da bomba. Quanto a mim, é feita por razões emocionais demasiado primárias para serem levadas a sério.
Se afinal os japoneses tinham proposto aos americanos uma rendição em termos semelhantes aos que foram obtidos depois do lançamento da bomba como é referido neste jornal de referência alguns meses depois do fim da guerra, parece-me que o caso muda de figura. Que vos parece?
Se se pode mudar de opinião sobre factos tão importantes, é melhor começar a medir a intensidade com que acreditamos em cada facto histórico.
Agradeço ao Diogo ter-nos dado a conhecer este facto.

sábado, dezembro 8

Lógica Difusa

O mundo não é a preto e branco. As nossas convicções são? Quando nos apresentam um facto, temos necessidade de acreditar na sua veracidade ou recusá-la liminarmente, ou sentimo-nos confortáveis em lhe atribuir um certo grau de incerteza? A lógica difusa ensina-nos a lidar com essa incerteza.
Um copo não tem de estar cheio ou vazio. Pode estar 30% cheio.
Chávez pode não ser um anjo nem um demónio.
Usa a lógica difusa no dia a dia, intuitivamente?
Há algum facto histórico relevante a cuja veracidade atribua uma probabilidade algures entre os 20 e os 80%?
Há algum facto histório relevante sobre cuja veracidade tenha mudado de opinião?
Há algum acto histórico relevante sobre cujo estatuto moral tenha mudado radicalmente de opinião?
Limitemo-nos a factos ocorridos depois do nascimento dos nossos avós...

Desflorar uma virgem

Pode ser que ainda vão a tempo!

Cinco

Eu é mais livros. Os filmes são para ver, não para pensar neles. No entanto é difícil esquecer alguns:

Amadeus - Milos Forman
American Beauty - Sam Mendes
Forrest Gump - Robert Zemeckis
Melhor é impossível - James L. Brooks
Voando sobre um ninho de cucos - Milos Forman

Psicanalisem à vontade...
Passo a bola do Lutz para o Alexandre Pearson, o Hugo, o Lino, a Sofia e a Maria da Conceição, que está de volta, se é que ainda não repararam.

terça-feira, dezembro 4

O medo comanda a vida?

É mais seguro ser temido do que ser amado.
Nicolau Maquiavel

Ninguém criticaria o pai Bush se este tivesse ido até Bagdad buscar a cabeça de Sadam. Ainda por cima era barato. Não o fez e explicou porquê: essa idiotice acabaria por sair cara, muito cara. Como pôde o filho convencer alguém inteligente do contrário? Pelo medo, claro.
A guerra fria permitia governar pelo medo. Durante décadas o poderio economico-militar da União Soviética foi sistematicamente sobreavaliado em termos comparáveis ao que se veio a fazer com o Iraque. O 11 de Setembro permitiu voltar a governar pelo medo.
Ao contrário de Putin, Chávez não mete medo a ninguém. Criticar Chávez é o ritual onde prestamos vassalagem ao nosso Príncipe.
O medo não é uma arma exclusiva dos senhores. Uma certa esquerda usa os problemas ambientais para conseguir através do medo aquilo que não conseguiu de outra forma. Que não sirva porém este facto para negar a existência desses problemas. A negação da realidade é tão só o medo de ter medo.

domingo, dezembro 2

Inquietudes

A religião responde a uma inquietação metafísica e existencial, que uma explicação do "como" não consegue apaziguar.

Responde mesmo? Quando se admite a leitura literal da Bíblia, fica tudo claro, mas só alguém com uma mentalidade muito primitiva o consegue fazer. As inquietações são neste caso apaziguadas ou apenas reprimidas? Quando se pressupõe a necessidade de interpretar a Bíblia, haverá realmente lugar a um apaziguamento das inquietações metafísicas e existenciais? Não será que, na melhor das hipóteses, algumas inquietações foram apaziguadas, dando lugar a outras?
Para já não falar nas novas inquietudes do tipo "como pode Deus deixar morrer aquela criança?").

Não será a ideia de que com a morte do corpo físico tudo acaba o melhor apaziguador de todas as inquietudes? Não é reconfortante saber que, quaisquer problemas que venhamos a ter um dia, vão todos ter um fim?

sábado, dezembro 1

Onde está o Mercado?

A lata do tipo. Ofereceu-me vinte euros pelo produto X da minha loja. Vinha ele num Mercedes dos caros. Respondi-lhe logo que o preço era vinte e cinco.

É feio ir a uma loja e regatear preços, não é?

Um dito espirituoso

prova coisa nenhuma.
Voltaire