quarta-feira, junho 28

Cold turkey

Como é possível? Dois dias sem futebol!

Nietzsche, Breuer and Freud

Uma jovem elegante marca um encontro com o Dr. Joseph Breuer num café de Veneza. Convence-o a aceitar tratar um obscuro filósofo alemão das suas ansiedades, sem que este o saiba. Breuer acaba por se envolver-se nesta aventura porque Lou Salomé lhe faz lembrar Anna O, a paciente histérica por quem está apaixonado. De volta a Viena, Breuer convence Nietzche a usar a sua filosofia para lhe resolver os seus problemas psicologicos enquanto lhe trata as enchaquecas. De vez em quando aconselha-se com o seu jovem amigo Sig.
Nietzsche acaba por inventar a psicanálise, curando Breuer. Acaba também por ultrapassar o trauma triangular em que estava envolvido.
Um excelente livro que se lê de um folego. Só o título podia ter sido melhor escolhido. Não recomendável a senhoras sensíveis. As mulheres fatais são reduzidas a automatos que compulsivamente repetem o mesmo truque com todos os homens. O autor é capaz de ter uma certa razão. Só algumas donas de casa se aguentam.

O fenómeno da transferência perturbou Breuer, que abandonou o seu trabalho pioneiro nessa área. Dez anos mais tarde publicou juntamente com Freud o caso Anna O.

Eric Gill 7

segunda-feira, junho 26

Eric Gill 5

Eric Gill (1882 – 1940) foi um importante escultor, tipógrafo e gravador. Produziu as esculturas da Via Sacra da Catedral de Westminster. Produziu também vários tipos de letra bastante usados ainda hoje. Tem direito a um elogioso artigo na Encyclopædia Britannica e a uma biografia neste site sobre autores católicos. Católico extremamente devoto, Gill escreveu vários livros sobre a relação entre a arte e a religião. Foi um precursor das ideias introduzidas pelo Concílio do Vaticano II e pelos movimentos ecologistas. Criou várias comunidades cristãs auto-suficientes. Combinava as suas ideias religiosas com ideais de vida comunitária.
Gill adoptou toda a sua vida um estilo de vida boémio. O sexo em grupo era mais ou menos tolerado nas comunidades que fundou. Tinha relações sexuais com duas filhas e duas irmãs. Descreveu em grande detalhe no seu diário as suas experiências sexuais com o cão da familia. Publicou gravuras onde Cristo está envolvido em actos sexuais com uma santa. Eventualmente Maria Madalena. Este site conservador ataca-o de uma forma um pouco ridicula. É por exemplo acusado (?) de ser homossexual. Parece que não é verdade que o fosse. Ele gostava de experimentar coisas. Experimentou relações com animais pelas mesmas razões que experimentou actos homossexuais: era um tipo metódico, queria saber como era.

Se o Eric Gill dissesse que em todos os seus actos foi guiado pelo primeiro mandamento, que lhe responderiam?

Eric Gill 4

domingo, junho 25

sexta-feira, junho 23

Melhor é impossivel

Pergunta muito bem o /me. Para quê a igreja? Uma pergunta a que ele, e a MC, não podem deixar de responder. Estes dois católicos revelaram recentemente partilhar uma heresia. Fazem tábua raza de toda a tradição católica, instituindo o amor como único mandamento. Fazem-no de uma forma tão radical que se querem tão livres como qualquer ateu. E ao mesmo tempo esperam ser aconchegados por Deus, e pela Igreja? Não dá, meus! Acho bem que acabem na fogueira!

quinta-feira, junho 22

1143 - 1185



Dan Brown versus George Bush

Sou uma das duas ou três pessoas que leram o Código da Vinci e dizem que gostaram. Muitos tentaram entretanto copiar a receita milionária. É mais dificil do que parece. A verdade é que ele inventou um novo genre, o thriller mitologico, ou lá o que lhe queiram chamar. As personagens principais dos seus livros são sempre instituições importantes da nossa sociedade e sociedades semi secretas. Umas meio imaginárias, outras bem reais: a National Security Agency, o Vaticano, o CERN, a Opus Dei, a Maçonaria, etc. A sua investigação desencanta factos verdadeiros, estranhamente ignorados da maioria do público. Estes factos são então espectacularmente encadeados numa trama romanesca recheada de referências mitologicas, dando o indispensavel toque de credibilidade ao enredo. Basta lembrar os simbolos maçonicos que povoam a notas de dolar...
Será possível a Dan Brown ultrapassar o êxito do Codigo da Vinci? Onde pode ele desencantar uma instituição simultaneamente tão importante e tão decadente como a Igreja Católica?
...Que tal o sistema eleitoral do mais poderoso país do planeta?
Toda a gente sabe que George W foi eleito graças aos bons oficios do seu irmão Jebb. O que nem toda a gente sabe, embora seja um facto indisputavel, é que tanto Bush como Kerry são membros da sociedade secreta Skull and Bones. Numa democracia, convém deixar ao povo a ilusão de que pode decidir...
George pai bem se esforçou para que o filho frequentasse Yale. Só assim poderia ele herdar o seu lugar de membro da sociedade que também dá pelos nomes de Loja 322 e Loja da Morte. Esta sociedade esteve inicialmente ligada ao tráfico de ópio da Turquia para a China. Depois disso dedicou-se a garantir que a rica aristocracia americana se tornasse cada vez mais rica. Os seus membros desempenharam inumeros cargos governamentais. Normalmente chegava-lhes ser secretários do comércio ou directores da CIA. Agora esses cargos já não satisfazem os apetites dos seus membros. Montgomery Burns, o dono da central nuclear na série Os Simpsons, é supostamente membro da Skull and Bones. Só esse facto lhe garante a impunidade perante a lei.
A Skull and Bones será um dos temas centrais do novo livro de Brown. Outros temas serão a Maçonaria, a arquitectura esotérica da cidade de Washington e o misterioso matemático Solomon Kullback. Lançar a Chave de Salomão uns meses antes das próximas eleições americanas pode acabar por transformar o Código da Vinci num êxito menor do autor. O impacto político também não será totalmente desprezível. Pode acontecer que alguma da nossa intelectualidade deixe de desdenhar totalmente Dan Brown. Talvez até passem a admitir que folhearam os seus livros...

segunda-feira, junho 19

Pontos de vista

A todos os relativistas que compreendem o nossos irmãos islâmicos. A todos os amantes da paz que condenaram os cartoons de Maomé. Vejam o video do Falta de Tempo, no final do post. Ou vão aqui.

segunda-feira, junho 12

A Espanha aqui ao lado

Oiço mais cobras e lagartos dos meus amigos espanhóis a propósito de Zapatero do que oiço queixas em Portugal acerca de Sócrates. Merecidamente, talvez. Como explicar então a prosperidade galopante da economia espanhola quando comparada com a nossa? A culpa é da sociedade portuguesa, como é obvio.
Aqui fica a prova. Quem quiser ir dar um pé de dança em Portugal tem de se vestir mais ou menos a rigor e passar o exame do porteiro de serviço, que nesse dia pode ter feito mal a digestão. Depois chega a uma sala onde todos se vigiam de copo na mão. Só se começam a mexer perante a ameaça do encerramento da sala. Em Espanha existem por todo o lado bares informais onde se começa a dançar enquanto se tira o casaco. Com esta diferença tão abismal de produtividade, como podemos competir com eles?

Por uma vez

subscrevo as palavras do João César das Neves. Sem ironias.

PS: Não tinha lido o último paragrafo...

domingo, junho 11

Nunca pensei apoiar Cavaco

no seu primeiro veto ao governo. A culpa é da Ana Gomes:
Alguém tem dúvidas de que eu ... alguma vez teria sido integrada na lista europeia do PS, em 2004, se não fosse ... o sistema de quotas?

sábado, junho 10

Números

- Ansiosa, a jornalista explicava-nos que a principal causa de mortalidade infantil em Portugal eram as mortes por acidente ocorridas em casa. Como é possivel que seja assim?

- "O número de acidentes viação este ano foi maior do que o ano passado."

- "O número de acidentes viação este ano foi menor do que o ano passado."

Convém lembrar que:

É impossível reduzir a mortalidade infantil a zero. Haverá sempre uma causa de mortalidade infantil que acabará por ficar em primeiro lugar. As mortes por acidentes ocorridos em casa passaram para primeiro lugar porque o nosso país resolveu os seus problemas mais graves de saúde pública. Devíamos celebrá-lo com champagne.
Para discutir as causas de mortalidade infantil seria necessário arranjar números sobre outros países, compará-los com os nossos, etc. Os números em valor absoluto não tém qualquer significado. Obter esses números e analisá-los dá algum trabalho. E estragavam o tom melodramático do programa de rádio que eu estava a ouvir.
Insistir na questão dos acidentes ocorridos em casa com crianças, se os números forem semelhantes aos de outros países, contribui apenas para criar um clima de hiperproteccionismo entre os pais.

O facto de este ano ocorrerem menos acidentes de transito do que o ano passado não tem necessáriamente que ser interpretado como sendo o resultado de uma melhoria da segurança rodoviária. É mais provavel que esteja relacionado com as condições atmosféricas que ocorreram durante os períodos de férias, com o aumento do preço da gasolina, com a diminuição do número de pontes.
Só faz sentido analisar os resultados de uma política de segurança rodoviária olhando para um gráfico onde se mostre a evolução do número de acidentes ao longo de pelo menos os ultimos cinco anos. Dá trabalho a interpretar, as conclusões podem não ser muito claras. Pode-se descobrir até que afinal não há nada de relevante para noticiar. Para quê ter tanto trabalho?

-1143



Wilde Oscar 6

Só nos livramos de uma tentação cedendo a ela.

Hokusai 6

sexta-feira, junho 9

He wrapped himself in quotations-

-as a beggar would enfold himself in the purple of Emperors.
Rudyard Kipling

quinta-feira, junho 8

Wilde Oscar 5

Uma mulher casa-se pela segunda vez se detestava o primeiro marido.
Um homem casa-se pela segunda vez se amava a primeira mulher.

O tabaco vai aumentar 20%

Significa isto que cada cigarro vai ficar mais caro 1%.

Artur Albarran, no Telejornal, a long long time ago.

quarta-feira, junho 7

Nietzsche: Aforismo 1

Não existem factos. Só interpretações.

O Dilema do prisioneiro 3

Era uma vez uns milhões de arbustos que saltitavam de geração em geração pelos campos da Califórnia. Havia luz do sol que chegasse para todos. Mas um dia um arbusto cresceu um pouco mais do que os outros. Tapou o sol aos outros e reproduziu-se mais depressa. Os arbustos não ganhavam nada em gastar mais energia no crescimento, mas os que não sofriam a mutação no gene acabavam por desaparecer. Alguns milhões de anos depois as poucas centenas de arbustos que sobreviveram a esta louca corrida aos armamentos ultrapassam em altura o comprimento de um campo de futebol. Chamam-se sequóias. A sobrevivência desta espécie encontra-se ameaçada. Se os arbustos tivessem "concordado" em não crescer estariam numa situação muito mais confortável.
Como explicar que a selecção natural tenha conduzido esta espécie a um mau negócio? O dilema do prisioneiro ajuda a explicar este e muitos outros fenómenos. Este "jogo" ocupa um lugar central na Teoria dos Jogos.

terça-feira, junho 6

Wilde Oscar 4

Never speak disrespectfully of Society, Algernon. Only people who can’t get into it do that.

domingo, junho 4

O dilema do prisioneiro 1

A polícia prende dois suspeitos de ter cometido conjuntamente um assassínio. As provas são insuficientes. O suspeitos são separados e é proposto a ambos o mesmo negócio. Se o suspeito A confessar e testemunhar contra o B e o B se calar, A sai em liberdade e B é condenado (à morte). Se ambos falarem, gozam ambos de imunidade parcial (apanha cada um dez anos). Se ambos se calarem, a polícia apenas consegue incriminá-los de um crime menor (acabam por apanhar ambos seis meses).
Qual a melhor estratégia para os prisioneiros?
A melhor solução para ambos seria ficarem calados. Mas nesse caso cada um coloca a sua vida à mercê da decisão do outro. É menos arriscado confessar. Mas acabam bem pior do que se ficassem calados...

sábado, junho 3

Wilde Oscar 2

Quando um homem faz o que uma mulher espera dele,
perde o seu respeito.
Façam só o que ela não espera.
Digam só o que ela não percebe.

Sísifo

Não importa quantos posts um blogger publica hoje, terá de voltar a publicar um amanhã. Às vezes resolve-se parar.

sexta-feira, junho 2

Quote of the day

If you want to tell people the truth, make them laugh, otherwise they'll kill you.
Oscar Wilde

Tolerância versus...

Temos realmente de manter-nos unidos, caso contrário seremos todos enforcados à vez.
Benjamin Franklin.
A tolerância de uma sociedade é um dos muitos bens extremamente frageis que tomamos por garantidos desde que não sejamos afectados pela sua falta. Um dia descobrimos que há cidades dos Estados Unidos onde se paga multas (cada dia que passa) por ter filhos fora do casamento, que somos homossexuais, que afinal por muito que nos custe é preciso fazer um aborto, que o nosso acesso a métodos de inseminação artificial é dificultado por razões "éticas", que mudámos de casa ou de país e passámos a ser alvo de alguma discriminação racial, que somos discriminados por causa da nossa escolha religiosa.
Se juntarmos todas as minorias que sofrem de algum tipo de intolerância, obtemos a maioria. Acontece que muita gente não quer abdicar do direito de se imiscuir na vida dos outros. E há sempre razões tão nobres para o fazer! Ou mais simplesmente quer evitar alguns incómodos.
Naquele momento da nossa vida, até tinha dado jeito que a sociedade fosse só um bocadinho mais tolerante, é claro, mas já nos esquecemos disso. Se possível, esquecemos rapidamente que naquele dia, àquelas horas, fizémos parte de uma minoria. Mas da próxima vez, pode ser pior.
Por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

quinta-feira, junho 1

Sempre a aprender

A massa da biosfera afinal é pelo menos o dobro do que era suposto ser. As rochas do subsolo estão impregnadas de micróbios até grande profundidade. É preciso rever toda a geologia. A biologia ganhou um estatuto semelhante ao da matemática, da física e da quimica, enquanto ciência auxiliar da geologia.
Estava eu numa reunião chata quando alguém se saiu com esta a propósito de qualquer coisa. Como o geologo que estava ao lado ficou calado, deve ser verdade.